domingo, 22 de janeiro de 2012

Revista Época questiona: "cadê a Ala dos Mensaleiros"

Época pergunta sobre a ala dos ‘mensaleiros’, Gaviões da Fiel e NaMaria News respondem

janeiro 21st, 2012 by mariafro

Estou impressionada até onde vai o servilismo de algumas publicações aos seus patrões. Impressionada. Nunca vi na história do país matéria questionando conteúdo de enredo de escola de samba, nunca, mesmo porque os enredos de escola de samba como qualquer criação artística têm e deve ter liberdade de criação artística.
No entanto, o homenageado é Lula, a escola de samba em questão é a da maior torcida organiza do Corinthians, aí os capachos da imprensa-empresa se esmeram na detratação.  A Gaviões da Fiel fez uma nota educada para responder a matéria de má-fé da revista Época. Mas se a diretoria da Gaviões lesse blogs poderia fazer as perguntas que NaMaria News e Carta Capital já fizeram à Época e outras publicações da mesma categoria. Quem sabe Época respondesse, nós cidadãos brasileiros ainda aguardamos respostas.
A Gaviões poderia também responder que se tivesse uma ala de mensaleiros teria de chamar o inventor do esquema e a ala teria como destaque Azeredo, por exemplo. O leitor Don Terra Nova sugere outros destaques para a ala:

@ FHC Eduardo Azeredo Paulo Black destaques...

Nota oficial – Matéria Gaviões Carnaval 2012 – Revista Época
No site de Gaviões
Nós, dos Gaviões da Fiel, repudiamos o conteúdo da matéria publicada pela revista Época, em 21/01/12, em sua edição de nº 714, cujo título é “Cadê a Ala dos Mensaleiros”,e fazemos a questão de apresentar os fatos da forma mais clara e verdadeira possível.
Em meados de novembro, fomos procurados pela “repórter” Mariana Sanches, que nos solicitou uma visita sob a alegação de estar escrevendo uma matéria a respeito do Carnaval 2012. Prontamente recebemos a repórter, que alegava ser essa sua principal e grande matéria e que queria explorar ao máximo para conseguir um destaque com a mesma.
Em função disso e por respeito à profissional, abrimos as portas de nossa quadra e permitimos que algumas imagens fossem feitas em nosso barracão, concedemos entrevista exclusiva com nosso Carnavalesco e com nosso Presidente e nos colocamos a disposição para ajudá-la na conclusão da matéria desde que a mesma nos fosse apresentada antes da publicação.
Porém, infelizmente, usando da má fé característica dos maus profissionais, percebemos ao longo do caminho que a jornalista Mariana Sanches passou a dar um tom tendencioso e de especulação à matéria por meio de contatos – que não sabemos como obteve – com diversas pessoas ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob a alegação de estar escrevendo uma matéria a respeito do desfile dos Gaviões.
No entanto, ao ter acesso ao conteúdo final da matéria, constatamos tratar-se mais uma vez de uma agressão gratuita e infundada ao nosso homenageado e, consequentemente, ao processo de construção do carnaval da nossa entidade, que escolheu o enredo sem levantar nenhuma bandeira política ou partidária. O maior objetivo da escolha do tema é a homenagem ao povo brasileiro e aos Corinthianos, através da figura emblemática do ex-presidente Lula, assim como consta na explicação do nosso enredo (clique aqui e saiba mais). Mas não nos surpreende que tal veículo insista em tentar descontextualizar os fatos e criticar o Lula.
A nós, tal episódio só fortalece para que levemos à avenida em destaque estes e outros motivos que fazem com que nosso homenageado tenha sido escolhido como o retrato da nossa NAÇÃO e isso independe da vontade de qualquer veículo de comunicação que queira descontextualizar a homenagem que levaremos à avenida neste carnaval.
Diretoria Gaviões da Fiel

Por sugestão do leitor Marco Aurelio vamos lembrar à Época e aos leitores de Época as relações entre a revista e o governo tucano do estado de São Paulo.
CartaCapital quer saber: Por que só a Veja, Época e IstoÉ?
NaMaria News

No dia 13 de setembro passado, o NaMariaNews publicou em primeira mão o texto Alckmin: 9 milhões pela fidelidade da ‘Proba Imprensa Gloriosa’ sobre as novas compras de revistas (Veja, Isto É, Época) e jornais (Folha de SP, Estado de SP) pela Secretaria de Estado da Educação, precisamente através da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE. Os contratos assinados pelo atual presidente da FDE, o Sr. José Bernardo Ortiz Monteiro, chegam ao total de R$9.074.936,00.
No mesmo texto foi salientado que, como de costume, não foram assinados contratos com a revista CartaCapital. Embutido nisso a pergunta fatal: e por que não?
No dia 16 de setembro, Mino Carta publicou on-line seu editorial “A mão que lava a outra” (versão impressa: n. 664, 21/setembro, pág. 21) e muito nos enobreceu com o seguinte parágrafo:
“Neste exato instante, recebemos a informação de que, na esteira do ex-governador José Serra e do seu ex-secretário da Educação Paulo Renato, o atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz Monteiro, acaba de renovar contratos para o fornecimento de assinaturas com as revistas Época, IstoÉ e Veja, e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo pelo valor total de 9 milhões de reais e alguns quebrados. Não houve licitação, está claro, assim como está que CartaCapital foi excluída mais uma vez.”
Pois não é que neste exato instante recebemos a informação de que a CartaCapital está pedindo oficialmente à presidência da FDE explicações sobre tais compras? Sim, está.
Agora, CartaCapital pergunta o que o blog NaMariaNews sempre quis saber em uma porção de textos publicados desde o seu nascimento, em junho de 2009.
  • Por que comprar para as escolas públicas de SP somente a Veja, Isto É e Época?
  • Não há outras publicações similares ou melhores no mercado?
  • Qual é a justificativa “pedagógica” e/ou legal para tais compras sem licitação?
  • Com qual dos orçamentos da Secretaria de Educação a FDE executa tais compras? Já que a FDE não tem orçamento próprio e o que ela executa é a mando da Secretaria, em especial aquelas do campo pedagógico. Ou seja: alguém dentro da SEE é responsável pelo negócio das assinaturas. Quem seria e como se fundamentaram as aquisições?
Justificando o injustificável
Não é a primeira vez que compras dessa natureza são questionadas legalmente. Por exemplo, em 2009 a ONG Ação Educativa encaminhou ofício à presidência da FDE e obteve, após insistência, cópia de todo processo do contrato 15/1165/08/04 (Diário Oficial 1/10/2008 e 25/out/2008) referente à compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, ligada à Abril, da Veja – no valor de R$3.700.000,00. Tudo sem licitação, usando a lei 8.666.
A partir da análise dos dados, a Ação Educativa obteve um avanço histórico:
“Em 26 de maio [2009], o Ministério Público de São Paulo então propôs ação civil de responsabilidade por ato de improbidade administrativa contra o Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, a Diretora e o Supervisor de Projetos Especiais, ambos da FDE, bem como contra a Fundação Vitor Civita.
“A Ação, que tem como fundamento possíveis irregularidades no contrato firmado sem licitação entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e a Fundação Victor Civita, requer a responsabilização dos agentes públicos por condutas que podem ser caracterizadas como improbidade administrativa e ainda tramita na Justiça Estadual.”
Trata-se do processo 0018196-44.2009.8.26.0053 (053.09.018196-7), que pode ser acompanhado no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (ver aqui).
O pedido da Ação Educativa é muito semelhante ao que a CartaCapital faz agora. Os documentos entregues pela FDE à ONG podem ser lidos aqui. Entre eles, uma “pérola”, assinada por Inácio Antonio Ovigli, então supervisor da Diretoria de Projetos Especiais, cujo conteúdo muito interessa ao NaMariaNews e à CartaCapital, a justificativa dos compradores – no caso, a SEE por meio da FDE. Alguns trechos:

