quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Roberto Gurgel sugere que eleitor não vote no PT


Revisor absolve Genoino e critica criminalização da política
Com duras críticas à peça acusatória elaborada pelo Ministério Público Federal, Ricardo Lewandowski classificou a acusação contra José Genoino, por corrupção ativa, de lacônica, abstrata e impessoal e disse que o réu não pode ser condenado pelo fato de ter sido presidente do PT. “Nós não vamos criminalizar a política”, disse. O relator, ao contrário, votou pela condenação do petista e outros 7. Lewandowski condenou 5 e ainda irá se pronunciar sobre José Dirceu. 

Lewandowski, entretanto, disse que a acusação “colocou todo mundo dentro de núcleos”, não individualizou condutas e não apontou nada de irregular na relação de Genoino com os outros partidos, não podendo, assim, os juízes condenarem o réu pelo cargo que ocupava – o de presidente do PT: 

“Nós não vamos criminalizar a política. Se houver um dia em que o presidente de partido político não puder se sentar com outros presidentes de partidos políticos para decidir sobre coalizões e eventual repartição de verbas é melhor fechar o país e retrocedermos aos tempos da ditadura militar ou, mais ainda, à ditadura Vargas, ou quem sabe, aos tempos em que a oligarquia latifundiária que dominou esse país, por vários e vários anos, ou por séculos talvez, resolvia as eleições a bico de pena.”

Cartamaior.


Roberto Gurgel sugere que eleitor não vote no PT

"As urnas dirão se houve alguma repercussão. A meu ver, seria bom que houvesse, seria salutar", disse o procurador-geral da República, animado com a perspectiva de condenação do núcleo político da Ação Penal 470, formado por José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares; se havia uma dúvida em relação à conexão entre o julgamento e as eleições, ela se dissipou completamente. Na prática, quando Gurgel sugere que o eleitor não vote em partidos envolovidos com o caso, como é o caso do PT, equivale a dizer que o Brasil começa a ter uma justiça com viés político.

247 – Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, publicou nesta quinta-feira um texto revelador, em que revela seu temor sobre a postura do ministro Ricardo Lewandowski na sessão desta quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal. Se o voto for longo demais, José Dirceu não será condenado antes do próximo domingo, disse Merval.
Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, foi também explícita ao conectar o julgamento do mensalão ao processo eleitoral. Segundo ela, Joaquim Barbosa é o maior aliado de José Serra na tentativa de passar para o segundo turno em São Paulo.
Brasil247.com

O voto de Joaquim Barbosa contra José Dirceu


O ministro do STF segue o roteiro traçado pela mídia conservadora e pela direita e usa, no envelope de seu voto, o idioma dos antigos dominantes, o inglês. Lá está escrito Last Act - Bribery que, em português, significa “Ultimo ato - corrupção ativa”

Por José Carlos Ruy


Foi com certeza involuntariamente que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acabou deixando escapar a ansiedade da mídia conservadora e da direita em torno do julgamento da Ação Penal 470, chamada de “mensalão”. Ele torce para que haja repercussão na eleição do próximo domingo, favorecendo, é claro, a direita e os conservadores. "Não sei. Isso aí as urnas dirão se haverá alguma repercussão. A meu ver, era bom que houvesse", deixou escapar para um repórter, em Brasília.

É uma confissão clara: o esforço todo tem natureza política e busca conseguir alguma repercussão eleitoral. Nesse sentido, a mídia conservadora (o PIG, Partido da Imprensa Golpista, como é conhecida) deve estar exultante. O script longamente acalentado começou a ser cumprido na tarde desta quarta-feira (3), quando o ministro relator do processo, Joaquim Barbosa, começou a ler o seu voto e cumpriu o roteiro esperado, acusando José Dirceu e outros quadros políticos, como o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Joaquim Barbosa confirmou a acusação feita pela Procuradoria Geral da República (PGR), indicando José Dirceu como o chefe de uma quadrilha de compra de apoio político no Congresso.
 E disse: “No meu sentir, essa cronologia, também evidencia ter havido promessa de repasses a líderes que, posteriormente, receberam vultosos repasses”, uma frase que deixa claro o subjetivismo em seu julgamento (“no meu sentir”, disse).

O menor índice de desigualdade da história documentada


Cândido Vaccarezza: Já não somos mais apenas o País do futuro


Em artigo publicado nesta terça-feira (2), no jornal Brasil Econômico, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) faz uma análise do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) intitulado “A Década Inclusiva (2001-2011)” e que mostra que o Brasil começou a superar a condição de ser um dos países mais desiguais do planeta.

Por Cândido Vaccarezza*


“E, se continuada, a política de crescimento econômico associada à distribuição de renda iniciada no governo Lula, poderemos alcançar, em pouco tempo, um novo patamar de desenvolvimento social no País”, afirma Vaccarezza.

Recente estudo divulgado pelo IPEA intitulado A Década Inclusiva (2001-2011) mostra que o Brasil começou a superar a condição de ser um dos países mais desiguais do planeta, e, se continuada, a política de crescimento econômico associada à distribuição de renda iniciada no governo Lula, poderemos alcançar, em pouco tempo, um novo patamar de desenvolvimento social no país.

