terça-feira, 20 de setembro de 2022

PORQUE OS PAÍSES POBRES CONTINUAM POBRES ?

 

PORQUE OS PAÍSES POBRES CONTINUAM POBRES ?

- ou como os paises imperialistas impedem o nosso desenvolvimento.

 

 SABOTAGEM EM ALCÂNTARA


 
FOTO ACIMA
: Um soldado observa os destroços da plataforma de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) no Centro de Lançamento de Alcântara, Maranhão. Em 26 de agosto de 2003, uma grande explosão destruiu o foguete e sua plataforma, matando 21 engenheiros e técnicos civis. ….especialistas em astronáutica apontaram sabotagem como a causa mais provável do incidente. ….O incidente causou um enorme retrocesso ao programa espacial brasileiro….Quase duas décadas após a explosão na base de Alcântara, o programa espacial brasileiro ainda não se recuperou das perdas ….Em março de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou com Donald Trump um novo Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, transferindo o uso da base aeroespacial de Alcântara para os Estados Unidos. (FHC já tinha assinado este mesmíssimo acordo com os EUA em 2000, mas em 2003 Lula desfez esse compromisso e prosseguiu com o programa espacial e logo depois veio a sabotagem e a explosão)…. . O acordo já foi aprovado pelo Congresso brasileiro e entrará em vigor a partir de 2022, dando aos estadunidenses o tão almejado controle exclusivo do centro aeroespacial.

Este é só um exemplo, aliás dos mais representativos, de como o IMPÉRIO se comporta para manter os interesses de seus domínios e ao mesmo tempo submissão das colônias aos seus desejos…..Não é permitido às colônias alçar vôo próprio, se alguém tentar será punido…. e a punição é severa, como se pôde ver acima.

 

O QUE O TIO SAM REALMENTE QUER ?


O que o Tio Sam realmente quer?” é o nome do livro de Noam Chomsky. Os EUA desde que consolidaram o seu império como a maior potência mundial, principalmente a partir da II GRANDE GUERRA MUNDIAL começaram a estabelecer políticas externas de controle sobre os seus supostos domínios mundiais. A elite americana representada dentro do governo americano já tinham estabelecidos suas regras. Os estrategistas norte-americanos - desde os ligados ao Departamento de Estado até os do Conselho de Relações Exteriores (um dos grandes canais pelos quais líderes empresariais influenciam a política externa) - concordaram que o domínio dos Estados Unidos tinha de ser mantido Na extrema linha dura, temos documentos como o Memorando 68 do Conselho de Segurança Nacional (de 1950). O CSN 68 propunha uma "estratégia de empurrar para trás", que "fomentaria as sementes da destruição dentro do sistema soviético, para que pudéssemos então negociar um pacto, em nossos termos, com a União Soviética" (um Estado ou Estados sucessores)”. Essas políticas já estavam, de fato, sendo implementadas desde 1949, quando a espionagem dos EUA na Europa Oriental foi transferida para uma rede liderada por Reinhard Gehlen, que já havia dirigido a inteligência militar nazista na Frente Leste da guerra. Essa rede era parte da aliança EUA-nazistas, que absorveu rapidamente muitos dos piores criminosos de guerra e estendeu suas operações para a América Latina e para outras partes do mundo. Essas operações incluíam um exército secreto, patrocinado pela aliança EUA-nazistas, que se encarregava de fornecer agentes e provisões militares a exércitos que tinham sido criados por Hitler e que, no início da década de 1950, ainda estavam operando na União Soviética e no Leste Europeu. No outro extremo: o grupo denominado "os pombos", onde o principal pombo era, sem dúvida, George Kennan, que dirigiu a equipe de planejamento do Departamento de Estado até 1950. Kennan também escreveu Estudo de Planejamento Político 23, para a equipe de planejamento do Departamento de Estado, em 1948.

Neste documento ele diz: “Nós temos cerca de 50% da riqueza mundial, mas somente 6,3% de sua população... Nesta situação, não podemos deixar de ser alvo de inveja e ressentimento. Nossa verdadeira tarefa, na próxima fase, é planejar um padrão de relações que nos permitirá manter esta posição de desigualdade... Para agir assim, teremos de dispensar todo sentimentalismo e devaneio; nossa atenção deve concentrar-se em toda parte, em nossos objetivos nacionais imediatos... Precisamos parar de falar de vagos e irreais objetivos, tais como direitos humanos, elevação do padrão de vida e democratização. Não está longe o dia em que teremos de lidar com conceitos de poder direto. Então, quanto menos impedidos formos por slogans idealistas, melhor.”

Kennan observou que a maior preocupação da política externa norte-americana deve ser "a proteção das nossas (isto é, da América Latina) matérias-primas". Devemos, portanto, combater a perigosa heresia que, segundo informava a Inteligência americana, estava se espalhando pela América Latina: "A idéia de que o 'governo tem responsabilidade direta pelo bem do povo" Os estrategistas americanos chamam essa idéia de comunismo, seja qual for a real opinião das pessoas que a defendem. Essa posição é também clara nos arquivos públicos. Por exemplo, um grupo de estudos de alto nível declarou, em 1955, que a ameaça principal das potências comunistas (o verdadeiro sentido do termo comunismo na prática) é a recusa em exercer seu papel serviçal, isto é, o de "complementar as economias industriais do Ocidente".

Assim a cúpula do governo americano já tinham decidido no clima da guerra fria que não iriam permitir que os países sob seu jugo poderiam alçar caminhos independentes de suas diretrizes imperiais: seja no caminho do NACIONALISMO ou de uma via SOCIALISTA,. não permitiriam nem mesmo um desenvolvimento que pudesse melhorar o bem estar social destas populaçôes.

Chomsky cita textos oficiais, baseado nos arquivos secretos sigilosos, já liberados pelo governo: O problema com as democracias verdadeiras e que elas podem fazer seus governantes caírem na heresia de responderem às necessidades de sua própria população, em vez das dos investidores norte americanos. (p.09) …..o que os EUA querem é "estabilidade", quer dizer, segurança para "as classes dominantes e liberdade para as empresas estrangeiras". Se isso pode ser obtido com métodos democráticos formais, OK. Se não, a ameaça à "estabilidade" causada pelo bom exemplo tem de ser destruída, antes que o vírus infecte os outros. (p.11) ….”É melhor ter um regime forte no poder do que um governo liberal, indulgente, brando e infiltrado de comunistas” (p.5) ….”Ao Terceiro Mundo cabia “executar sua principal função de fonte de matérias –primas e de mercado” para as sociedades industriais capitalistas, como dizia um memorando do Departamento de Estado, de 1949, p.5)”…. “Com um documento de alto nível atrás do outro, os estrategistas norte-americanos expunham a visão de que a principal ameaça à nova ordem mundial, liderada pelos EUA, era o nacionalismo do Terceiro Mundo - algumas vezes chamado de ultranacionalismo….se por um golpe de sorte eles chegassem ao poder, retirá-los e instalar ali governos que favorecessem os investimentos privados do capital interno e externo, a produção para exportação e o direito de remessa de lucros para fora do país. (p.8)…. .

(“Exposto tudo isso, é fácil entender a política dos EUA para o Terceiro Mundo. Somos radicalmente opostos à democracia se seus resultados não podem ser controlados”. p.9)). Governos parlamentaristas foram derrubados com o apoio dos EUA e, algumas vezes, com intervenção direta. No Irã, em 1953; na Guatemala, em 1954 (e em 1963, quando Kennedy apoiou o golpe militar para evitar a ameaça do retorno à democracia); na República Dominicana, em 1963 e 1965; no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973, e freqüentemente em outros lugares (p.10)……... assim todos os governos que tentaram estas vias foram derrubados pelo IMPÉRIO de uma forma violenta (p.ex. via golpes de Estado ou ditaduras militares) ou mesmo de outra forma subsidiada via lideranças locais (financiando grupos de direita locais).... Os exemplos são vários; 1) ditadura militar do governo Pinochet, no Chile, que substitui um governo socialista que ganhou eleições legítimas; 2) o nacionalismo de Getúlio Vargas é combatido com financiamento a grupos direitistas até o seu suicídio; 3) ditadura militar de 1964 no Brasil para substituir o governo democrático de João Goulart que caminhava aos moldes do getulismo…..vários outros exemplos em toda a América Latina….e no MUNDO….

O MÉTODO JACARTA é o nome do livro de Vincent Bevins - é um método de massacres sanguinários usado como exemplo a partir do massacre na Indonésia de mais de um milhão de pessoas ligadas ao Partido Comunista da Indonésia que foram assassinadas para que regimes ditatoriais de direita, servis ao Império, fossem implantados. O massacre dos comunistas na Indonésia por parte do regime Suharto (ditadura militar), com o apoio e a tolerância dos imperialistas anglo-americanos, consiste em uma das páginas mais negras do século XX..Consiste em um holocausto deliberadamente “esquecido” que a propaganda burguesa tenta rebaixar como um “dano colateral” da Guerra Fria. Eles tentam diminuir o significado histórico do massacre dos comunistas da Indonésia em 1965-66 porque é mais um exemplo que expõe a brutalidade imperialista.