“Para o atendimento das Diretrizes para o Ensino de Língua Portuguesa (Leitura, Escrita e Comunicação Oral) e Matemática, e na busca de superar mais essa condição problemática para a aprendizagem dos alunos, a SEE/SP vai implantar um programa de distribuição de materiais de apoio didático-pedagógico para alunos e professores, composto de livros, revistas, fascículos e outros suportes da escrita, destacando-se, entre essas publicações, a Revista “Nova Escola”.
“Tem uma pauta editorial que privilegia matérias de orientação e elaboração de planos de aulas, além de uma variedade de temas sobre a atualidade de interesse da área educacional, abordados em reportagens, entrevistas, resenhas, depoimento de professores e alunos.
“Na pesquisa de mercado realizada no período de seleção da obra a ser adquirida, não foi localizada obra similar com as mesmas características da Revista Nova Escola. Por essa razão, foram solicitadas notas fiscais à responsável pela sua publicação, com a finalidade de comprovar que o preço a ser pago pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação é compatível com o preço cobrado pela editora às outras instituições que adquiriram essa obra.
“Desse modo, solicitamos as providências necessárias junto à editora para a aquisição do título Nova Escola, publicada com exclusividade pela Fundação Victor Civita”.

Evidentemente a Ação Educativa contestou esses e outros argumentos da FDE. No mínimo três pontos merecem destaque. Mas o terceiro, sem dúvida, é uma “perolona”, que desvenda muito mais do que se pode imaginar sobre o fabuloso mundo dos projetos dito educacionais. Atentem bem – os grifos em negrito são da Ação Educativa, o vermelho é do NaMariaNews:
1º) A lei federal 8.666 de 21 de junho de 1993 (que “estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, incluindo a inexigibilidade de licitação) foi desacatada em seu artigo 25, que deixa claro ser vedada “a preferência de marca, que ocorreu explicitamente neste caso, uma vez que outras editoras não foram sequer consultadas”.
2º) A revista Nova Escola não tem exclusividade temática. “É importante mencionar ao menos duas outras revistas que poderiam ser escolhidas para cumprir as mesmas funções da Revista Nova Escola, tais como as descritas em seu processo de compra: a Carta na Escola, Editora Confiança Ltda, e a Revista Educação, da Editora Segmento Ltda”.
3º) “De acordo com os documentos (fls. 4-12 do processo FDE n. 15/1165/08/04), a motivação inicial para a elaboração do contrato foi uma carta encaminhada em 1/9/2008 pela Fundação Victor Civita à então Secretária de Educação Maria Helena Guimarães de Castro, propondo parceria, com descrição da proposta pedagógica da Nova Escola, preços e condições, além de cronograma de postagem. Ora, o contrato não partiu de uma necessidade da Secretaria de Estado, mas sim de uma oferta realizada pela Fundação e aceita pela Secretaria, que viabilizou seus termos sem consulta a outras editoras ou, principalmente, aos destinatários diretos da compra – os docentes”. (Fonte – Ação Educativa)

O que mais precisa ser dito?
Aguardemos a justificativas que apresentarão à CartaCapital às compras das revistas e jornais nesta nova administração da Educação e da FDE. Talvez fosse de bom alvitre pedir-lhes que mostrem não apenas o atual contrato, mas os anteriores também.
Em entrevista dada à Conceição Lemes, do Viomundo (em 14/outubro/2010), o NaMariaNews mostrou a dinheirama que o ex-governador José Serra (via o finado ex-secretário de Educação Paulo Renato Costa Souza, o então presidente da FDE Fabio Bonini Simões de Lima, a diretora de Projetos Especiais da FDE Cláudia Rosenberg Aratangy, o supervisor de Projetos Especiais Inácio Antonio Ovigli) pagou à imprensa e certas editoras, a título de execução de “projetos pedagógicos”: mais de R$250 milhões, quase absolutamente tudo sem licitação.
Daquele total (parcial), comprovados com dados do Diário Oficial, “para a Editora Abril/Fundação Victor Civita [de 2005 a 2010] foram entregues R$52.014.101,20 para comprar milhares de exemplares de diferentes publicações”, entre elas a Revista Nova Escola, além da Veja, Almanaque do Estudante, Revista Recreio e Atlas da National Geographic.
Para arrematar, quero repetir o que disse naquela entrevista à Conceição Lemes: “com esse dinheiro, poderiam ser construídas quase 13 escolas ou 152 salas de aula novinhas, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos – considerando que uma escola com 12 salas custe R$4,1 milhões, e cada sala custe cerca de R$340 mil”.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

os riscos da desindustrialização

Brasil, importador de café moído

Ainda sobre os riscos da desindustrialização
No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional.

Paulo Kliass, na Carta Maior, sugerido pelo Igor Felippe

Enquanto alguns preferem ficar comemorando as notícias de que PIB brasileiro poderia ter ultrapassado o da Inglaterra, acho que deveríamos todos é estar mais preocupados com a continuidade do processo de desindustrialização de nossa economia.
A situação não é para brincadeira, pois o quadro é trágico! A cada dia surgem mais notícias e avaliações relativas à perda relativa de competitividade da indústria brasileira. São muitas as evidências de que as decisões de ampliação do investimento produtivo tendem a preferir a opção por território estrangeiro para a instalação industrial e apenas o destino das mercadorias para simples consumo em nossas terras.
Os casos mais simbólicos são políticas empresariais como as da mega corporação Vale, que exporta minério de ferro bruto extraído de nosso subsolo sob concessão da União e importa os produtos manufaturados para seu próprio uso. É o que ocorre com os trilhos comprados para suas ferrovias ou os super cargueiros encomendados para transporte de minérios -– na grande maioria dos casos importados da China.
Muitos setores festejam os impressionantes números obtidos com as exportações de pindorama, que contabilizaram quase uma centena de bilhões de dólares em nossa balança comercial no ano que se encerrou.
Mas o conjunto de nosso País lamenta, de outro lado, os igualmente expressivos valores das importações. Com o péssimo agravante de que vendemos produto primário barato e compramos produtos manufaturados de maior valor agregado. Até parece que os responsáveis pela nossa política econômica e industrial esqueceram tudo o que devem ter lido e estudado sobre as chamadas trocas desiguais no capitalismo, em especial os prejuízos causados aos países de menor grau de industrialização.
Agora, recentemente, foram divulgadas informações que são ainda mais carregadas de expressivo simbolismo. Ao longo de 2011, essa mesma lógica chegou a atingir um setor que durante muito tempo foi considerado como “genuinamente brasileiro”. No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional.
E pior: passamos a importar esse tipo de café manufaturado e com maior valor agregado do resto do mundo, em volumes mais altos do que vendemos lá fora. Uma loucura! No concreto, isso significa redução de investimento em novas plantas industriais aqui dentro, com a conseqüente geração de emprego e renda lá fora.