Segundo o IPEA, nestes dez anos, cerca de 40 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado de consumo. A desigualdade, medida pelo índice Gini, caiu em todas as Pnads (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2011. E, ao contrário do que ocorreu em outros países emergentes, onde o crescimento econômico reduziu a pobreza, mas aumentou a desigualdade, no Brasil a renda dos 10% mais pobres cresceu 91,2%, enquanto que a dos 10% mais ricos acumulou um crescimento de 16,6%. Entre 2001 e 2011 conseguimos reduzir em 55% o contingente de pobres do país.

A renda dos segmentos étnicos historicamente excluídos também aumentou no período. Os negros tiveram aumento de 66,3%; os pardos, 85,5%, enquanto que a renda dos brancos cresceu apenas 47,6%. A mudança também atingiu as regiões do país, com a renda do Nordeste crescendo 72,8%, contra 45,8% do Sudeste. E cresceu 85,5% nas cidades rurais pobres, contra 40,5% nas metrópoles e 57,5% nas demais cidades.

Vários fatores permitiram esta revolução: o aumento do trabalho formal (58%), a Previdência (19%); o Programa Bolsa Família (13%), entre outros. O aumento de renda pela valorização do salário real foi consequência da criação de empregos e da política econômica. E é notável que isso tenha ocorrido num cenário de crescimento econômico muito menos acelerado do que o da China, Índia e Rússia.

Essa transformação foi resultado de uma escolha política, feita a partir do governo Lula, de buscar o caminho do crescimento econômico, ampliação do mercado interno e inclusão social. Setores conservadores dizem que a redistribuição de renda só foi possível graças à estabilidade trazida pelo Plano Real. Ora, pegamos o país em 2002 num quadro de crise do real com riscos sérios de grande retrocesso. A meta de inflação foi de 3,5% e ela bateu em 12,5%, projetada para 40% para 2003; havia uma profunda crise energética que, além de puxar para cima a inflação, funcionava como um freio ao crescimento; uma dívida externa escorchante, que impedia o país ter política econômica própria devido ao monitoramento do FMI; e um desequilíbrio cambial que à época prenunciava um quadro sombrio para economia brasileira. Se fosse mantida a opção do governo FHC por políticas de baixo crescimento, aumento de taxa de juros, privatizações à custa do patrimônio público e alinhamento automático às políticas dos EUA, jamais teríamos dado esse gigantesco salto social que o estudo do IPEA constatou.
As políticas inclusivas do governo Lula estão tendo continuidade e aprofundamento com a presidenta Dilma Rousseff, mesmo sob o impacto da crise econômica mundial. O governo adotou medidas ousadas como o fortalecimento da indústria nacional e queda sustentável dos juros. Agora, precisamos avançar nesse caminho, investindo cada vez mais em educação, ciência e inovação tecnológica.

*Cândido Vaccarezza é deputado Federal (PT-SP).

Fonte: Portal do PT na Câmara

Pnad  2011 confirma década inclusiva, diz  presidente do Ipea


Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2011) confirmam que a primeira década do século 21 no Brasil foi “inclusiva” do ponto de vista social, com robusta diminuição da desigualdade e redução da pobreza, na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).



O período guarda os melhores resultados desde quando o país produz estatísticas sobre distribuição de renda. “O Brasil está hoje no menor nível de desigualdade da história documentada”, disse o economista Marcelo Neri, recém-empossado presidente do Ipea. Segundo ele, o Índice de Gini (indicador que mede a desigualdade) foi 0,527 em 2011 - o menor desde 1960 (0,535) - quanto mais próximo de zero menor é a desigualdade.

Segundo Neri, a redução tem a ver com o crescimento da renda per capita nos diferentes estratos sociais. Entre 2001 e 2011, o crescimento real da renda dos 10% mais pobres foi 91,2%. Enquanto os 10% mais ricos, o crescimento foi 16,6%. Na opinião de Neri, a melhoria da renda na base da pirâmide relativiza o tímido desempenho das contas nacionais (medido pelo Produto Interno Bruto – PIB).

Na opinião de Neri, os programas sociais estão bem focados e beneficiando os mais “pobres dos pobres”. Nas contas do Ipea, as transferências do Programa Bolsa Família são responsáveis por 13% da redução da desigualdadeDe acordo com ele, o efeito é que a renda cresce mais entre os menos escolarizados, os pretos e pardos, as crianças de até 4 anos, a população do Nordeste e os residentes em áreas rurais – historicamente os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Para Marcelo Neri, as transferências são necessárias. “Não dá para o Brasil crescer deixando 70% do país para trás”. Ele pondera que, apesar da dependência das políticas sociais, 58% da queda da desigualdade são causadas pela renda do trabalho, em especial do emprego formal (que dobrou desde 2004) - o que permite sustentabilidade para a queda da desigualdade. “O trunfo é o trabalho. Tem colchão e o mercado está aquecido”, disse, ao lembrar que as pessoas formalmente empregadas têm direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego e aviso prévio.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Hobsbawm: “Diga ao Lula para seguir lutando pelo Brasil”


Lula: "Foi uma honra ser contemporâneo e conviver com Hobsbawm"


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou nesta segunda-feira (1º) uma mensagem a Marlene Schwartz, viúva do historiador Eric Hobsbawm, que morreu nesta segunda-feira em Londres, aos 95 anos. Um dos intelectuais mais influentes da segunda metade do século 20, Eric Hobsbawm elogiou e incentivou publicamente o governo Lula em várias ocasiões. Para o ex-presidente, o historiador foi “um dos mais lúcidos, brilhantes e corajosos intelectuais do século 20”.