Porque o governo Sukarno foi derrubado pelo Imperialismo ? Sukarno foi eleito presidente em 1945, junto com a proclamação da Independência da Indonésia, Ele liderou os indonésios na resistência contra as forças coloniais, por meios diplomáticos e militares, até que a independência do país foi reconhecida em 1949. Mas após vários conflitos e instabilidade do governo parlamentar, ele estabeleceu um regime chamado de “democracia guiada” que acabou por resolver aqueles conflitos, unificando grupos étnicos, culturais e religiosos diferentes. No começo da década de 1960, Sukarno deu uma guinada na política nacional em direção a esquerda ao apoiar e proteger o Partido Comunista da Indonésia (PKI). Estes movimentos irritaram os militares e os islamitas. Ele também embarcou em uma série de políticas externas agressivas sob a rubrica de "anti-imperialismo", com ajuda da União Soviética e da China .

BALAS DE WASHINGTON é o livro do historiador marxista indiano Vijay Prashad. O indiano Vijay Prashad enumera inúmeros golpes, massacres e assassinatos promovidos pelos EUA ao redor do mundo. ….. o livro do historiador Vijay Prashad é uma síntese da longa história de lutas dos povos do Terceiro Mundo pela libertação e por sua própria independência, mas que foram impedidos por golpes, assassinatos e massacres promovidos pelos EUA para que estes povos continuassem sob seu jugo imperialista….”queriam conter a onda que varreu a Revolução de Outubro de 1917 e as muitas ondas que açoitaram o mundo para formar o movimento anticolonial”....”As balas de Washington que apontavam para a URSS permaneceram sem uso, mas foram disparadas no coração do Sul. Foi nos campos de batalha do Sul que Washington pressionou contra a influência soviética e contra os projetos de libertação nacional, contra a esperança e a favor do lucro das empresas imperialistas”. Juan Jacobo Arbenz Guzmán (presidente da Guatemala entre 1951 e 1954), tentou realizar uma reforma agrária, entrando em choque com o monopólio das empresas dos Estados Unidos nas terras da Guatemala, sobretudo a United Fruit Company. Em resposta seu governo foi alvo de golpe de Estado organizado pela CIA que instalou uma ditadura militar no país. Este foi o primeiro golpe de Estado promovido pela CIA na América Latina, durante a Guerra Fria.

O século 20 viu uma onda de movimentos anticoloniais, anti-imperialistas e de libertação nacional transformar o mundo, muitas vezes com a ajuda de comunistas soviéticos, do Leste Europeu e cubanos. Com a mesma frequência, essas revoltas contra o velho mundo – o mundo racista e sexista de subjugação e opressão de povos inteiros – foram reprimidas com violência. Balas de Washington, de Prashad, não remete apenas ao passado distante. Ele trata brevemente da invasão do Iraque e do Afeganistão, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), do Partido dos Trabalhadores do Curdistão e, mais recentemente, das tentativas de derrubada dos governos da Venezuela, Bolívia e Brasil (lawfare de Dilma, que deu certo).. Ele discute “guerra híbrida”, o uso de ONGs, sanções e, sim, o uso contínuo de balas de Washington.

IMPERIALISMO MATA. Reportagem de Juan Manuel Dominguez, publicada no Brasil 247 em 8 de janeiro de 2020, afirma que de forma direta ou indireta, os Estados Unidos impõe sua supremacia em todos os países. Seu potencial bélico é uma ferramenta de pressão na hora de aplicar sansões econômicas a países (...) Total de mortos promovidos pelos EUA atingiram 110 milhões de pessoas direto ou indireto, sem ser denunciados em tribunais internacionais Cita pesquisa do jornalista e ex-professor Urias Rocha, de Mato Grosso do Sul que realizou uma breve cronologia das invasões e ataques dos Estados Unidos ao redor do mundo nos últimos 150 anos – de 1846 a 2020. A quantidade de mortes pelas quais são responsáveis é de aproximadamente 110 milhões de pessoas. Nunca foram denunciados formalmente ante tribunais internacionais. Algumas delas: México (1846-48 – anexação do Texas); Chile (1891); Haiti (1891); Havaí (1893); Nicarágua (1894); China (1894-95); Coréia,Panamá, China, Filipinas, Cuba, Porto Rico, Espanha, Nicarágua, Samoa, Nicarágua e Panamá (alguns várias vezes,até 1901); Honduras, República Dominicana, Coréia, Cuba, Nicarágua, Honduras, China (até 1912); mesmos países da AL até 1ª GM (EUA participam da guerra, morrem 114 mil soldados); Rússia (tropas contra a revolução bolchevique em 1918-1922, sendo derrotados); Turquia (1922); II GM; Irã (1946); Iugoslávia. Grécia (1946/47); Venezuela (1947); Porto Rico (1950); Coréia (1951-53. 3 milhões de pessoas morreram); Guatemala (1954); Egito (1956, Nasser); Líbano (1958); Vietnã (1961-1975, 3 milhões de vietnamitas morreram e 60 mil soldados americanos. A partir daí, os EUA decidem não participar diretamente de conflitos armados e devido à derrota contra guerrilhas); Laos (1972); Camboja, Laos, Irã (1980); vários países AL; Libéria (1990); Iraque (1990/91, Guerra do Golfo); Somália (1992/94); Zaire (1996/97); Albânia, Colômbia, Afeganistão (2001-….); Iraque (2003); ….. ENTRE 2014/2016 esteve por trás do golpe que derrubou a nossa PRESIDENTA DILMA e claro com o objetivo de roubar o nosso Petróleo.

IMPERIALISMO BRITÂNICO. Fora estas intervenções diretas e indiretas do governo Imperialista dos EUA, ainda existe as intervenções de outros governos imperialistas como o Reino Unido – sendo o maior império do mundo em dimensões territoriais, o primeiro Império capitalista que desde o século XIX até a II GGM também promoveu massacres, golpes, etc. Este Império também provocou a morte de milhões de pessoas na África e Ásia. Na Índia os britânicos destruiram a indústria têxtil original do país (aliás de melhor qualidade que a dos britânicos) desempregando milhões de pessoas que voltaram à zona rural e a grande maioria morreram de fome. Saquearam, depredaram e destruiram culturas e povos no continente Africano, roubando jóias, diamantes, ouro, etc..Só 22 países no mundo não foram invadidos pelo Império Britânico.

GENOCÍDIO AMERICANO. Além destas intervenções imperialistas, não podemos esquecer que a expansão capitalista, desde a acumulação primitiva do capital, a partir do século XVI, provocou a morte e o extermínio de milhões de povos indígenas originários das Américas, resultando no “genocídio americano”, como é o caso dos índios mais primitivos do território dos EUA e do Brasil, que foram praticamente dizimados (hoje são minorias ínfimas da população) com a propagação de doenças, destruição de seus habitats e fontes de alimentos (matança de búfalos no território da América do Norte simplesmente aniquilou a população destes animais), perseguição e expulsão dos índios de seus territórios originais, transformados em escravos pelos colonizadores europeus e além, é claro, da matança generalizada destes povos. Alguns dados indicam que havia cerca de 100 milhões destes índios originários antes dos europeus chegarem, hoje representam pequenas minorias vivendo em reservas.

CAPITALISMO MATA. Assim, se somarmos todos estes fatores, podemos afirmar que o Capitalismo Mata. Segundo fontes do próprio sistema, tais como organismos da ONU (Fome e Pobreza Mundial. Fontes:Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM), Oxfam e UNICEF) ; e o próprio Banco Mundial, estima-se que 711 milhões de pessoas viviam em extrema pobreza – definida como sobrevivendo com menos de US$ 1,90 por dia – em 2021, o que equivale a cerca de 10% da população global. Se somarmos à estes órgãos, a UNWATER (desenvolve programa para saneamento de água) da ONU, podemos afirmar que, baseados nestes dados oficiais, que O CUSTO HUMANO ANUAL DO CAPITALISMO tem como consequências: 8 milhões de pessoas morrem por falta de água; 7.665.000 morrem de fome; 3 milhões de pessoas morrem de doenças curáveis; 500.000 morrem de malária. Em outras palavras cerca de 20 milhões de mortes anuais facilmente evitáveis. Estas pessoas não morrem por falta de meios para resolver esses problemas, mas porque solucioná-los não é lucrativo. O CAPITALISMO MATA 100 MILHÕES DE PESSOAS A CADA CINCO ANOS, portanto mais do que os golpes, massacres, genocídios, intervenções, assassinatos do próprio Imperialismo em geral.