Apesar de ser um processo complexo e de múltiplas causas, há dois fatores que são os mais determinantes na conjuntura atual para explicar a desindustrialização. São eles a nossa conhecida duplinha dinâmica: câmbio e juros. A questão é tão evidente que chega mesmo a causar espanto a forma irresponsável como os diversos governos têm enfrentado esse importante problema.
Sai ano e entra ano, mas o quando não muda em sua essência: continuamos sérios e obstinados em manter a condição de líder mundial no quesito dos juros. Com a taxa oficial lá nas alturas, a lógica da rentabilidade do capital prioriza a opção pela aplicação no mercado financeiro e não na atividade produtiva.
Assim, a política monetária de SELIC elevada causa um duplo transtorno em nossa economia. De um lado, sacrifica de forma absurda o orçamento do Estado com gastos puramente financeiros e limita as despesas na área social e de investimento estratégico do Estado. De outro lado, as altas taxas de juros inibem os novos investimentos nas áreas da produção e nos serviços.
Mas aqui surge uma outra conseqüência negativa da SELIC elevada. Ela exerce uma atração continuada e apetitosa sobre o capital financeiro internacional em especial sobre os recursos de natureza puramente especulativa. Aquele tipo de dinheiro que vai e vem ao sabor dos riscos e dos ganhos, sem nenhum compromisso com a geração de renda e emprego no país em que está aportando no momento. E, por incrível que possa parecer para muitos, nossa política econômica se dirige para satisfazer exatamente os desejos do investidor de tal perfil.
O resultado desse tipo de movimento é que nossa praça fica inundada de recursos externos de curtíssimo prazo – aliás, fator potencialmente gerador de elevada instabilidade macroeconômica. A qualquer susto ou boato, o chamado “efeito manada” da massa especulativa pode causar sérios problemas de desequilíbrio em nossas contas externas.
Isso porque as nossas regras tupiniquins, ao contrário do que ocorre na maioria dos países industrializados, não prevêem nenhum tipo de controle sobre entrada e saída desse capital, nem mesmo exigem um tempo mínimo de permanência como contrapartida de poder usufruir das benesses do ganho financeiro fácil patrocinado por nosso setor público.

Essa pressão derivada do ingresso de dólares e outras moedas estrangeiras provoca um desequilíbrio importante em nosso mercado de câmbio. Mas um dos pilares básicos da estabilidade herdada desde os tempos do Plano Real é o pressuposto da “liberdade cambial”. Assim, o receio — quase um temor — em contrariar as vontades dos que mandam no mercado financeiro faz com que o setor de câmbio seja considerado “imexível” pelo governo.
O resultado é uma sobrevalorização absolutamente artificial de nossa taxa de câmbio. Ao longo da semana atual ela está na faixa de R$1,80/US$. É verdade que já melhorou um pouco em relação aos níveis de 2010. Mas estamos ainda muito longe de uma taxa que possa se considerar mais realista, que muitos analistas econômicos situam na faixa de R$ 2,50.
Com esse poder de compra de nossa moeda no mercado internacional, as importações são muito estimuladas. Desde as compras das famílias animadas da classe média que fazem a farra nas terras da Disney até, e principalmente, as empresas que importam a preços artificialmente baixos os produtos finais e intermediários fabricados no exterior, em especial na China. O contraponto desse processo de valorização de nossa moeda é o encarecimento relativo dos produtos brasileiros manufaturados em sua busca por mercados para exportação.
Ficamos, portanto, mais uma vez relegados ao nosso papel de agente secundário nessa divisão internacional do trabalho da modernidade pós-colonial. Como sempre, mais uma vez perdendo o bonde da História. E ainda tem gente que se vangloria, enche mesmo a boca, na hora de falar dessa nossa triste especialização em exportação de produtos primários, as famosas “commodities”.
O que mais chama a atenção na passividade de nossos responsáveis pela política econômica é que as medidas a serem adotadas são até singelas, se pensarmos pela lógica da complexidade do funcionamento de outras variáveis da economia. Basta reduzir a atratividade do mercado financeiro brasileiro na comparação com as demais alternativas existentes no mercado internacional. Caso o governo estabeleça controles mínimos de entrada e saída dos recursos especulativos e imponha uma quarentena para um tempo mínimo de permanência, uma parcela da elevada atração desaparecerá.
Por outro, e talvez mais importante, trata-se de promover uma redução significativa na taxa SELIC. Com isso, haverá tendência à diminuição do ingresso de capital especulativo. E o novo equilíbrio do mercado de câmbio promoverá a necessária desvalorização em nossa moeda. Em resumo, nossa taxa de câmbio tenderá a refletir de forma mais realista nossa situação de contas externas.
Algumas pessoas poderão estar se perguntando se por acaso essa fuga de capitais não seria prejudicial ao Brasil. De forma alguma! E veja que não se trata aqui de pregar nenhuma volta ao modelo passado das autarquias isoladas, países isolados uns dos outros. De jeito nenhum! O que se pretende é apenas que os fluxos de capitais entre o Brasil e o resto do mundo privilegiem os investimentos produtivos.
O capital puramente especulativo não oferece nenhuma vantagem ao nosso País. Sua fuga, pelo contrário, é muito bem vinda e poderia até mesmo ser festejada. Que se aventurem a sugar o rentismo parasitário alhures, de outras sociedades.
Nós, inclusive, já oferecemos até hoje muito mais do que podíamos e devíamos. As demais características da sociedade e da economia brasileiras é que devem ser os elementos determinantes para os investimentos que desejem para cá se dirigir. Um mercado interno consumidor em expansão, com boas perspectivas de retorno de tais aplicações no curto, no médio e no longo prazos.
Uma Nação com tradição de paz, sem os conflitos militares que caracterizam boa parte dos países do mundo. Um país em condições de exercer importante liderança no processo de aprofundamento da integração regional, no âmbito da América do Sul. Enfim, boas razões não faltam.
Uma vez resolvida essa artificialidade na definição da taxa de câmbio, a tendência é de haver uma reacomodação dos fluxos de importação e exportação. As importações sairão mais caras e perderão força por conta dos chamados “preços relativos”. Já as exportações de produtos industrializados poderão ser estimuladas.
No cômputo final, se o governo der demonstrações que as medidas virão para ficar, estarão dadas as condições objetivas para a reversão do processo de desindustrialização. Como sempre, o que falta é apenas a vontade política! Com um pouco também, é claro, de coragem política para contrariar interesses poderosos.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB12 : Globo incentivou o estupro

OLHEM SÓ O DESESPERO DA REDE GLOBO. ELES FAZEM TUDO PARA NÃO PERDER AUDIÊNCIA. Como a audiência da Globo está caindo ( BBB 12 é o de pior Ibope da história da atração), eles apelam. Neste caso : criaram as condições para o estupro, omitiram socorro e lucraram com sua exibição.

BBB: estupro ao vivo não cassa concessão ?


ESCÂNDALO  NO  BBB12

Polícia começa a analisar imagens de câmeras da
Globo (*) e não descarta colocar BBBs frente a frente

Crime pode ser tratado como estupro de vulnerável, quando a vítima não tem consciência
do R7 | 18/01/2012 às 05h30
O delegado Antonio Ricardo Nunes, titular da Delegacia da Taquara (32ª DP), deve começar nesta quarta-feira (18) a analisar as imagens que recebeu do programa Big Brother Brasil 12, da TV Globo. A Polícia Civil investiga se houve abuso sexual de Daniel contra Monique na madrugada do último domingo (15).Nunes investiga a hipótese de a sister ter sido abusada pelo brother quando ficou inconsciente após ter ingerido grande quantidade de bebida alcoólica durante uma festa no sábado (14). Com isso, ele vai confrontar os depoimentos dos dois participantes. Se a gravação for diferente do que ambos falaram, pode acontecer uma acareação, segundo o delegado.De acordo com o artigo 225 da lei 8.072, que trata de crimes hediondos, quando a pessoa se encontra em situação vulnerável, a ação criminal pode ser feita mesmo sem o consentimento da vítima.
- O inquérito segue sem a manifestação da vítima. Em caso de estupros de vulnerável a vítima não é qualificada para dar queixa ou não. Trata-se de ação penal pública incondicional.