Leia abaixo a mensagem na íntegra:
São Paulo, 1° de outubro de 2012

Prezada Senhora Marlene Schwartz

Acabo de receber, com profunda tristeza, a notícia do falecimento do seu marido, o querido amigo Eric Hobsbawm, um dos mais lúcidos, brilhantes e corajosos intelectuais do século 20.

Desde que o conheci pessoalmente, muitos anos atrás, recebi de Eric, como ele preferia que eu o tratasse, incontáveis manifestações de estímulo à implantação de políticas que incorporassem os trabalhadores aos benefícios e à riqueza produzidos pelo conjunto da sociedade brasileira.

Ao longo da última década, li com um sentimento de orgulho as entrevistas em que ele atribuía ao nosso governo a responsabilidade por “mudar o equilíbrio do mundo e levar os países em desenvolvimento para o centro da política internacional”.

Quatro meses atrás, poucos dias antes de completar 95 anos, Eric Hobsbawm enviou-me, por um amigo comum, uma carinhosa mensagem. “Diga ao Lula para seguir lutando pelo Brasil”, disse ele, “mas não se esquecer jamais da sofrida África”. A partir de agora meu comprometimento com os irmãos africanos passará a ser, também, uma homenagem à memória de seu marido.

Mais que um privilégio, foi uma honra ser contemporâneo e ter convivido com Eric Hobsbawm.

Receba e, por favor, transmita aos filhos, netos e bisnetos dele as minhas homenagens.

Luiz Inácio Lula da Silva


Jaime Sautchuk: Hobsbawm vive


Morreu hoje de manhã, (1 de outubro) em Londres, o genial historiador marxista britânico Eric Hobsbawm, aos 95 anos. Ele parte, mas sua importante obra viverá para sempre, influenciando gerações e gerações desde meados do século passado.
Por Jaime Sautchuk*


Filho de judeus britânicos, sua família tinha negócios na Áustria e Alemanha, mas teve de fugir do nazismo, indo para a Ing laterra, onde Eric estudou, filiou-se ao Partido Comunista e lutou na 2ª Guerra no front britânico. 

Ele teve forte influência no Brasil. A começar pelo seu primeiro livro (tese de doutorado), o Social Bandits(Bandidos Sociais), que é focado no bandido Juliano, da Itália, mas que trata também do nosso Lampião. 

Um discípulo seu, o norte-americano Billy Jayne Chandler, depois gastou oito anos em pesquisas para escrever Lampião, obra definitiva sobre o cangaço. 

Em A Era das Revoluções, Hobsbawm interpreta as mudanças no mundo da Revolução Francesa à Russa. Em A era dos Extremos, interpreta o que ocorreu da Revolução de 1917 ao fim da União Soviética. Sempre numa visão marxista. 

*Jornalista, escritor, colunista do Vermelho

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O ataque de Aócio Never


Fácil como bater em bêbado

Posted by  on 29/09/12 •
A excitação da direita brasileira com o julgamento do mensalão assemelha-se à que provocam as drogas pesadas. Dopados pelo noticiário, alguns próceres – e outros nem tanto – da oposição demo-tucana se atracam com colunistas amestrados da grande imprensa em uma orgia delirante de análises sem base na realidade.As declarações de um senador-playboy mineiro – que vive mais em botecos cariocas do que em seu colégio eleitoral ou no próprio Senado – sobre o ex-presidente Lula e o PT, são de fazer rir.
Quem chamou Lula de “chefe de facção”, tentando fazer um trocadilho pobre com o fato de alguns membros de seu partido estarem sendo alvo de um linchamento por juízes acovardados do Supremo, pertence à parcela do PSDB que está envolvida em um caso de corrupção que, como se sabe, deu origem àquele pelo qual “o PT” estaria sendo julgado.
Tucano de Minas criticando o PT por envolvimento com Marcos Valério?! Só pode ser piada…O fato é que o povo brasileiro está dando uma banana para o circo oposicionista-midiático armado em torno do julgamento do mensalão, conforme pesquisas de opinião revelam. A popularidade do governo Dilma, dela mesma e do ex-presidente Lula nunca estiveram tão altas.Recentemente, sondagens do eleitorado detectaram que 70% dos brasileiros querem que Lula se recandidate a presidente no lugar de Dilma. Outras mostram que 79% julgam que o governo Lula foi igual ou melhor do que o de Dilma, que é aprovado por 62%.
Como se não bastasse, 81% dos eleitores da cidade mais conservadora do país (São Paulo) declaram ao Datafolha que não irão pautar seus votos na próxima eleição com base no julgamento em curso no STF. Se é assim nessa cidade, imagine, leitor, como deve ser no resto do Brasil.Lula deveria responder a Aécio Neves? Poderia. Seria fácil demais. Afinal, esse sujeito está sempre sendo flagrado cambaleando pelos botecos cariocas, vive sendo detido em blitz policiais por dirigir bêbado e os relatos sobre envolvimento com drogas se sucedem.
Responder o quê a um cinqüentão que age como adolescente? Responder o quê a alguém que talvez nem estivesse sóbrio quando atacou um dos políticos mais amados e respeitados (pelo povo e pela comunidade internacional) da história brasileira? Brigar com Aécio é fácil como bater em bêbado. Por isso não vale a pena.
—–
Comentário de Internauta:
anac
A corja da direita e seus miquinhos trolls amestrados com cerebro de ameba não precisam de prova – video, som, testemunhas oculares – para acusar Lula dos atos mais escabrosos, muito menos de beber como fazem Aecio e fhc com sua adega paga pelo povo com a privataria e mensalões da reeleição. Beber todo mundo bebe, mas so Aocio Never dirige quando bebe. Nem Collor se atrevia de sair chapado as ruas. Se Collor deu no que deu, avaliem o aocio na presidencia. Cruz, credo tucanás.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um Golpe de Estado em andamento!