DEVIDO AO SUCESSO DESTAS POLÍTICAS IMPERIALISTAS POUQUÍSSIMOS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO CONSEGUIRAM SUA LIBERTAÇÃO NACIONAL E DESENVOLVIMENTO.

Pode-se perceber facilmente que poucos ou pouquíssimos países conseguiram passar para o lado de lá - ou seja para o lado dos soviéticos, na guerra fria que se tratava entre EUA X URSS e muito menos se tornarem países independentes e desenvolvidos…. estes poucos que conseguiam mudar de regime ainda eram boicotados pelo Império, como foi o caso de Cuba…. Assim se pensarmos em termos gerais, desde o pós-guerra praticamente nenhum país do TERCEIRO MUNDO conseguiu se desenvolver ou se tornar um país desenvolvido, em termos de nível de condições de vida, como os países europeus conseguiram… Com exceção da Coréia do Sul, que foi uma concessão geopolítica do Império, por causa da guerra da Coréia….. nenhum outro país conseguiu ultrapassar as barreiras do subdesenvolvimento, os que tentaram sofriam golpes direcionados de fora pelo imperialismo como foi o exemplo clássico do Brasil, que continuou subdesenvolvido. Os países imperialistas boicotaram e derrubaram governos de esquerda e progressistas, (alguns chegaram a iniciar seus programas, mas a maioria foi interrompida pelas operações de fora) que colocavam em prática programas de desenvolvimento econômico e de melhoria das condições de vida da maioria da população, programas sociais de distribuição de renda. Portanto se conseguissem levar a cabo seus programas por vários governos, provavelmente teriam conseguido superar as barreiras do subdesenvolvimento. Assim, todos os países imperialistas (EUA, Europa e Japão) que conseguiram evoluir para países super desenvolvidos, o fizeram às custas das riquezas minerais, agrícolas e de commodities (é só ver os ciclos de exportações do Brasil, desde 1500 até II G.G.M : pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes,, café e cacau, borracha, matérias-primas, etc.) arrancadas da periferia via relações de dominação e dependência criadas com estes países, e assim transformaram os países do Terceiro Mundo em meros exportadores de matérias-primas, alimentos e commodities. Estes produtos possuem baixo valor agregado, estão sujeitos à concorrência internacional e portanto seus preços são baixos e não tendem a subir, enquanto que os produtos exportados pelo países desenvolvidos são produtos industriais e serviços de alto valor agregado, tendem a subir e são controlados por oligopólios e monopólios que influenciam os preços. Portanto as relações de troca internacionais entre países centrais e periféricos favoreceram e favorecem amplamente os primeiros, com enormes transferências de renda do Sul para o Norte em forma de lucros, dividendos, juros, pagamentos de royalties, patentes e usos de serviços especializados, etc (enfim MAIS-VALIA). Daí o interesse dos países centrais em proteger suas grandes empresas monopolistas e evitar o desenvolvimento dos países periféricos que ao se desenvolverem certamente cortariam a maior parte destas explorações e dependências externas que com certeza impediriam o caminho para o desenvolvimento.




PORQUE OS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO NÃO CONSEGUIRAM SE DESENVOLVER ? (De quase 200 países só 1 conseguiu passar para o Primeiro Mundo (mesmo assim com muita ajuda dos EUA e Japão)Um número maior de países conseguiram passar para o Segundo Mundo, melhorando bastante seus indicadores sociais, mas não conseguiram tomar impulso para o seu auto-desenvolvimento, alguns voltaram para o capitalismo, outros estão se aproximando do modelo chinês, como veremos mais adiante com Samir Amin). .

O norueguês Erik S. Reinert (“Como os países ricos ficaram ricos e Porque os países pobres continuam pobres”) e o professor Ha-Joon Chang (“Chutando a escada”)

da Universidade de Cambridge, escreveram dois livros, muito citados, que oferecem uma análise interessante do ponto de vista do pensamento econômico e políticas públicas que, embora verdadeiras, não são suficientes para explicar todo o contexto. Estes autores afirmam que os países ricos só se tornaram ricos porque aplicaram na prática, políticas protecionistas de intervenção estatal que protegiam suas indústrias nascentes e continuam protegendo e nunca aplicaram políticas liberais de total abertura ao mercado livre mundial, enquanto se tornavam países desenvolvidos. EXEMPLOS CLÁSSICOS DA EUROPA, EUA E JAPÃO. Enquanto que os países pobres nunca seguiram estas medidas e foram fortemente influenciados e controlados pelos organismos econômicos internacionais (tais como FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, etc - praticamente exigências do neoliberalismo do Consenso de Washington, pós-queda do Muro de Berlim, para implantar a hegemonia dos EUA, no mundo UNIPOLAR) que pregavam o livre comércio, a privatização plena e liberdade total para investimentos estrangeiros. Daí que nunca conseguiram proteger seus próprios empreendimentos e se deixaram dominar por empresas estrangeiras. O problema maior desta abordagem é que elas não explicam porque alguns países periféricos que mesmo protegendo seu mercado nunca conseguiram ultrapassar as barreiras do subdesenvolvimento. Países como Brasil e México conseguiram atingir estágios avançados em seu processo industrial e econômico mas continuaram pobres. Por isso que este tipo de abordagem é limitada, ela não explica que quando estes países tentaram avançar mais em seu desenvolvimento, eles foram impedidos pelo imperialismo. Por exemplo, criando estatais (os imperialistas sempre foram contra criar estatais nestes países, só era permitido nos países deles ) e investindo mais em ciência e tecnologia. Mesmo investindo mais em Ciência e Tecnologia, os limites eram profundos porque as empresas estrangeiras importavam suas tecnologias das matrizes e estes países continuavam dependentes. Até mesmo empresas brasileiras privadas como a FNM e a GURGEL foram boicotadas aqui dentro do mercado interno protegido, porque estavam concorrendo com empresas estrangeiras que tinham mais influência sobre o governo brasileiro. A Gurgel foi à falência porque foi perseguida e boicotada por medidas do próprio governo que deveria protegê-la, mas preferiu proteger a indústria estrangeira. Completamente diferente do Modelo Oriental (Coréia do Sul) que protegeu suas empresas e deu todo o apoio para que elas se desenvolvessem, eliminando a concorrência externa. Países que fizeram como a Coréia conseguiram dar sua arrancada para o desenvolvimento pleno e se tornarem desenvolvidos.

Assim quando aparecia um governo procurando mais independência, ele era sabotado, pressionado pelos países centrais ou mesmo derrubado por golpes militares ou governos de direita. No Brasil, é o caso grave da sabotagem do programa espacial (citado acima) brasileiro que atrasou e continua atrasando todo o programa até hoje. Também o caso da Usina Nuclear de Angra dos Reis, amplamente sabotada pelos imperialistas… ou mesmo o caso do Submarino Nuclear brasileiro que estava indo bem no governo Dilma, aí veio a Lava Jato e o golpe que derrubou o governo Dilma e o programa foi abandonado. Mas muito antes disso, quando o governo Getúlio Vargas criou a Petrobrás em 1953, as reações americanas foram imediatas, os EUA fizeram muita pressão e esta pressão foi tão grande que resultou no suicídio de Vargas em 1954…

O governo LULA desenvolveu bastante o setor de infra-estrutura e construção civil, as empresas chegaram a investir no exterior… Mas Sérgio Moro, lacaio do imperialismo americano, inventou a Lava Jato para destruir quase que completamente este setor, criando mais de 4 milhões de desempregados, privatizar e entregar para o capital estrangeiro (depois do golpe contra Dilma), reduzindo o PIB

.  Até hoje, criar estatais e apoiar os programas delas é um tabú na elite brasileira e outras elites do mundo periférico (fizeram uma lavagem cerebral nestas elites submissas ao capitalismo central)… porque difundiu-se amplamente pela mídia burguesa e imperialista os ideais hipócritas do neoliberalismo - que o melhor mundo é o mercado livre - e de que estes conceitos só são válidos para o Terceiro Mundo, pros idiotas das elites burguesas dos países periféricos, porque para eles do Primeiro Mundo estas regras nunca foram válidas… eles continuam criando e desenvolvendo estatais em seus países porque sabem que elas são importantes para todo o sistema econômico.



EXISTEM OUTROS LIVROS QUE EXPLICAM MELHOR E DE FORMA MAIS AMPLA o porquê isso acontece no Terceiro Mundo. Os autores acima, Reinert e Chang oferecem uma explicação simplificada do ponto de vista de políticas econômicas, mas dentro do limite burguês, do pensamento não marxista. Outros autores da linha marxista oferecem uma visão mais geral, do ponto de vista político e econômico da situação destes países.

MARXISMO OCIDENTAL X MARXISMO ORIENTAL (Domenico Losurdo).