Grupo de mulheres acusa Globo de omissão de socorro após suposto estupro no BBB 12

Protesto em frente à sede da TV na tarde desta terça-feira cobra explicações da emissoraUm grupo de mulheres acusa a Rede Globo de omissão de socorro à participante do Big Brother Brasil 12 Monique, de 23 anos, que teria sido abusada sexualmente por outro integrante da casa do reality show, Daniel, de 31 anos.
Jornalistas e simpatizantes do blog Defesa da Mulher se reúnem no início da tarde desta terça-feira (17), às 13h, em frente à TV Globo, no Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro. O grupo, que tem mais de 4.900 seguidores no Facebook, está chamando participantes através da rede social, de email e também do Twitter. Elas escreveram uma carta e pretendem entregar à TV Globo.
Segue a carta na íntegra:

Ela tem o direito de saber

Notícias
6º dia
Debaixo do edredom
Está rolando o clima entre Daniel e Monique debaixo do edredom. Ele se mexe, parece acariciar a sister, mas a loira não se move. 


Essa mensagem foi exibida para quem assina o pay-per-view do Big Brother Brasil 12, realizado pela Rede Globo de Televisão. Ela é uma prova da irresponsabilidade da emissora com as pessoas na casa, ao mostrar que, mesmo tendo percebido que Monique estava dormindo, inconsciente, as pessoas que trabalham na produção do programa não fizeram nada. Ou melhor, fizeram: criaram as condições para o estupro, omitiram socorro e lucraram com sua exibição.
Para quem não acompanhou o ocorrido, no amanhecer do dia 15 de janeiro, depois de uma festa patrocinada dentro do reality show, o participante Daniel deitou na cama em que Monique estava dormindo. Durante mais de três minutos se esfregou nela, em um movimento sexual de vai e vem, sem que ela se movesse. Detalhe: existem menos camas que participantes. Isso foi filmado e transmitido ao vivo para todo o Brasil.
Existe uma equipe paramédica de plantão na produção do programa para atender a qualquer emergência considerada importante. Se Monique tivesse desmaiado na pista de dança, seria atendida. Mas ela foi estuprada diante de pessoas que deveriam ser responsáveis por sua segurança, e que deixaram isso acontecer em sua presença, quando poderiam ter tirado o agressor da cama da vítima. Diante do crime, a Rede Globo simplesmente mudou o ângulo da câmera e, no dia seguinte, tirou todos os vídeos do ocorrido da internet. Não bastasse a produção, que acompanha tudo o que acontece no programa, já tinha ouvido o alerta de Mayara, que sofreu abuso por parte do mesmo Daniel na noite anterior enquanto dormia. Ela disse que não dividiria mais a cama com ele.
1) Houve estupro?

Sim, houve.
Segundo o §1º do artigo 217 do Código Penal, é estupro de vulnerável fazer qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal, etc, com ou sem penetração, já entre heterossexuais ou homossexuais, homens ou mulheres) com menores de 14 anos e também “com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

Uma pessoa completamente alcoolizada não pode oferecer resistência, que o vídeo mostra claramente essa situação. Como quem assiste ao programa já percebeu, quem participa dele tem amplo incentivo para abusar de bebidas alcoólicas durante essas festas. Mas, como se pode perceber no caso da Monique, depois de ficarem vulneráveis não podem contar com a ajuda de ninguém. O fato de ela não se lembrar de nada no dia seguinte só confirma essa tese.

2) A Globo é responsável?

A Rede Globo pode vir a ser responsabilizada pelo crime de omissão de socorro, uma vez que a emissora poderia a qualquer hora parar o ato praticado que ela estava filmando. De acordo com o artigo 135 do Código Penal:

Omissão de socorro
Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, a criança abandonada ou extraviada, ou a pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.

3) O que queremos?

O que consideramos mais importante é que a vítima possa falar direito por si mesma, ter contato com o mundo exterior, saber o que está sendo falado sobre uma situação que, afinal, é sobre ela. Que ela possa ver a si mesma no vídeo, já que todo o país já pode ver, menos ela, a vítima. Portanto, que a produção do programa Big Brother Brasil 12 mostre a Monique o vídeo com o registro do estupro para que ela saiba o que ocorreu, já que não se recorda, e tenha liberdade para entender o que viu e se pronunciar. Que a exibição desse vídeo seja transmitida e seja feita em silêncio, por respeito à vítima.
Que a Rede Globo preste contas pelo crime de omissão de socorro.
Que a Rede Globo faça uma retratação e peça desculpas pelo ocorrido.
Que a Rede Globo atue ao lado dos direitos humanos, fazendo uma ação educativa em relação ao crime de estupro em suas variadas configurações.
Que uma assistente social e uma psicóloga, ou ainda alguém indicado pela vítima possam acompanhá-la para prestar auxílio.

Secretaria para Mulheres do Planalto recebe pedidos de providências sobre suposto estupro no BBB

Brother Daniel teria molestado a sister Monique enquanto ela dormia
Do R7 | 16/01/2012 às 17h33. A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República recebeu ao menos dez pedidos de telespectadores e organizações de direitos femininos para que o órgão tome providências sobre a suspeita de que uma participante do Big Brother Brasil 12, que teria sido molestada por outro integrante do programa na madrugada do último domingo (15).
Estupro: nova lei
No ano de 2009 o governo Lula sancionou a lei 12.015, que altera as leis 2.848 (Código Penal) e 8.072 (que trata dos crimes hediondos). Ela tornou mais severas as penas para os crimes de pedofilia, estupro seguido de morte e assédio sexual contra menores.

O autor do estupro pode pegar entre seis e dez anos de pena com prisão. A nova lei amplia a aplicação da pena para os casos que, na lei anterior, eram tratados apenas como atos libidinosos. O artigo 215 da lei diz que é estupro "ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima". 
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


Jornal inglês: Polícia ia tirar BBB do ar

    Publicado em 17/01/2012

Estupro seguido de fraude?


Saiu num jornal de escândalos e “celebridades” da Inglaterra ( nada mais apropriado para tratar da Globo):

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2087801/Housemate-Brazilian-version-Big-Brother-raped-live-TV-alcohol-fueled-party.html

Segundo o jornal, a Polícia do Rio disse ao Boninho: ou elimina o Daniel ( “o amor é lindo”) ou tiro o programa do ar.

O jornal diz também que foram sete minutos em que Daniel e a suposta vitima mantiveram um intercurso não consentido – já que ela parecia imóvel.
O Daily Mail conta que a empresa que “vendeu” o BBB à Globo, a holandesa Endemol, já foi acusada de promover programas racistas e de exploração sexual.
E está à beira da falência.

Em tempo: agora, segundo se diz na blogosfera,  a suposta vítima passou a se lembrar de tudo e diz que foi uma relação consensual, SEM penetração.

Bernardo, Bernardo, isso vai desabar na cabeça do Governo Dilma.

Já pensou se a Polícia conclui que foi estupro seguido de obstrução da Justiça ?

Hoje é o Daily Mail.

E quando for o … ?

Bernardo …

Paulo Henrique Amorim


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Saiu no Tijolaço, do incomparável Fernando Brito:

A Constituição é letra morta?


Ninguém tem nada a ver com o que fazem pessoas maiores fazem em sua intimidade, de forma consentida, se isso não envolve violência.


Niguém tem nada a ver com o direito de pessoas expressarem opinião ou criação artística, independente de se considerar de bom ou mau gosto.