Um Golpe de Estado em andamento!

Capa de 'Veja' demonstra que Direitas neofascistas tupiniquins querem destruir com Lula e o PT e, depois, enquadrar ou derrubar Dilma, tal como fizeram com Jango, em 1964!

A ridícula matéria de capa de 'Veja' desta semana mostra que está em andamento uma nova tentativa golpista no país.
Não se pode esquecer, antes de mais nada, que a 'Veja' é uma publicação sem nenhuma credibilidade e que possui fortíssimas conexões com Carlinhos Cachoeira, que é algo que já foi comprovado, inclusive, por investigações feitas pela Polícia Federal.
A matéria de capa desta semana, inclusive, cita fontes 'em off' e as supostas declarações de Marcos Valério não foram gravadas. Valério não falou nada. A 'Veja' não tem uma declaração sequer dele que tenha sido gravada. Isso mesmo! Dá para acreditar numa coisa ridícula dessas?
Tudo o que esse panfleto neonazista de quinta categoria, que é a 'Veja', publicou foi com base no 'ouvi dizer que alguém ouviu de Valério que ele disse tais coisas'. Desde quando que o nome disso é jornalismo, hein?
Aliás, 'Veja' adora fazer reportagens sem que nada tenha sido gravado, né? Patético! E ainda existem pessoas que levam essa publicação à sério. Bem, idiotas é o que não faltam nesse mundo.
Aliás, essa é a mesma ladainha de sempre, que já vimos, por exemplo, na famigerada história do 'grampo sem áudio' envolvendo o - assim chamado pela 'Veja' - 'Mosqueteiro da Ética', o ex-senador cassado DEMóstenes Torres, e o ministro do STF, Gilmar Mendes.
Então, qual seria a trama para levar adiante esse Golpe?

Resumidamente, seria a seguinte:
1) Condenar todos os membros do PT que estão sendo julgados pelo STF atualmente, com o objetivo de destruir com a imagem do partido perante o eleitorado, enfraquecendo-o fortemente.
2) Fazer uma brutal pressão sobre Marcos Valério para que o mesmo use da 'delação premiada' a fim de envolver o ex-presidente Lula no escândalo, dizendo que o mesmo era o 'chefe' e o responsável por tudo o que está relacionado ao caso da AP 470.
3) Submeter o ex-presidente Lula a um futuro julgamento no mesmo STF, condenando-o sumariamente, tal como está sendo feito atualmente, onde 'provas tênues' estão sendo consideradas mais do que suficientes para se condenar os acusados e no qual um ministro do STF, Luis Fux, disse que o ônus da prova cabe ao acusado e não ao acusador, jogando as leis brasileiras na lata de lixo.

O objetivo disso seria destruir com a imensa popularidade de Lula e, assim, inviabilizar qualquer possibilidade dele se candidatar novamente à Presidência da República ou de influenciar decisivamente na sucessão presidencial de 2014, na qual irá apoiar a presidenta Dilma, é claro.
4) Com o PT destruído, com os movimentos sociais acuados e com a imagem e a popularidade de Lula no chão, a Grande Mídia e a oposição demotucana neofascista, reacionária e golpista promoveriam uma brutal campanha contra Dilma, para forçá-la a se afastar de todos eles, tal como já tentaram fazer no início do mandato dela, inclusive.

Com o fracassso da campanha naquele momento, a Grande Mídia iniciou um processo, organizado e articulado, para derrubar os ministros que haviam sido indicados pelo ex-presidente Lula ou que haviam participado do seu governo e que continuaram em seus cargos no governo Dilma, mesmo que não houvesse prova alguma contra os mesmos, tal como aconteceu com o então ministro do Esporte, Orlando Silva, contra o qual não se provou coisa alguma.
Porém, tal plano fracassou, pois Dilma e Lula continuaram sendo aliados e a popularidade da presidenta não parou de subir desde então, já tendo atingido os 75,7% de aprovação pessoal, segundo a mais recente pesquisa. 