Autores como Domenico Losurdo, contrapõe o Marxismo Ocidental X Marxismo Oriental, fazem uma crítica aos marxistas do eurocentrismo social democrata que elogiam o capitalismo e criticam as experiências do “socialismo real”. O marxismo ocidental queria excomungar o marxismo oriental, mas acabou sendo excomungado. Ele mesmo se definha e praticamente morre absorvendo parte da doutrina burguesa liberal, se contradiz e acaba concordando com as críticas liberais burguesas ao analisarem as experiências orientais. Os marxistas ocidentais no pós-guerra fria abominaram as experiências soviéticas e chinesas e desta forma sucubiram à sua própria interpretação, pois ficaram presos às suas críticas tipicamente liberais burguesas. …. segundo Losurdo, que diz que no entanto existe uma outra visão marxista do mundo, a visão anti-colonial e anti-imperialista de autores sob a influência do mundo oriental, maoísta. ….No Oriente (e na prática em todos os países onde os comunistas conquistaram o poder) o problema prioritário para os dirigentes políticos não era promover a “desintegração do aparelho estatal”, mas outro bem diferente : como evitar o perigo da submissão colonial ou semicolonial e de que maneira superar o atraso em relação aos países industrialmente mais avançados. …. as prioridades das periferias são diferentes das prioridades do centro desenvolvido do capitalismo….O Ocidente ao ganhar a guerra fria, praticamente mata o marxismo ocidental. Existia a visão de que o Ocidente era livre e democrático e o Oriente dominado por ditaduras totalitárias e cruéis. MARXISMO OCIDENTAL DEFENDE O IMPERIALISMO “DEMOCRÁTICO” QUE IMPÕE DITADURAS E ESCRAVIDÃO NO TERCEIRO MUNDO.

Acontece que os marxistas no Ocidente negaram em suas análises, que as potências capitalistas ocidentais na verdade colocavam em prática políticas discriminatórias imperialistas tão ou pior do que os regimes totalitários. No centro do capitalismo, desenvolvimento econômico acelerado, inovações tecnológicas e melhoria das condições de vida da população com as “migalhas” que vinham do Terceiro Mundo; enquanto que na periferia deste a exploração era selvagem, ditatorial e sub-humana. Hitler não faria melhor. Os próprios liberais burgueses denunciavam esta situação ao longo dos séculos e descobriram as situações mais cruéis e terroristas do mundo. Um deles dizia que o imperialismo britânico mandava para a linha de frente de suas batalhas e guerras, servos e escravos numa quantidade enorme, para servir de contenção das linhas inimigas. Cerca de 50 milhões de africanos e 250 milhões de indianos morreram nessas lutas imperialistas, segundo um historiador britânico conservador A.J.P. Taylor, citado por Losurdo (p.197). Na Bélgica liberal os colonizadores reduziram a população indígena do Congo, de 20-40 milhões em 1890 para 8 milhões em 1911. Porque tratavam as populações de suas colônias como sendo inferiores ou de raças inferiores, portanto sujeitas a qualquer tipo de exploração, com total decisão sobre suas vidas e mortes…. Quando um povo possui a decisão de controlar vida e morte de seus subjugados, é claro que é uma decisão extrema, de controle total….ou seja totalitário, onde se elimina qualquer tipo de liberdade. É O PODER DA ESCRAVIDÃO….


A TEORIA MARXISTA DA DEPENDÊNCIA. (Samir Amin).

Os intelectuais marxistas das periferias dão prioridade às lutas anti-coloniais e anti-imperialistas Para estes autores a revolução continua numa nova perspectiva dos países periféricos. Outra corrente desta mesma linha são os autores marxistas, de origem do Terceiro Mundo, que criaram a Teoria da Dependência. Nesta corrente se encontram autores indianos, latino americanos e um egípcio famoso, Samir Amin. Este último afirma que os países da periferia capitalista mundial nunca conseguirão superar seus atrasos sócio-econômicos se continuarem dentro da linha de influência do imperialismo hegemônico ocidental. Estes países só conseguirão se desenvolver plenamente como nação e como força econômica se libertarem dos laços de dependência do imperialismo ianque e se tornarem nações independentes, ou seja, a emancipação destes países periféricos passa por um movimento político anti-colonialista e anti-imperialista.

O Marxismo Ocidental tem ignorado a transformação decisiva representada pela emergência do capitalismo monopolista generalizado. Mudar o mundo, agora, significa mudar as condições de vida de 80% da população mundial. Enquanto que eles imaginam um impossível “outro capitalismo” com “face humana”, em contrapartida Mao apresenta uma visão que era profundamente revolucionária e realista (científica, lúcida), distinguindo e conectando três dimensões da realidade: povos, nações, Estados. A menção às nações refere-se ao fato de que a dominação imperialista nega a dignidade das “nações” forjada pela história das sociedades das periferias. Tal dominação destruiu sistematicamente tudo o que dá às nações sua originalidade – em nome da “ocidentalização” e a proliferação de lixo barato. A libertação do povo portanto é inseparável daquela das nações às quais ele pertence. Isso se baseia na transformação radical do patrimônio histórico da nação, em vez da importação artificial de uma falsa “modernidade”. A referência ao Estado é baseado no reconhecimento necessário da relativa autonomia de seu poder em suas relações com o bloco hegemônico que é a base de sua legitimidade. Essa autonomia relativa não pode ser ignorada enquanto o Estado existir, ou seja pelo menos por toda a duração da transição para o comunismo. É só depois disso que podemos pensar em uma “sociedade sem Estado”. Isso não é apenas porque os avanços populares e nacionais devem ser protegidos da agressão permanente do imperialismo, mas também porque avançar rumo à longa transição, também requer “desenvolvimento das forças produtivas”. A articulação correta da realidade nesses três níveis – povos, nações e Estados – condiciona o sucesso do progresso no longo caminho da transição. É uma questão de reforçar a complementariedade dos avanços do povo, da libertação da nação e das realizações do poder do Estado.

Para este autor Mao entendeu – melhor que Lenin - que o caminho para o capitalismo não leva a nada e que o renascimento da China só poderia ser obra dos comunistas. O modelo chinês não repete os erros da União Soviética, que apesar disso, conseguiu muitos avanços em vários setores sociais e de ciência e tecnologia, embora ainda não suficientes para avançarem em etapas mais significativas da economia O primeiro Marx estava certo porque não rejeitou a idéia de pular o estágio capitalista, porque os povos não podem pular a sequência necessária de etapas e que a China deve passar por um desenvolvimento capitalista antes que um possível futuro socialista seja considerado. Mao, um espírito marxista independente, entendeu isso. Mao entendeu o que é realmente o capitalismo e que ele estava fechado para a China, desde longos tempos e que a Revolução de 1949 não estava ainda vencida e que o conflito entre o compromisso com o longo caminho para o socialismo, condição para o renascimento da China, passava pelo retorno ao molde capitalista, para desenvolver suas forças produtivas. Não que o desenvolvimento das forças produtivas leve necessariamente ao socialismo. Na verdade, essas forças produtivas devem ser desenvolvidas desde o início com a perspectiva de construção do socialismo. A polarização criada pelo imperialismo, entre centro e periferia, elimina a possibilidade de um país da periferia “sair do atraso” dentro do contexto do capitalismo. Sair do atraso em relação aos países opulentos é impossível e a outra coisa a ser feita é seguir o caminho socialista. A China desenvolveu um projeto soberano e coerente, adequado às suas próprias necessidades. Isso certamente não é capitalismo, pois suas terras agrícolas não são tratadas como mercadoria. E esse projeto será soberano desde que a China permaneça fora da globalização financeira contemporânea. O fato de o projeto chinês não ser capitalista, não significa que “seja socialista”, apenas que possibilita avançar no longo caminho para o socialismo.