Outra coisa, bem diferente, é utilizar-se de concessões do poder público, como são os canais de televisão, sobretudo os abertos, para promover, induzir e explorar, com objetivo de lucro, atentados à dignidade da pessoa humana.


Não cabe qualquer discussão de natureza moral sobre a índole e o comportamento dos participantes. Isso deve ser tratado na esfera penal e queira Deus que, 30 anos depois, já se tenha superado a visão que vimos, os mais velhos, acontecer em casos como o de Raul “Doca” Street, onde o comportamento da vítima e não o ato criminoso ocupava o centro das discussões.


O que está em jogo, aqui, é o uso de um meio público de difusão, cujo uso é regido pela Constituição:


Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:


I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;(…)


IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.


O que dois jovens, embriagados, possam ou não ter feito no “BBB” é infinitamente menos graves do que o fato de por razões empresariais, pessoas sóbrias e responsáveis pela administração de uma concessão pública fazem ali.


Não adianta dizer que um participante foi expulso por transgredir o regulamento do programa. Pois se o programa consiste em explorar a curiosidade pública sobre comportamentos-limite, então a transgressão destes limites é um risco assumido deliberadamente.


Assumido em razão de lucro pecuniário: só as cotas de patrocínio rendem à Globo mais de R$ 100 milhões. Com a exploração dos intervalos comerciais, pay-per-view, merchandising, este valor certamente se multiplica algumas vezes.


Será que um concessionário de linhas de ônibus teria o direito de criar “atrações” deste tipo aos passageiros, para lucrar?


Intependente da responsabilização daquele rapaz, que depende de prova, há algo evidente: a emissora assumiu o risco, ao promover a embriaguez, a exploração da sexualidade, o oferecimento de “quartos” para manifestação desta sexualidade, a atitude consciente de vulnerar seus participantes a atos não consentidos. É irrelevante a ausência de reação da jovem, ainda que não por embriaguez. Se a emissora provocou, por todos os meios e circunstâncias, a possibilidade de sexo não consentido, é dela a responsabilidade pelo que se passou, porque não adiante dizer que aquilo deveria parar “no limite da responsabilidade”.


Todos os que estão envolvidos, por farta remuneração, neste episódio – a começar pelo abjeto biógrafo de Roberto Marinho, que empresta o nome do jornalismo à mais vil exploração do ser humano – não podem fugir de suas responsabilidades.


Não basta que, num gesto de cinismo hipócrita, o sr. Pedro Bial venha dizer que o participante está eliminado por “infringir as regras do programa”. Se houve um delito, não é a Globo o tribunal que o julga. Não é uma transgressão contratual, é penal.


Que, além da responsabilização de seu autor, clama pela responsabilização de quem, deliberadamente, produziu todas as cirncunstâncias e meios para isso.


E que não venham a D. Judith Brito e a Abert falar em censura ou ataques à liberdade de expressão.


E depois não se reclame de que as demais emissoras façam o mesmo.


O cumprimento da Constituição é dever de todos os cidadãos e muito maior é o dever do Estado em zelar para que naquilo que é área pública concedida isso seja observado.


Do contrário, revoquemos a Constituição, as leis, a ideia de direito da mulher sobre seu corpo, das pessoas em geral quanto à sua intimidade e o conceito social de liberdade.


A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.


Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.


Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.


Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país..


17 de janeiro de 2012 às 15:51

Britânicos chamam Veja de “revista de fofocas”

Por sugestão do LC
Ao repercutir o debate em andamento no Brasil sobre o suposto estupro no suposto programa de TV Big Brother, a revista britânica The Week chamou a suposta revista Veja de “gossip magazine”, revista de fofocas:
“Now, according to the website of Brazilian gossip magazine Veja, police in Rio are investigating the seven minutes of footage, even though there has been no official allegation and the participants of the show are unaware of the furore.”

Avon: Não somos patrocinadores do Big Brother

da Avon, via CDN
COMUNICADO
Diferentemente do que foi veiculado em alguns sites e posts na rede social, a Avon não é patrocinadora do programa Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo. A empresa apenas veicula comerciais de seus produtos nos intervalos da programação da emissora, o que faz com que os anúncios relacionados aos produtos Avon sejam vistos em várias oportunidades ao longo do dia.

O ovo da serpente

A violência que todos vêem e poucos percebem

Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo. Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.
(Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Devassa, Fiat, Omo, Antarctica, Niely: Quem financia a baixaria, é contra a cidadania.

Carta aberta à Schincariol, Fiat, Unilever, Ambev e Niely

O BBB12 (Big Brother Brasil) é um oferecimento das marcas: Devassa, Fiat, Omo, Antarctica, Niely.

Há anos o programa não é só líder de audiência. É criticado também por muitos como líder de baixarias.

Demorou mas aconteceu uma cena que muitos telespectadores entenderam tratar-se de estupro de vulnerável. A polícia abriu inquérito e investiga o suposto crime.

Desde 2002, uma conquista da sociedade civil organizada levou à campanha permanente por ética na TV, com respeito a dignidade da pessoa humana.

O slogan é "Quem financia a baixaria, é contra a cidadania" (www.eticanatv.org.br).

Só há uma uma empresa parceira, apoiando esta campanha (Ad People).

Nenhuma das cinco empresas que patrocina o BBB é parceira da campanha Ética na TV.

Cada cota de patrocínio do BBB custa R$ 20,6 milhões, segundo o noticiário.

Uma pequena fração desse valor de cada empresa para patrocinar movimentos como o ética na TV, faria uma enorme diferença na qualidade do que se vê na TV.

Programas mais inteligentes e saudáveis, poderiam dar tanta audiência quanto o BBB, se fossem tão bem promovidos, e se os patrocinadores exigissem responsabilidade social.

Como nós, consumidores, devemos lembrar da cerveja Devassa, dos carros Fiat, do sabão Omo, do guaraná Antárctica, e dos cosméticos Niely?

Como marcas associadas à baixaria que financia coisas inescrupulosas a ponto de poderem levar até a ocorrência de estupros, ou como marcas de empresas com responsabilidade social que apoiam a ética, inclusive na tv, e deveriam ser contra a exibição de coisas que ferem a dignidade humana?

Em tempo:
Os consumidores que quiserem reclamar:
Schincariol (Devassa): http://www.schincariol.com.br/index.php/site/fale-conosco
Fiat: http://www.fiat.com.br/fale-com-a-fiat/
Unilever (Omo): http://www.omo.com.br/fale-conosco
Ambev (Antarctica): http://www.ambev.com.br/pt-br/a-ambev/canais-de-comunicacao/fale-conosco
Niely: http://www.niely.com.br/Contato.aspx

Zé Augusto, no blog Amigos do Presidente Lula, resume muito bem o que é o BBB: uma suruba “romantizada”. A expressão pode parecer forte, impactante, mas é real. Observemos seus argumentos:
- “Não há quartos individuais”;
- “A produção mobiliza a casa de forma que alguns participantes tenham que dormir juntos em camas de casal”;
- “Os trajes fornecidos pela produção são mínimos, exacerbando a exibição e contato físico dos corpos, 24hs por dia, entre jovens com os hormônios à flor da pele, confinados durante semanas”;
- “O programa força a troca de intimidades, com banho na frente de todos, troca de roupa na frente de todos, e coisas do gênero, tal qual numa suruba, exceto pela ausência do nu total”;
- “O apresentador, Pedro Bial, toda hora puxa o assunto incentivando a fornicação. Fala da oferta de camisinhas, da libido, da pegação. É como se fosse uma espécie de “âncora” da suruba romantizada com frases como ‘o amor é lindo’.”
Em suma, é isto o BBB, que a cada ano se torna uma suruba mais ousada, chegando ao que chegou. E não se enganem: se não fosse a forte mobilização nas redes sociais, os repúdios aos milhões, que acabaram forçando o Ministério Público e a polícia agirem, ficaria no “O amor é lindo”, do Bial.