 5) Sem o apoio e a sustentação de Lula, dos movimentos sociais e do PT, a presidenta Dilma passaria a depender apenas de partidos conservadores e da Grande Mídia para governar, tornando-se politicamente refém dos mesmos.
6) Neste contexto, estaria aberto o caminho para que se levasse adiante um Golpe de Estado Judiciário e Midiático contra a presidenta Dilma, com características muito semelhantes ao que ocorreu recentemente no Paraguai, contra o presidente, democraticamente eleito, Fernando Lugo.

O ex-presidente Lugo não tinha um partido político progressista forte e organizado e tampouco movimentos sociais enraizados na sociedade para lhe dar sustentação política-institucional e, assim, poder governar com uma certa margem de manobra em relação às forças conservadoras, direitistas e reacionárias do país.
Sem tais forças de sustentação política de características mais progressistas (que Lula teve e Dilma também possui), Fernando Lugo tornou-se dependente do apoio de segmentos das forças conservadoras para governar o Paraguai, principalmente do PLRA, do qual o seu então Vice-Presidente, Federico Franco, é integrante.
Tudo isso acabou resultando num Golpe de Estado organizado e promovido por estas mesmas forças, que usaram de um falso pretexto para derrubá-lo.
Contra a presidenta Dilma, seria levado adiante o mesmo plano golpista.
Para que isso seja viabilizado, no entanto, é preciso destruir com o PT, reprimir e acuar os movimentos sociais e, mais ainda, acabar com a imagem e com a popularidade do ex-presidente Lula.
As forças direitistas, reacionárias e golpistas do país já perceberam que enquanto o PT, os movimentos sociais e o presidente Lula continuarem desempenhando um papel importante no país, nenhuma plano golpista para tomar o controle do governo federal será bem sucedido.
Tais forças golpistas e reacionárias desejam fazer com que a presidenta Dilma fique na mesma situação em que se encontrava o então presidente João Goulart durante o Golpe de Abril de 1964.

Durante o movimento golpista, Jango teve uma conversa com o então comandante do Segundo Exército (sediado em São Paulo), Amaury Kruel, que lhe disse (por telefone) que se ele se afastasse dos movimentos sociais (CGT, UNE, sindicatos, PTB, PCB, Brizola, Arraes, etc) ele poderia concluir o seu mandato.
Jango, é claro, se recusou a aceitar tamanha humilhação e a se afastar de seus aliados políticos, preferindo ser derrubado do que traí-los.

A jogada de 'Veja', que é uma típica representante do que existe de mais retrógrado e pré-histórico na sociedade brasileira, é essa.
Porém, eles não conseguirão atingir os seus objetivos.

O povo brasileiro sabe o que conquistou durante o governo Lula e, agora, no governo Dilma, e não está disposto a abrir mão disso em função de um discurso e de uma postura pseudo-moralista, tipicamente udenista e golpista de uma Grande Mídia totalmente desprovida de credibilidade, que se envolve com organizações criminosas com alto poder corruptor (como é o caso daquela comandada por Carlinhos Cachoeira) e que representa os interesses de meia-dúzia de gatos pingados, de uma minoria da sociedade e da população, embora os mesmos possuam um grande poder midiático e financeiro em suas mãos.

E é justamente por que ainda possuem muito poder é que tais movimentações golpistas não devem ser desprezadas. Jamais se deve desprezar a força do inimigo e o combate ao mesmo tem que ser permanente, sem trégua de qualquer espécie.
Afinal, porque a América Latina passou a ser palco de tantos Golpe de Estado nos últimos anos e em inúmeros países (Venezuela, Bolívia, Equador, Honduras, Paraguai)?
Simples: As Direitas da região já perceberam que elas não conseguem mais chegar ao poder através de eleições. As únicas maneiras que sobraram para se conseguir isso foram os Golpes de Estado (vitoriosos em Honduras, em 2009, e no Paraguai, em 2012) e as fraudes eleitorais (como as que sempre ocorrem no México, em todas as eleições presidenciais).

Na América do Sul, por exemplo, líderes e partidos progressistas foram vitoriosos nas mais recentes eleições presidenciais realizadas no Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Peru, Equador, Uruguai e Paraguai.
A única derrota das forças progressistas, em eleições, na região, ocorreu no Chile, mas o atual presidente direitista do país, Sebastián Piñera, tornou-se extremamente impopular e todas as pesquisas mostram um favoritismo total da ex-presidenta Michele Bachelet (que saiu do governo com cerca de 80% de aprovação) para as próximas eleições presidenciais.
Apenas na Colômbia é que as esquerdas não são uma alternativa real de poder porque sempre que elas se organizam em movimentos políticos legais e pacíficos, os seus líderes e militantes são mortos feitos moscas, aos milhares, tal como aconteceu com a Unión Patriótica na década de 1980.
Até mesmo na América Central, que desde as últimas décadas do século XIX é um tradicional e infeliz 'quintal' dos EUA, tivemos a vitória de Daniel Ortega, da FSLN, na Nicarágua, e de Mauricio Funes, da FMLN, em El Salvador, nas mais recentes eleições realizadas nestes países.
Enquanto Daniel Ortega é um forte e leal aliado de Hugo Chávez, o presidente salvadorenho Mauricio Funes é um aliado muito próximo de Lula e do governo brasileiro.
Assim, se não apelar para golpes ou fraudes, as forças direitistas, reacionárias e golpistas da América Latina terão reduzidas chances de se chegar ao poder novamente nos países da região.