CHINA – DESENVOLVIMENTO ACELERADO. O capitalismo de Estado chinês alcançou resultados incríveis: construiu um sistema produtivo moderno, soberano e integrado, na escala deste país gigantesco, só comparável aos EUA; conseguiu deixar pra trás a forte dependência tecnológica desenvolvendo sua capacidade de produzir invenções tecnológicas; o planejamento dos Planos Quinquenais foram seguidos à risca. O “socialismo do mercado” ou melhor ainda o “socialismo com o mercado” foi amplamente justificado. Em apenas algumas décadas, a China construiu uma urbanização produtiva e industrial que reúne 600 milhões de pessoas. Isso se deve ao Plano e não ao mercado. Em apenas 40 anos (1980-2020) a China se transformou radicalmente de uma economia pobre, atrasada e feudal para uma economia altamente industrializada e com altos índices de crescimento do PIB (a maior taxa de todos os tempos de todos os países, até então). China hoje produz um terço da produção industrial mundial, seguida dos EUA com 16% em 2020. China agora tem um sistema produtivo verdadeiramente soberano, nenhum outro país do Sul (exceto Coréia e Taiwan) teve êxito em fazer isso. Na medida que a industrialização acelerava, com os estímulos à produção e atração de grandes empresas estrangeiras, o Estado estimulava a participação de trabalhadores e a abertura destas empresas à compartilhar tecnologias avançadas. Assim aos poucos foi crescendo o número de empresas genuinamente chinesas em todos os ramos e hoje elas já são as maiores do mundo, competindo com as estrangeiras. Também cresceu muito o número de empresas estatais em ramos estratégicos e de infra estrutura. Este modelo é bem diferente da industrialização no Terceiro Mundo, onde a desigualdade aumenta com a dominação das empresas estrangeiras, que também não permitem o avanço científico e tecnológico destes países. Mas a desigualdade econômica e social está diminuindo e diminuiu bastante nas últimas décadas. Paralelamente ao desenvolvimento econômico, o Estado implementou uma dimensão social aos projetos, em resposta aos movimentos sociais: erradicação do analfabetismo, cuidados básicos de saúde para todos, educação universal (os alunos chineses conseguiram no PISA INTERNACIONAL, avaliação de alunos de 15 anos realizada pela OCDE, última em 2019, os primeiros lugares nas 3 avaliações : Matemática, Conhecimentos Gerais e Ciências), moradia popular para 400 milhões de novos habitantes urbanos, rede inédita de estradas, rodovias e ferrovias (a maior extensão de redes de trens-bala do mundo), represas e usinas de energia elétrica, eliminação da pobreza (eliminou a pobreza absoluta em 2020), ciência e tecnologia (China possui o maior número de arquivos científicos publicados, ultrapassando os EUA em 2020), etc.etc.etc. Os salários estão subindo assim como a renda per capita com a distribuição de renda e a melhoria das condições sociais da população. Certamente há quarteirões “chiques” e outros que não são nada opulentos, mas NÃO HÁ FAVELAS, que continuaram a se expandir em todas as outras cidades do Terceiro Mundo.

DEMOCRACIA NA CHINA X DEMOCRACIA OCIDENTAL. Mao pregava o seguinte princípio para a China : reunir a esquerda, neutralizar a direita (sem eliminá-la) e governar a partir da centro-esquerda. Desta forma, Mao deu um conteúdo positivo ao conceito de democratização da sociedade combinada com o progresso social no longo caminho ao socialismo. A questão da democracia ligada ao progresso social entra em contraste com a “democracia” desconectada do progresso social (na verdade regresso social) que é o caso das democracias ocidentais . A fórmula ocidental e da propaganda da mídia burguesa; de partidos múltiplos e eleições deve ser rejeitada, pois é um tipo de democracia que se transforma em farsa. A “linha de massa” (método proposto por Mao) é um meio de produzir consenso em torno de objetivos estratégicos e em constante progresso. Esse método tem que ser reinventado constantemente para evitar o avanço da direita. Esse método se opõe ao “consenso” obtido nos países ocidentais por meio da manipulação da mídia e da farsa eleitoral, que é nada mais nada menos do que o alinhamento às demandas do capital.

A VISÃO DO MUNDO MULTIPOLAR DE SAMIR AMIN É BASTANTE ATUAL

A OTAN ainda fala hoje em nome da “comunidade internacional”, manifestando o seu desprezo pelo princípio democrático que governa essa comunidade por meio da ONU. Ainda assim, a Otan age somente para servir aos objetivos de Washington – nem mais nem menos – como a história da Guerra do Golfo e do Kosovo ilustram. A estratégia empregada pela tríade, sob a direção dos EUA, tem como objetivo a construção de um mundo UNIPOLAR organizado em dois princípios complementares : a ditadura unilateral do capital transnacional dominante e o desdobramento de um império militar estadunidense, ao qual todas as nações devem ser obrigadas a se submeter. Nessa perspectiva, nenhum outro projeto pode ser tolerado, nem mesmo o projeto europeu de aliados subalternos da Otan e especialmente não um projeto que envolve algum grau de autonomia, como o da China, (podemos incluir hoje a Rússia de Putin, que Amin não incluiu por não existir quando escreveu este artigo) que deve ser quebrado pela força, se necessário. Essa visão de um mundo UNIPOLAR está sendo cada vez mais contraposta a uma globalização MULTIPOLAR, a única estratégia que permitiria que diferentes regiões do mundo atingissem níveis sociais de desenvolvimento aceitáveis e, assim, promoveria a democratização social e a redução dos motivos de conflito. A estratégia hegemônica dos Estados Unidos e seus aliados da Otan é hoje o principal inimigo do progresso social, da democracia e da paz.

SAMIR AMIN PROFÉTICO O século XXI não será o século da América, será de grandes conflitos e do aumento de lutas sociais que questionam as ambições de Washington e do capital. Já se pode discernir os primeiros indícios de um conflito entre Estados (incluindo Japão e Austrália) de um lado e China e outros países asiáticos de outro. Nem é difícil imaginar o renascimento de um conflito entre os Estados Unidos e Rússia, se esta última conseguir se libertar do pesadelo espiral de morte e desintegração em que Boris Yeltsin e seus “conselheiros” dos EUA a mergulharam. (Estas duas previsões já aconteceram). E se a esquerda européia puder se libertar da submissão aos ditames duplos do capital e de Washington, seria possível imaginar que a nova estratégia européia poderia estar interligada com a da Rússia, China, Índia e do Terceiro Mundo em geral, em um necessário esforço de construção multipolar. Se isso não acontecer, o projeto europeu em si vai desaparecer.

Por fim ele pergunta: as lutas sociais superarão sua autonomia e forçarão as grandes potências a responder às suas demandas urgentes ? E responde: as lutas sociais não produzirão um remake do século anterior. A história não se repete de acordo com um modelo cíclico. As sociedades de hoje são confrontadas por novos desafios em todos os níveis. Mas precisamente porque as contradições imanentes do capitalismo são mais acentuadas no final do século do que eram no início e porque os meios de destruição também são muito maiores do que foram, as alternativas para o século XXI são (mais que nunca) socialismo ou barbárie”.



OBRAS DE AUTORES CITADOS, por ordem de apresentação no texto:

1) CHOMSKY, Noam. O que o Tio Sam realmente quer?”. Brasília. UnB, 1999.

2) BEVINS, Vincent. “O Método Jacarta”. São Paulo, ed. Autonomia Literária, 2022.

3) PRASHAD, Vijay. “As balas de Washington: uma história da CIA, golpes e assassinatos”, São Paulo, ed. Expressão Popular, 2020.

4) Dominguez, Juan Manuel. Governos dos EUA mataram 110 milhões de pessoas ao longo do século”. …. https://www.brasil247.com/blog/governos-dos-eua-mataram-110-milhoes-de-pessoas-ao-longo-do-seculo.

5) REINERT, Erik S. Como os países ricos ficaram ricos… e porque os países pobres continuam pobres”. Rio de Janeiro, ed. Contraponto, 2016.

6) CHANG, Ha Joon. “Chutando a Escada” São Paulo, ed. Unesp, 2004.

7) Banco Mundial. “Pobreza.” https://www.worldbank.org/en/topic/poverty.

8) LOSURDO, Domenico. “O Marxismo Ocidental”. São Paulo, ed. Boitempo, 2018.

9) AMIN,Samir. “Somente os Povos fazem sua própria história”. São Paulo, ed. Expressão Popular, 2020.


Daniel Miranda Soares é economista, mestre pela UFV e professor aposentado

 

terça-feira, 23 de agosto de 2022

COMO ERAM AS PRISÕES NA ERA STALIN


 

AS PRISÕES NA ERA STÁLIN (trechos de “A Atualidade de Stálin” de Klaus Scarmeloto).


O papel do Relatório Khrushchev - (documentos analisados por Grover Furr nos antigos arquivos secretos soviéticos revelam que Kruschev mentiu…...…Grover Furr analisou o discurso secreto de Nikita S. Khrushchev, proferido em 25 de fevereiro de 1956, citado por Scarmeloto em https://www.cienciasrevolucionarias.com/post/kruschev-mentiu-resumo-parte-1…. uma investigação séria, à luz dos numerosos documentos nos antigos arquivos secretos soviéticos agora disponíveis, poderia revelar outras “questões” sobre Stalin que eram falsas. ….Nenhuma das "revelações" concretas de Khrushchev sobre Stalin ou Beria se revelou verdadeira. Entre aqueles que puderam ser verificados com dados, todos eram falsos. Todo o seu discurso secreto é criado com mentiras), - foi indispensável para o sucesso do imperialismo, sua principal característica foi permitir aos inimigos do marxismo um canal para expressar, mundialmente uma convergência metodológica mesmo com fundamentações e intenções distintas dentro da direita e, também da “esquerda”. O impacto deste relatório era inesperado até mesmo para os percursores da Guerra Fria antissoviética e serviu, na realidade, para colocar, no poder, o embrião do processo de dissolução do bloco socialista que estava se formando: o revisionismo. Ao atacar Stálin, atacava-se Lenin e, desta forma, todo a sustentação teórica e prática da grande Revolução de Outubro. A partir, deste momento, o imperialismo e sua agência de inteligência, passaram a atuar ainda mais intensamente no combate ideológico anticomunista aproveitando-se da confusão instalada por Khrushchev. Pouco a pouco, os intelectuais que antes saudavam o heróico Uncle Joe da II Guerra Mundial, passam a compará-lo a Hitler, para assim, ampliar a criação abstrata da identidade entre a Alemanha nazista e a União Soviética, do campo de concentração nazista (konzentrationslager) com a prisão russa Gulag. Aqui a propaganda anticomunista chega ao seu ponto primordial, explora a imagem comum entre ambos países, antros do totalitarismo, para assim vender a idílica democracia liberal burguesa como a única via possível. As comparações atuam de maneira eficiente, porque exploram as falhas do cérebro na hora de criar padrões, bastando qualquer generalidade para realizar a analogia e depois sacralizar a igualdade dos dois objetos, fazendo da mentira, por repetição, uma verdade inquestionável.