Afinal, Ibope do BBB12 caiu ou subiu?

Estupro no BBB: Ibope despenca e anunciantes da Globo temem prejuízo ainda maior
Por Redação – do Rio de Janeiro, Correio do Brasil
17/1/2012
Se o estupro na casa do Big Brother Brasil 12 existiu e seria uma jogada de marketing, o tiro errou o alvo. Nem a audiência melhorou e os patrocinadores do reality show estão preocupados com o estrago causado às suas marcas, após a divulgação de um possível crime, debaixo do edredom. Pesquisa do Ibope, divulgada na manhã desta terça-feira, após o paredão deste fim de semana, revela que o BBB 12 atingiu a pior cotação junto aos telespectadores, com 20 pontos, em média, enquanto a versão anterior, já em declínio, rendeu 22 pontos. Na Grande São Paulo, cada ponto equivale a 58 mil domicílios ligados no programa.
No caixa da TV Globo, a história mal contada também está prestes a gerar um rombo milionário. Nas agências, que representam os anunciantes AmBev (Guaraná Antarctica), Fiat, Niely, Schincariol (Devassa) e Unilever (Omo), cada um com uma cota de R$ 20,6 milhões para o patrocínio desta temporada, o ambiente é fúnebre. Ninguém confirma ou nega, ainda, o cancelamento dos contratos, mas um graduado publicitário, falando em condição de anonimato ao Correio do Brasil, antevê mais problemas à frente.
– Se o estupro for realmente confirmado e isso se transformar em um processo criminal, ficará muito difícil manter o programa no ar com o apoio dos atuais patrocinadores. O desgaste para estas marcas seria incalculável – afirmou.
Os R$ 103 milhões arrecadados pelal TV Globo, neste caso, passariam a custar infinitamente mais às indústrias, que já começaram a calcular o impacto negativo do noticiário sobre as marcas de seus produtos.
– As empresas devem estar preocupadas para saber o que aconteceu de fato e avaliar como isso pode repercutir sobre as marcas envolvidas – disse o professor Júlio Moreira a jornalistas. Ele é professor de branding (marcas) do curso de pós-graduação em Comunicação da ESPM.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Governo de Minas tem culpa pelas mortes nas enchentes

Nos estados com mais recursos como SP, RJ e MG, a culpa pelas mortes dos desastres naturais são dos Estados e municípios; enquanto que em regiões mais pobres a União teria que ajudar estes dois entes da federação - ao contrário do que apregoa o PIG que coloca toda a culpa pelos desastres no governo federal.
Mas o que os Estados estão fazendo ? Nada, porque como não são culpados (segundo a mídia) então não são cobrados.


Projeto anticatástrofe mofa na Assembleia Legislativa

Um dos textos estabelece um conjunto de ações para prevenir riscos de desastres naturais

Ana Flávia Gussen - Do Hoje em Dia - 14/01/2012 - 11:41

FLAVIO TAVARES-JORNAL HOJE EM DIA
jfioes
Carlos Arantes acredita que projetos evitariam mortes em Minas Gerais
Está parado na Assembleia Legislativa um projeto de lei que propõe a criação de um  sistema estadual para prevenção e alerta de catástrofes e desastres naturais. A matéria  foi esquecida pelos parlamentares no esforço concentrado, realizado no fim do ano  passado, para a aprovação dos projetos considerados importantes por eles.


O PL número 732 de 2011 estabelece um conjunto de ações para prevenir e identificar  iminentes riscos de desastres naturais, além de deixar a cargo do governo de Minas a  criação do Fundo Estadual Anticatástrofes.
 


O fundo seria composto com recursos oriundos do Programa de Saneamento Ambiental das Bacias do Ribeirão do Onça e Arrudas (Prosan), que entraria com 10%, da União, das concessionárias de energia elétrica, com 30%, além do fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas de Minas, com mais 10%.“Todo início de ano, temos assistido a cenas trágicas de catástrofes e desastres naturais. Por isso, apresentamos esse projeto que dota o Estado de mecanismos para a  prevenção e o alerta, agindo na fase anterior às catástrofes”, declarou em sua justificativa o autor do projeto, deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSC).


Ele destaca, ainda, que fica a cargo do Estado a aquisição de equipamentos modernos, que possibilitam a identificação de áreas de risco e de terrenos condenados. “Com a implantação de todo o sistema, podemos erradicar, em cinco anos, as mortes consequentes de deslizamento de terra. Mais de 80% das mortes registradas em janeiro de 2011 poderiam ter sido evitadas com ações preventivas da administração pública”, garantiu o parlamentar.


O projeto de lei, apresentado em março de 2011, está emperrado na comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), aguardando apreciação em primeiro turno. Procurados, o presidente, deputado Zé Maia (PSDB), e o vice-presidente da comissão, deputado Doutor Viana (DEM), não foram encontrados pelo Hoje em Dia. Seus celulares encontraram-se desligados durante toda a tarde da última sexta-feira.
Desde outubro do ano passado, quando começaram a ser registrados óbitos por
deslizamentos e enchentes, já foram registradas 15 mortes em Minas Gerais, segundo
boletim divulgado na última sexta-feira pela coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Também subiu para 116 o número de cidades em estado de emergência, em decorrência das consequências das fortes chuvas que assolam Minas.
 
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domingo, 8 de janeiro de 2012

DE QUEM COBRAR AS ENCHENTES?

PROBLEMA COM ENCHENTES? ESTUDE OSPB E DESCUBRA DE QUEM COBRAR

Por Eduardo Guimarães

Quando cursei o antigo “ginásio” (hoje Ensino Fundamental II), lá pelo início dos anos 1970, o currículo escolar tinha uma disciplina chamada OSPB (Organização Social e Política Brasileira), que se tornou obrigatória a partir de 1969 através do Decreto-lei 869/68.

OSPB foi abolida do currículo escolar após a redemocratização do país devido a ter passado a ser considerada, pelos “Parâmetros Curriculares Nacionais” estabelecidos pela “Lei de Diretrizes e Bases da Educação” de 1996, como sendo “doutrinadora da ideologia da ditadura militar”.

Apesar de ser verdadeira a afirmação de que a disciplina em questão servia aos propósitos de doutrinação ideológica do regime, há momentos em que fico imaginando se não seria o caso de reinseri-la no currículo escolar, mas sem qualquer viés político-ideológico.

Penso nisso ao ver o noticiário sobre as enchentes que o período de chuvas de verão já está criando, como acontece todo ano. Esse é um período em que interessa à imprensa politicamente partidarizada expor alguns casos e esconder outros.

Vemos, neste instante, o noticiário sobre deslizamentos e alagamentos com profundas críticas ao governo federal. Até criticar o governo do país, sem problemas. O problema está em poupar governos estaduais e municipais que, em certos casos, são muito mais responsáveis.

Não se pode comparar enchentes nas regiões pouco ou nada desenvolvidas com as que acontecem em Estados ricos como São Paulo, onde a imprensa ou põe a culpa no governo federal ou em São Pedro, mas nunca no governo do Estado ou na prefeitura da capital.

Essa crítica enviesada, exacerbada ou omitida às responsabilidades de cada nível da administração pública de acordo com as injunções políticas conhecidas da grande imprensa só é possível porque o brasileiro não sabe direito que nível cuida do quê.

O brasileiro médio tampouco sabe dizer exatamente para que servem senadores, deputados e vereadores, além de não saber direito o que é de maior responsabilidade do prefeito, do governador ou do presidente.