E é justamente isso que explica todas essas tentativas golpistas das forças reacionárias da América Latina nos últimos anos e que não deverão cessar num futuro tão próximo (muito provavelmente, jamais cessarão).

Atualmente, muitas pessoas podem argumentar que os golpistas tupiniquins tem pouco ou quase nenhum apoio popular para levar adiante as suas tentativas golpistas. É verdade.
Mas não custa nada lembrar que isso também era verdade em Agosto-Setembro de 1961, quando setores conservadores das Forças Armadas tentaram impedir a posse de João Goulart na presidência da República e acabaram sendo derrotados devido ao surgimento da 'Rede da Legalidade', comandada por Leonel Brizola, que acabou conseguindo atrair a maioria da população para a defesa da posse de Jango na presidência da República, tal como determinava a Constituição da época.
Porém, isso não impediu que, em Abril de 1964, menos de três anos depois, os golpistas fossem vitoriosos, derrubassem Jango e implantassem uma Ditadura Militar que durou 21 anos.
Portanto, nos próximos anos, todo cuidado é pouco com as tentativas golpistas das direitas reacionárias e neofascistas latino-americanas, pois elas não irão, sob hipótese alguma, abandonar os seus planos golpistas.
No Pasarán!

Obs: Para encerrar, aqui vai um aviso ao PT, Lula, Dilma e para o Zé Dirceu:
Quem poupa o inimigo, nas mãos lhe cai. 
Fonte: Guerrilheiros do anoitecer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Veja blefa e não tem fita gravada

247 – Algoz dos chamados “mensaleiros”, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel não comprou a estória relatada por Veja neste fim de semana, segundo a qual Marcos Valério estaria espalhando a “interlocutores” próximos a tese de que Lula era o verdadeiro chefe do mensalão. Gurgel disse que Valério é um “jogador” e que suas declarações devem ser tomadas com cautela – ainda que o advogado de Valério, Marcelo Leonardo tenha negado que seu cliente tenha dado qualquer declaração a Veja.
Ocorre que Valério não é o único “jogador”. Assim como ele, a revista Veja, de Roberto Civita, também decidiu jogar cartas. O objetivo, evidentemente, é aniquilar o ex-presidente Lula. E como numa partida de truco, Veja blefou sem ter o Zap – a carta que derruba todas as outras. No caso concreto, o Zap seria a fita com a entrevista de Marcos Valério. E a possibilidade de que essa fita exista é remotíssima, praticamente nula.

A “existência” da fita, até agora, só foi confirmada pelo jornalista Ricardo Noblat. Disse ele que Valério deu entrevista a Veja e que, depois disso, diante da discordância do advogado Marcelo Leonardo, ele teria recuado e pedido à direção da revista Veja que a publicasse de forma indireta – atribuindo suas declarações a terceiros.
Ocorre que, para que essa estória fosse verdadeira, Valério teria que ter algum poder de pressão sobre Veja. Com que argumento um empresário praticamente falido, à beira da prisão, convenceria um jornalista e uma revista que caça Lula há oito anos a não publicar uma entrevista tão bombástica? Seria impossível qualquer tipo de acordo.

Se é assim, por que o PT ou os “petralhas” (como diz Reinaldo Azevedo) então não pedem a fita? Por uma razão bastante simples. Ninguém sabe, a esta altura do campeonato, qual é o estado emocional de Marcos Valério, um empresário que serviu ao PSDB, ao PT e que, em vez de ser recompensado, está prestes a ser preso. E por muitos anos.

O truque de Veja foi simplesmente utilizar uma das artimanhas mais manjadas do jornalismo – mas com uma audácia inédita. O “disse a interlocutores próximos” sempre foi um recursos utilizados por dois tipos de jornalistas: os que simplesmente inventam “offs” e aqueles que, de boa fé, aproximam-se de fontes que possuem informações relevantes, mas não podem se identificar. Só que, nestes casos, as “declarações” não são colocadas entre aspas – e nem vendidas aos leitores, na primeira página, como uma entrevista em “on”, com fita e gravador.

A reportagem foi apenas a peça inicial de um golpe engendrado. Uma entrevista inventada, tomada por verdade por adversários de Lula na política e nos meios de comunicação, e que paira no ar como o pretexto para uma futura ação judicial contra o ex-presidente.
Um blefe. Uma trucada. Mas sem o Zap.

Fala, Valério! Fala! Fala
do Dantas e dos tucanos!

“Queria muito que o Sr. Marcos Valério viesse falar nos canais de televisão, nos jornais, não a partir de aspas inventadas”, disse o senador Jorge Viana.