Tendo em vista o objetivo de desmontar o anticomunismo tanto oriundo da “esquerda” como da direita, vale a pena mencionar um pouco de uma rotina numa fábrica da época. É notório o fato de que no país de Stálin “os trabalhadores são chamados a julgar seus chefes”, a modernização promovida no período staliniano permitiu decisões vindas de baixo contrariando a lógica da Rússia Czarista, o poder disciplinar capitalista que cria sobretrabalho já se tornaram, pela primeira vez na história da humanidade, não absolutos! Em 1938 mais de 87% dos trabalhadores deixaram as fábricas em que trabalhavam, sem qualquer receio de serem necessariamente punidos. Ao refletir este contexto prático das fábricas da URSS não é possível fundamentar a idéia de totalitarismo.


O MITO DE QUE GULAG ERA UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO….as prisões soviéticas tinham estruturas melhores que as periferias do capitalismo na atualidade e isto sem dúvida se deve a revolução, embora o objetivo das prisões fossem sempre ressocializar, tal premissa não pode ser conquistada sem uma revolução de caráter democrático. Em 1921 na prisão moscovita de Butyrka, os presos podiam fazer o que quisessem na prisão, desde organizar sessões matinais de ginástica, fundar uma orquestra e um coro ,etc. … criaram um “grêmio” que dispunha de periódicos estrangeiros e boa biblioteca…. Todos os presos deixavam seus livros quando era solto….

Em outras localizações relatos mais impressionantes vem à tona, em 1924 em Savvatievo no arquipélago de Soloveckia….outra prisioneira fica gratificada ao encontrar na prisão um local bem longe de parecer um presídio, os prisioneiros políticos encontravam alimentos em grande quantidade, de boa qualidade em excesso e roupas à vontade. Além disto, havia também, teatro, uma biblioteca com mais de 30.000 volumes e um jardim para prática de botânica. Isto é, melhor seria morar em uma prisão na União Soviética, do que numa periferia controlada pela polícia nos Estados Unidos. A vida no “campo de concentração soviético” mostra certa brandura acolhendo pedidos que nenhuma prisão, na atualidade faria. A direção de Gulag, sem hesitar, permitiu que a dieta dos vegetarianos fosse cumprida à risca. Precisando de hospitais, os administradores dos campos os construiam e ainda implantavam sistemas para treinar presos como farmacêuticos e enfermeiros. Precisando de comida, estabeleciam suas fazendas coletivas, seus armazéns e seus sistemas de distribuição. Precisando de eletricidade, instalavam usinas de força. Precisando de material de construção, criavam olarias. Precisando de trabalhadores qualificados, treinaram os que tinham. Boa parte da mão de obra que fora kulak era analfabeta ou semianalfabeta, o que acarretava enormes problemas quando se lidava com projetos de relativa complexidade técnica. Assim, a administração montou escolas técnicas, que por sua vez exigiam novos edifícios e novos quadros de professores de matemática e física, bem como “instrutores políticos” para supervisionar o trabalho desses docentes. Na década de 1940, Vorkuta – uma cidade construída sobre o permafrost, onde todo ano as estradas tinham que ser repavimentadas e as tubulações consertadas – já ganhara um instituto geológico, uma universidade, teatros e cinemas, teatros de marionetes, piscinas e creches.

O Gulag cumpria o objetivo comunista como qualquer outra instituição soviética, isto é, emancipar a civilização e a humanidade. Mesmo com o Estado de Exceção em curso, com as desordens da guerra civil em andamento, o perigo com a ascensão do nazifascismo, do cerco imperialista e o estourar da segunda guerra mundial, nada pôde impedir os soviéticos no plano interno de concretizar reabilitações dos presos políticos. As atividades em curso para isto variavam, mas sempre se ligavam desde o estímulo ao trabalho até meios de sublimação como salas cinematográficas, círculos de leitura e discussões. Vemos, portanto, o totalitarismo se transformar em uma mera dissimulação anticomunista.

As prisões, assim como as relações sociais, são reflexos de uma ideologia, o sistema carcerário soviético não pode ser julgado sem que se considere a ideologia no comando. Ao contrário do que acontece nos países imperialistas, nas residuais colônias e semicolônias, o terror na prisão na URSS, foi um fenômeno de exceção, que a propaganda anticomunista tenta a todo o custo transformar em regra, mas infelizmente, as excepcionalidades só confirmam as rotinas. Mas, há de se ter em mente, que para os dias de hoje, as prisões soviéticas soam excessivamente revolucionárias, atingindo objetivos úteis para a nação e promovendo o bem estar social que nunca foi conquistado em nenhuma parte dos países capitalistas e, sobretudo nas, ainda existentes, semicolônias do Imperialismo. No universo nazista a Hierarquia reflete-se em base racial que caracteriza o Estado racial já existente e império racial a edificar. Neste caso, o comportamento concreto dos indivíduos detidos desempenha um papel irrelevante ou bastante marginal. Portanto, a preocupação pedagógica não teria sentido.

O detido no Gulag é um potencial “camarada” e um potencial cidadão. Quaisquer comparações entre estas duas realidades não são apenas desonestas, mas completamente descabidas; não se sustentam ao estudo científico da história do século XX. Esses são alguns dos exemplos de como se estruturou os principais pontos de apoio da propaganda anticomunista para – a partir do seu gigantesco aparato midiático mundial – buscar desacreditar o socialismo pela calúnia e difamação da figura de J.V. Stalin, concentrando assim o ataque ao marxismo-leninismo, ao materialismo histórico e a rica experiência histórica da primeira revolução proletária da humanidade e o grande processo de emancipação iniciado em outubro de 1917, que levou a dezenas de povos a se levantar contra o colonialismo e o imperialismo para lutar pela libertação nacional e pela independência.


Existe uma imagem de que na URSS a maior parte do povo penou sobre repressões e foi intimidado por elas. É evidente que todo esse conceito constitui um grande exagero. O levantamento fatual de repressões são fato público e notório – foram editadas publicações inúmeras vezes. Assim podemos afirmar com base nessa densa pesquisa que o Terror descrito na era Stálin não existiu. É nisso que consiste as pesquisas de Robert Thurston, John Arch Getty, Losurdo e Grover Furr. O Terror, portanto, não foi uma política aplicada amplamente as massas populares, não teve um significado amplo, , como comumente se afirma. Para responder à pergunta sobre o impacto da repressão em sua escala real na sociedade soviética, recomendamos que se leia as conclusões do historiador americano Robert Thurston, que publicou em meados da década de 1990 a monografia científica Life and Terror in Stalin’s Russia – 1934-1941. As principais conclusões, de acordo com Thurston, são as seguintes: o sistema de terror stalinista na forma em que foi descrito por gerações anteriores de pesquisadores (ocidentais) nunca existiu; a influência do terror na sociedade soviética durante os anos de Stalin não foi significativa; não havia medo em massa de represálias na década de 1930 na URSS; a repressão foi limitada e não afetou a maioria do povo soviético; a sociedade soviética preferia apoiar o regime stalinista do que temê-lo.


Ademais, os cidadãos da URSS majoritariamente conheciam pouco ou nada sobre as repressões, das quais as vítimas eram milhares de inocentes, que souberam disso somente após o famigerado discurso de N S Khrushchev no XX Congresso do PCUS em 1956. … o regime político que se desenrolou na URSS na consciência das massas foi fortemente ligado não ao terror e à repressão, mas às idéias cristalizadas pela justiça social….. o regime social e político que se criou na URSS era massivamente apoiado – a majoritária leva de cidadãos, com orgulho, esforçava-se pelo país e pelo sistema socialista. Ele foi incorporado no povo com os ideais herdados da Revolução de Outubro de 1917 e o Estado soviético na consciência de milhões de pessoas foi concebido como o exclusivo Estado dos trabalhadores e camponeses do mundo. Logo, as pessoas na URSS na hipótese de perigo militar estavam preparadas para lutar não apenas pela sua pátria e nação, independentemente de sua base política, mas também pelo regime sociopolítico que se desenrolou na URSS, seu sistema social e estatal. Na realidade, uma original civilização se configurou. Era uma civilização exclusiva, não comparáveis na história da humanidade nem no passado nem na atualidade.