Se ocorre uma inundação em uma localidade erma e empobrecida do Norte ou do Nordeste, seguramente o governo federal tem que responder. Mas quando uma megalópole como São Paulo inunda, prefeito e governador é que são os maiores responsáveis.

A escola aborda aspectos laterais dos níveis de responsabilidade de cada um dos Poderes e de cada um dos cargos do Executivo e do Legislativo, e superficialmente. E a Constituição Federal, então, quase não é estudada no ensino fundamental ou no médio.

Eis, aí, a razão de ser simples para a imprensa partidarizada confundir [dolosamente] o cidadão cobrando somente do governo federal o que deveria ser cobrado dos governos estaduais e municipais, como em São Paulo. Ou até cobrando São Pedro, mas nunca o responsável pelo problema.

Se os cidadãos soubessem direito a quem cobrar por cada problema que os aflige, seria mais simples. Enquanto a imprensa partidarizada instiga o paulistano, por exemplo, a cobrar do governo federal o que prefeitura e governo do Estado têm que resolver, o problema persistirá.

Que ao menos a geração que estuda aprenda a “Organização Social e Política do Brasil”. Só assim para livrar lugares como São Paulo de problemas para os quais os governos locais não dão bola porque sabem que não serão cobrados. A geração adulta já não tem mais jeito.”

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog “Cidadania.com”  (http://www.blogcidadania.com.br/2012/01/problema-com-enchentes-estude-ospb-e-descubra-de-quem-cobrar/). [Título e entre colchetes adicionados por este 'democracia&política'].
Postado por

domingo, 15 de janeiro de 2012

Reitor sem noção (do ridículo) é homenageado por Veja

Reitor sem noção (do ridículo) é homenageado por Veja

por Antônio David  em  www.viomundo.com.br
Quem acessa o site da USP desde o dia 3 de janeiro dá de cara com esta manchete.

Em nada surpreende a homenagem, dada a notória afinidade entre o reitor e a dita revista, tão notória que não me darei ao trabalho de falar sobre.
Ocorre que dessa vez Veja inovou. Além das mentiras de sempre, a matéria estampa no título uma caracterização no mínimo inusitada do reitor, que não podemos deixar passar em branco: “João Grandino Rodas, o xerifão da USP”.
Xerifão?!
Por mais fortes que sejam os laços de camaradagem entre o reitor e a revista Veja, dessa vez a famiglia Civita exagerou. Afinal, trata-se do reitor da USP. Diz o protocolo que o tratamento a sua magnificência exige compostura.
Um reitor da USP, presume-se, deveria ser reconhecido publicamente como “acadêmico”, “cientista”, “intelectual”, “mestre”… no minimo como “administrador” ou “dirigente” e pronto, mas nunca com o rótulo de “xerifão”.
É o suprassumo do ridículo, de fazer Armando Salles de Oliveira revirar-se no túmulo. E, reparem: nem pra ser só “xerife”. Veja quis vulgarizar mesmo: é “xerifão”, no aumentativo!

Era de se esperar, portanto, que Rodas solicitasse da revista Veja no mínimo um pedido de desculpas. Mas Rodas não o fez. Não só não o fez, como determinou que a matéria publicada na Veja fosse para o site institucional da USP!
Ora, não posso tirar daí outra conclusão senão que o reitor gostou da patente de “xerifão”. Aliás, não surpreenderia se, tendo sido consultado previamente, ele próprio tenha sugerido o triste apelido.
Rodas perdeu de vez a noção do ridículo.

Mas, pensando bem… “acadêmico” e “intelectual” que nada. Afinal, acaso Rodas foi nomeado reitor por algum mérito acadêmico ou intelectual? Em verdade, Serra o nomeou reitor justamente porque, para o PSDB, a USP precisava de um “xerifão”.
Rodas foi nomeado reitor para ser o “xerifão” da USP. E, examinando de perto suas atitudes e métodos como reitor, é exatamente isso o que ele está sendo. Não há nada em sua gestão que o habilite a ser reconhecido como “acadêmico”, “intelectual” etc.
Muitíssimo adequada a homenagem!

Antônio David – mestrando em filosofia na FFLCH


Comentários de Internautas 

Jose Antonio Batata 
A decadência da VEJA não tem limite. O PSDB transformou o estado de São Paulo num reinado Policialesco e caminha rapidamente área transforma-se num estado FASCISTA. Preto, pobre e Nordestinos são o alvo dos TUCANOS Paulistas. O PSDB está caminhando para a extrema-Direita em São Paulo. A Democracia corre perigo em São Paulo. 
 
Suspensório 
Silêncio! Aí vem o XERIFÃO. O cara é grosso e bate que é uma beleza.

KKKKKKKKKKKKKKKK!
 

Gilda 
Os iguais se reverenciam 
 
Yacov
THat's only business, man... ROdas, ÇerRA, PSDB, PM, SP, VEJA. Um "serviço" prestado pela compra sem licitação de milhares de assinaturas de revistões e jornalões, seus diários oficiais. Repugnante...

"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo - O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS" 
 
João-PR ·
A "flor do fascio" revela, mais uma vez, seu caráter antidemocrático.
A revista "óia", aquela que tem um grupo sul-africano que era pró-apartheid como sócio, não tem mais nem a preocupação de esconder seus instintos mais autoritários.
Afina, diria Goebbels, uma mentira dita cem vezes vira verdade. Depois de 17 anos de "governos de mentiras" do PSDB parece que a "Óia" acredita que o povo paulista/paulistano perdeu a noção do que seja senso crítico.
Espero, sinceramente, que isso não tenha acontecido.
Espero, sinceramente, que a mudança comece com a eleição para Prefeito de São Paulo. Quem sabe aquele 30 coronéis que ocupam as sub-prefeitura paulistas não voltam para o quartel, ou para o pijama?
 
 
Tarso Freire 
O Reitor Grandino acredita tanto na instituição da qual ele é xefife que ele defendeu uma tese de doutorado em Direito na USP em 1973 (conforme o curriculum Lattes do próprio professor) e depois foi fazer um mestrado (curso inferior ao doutorado) em Harvard em 1978. Talvez por isso ele não tenha ganho a eleição na comunidade uspiana e tenha sido escolhido pelo governador. 
 
Luci 
Esta capa desmoraliza A USP, o reitor ser chamado de xerife! Os bons professores daquela instituição de ensino devem estar constrangidos, como estamos nós que temos conhecimento de uma demonstração de vulgaridade e atraso.
Dá um bom samba enredo para desfile no carnaval "Olha o xerifão da USP ai gente".
Entrar para a história da USP e da cidade como xerife, quanto retrocesso e futilidade! Este título é símbolo da violência e da exclusão lá implantada, é o enterro do mérito.
 
marreta 
Frase de para-choque de caminhão: tem coisas que só acontecem em São Paulo. 
 
Pancho Villa 
O negócio é que a Veja ainda vive os agouros do regime militar, época em que reitor acumulava institucionalmente a função dupla de "xerifão".
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que move o partido-imprensa

O que move o partido-imprensa

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro.

A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.

Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso "modernizante" pretendia - e ainda pretende - substituir o "arcaísmo" do fazer político pela "eficiência" do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?

O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.

O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.
O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em "ganhos de eficiência", com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.

Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.

Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

domingo, 8 de janeiro de 2012

NY Times: O Brasil atrai trabalhadores estrangeiros

NOTÍCIAS  QUE  VOCÊ  NÃO VÊ POR AQUI.