O Conversa Afiada reproduz trecho do discurso corajoso (até que enfim o PT começa a abrir o bico !) do Senador Jorge Viana (veja a íntegra na TV Afiada):

(…)

Queria muito que o Sr. Marcos Valério viesse falar nos canais de televisão, nos jornais, não a partir de aspas inventadas, mas a sua própria voz, contando a origem dessa organização criminosa de desviar dinheiro público para financiar partidos e base aliada. Certamente, se isso fosse feito, se o Sr. Marcos Valério falasse…

Quem está falando aqui é um Senador do PT. Eu queria muito que nós conhecêssemos a fita ou as fitas ou ouvíssemos a voz e os escritos do Sr. Marcos Valério contando a história, que começou em 98, com o PSDB e o PFL; passou por outros partidos, que estão firmes na República, e alcançou o PT. Lamento pelos erros do meu Partido, lamento que o PT não se conteve e caiu na tentação de achar um caminho fácil para resolver o problema da difícil composição de governo em nosso País por conta da legislação.

Se o Sr. Marcos Valério falar, gravar, contar a história, eu não tenho dúvida de que vai ficar mais fácil para os Ministros do Supremo julgar sem cometer injustiça, mas eu não tenho nenhuma dúvida de que o nosso País ficará melhor, porque a hipocrisia, o faz de conta vai ficar para trás, e aqueles que tentam dar lição de moral, que moral nenhuma têm para nos dar lição de moral, vão ter que dar explicações ao País porque criaram uma organização criminosa e agora tentam jogar a culpa no Partido dos Trabalhadores e tentam trazer o Presidente Lula para um debate do qual ele está muito distante, pela vida, pelo que construiu neste País.

(…)


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por que eles têm tanto medo do Lula?

Por que eles têm medo do Lula?

Lula virou o diabo para a direita brasileira, comandada por seu partido – a mídia privada. Pelo que ele representa e por tê-los derrotado três vezes sucessivas nas eleições presidenciais, por se manter como o maior líder popular do Brasil, apesar dos ataques e manipulações de todo tipo que os donos da mídia – que não foram eleitos por ninguém para querer falar em nome do país – não param de maquinar contra ele.
Primeiro, ele causou medo quando surgiu como líder operário, que trazia para a luta política aos trabalhadores, reprimidos e super-explorados pela ditadura durante mais de uma década e o pânico que isso causava em um empresariado já acostumado ao arrocho salarial e à intervenção nos sindicatos.

Medo de que essa política que alimentava os superlucros das grandes empresas privadas nacionais e estrangeiras – o santo do chamado “milagre econômico” -, terminasse e, com ela, a possibilidade de seguirem lucrando tanto às custas da super-exploração dos trabalhadores.

Medo também de que isso tirasse as bases de sustentação da ditadura – além das outras bases, as baionetas e o terror – e eles tivessem que voltar às situações de incerteza relativa dos regimes eleitorais.

Medo que foi se acalmando conforme, na transição do fim do seu regime de ditadura militar para o restabelecimento da democracia liberal, triunfavam os conservadores. Derrotada a campanha das diretas, o Colégio Eleitoral consagrou um novo pacto de elite no Brasil, em que se misturavam o velho e o novo, promiscuamente na aliança PMDB-PFL, para dar nascimento a uma democracia que não estendia a democracia às profundas estruturas econômicas, sociais e midiáticas do país.

Sempre havia o medo de que Lula catalizasse os descontentamentos que não deixaram de existir com o fim da ditadura, porque a questão social continuava a arder no país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Mas os processos eleitorais pareciam permitir que as elites tradicionais retomassem o controle da vida política brasileira.

Aí veio o novo medo, que chegou a pânico, quando Lula chegou ao segundo turno contra o seu novo queridinho, Collor, o filhote da ditadura. E foi necessário usar todo o peso da manipulação midiática para evitar que a força popular levasse Lula à presidencia do Brasil, da ameaça de debandada geral dos empresários se Lula ganhasse, à edição forjada de debate, para tentar evitar a vitória popular.

O fracasso do Collor levou a que Roberto Marinho confessasse que eles já não elegeriam um presidente deles, teriam que buscar alguém no outro campo, para fazê-lo seu representante. Se tratava de usar de tudo para evitar que o Lula ganhasse. Foram buscar ao FHC, que se prestou a esse papel e parecia se erigir em antidoto permanente contra o Lula, a quem derrotou duas vezes.

Como, porém, não conseguem resolver os problemas do país, mas apenas adiá-los – como fizeram com o Plano Real -, o fantasma voltou, com o governo FHC também fracassando. Tentaram alternativas – Roseana Sarney, Ciro Gomes, Serra -, mas não houve jeito.

Trataram de criar o pânico sobre a possibilidade da vitória do Lula, com ataque especulativo, com a transformação do chamado “risco Brasil” para “risco Lula”, mas não houve jeito.

Alivio, quando acreditaram que a postura moderada do Lula ao assumir a presidência significaria sua rendição à politica econômica de FHC, ao “pensamento único”, ao Consenso de Washington. Por um lado, saudavam essa postura do Lula, por outro incentivavam os setores que denunciavam uma “traição” do Lula, para buscar enfraquecer sua liderança popular. No fundo acreditavam que Lula demoraria pouco no governo, capitularia e perderia liderança popular ou colocaria suas propostas em prática e o país se tornaria ingovernável.