FONTE: trechos do capítulo “As prisões na era Stálin”, do livro “A atualidade de Stálin”, de Klaus Scarmeloto, copyright 2021 da Editora Raízes da América, 1ª edição, São Paulo.

Da série EDIÇÕES CIÊNCIAS REVOLUCIONARIAS – www.cienciasrevolucionarias.info.


quarta-feira, 27 de julho de 2022

POR QUE LER MARX CONTINUA RELEVANTE

 

Por que O Capital continua relevante

POR David Harvey e Daniel Denvir

Tradução Revista Movimento

Publicado na revista The Jacobin em  17/10/2019

David Harvey discute por que a principal obra de Karl Marx continua sendo o guia definitivo para se compreender - e para superar - os horrores do capitalismo.


David Harvey é um ilustre professor de Antropologia e Geografia no Centro de Pós-Graduação da City University de Nova Iorque. Faz mais de um século e meio desde que Karl Marx publicou o primeiro volume de O Capital. Harvey ensina O Capital há décadas. Seus cursos populares sobre os três volumes do livro estão disponíveis gratuitamente on-line e já foram assistidos por milhões de pessoas em todo o mundo; eles formaram a base dos seus livros de apoio à leitura para os volumes I, II e III. O livro mais recente de Harvey, A Loucura da Razão Econômica, é um apoio mais curto à leitura dos três volumes, no qual ele lida com a irracionalidade fundamental de um sistema capitalista – cujo funcionamento pode ser qualquer coisa, menos racional. Nesta entrevista à revista The Jacobin o autor fala sobre a atualidade de ler Karl Marx.



Em O Capital Marx explica como funciona a engrenagem do capitalismo. Para David Harvey a verdade é simples. Capitalistas começam o seu dia com alguma quantidade de dinheiro, vão ao mercado e compram algumas mercadorias, como meios de produção e força de trabalho, e os colocam em movimento em um processo de trabalho que produz novas mercadorias. Essa nova mercadoria é vendida por dinheiro acrescida de lucro. Depois, o lucro é redistribuído por vários caminhos, na forma de juros e renda, e volta a ser aquele dinheiro que inicia o ciclo de produção novamente. Trata-se de um processo de circulação. Os três volumes d’O Capital tratam dos diferentes aspectos desse processo. O primeiro trata da produção. O segundo, da circulação e do que chamamos de “realização” – a maneira como a mercadoria volta a se converter em dinheiro. Já o terceiro trata da distribuição – quanto vai para o proprietário, para o financiador e para o comerciante antes que tudo isso volte para o processo de circulação. ….. precisamos entender essa constante dinâmica de expansão que conduz o capitalismo – é o que chamamos de “mau infinito”, para citar Hegel.

O que é esse “mau infinito”?

A ideia de “mau infinito” está no volume I. O sistema deve expandir-se, pois se trata de gerar lucro, de criar o que Marx chama de “mais-valia” e depois reinvestir essa mais-valia para que crie ainda mais mais-valia. Portanto o capital está em constante expansão. E o que acontece é o seguinte: se se cresce 3% ao ano, para sempre, chega-se a um ponto em que a quantidade de expansão necessária é absolutamente gigantesca. Nos tempos de Marx, havia muito espaço no planeta para que o capital se expandisse, mas hoje estamos falando de uma taxa de crescimento de 3% com tudo que está ocorrendo na China, sul da Ásia e América Latina. O problema aumenta: para onde ir para continuar a expansão? É aí que surge o problema do mau infinito. No volume III, Marx aponta que talvez o único meio para manter a expansão seja a expansão monetária. Porque com dinheiro não há limite. Se falarmos em usar cimento ou algo assim, há um limite físico sobre quanto você pode produzir. Mas com dinheiro você pode apenas acrescentar zeros às reservas mundiais.

Se você olhar o que foi feito depois da crise de 2008, verá que foram adicionados zeros à reserva de dinheiro por meio de algo chamado “flexibilização quantitativa”. O dinheiro voltou para o mercado de ações e transformou-se em bolhas de ativos, especialmente no mercado imobiliário. Agora nós nos encontramos em uma estranha situação na qual, em qualquer região metropolitana que visitei no mundo, há um grande boom na construção civil e nos preços dos ativos de propriedade – tudo isso alimentado pelo fato de que dinheiro tem sido criado e não se sabe para onde enviá-lo a não ser para especulação e ativos financeiros.



O capitalismo é basicamente sobre questões de tempo e espaço

O problema do espaço material vem à tona porque, quando se começa a expansão, há sempre a possibilidade de, se você não pode continuar crescendo em um dado espaço, levar seu capital para outro lugar. A Inglaterra, por exemplo, estava produzindo muita mais-valia no século XIX, de modo que boa parte dela ia para a América do Norte, uma parte para a América Latina e outra para a África do Sul. Portanto, há um aspecto geográfico nisso.

A expansão do sistema refere-se ao que eu chamo de “estabelecimentos espaciais”. Suponhamos que você tenha um problema: há capital em excesso. O que fazer com isso? Bem, você tem um estabelecimento espacial, o que significa que você pode sair e construir algo novo em outro lugar do mundo. Se há um continente “despovoado” como a América do Norte no século XIX, então existem vastas regiões para onde é possível expandir. Mas agora a América do Norte está bastante coberta.

A reorganização espacial não é simplesmente sobre expansão. É também sobre reconstrução. Houve desindustrialização nos Estados Unidos e na Europa e reconfiguração de algumas áreas por meio de desenvolvimento urbano, de modo que os moinhos de algodão de Massachusetts transformaram-se em condomínios.

Agora estamos ficando sem tempo e espaço. Esse é um dos grandes problemas do capitalismo contemporâneo.



Nosso futuro está sendo hipotecadoVocê poderia imaginar que depois de 2007-2008 houve uma pausa na geração criação de dívidas. Porém, houve na verdade um enorme crescimento da dívida.

O capitalismo tem nos levado cada vez mais às dívidas. Isso deveria nos preocupar. Como isso será pago? E por quais meios? E nós vamos parar de criar mais e mais dinheiro que agora não tem mais para onde ir a não ser especulação e ativos?

Isso é o que acontece quando passamos a construir coisas para as pessoas investirem e não realmente para morarem. Uma das coisas mais impressionantes da China contemporânea, por exemplo, é que há cidades inteiras que já foram construídas, mas ainda não foram habitadas. Mesmo assim, pessoas as compraram já que são um bom investimento.



A loucura da razão econômica” - o sistema é irracional. A melhor medida disso é olhar para o que acontece em uma crise. O capital produz crises periodicamente. Uma das características de uma crise é que você tem excedentes de trabalho – pessoas desempregadas, sem saber como fazer para sobreviver – ao mesmo tempo em que você tem excedentes de capital que não parecem serem capazes de encontrar um lugar para ir de modo a terem uma taxa de retorno adequada. Você tem esses dois excedentes lado a lado, em uma situação onde a necessidade social é crônica.

Precisamos colocar capital e trabalho juntos para criar coisas atualmente. Mas você não pode fazer isso, porque o que você quer criar não é lucrável, e se não é lucrável então o capital não o fará. Ele faz uma greve. Então nós acabamos com excedentes de capital e excedentes de trabalho, lado a lado. Esse é o pico da irracionalidade.

Ensina-se que o sistema econômico capitalista é altamente racional. Mas ele não é. Ele atualmente produz irracionalidades inacreditáveis.



O capitalismo não é imoral…. Ele é amoral. Muitos dos primeiros socialistas eram moralistas, no bom sentido do termo, e expressavam seu ultraje dizendo que poderíamos construir uma sociedade alternativa, baseada no bem-estar comum e em solidariedades sociais, e outras questões desse tipo.

Marx olhou para essa situação e disse que atualmente o problema com o capital não é que ele é imoral. O problema com o capital é que ele é quase amoral. Tentar confrontá-lo com a razão moral nunca chegaria muito longe, porque o sistema é auto-gerador e auto-reprodutor. Nós temos que lidar com a auto-reprodução do sistema.

Marx tomou uma visão muito mais cientifica do capital e disse: nós agora precisamos substituir o sistema inteiro. Não é apenas uma questão de limpar as fábricas – nós temos que lidar com o capital

Marx abstraiu das particularidades do seu tampo e falou sobre as dinâmicas da acumulação capitalista e apontou para o seu caráter contraditório – como, na sua força motriz, ele está aprisionando todos nós através de dívidas. Marx disse que nós precisamos ir além do protesto moral. Trata-se de descrever um processo sistemático que precisamos enfrentar e entender sua dinâmica. Porque de outra forma as pessoas tentam criar uma espécie de reforma moral, e a reforma moral então é cooptada pelo capital.