NY Times: O Brasil se torna ímã para trabalhadores estrangeiros

Haitians Take Arduous Path to Brazil, and Jobs
By SIMON ROMERO, no New York Times
Published: January 6, 2012

BRASILÉIA, Brazil — Sobre a odisseia que o levou a esta cidade na Amazônia brasileira, Wesley Saint-Fleur só demonstrou um olhar de exaustão e atordoamento.
Meses atrás, ele embarcou em um ônibus no Haiti, antes de pegar um avião na República Dominicana, que pousou primeiro no Panamá e depois no Equador. Lá sua mulher deu à luz ao filho, Isaac, ele contou, balançando o bebê de quatro meses no joelho e mostrando o documento de identificação equatoriano do menino.
Então eles continuaram de ônibus  novamente, através do Equador e do Peru. Em seguida, foram a pé até a Bolívia, onde ele e a mulher tiveram as roupas e as economias furtadas pela polícia: 320 dólares em dinheiro.
“Então nós finalmente chegamos ao Brasil, que me dizem está construindo de tudo, estádios, barragens, estradas”, disse o sr. Saint-Fleur, 27, um operário da construção, um de centenas de haitianos que se juntam todos os dias em torno da praza cheia de palmeiras de Brasiléia. “Tudo o que eu quero é trabalhar e o Brasil, graças a Deus, tem empregos para nós”.

Apostando tudo, milhares de haitianos fizeram este caminho através das Américas para atingir pequenas cidades da Amazônia brasileira no ano passado, numa busca desesperada por trabalho. Houve a chegada de centenas em dias recentes, em meio a temores de que o governo brasileiro terá de reduzir o fluxo antes que as autoridades locais não dêem mais conta de recebê-los.
Suas jornadas improváveis — dos destroços de suas casas na ilha a esses lugares remotos da Amazônia — dizem muito sobre as difíceis condições econômicas que persistem no Haiti dois anos depois do terremoto, mas também sobre o crescente poderio econômico do Brasil, que está se tornando rapidamente um ímã para trabalhadores estrangeiros pobres, mas também para um número crescente de profissionais educados da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

Ao chegar neste e em outros pontos da fronteira, os haitianos recebem vacinas, água limpa e duas refeições por dia das autoridades. Alguns ficam por semanas em Brasiléia e outras cidades antes de receberem vistos humanitários que permitem a eles trabalhar no Brasil.
Mas com o grande número de novos imigrantes, outros não tem tido a mesma sorte. Depois de viajar milhares de quilômetros e superar muitos obstáculos, alguns se juntam em oito pessoas num pequeno quarto de hotel ou acabam dormindo nas ruas, quase revivendo a miséria que esperavam ter deixado para trás.
“Não posso permitir que a tristeza chegue, já que oportunidades virão depois desta fase”, diz Simonvil Cenel, 33, um alfaiate que está esperando o visto e que lidera animados cultos evangélicos para os que ficam no limbo depois de terem enfrentado de tudo para chegar aqui.
Cerca de 4 mil haitianos foram para o Brasil desde o terremoto de 2010, em geral passando primeiro pelo Equador, um país mais pobre e com políticas relaxadas de imigração. O Brasil fez uma exceção para os haitianos, em contraste com os que buscam emprego vindos do Paquistão, da Índia e de Bangladesh, que usam as mesmas rotas amazônicas mas são normalmente expulsos.

“O Haiti está se recuperando de um período de crise extrema, e o Brasil está em condições de ajudar essas pessoas”, disse Valdecir Nicácio, uma autoridade de Direitos Humanos do estado do Acre, onde fica Brasiléia. “Antes de chegar aqui, eles ficam à mercê dos traficantes de humanos”, ele disse. “O Brasil é suficientemente grande para absorver os haitianos que querem empregos”.
Com o número de haitianos crescendo fortemente em dias recentes, as autoridades em Brasiléia e Tabatinga, uma cidade fronteiriça do estado do Amazonas, alertam sobre dificuldades para alimentar e hospedar os haitianos enquanto os pedidos de visto são avaliados. Autoridades federais responderam mandando toneladas de comida para os haitianos, que hoje são mais de mil em cada uma das cidades.
Lidar com uma crise imigratória em suas fronteiras é um novo dilema para o Brasil, que até recentemente estava mais preocupado com a saída de seus próprios cidadãos que buscavam oportunidades nos países ricos do que com a chegada de milhares de estrangeiros empobrecidos.

Embora o crescimento econômico tenha se reduzido recentemente no Brasil, o desemprego permanece em um nível historicamente baixo de 5,2% e muitas companhias encontram dificuldades para encontrar trabalhadores e preencher vagas. Os salários também subiram para os que ocupam os níveis mais baixos do mercado de trabalho, com a renda dos brasileiros pobres subindo sete vezes mais que a renda dos brasileiros ricos entre 2003 e 2009.

“Estamos experimentando um declínio em nossa força de trabalho porque muitos brasileiros vão trabalhar em dois projetos hidrelétricos”, disse Ana Terezinha Carvalho, a analista de pessoal da Marquise, uma companhia de Porto Velho. A cidade fica no alto da bacia amazônica, onde o Brasil emprega milhares para construir duas grandes represas, chamadas Jirau e Santo Antônio.
A sra. Carvalho disse que a companhia dela rapidamente contratou 37 haitianos que chegaram no ano passado, para coletar lixo em Porto Velho e levar até o aterro sanitário.  Alguns ganham mais de 800 dólares por mês, num trabalho que inclui seguro de saúde, hora extra e feriados pagos. “Não havia brasileiros, ficamos felizes ao contratar haitianos”, ela disse.

As autoridades estimam que cerca de 500 haitianos vivem em Porto Velho e cerca de 700 em Manaus, a maior cidade brasileira na Amazônia. Centenas de outros chegaram a São Paulo, a capital econômica do Brasil. Companhias como a Fibratec, um fabricante de piscinas do estado de Santa Catarina, enviaram gerentes até aqui para contratar dezenas de haitianos.
Além de atender a demanda por trabalho barato , o empenho em permitir que haitianos trabalhem no Brasil demonstra a ambição do país em ter maior influência regional, ao tentar aliviar os problemas da nação mais pobre do hemisfério.

Desde 2004, o Brasil manda tropas para liderar a missão de paz das Nações Unidas no Haiti. Mas agora há mais haitianos no Brasil do que soldados brasileiros no Haiti. Em setembro, o Brasil anunciou que começaria a reduzir o número de seus soldados — 2 mil — na nação caribenha.
A maioria dos haitianos espera passar algumas semanas no limbo da imigração em Brasiléia, antes de seguir viagem. Alguns, como Francisco Joseph, de 25 anos, aproveitam seu tempo aqui. Ele compra cartões de celular pré-pago atravessando a ponte até Cobija, na Bolívia, e os vende aos haitianos que ficam na praça de Brasiléia com 30 centavos de dólar de lucro por cartão. Ele ganha até 10 dólares por dia.
“Esse pouquinho de dinheiro me dá um pouquinho de dignidade”, ele diz.
Outros, como Jacksin Etienne, 31, tem sonhos maiores. Um poliglota que passa facilmente do inglês para o espanhol, deste para o francês e em seguida para o creole, o sr. Etienne diz que espera trabalhar como tradutor em um hotel.
“Quero ir direto para São Paulo, a Nova York da América do Sul”, ele diz. “O Brasil está em ascensão e precisa de gente como eu”.

Lis Horta Moriconi and Erika O’Conor contributed reporting from Rio de Janeiro.

PS do Viomundo: Eu não sei se o dado é real, mas fico imaginando o cara lá de Wisconsin lendo na primeira página do New York Times que a renda dos mais pobres subiu sete vezes mais que a dos mais ricos no Brasil…