Quando se deram conta que Lula se consolidava, tentaram o golpe em 2005, valendo-se de acusações multiplicadas pela maior operação de marketing político que o pais ja conheceu – desde a ofensiva contra o Getúlio, em 1954 -, buscando derrubar o Lula e sepultar por muito tempo a possibilidade de um governo de esquerda no Brasil. Colocavam em prática o que um ministro da ditadura tinha dito: Um dia o PT vai ganhar, vai fracassar e aí vamos poder governar o país sem pressão.”
Chegaram a cogitar um impeachment, mas tiveram medo do Lula, da sua capacidade de mobilização popular contra eles. Recuaram e adotaram a tática de sangrar o governo, cercando-o no Parlamento e através da mídia, até que, inviabilizado, fosse derrotado nas eleições de 2006.

Fracassaram uma vez mais, quando o Lula convocou as mobilizações populares contra os esquemas golpistas, ao mesmo tempo que a centralidade das políticas sociais – eixo do governo Lula, que a direita não enxergava, ou subestimava e tratava de esconder – começava a dar seus frutos. Como resultado, Lula triunfou na eleições de 2006, ao contrário do que a direita programava, impondo uma nova derrota grave às elites tradicionais.

O medo passou a ser que o Brasil mudasse muito, tirando suas bases de apoio tradicionais – a começar por seus feudos políticos no nordeste -, permitindo que o Lula elegesse sua sucessora. Se refugiaram no “favoritismo” do Serra nas pesquisas – confiando, uma vez mais, na certeza do Ibope de que o Lula não elegeria sua sucessora.

Foram de novo derrotados. Acumulam derrota atrás de derrota e identificam no Lula seu grande inimigo. Ainda mais que nos últimos anos do seu segundo mandato e na campanha eleitoral, Lula identificou e apontou claramente o papel das elites tradicionais, com afirmações como a de que ele demonstrou “que se pode governar o Brasil, sem almoçar e jantar com os donos de jornal”. Quando disse que “não haverá democracia no Brasil, enquanto os políticos tiverem medo da mídia”, entre outras afirmações.

Quando, depois de seminário que trouxe experiências de regulações democráticas da mídia em varias partes insuspeitas do mundo, elaborou uma proposta de lei de marco regulatório para a mídia, que democratize a formação da opinião pública, tirando o monopólio do restrito número de famílias e empresas que controlam o setor de forma antidemocrática.

Além de tudo, Lula representa para eles o sucesso de um presidente que se tornou o líder político mais popular da história do Brasil, não proveniente dos setores tradicionais, mas um operário proveniente do nordeste, que se tornou líder sindical de base desafiando a ditadura, que perdeu um dedo na máquina – trazendo no próprio corpo inscrita a sua origem e as condições de trabalho dos operários brasileiros.

Enquanto o queridinho da direita partidária e midiática brasileira, FHC, fracassou, Lula teve êxito em todos os campos – econômico, social, cultural, de políticas internacional -, elevando a auto-estima dos brasileiros e do povo brasileiro. Lula resgatou o papel do Estado – reduzido à sua mínima expressão com Collor e FHC – para um instrumento de indução do crescimento econômico e de garantia das políticas sociais. Derrotou a proposta norteamericana da Alca – fazer a América Latina uma imensa área de livre comércio, subordinada ao interesses dos EUA -, para priorizar os projetos de integração regional e os intercâmbios com o Sul do mundo.

Lula passou a representar o Brasil, a América Latina e o Sul do mundo, na luta contra a fome, contra a guerra, contra o monopólio de poder das nações centrais do sistema. Lula mostrou que é possível diminuir a desigualdade e a pobreza, terminar com a miséria no Brasil, ao contrário do que era dito e feito pelos governos tradicionais.
Lula saiu do governo com praticamente toda a mídia tradicional contra ele, mas com mais de 80% de apoio e apenas 3% de rejeição. Elegeu sua sucessora contra o “favoritismo” do candidato da direita.

Aí acreditaram que poderiam neutralizá-lo, elogiando a Dilma como contraponto a ele, até que se rendem que não conseguem promover conflitos entre eles. Temem o retorno do Lula como presidente, mas principalmente o temem como líder político, como quem melhor vocaliza os grandes temas nacionais, apontando para a direita como obstáculo para a democratização do Brasil.

Lula representa a esquerda realmente existente no Brasil, com liderança nacional, latino-americana e mundial. Lula representa o resgate da questão social no Brasil, promovendo o acesso a bens fundamentais da maioria da população, incorporando definitivamente os pobres e o mercado interno de consumo popular à vida do país.

Lula representa o líder que não foi cooptado pela direita, pela mídia, pelas nações imperiais. Por tudo isso, eles tem medo do Lula. Por tudo isso querem tentam desgastar sua imagem. Por isso 80% das referências ao Lula na mídia são negativas. Mas 69,8% dos brasileiros dizem que gostariam que ele volte a ser presidente do Brasil. Por isso eles tem tanto medo do Lula.

Postado por Emir Sader na Carta Maior em 17/09/2012.