É realmente fantástico nós termos internet, que inicialmente todo mundo achou que era uma tecnologia libertadora que permitiria um grande acordo de liberdade humana. Mas agora veja o que aconteceu com ela. Ela é dominada por alguns monopólios que coletam nossos dados e os dão a todos os tipos de personagens decadentes que os usam para fins políticos.

Algo que foi começou como uma tecnológica libertária de repente se transformou em um veículo de repressão e opressão. Se você perguntar “como isso aconteceu?”, você diria que algumas más pessoas aí de fora que fizeram isso, ou, com Marx, que é o caráter sistemático do capital que sempre faz isso.

Não existe isso de uma ideia boa e moral de que o capital não pode cooptar e se transformar em algo horrendo. Quase todo esquema utópico que rompeu no horizonte ao longo dos últimos cem anos se tornou numa distopia por conta da dinâmica capitalista. É para isso que Marx está apontando. Ele está dizendo “Você tem que lidar com esse processo. Se você não o fizer, você não vai criar um mundo alternativo que pode prover liberdade humana para todos”.



As contradições do capitalismo…. O capitalismo constrói e destrói. Marx não é simplesmente um crítico do capitalismo, ele é também um fã de algumas coisas que o capitalismo constrói. Essa é a grande contradição de tudo para Marx.

O capital construiu a capacidade, tecnologicamente e organizacionalmente, de criar um mundo muito melhor. Mas ele faz isso através de relações sociais de dominação ao invés de emancipação. Essa é a principal contradição. E Marx segue dizendo “Por que nós não usamos toda essa capacidade organizacional e tecnológica para criar um mundo liberatório, ao invés de um baseado na dominação?”. Marx realmente aprovou a globalização. No Manifesto Comunista, há uma maravilhosa passagem que ele fala sobre isso. Ele a vê como uma potencialidade emancipatória. Mas mais uma vez, a questão é por que essas possibilidades emancipatórias não são adotadas. Por que elas são usadas como meios de dominação de uma classe por outra? Sim, é verdade que algumas pessoas no mundo melhoraram suas rendas, mas oito homens tem a mesma riqueza do que 50% da população mundial.

Marx está dizendo que nós precisamos fazer alguma coisa a respeito disso. Contudo, o fazendo, nós não somos nostálgicos ao dizer “queremos voltar ao feudalismo”, ou “nós queremos viver a partir terra”. Nós temos que pensar sobre um futuro progressivo, usando todas as tecnológicas que dispomos, mas usando-as para um propósito social ao invés de aumentar a riqueza e o poder na mão de cada vez menos pessoas. Os economistas amam confrontar o que eles chamam de problemas, e problemas têm soluções. Contradições, não.

Elas aumentam no que Marx chamou de “contradições absolutas”. Como os economistas tratam com o fato de que na crise dos anos 1930, dos anos 1970 ou a mais recente, capital excedente e trabalho excedente existiram lado a lado, e ninguém parece ter a pista de como colocá-los juntos novamente de modo que eles possam trabalhar em vista de fins socialmente produtivos?

Keynes tentou fazer alguma coisa em relação a isso. Mas em geral os economistas não têm ideia em como lidar com essas contradições. Enquanto Marx está dizendo que essa contradição está na natureza da acumulação de capital. E essa contradição, então, produz essas crises periodicamente, que faz vítimas e cria miséria.

Esse tipo de fenômenos precisa ser resolvido. E economistas não tem um bom modo de pensar a respeito.



E o crescimento dos salários está baixíssimo. …. a administração Trump seguiu algumas políticas fortemente neoliberais. Ele basicamente beneficia os detentores de títulos e donos do capital, e todos os demais são colocados de lado. E outra coisa que aconteceu foi a desregulação, que os neoliberais gostam. A administração Trump duplicou a desregulação – do meio ambiente, leis trabalhistas, e todo o resto. O argumento neoliberal teve muita legitimidade nos anos 1980 e 1990 ao ser liberatório em alguma medida. Mas ninguém mais acredita nisso. Todos perceberam que ele é uma trapaça em que os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres.

Mas o fato é que o maior problema dos empregos não é o offshore, é a mudança tecnológica. Entre 60% e 70% do desemprego gerado desde os anos 1980 foi causado pela mudança tecnológica. Talvez 20% ou 30% de tudo isso foi causado pelo offshore.



O que Marx diz sobre automação e o que fazer com ela? O fim do trabalho está realmente próximo? …. Eu vim para os Estados Unidos em 1969 e fui para Baltimore. Havia imensas fábricas de aço e ferro que empregavam cerca de trinta e sete mil pessoas. Em 1990, as fábricas de ferro ainda produziam a mesma quantidade de ferro, mas empregavam cerce de cinco mil pessoas. Agora, as fábricas de ferro praticamente foram embora. O ponto é que na manufatura, a automação expulsou empregos no atacado, em todos os lugares, muito rapidamente. A esquerda passou muito tempo tentando defender esses empregos e travou uma ação de retaguarda contra a automação. Essa foi uma estratégia errada por uma série de razões. A automação estava chegando de qualquer jeito, e você iria perder. Em segundo lugar, eu não entendo porque a esquerda deveria ser absolutamente contra a automação. A posição de Marx, na medida em que ele tinha uma, seria de que nós deveríamos nos utilizar dessa inteligência artificial e da automação, mas nós deveríamos fazê-lo de modo que isso aliviasse a carga do trabalho. Uma das maiores coisas que Marx sugere é que o tempo livre é uma das coisas mais emancipatórias que podemos ter. Ele tem uma ótima frase: o reino da liberdade começa quando o reino da necessidade é deixado para trás. Imagine um mundo em que as necessidades podem ser cuidadas. Um ou dois dias da semana trabalhando, o resto do tempo é tempo livre. O que está nos impedindo é todas essas coisas sendo usadas para sustentar os lucros da Google e da Amazon. Até o momento em que não lidarmos com as relações sociais e as relações de classe por trás de tudo isso, nós não seremos capazes de usar todos esses dispositivos e oportunidades fantásticas de maneira que possam beneficiar a todos.



O capitalismo pode sobreviver à crise das mudanças climáticas ? De fato, se você observar os desastres climáticos, verá que o capital pode transformá-los no que Naomi Klein chama de “capitalismo de desastres”. Se há um desastre, bem, é preciso uma reconstrução. Isso traz muitas oportunidades para o capitalismo obter retornos lucrativos a partir dos desastres.

Do ponto vista da humanidade, eu não acredito que nós sairemos bem disso em hipótese alguma. Mas para o capital é diferente. O capital poderá superar essas coisas e, contanto que seja lucrativo, ele o fará.



Capitalismo e consumismo. O capital é produção de vontades, necessidades e desejos. É uma produção de consumismo. Todos nós temos celulares. Isso é a criação de um estilo de vida, e esse estilo de vida não é algo que eu possa escolher individualmente fazer parte dele ou não – eu tenho que ter um celular, mesmo que eu não saiba como diabos ele funciona. ….as pessoas estão tentando criar um novo estilo de vida. As que mais me interessam são as que usam novas tecnologias, como celulares e internet, para criar estilos de vida alternativos, com formas de relação diferentes daquelas que caracterizam as corporações, com estruturas hierárquicas de poder que encontramos em nosso dia a dia. Lutar contra um estilo de vida é bem diferente de lutar por salários ou condições de trabalho em uma fábrica. No entanto, há, do ponto de vista da totalidade, uma relação entre essas diferentes lutas. Eu estou interessado em mostrar para as pessoas como as lutas pelo meio ambiente, para a produção de novas vontades, necessidades, desejos e consumo está relacionada às formas de produção. Junte todas essas coisas e você terá uma visão sobre a totalidade do que é a sociedade capitalista e sobre os diferentes tipos de insatisfação e alienação que existem nos diferentes componentes da circulação do capital que Marx identifica



A luta contra o racismo …. Dependendo do lugar em que você estiver no mundo, essas questões são fundamentais. Mas aqui as relações sociais são sempre atravessadas por questões de gênero, raça, religião, etnia, etc. Portanto, não se pode lidar com a questão da produção de estilos de vida e de necessidades, vontades e desejos sem levar em conta a questão da racialização do mercado imobiliário e de como a questão racial é utilizada de diversas formas. As questões de gênero também são proeminentes na sociedade capitalista quando se trata da reprodução social em qualquer lugar do mundo. Essas questões estão embutidas na acumulação capitalista. Porém, os antirracistas devem lidar com a forma como a acumulação de capital interfere nas políticas antirracistas. E observar a relação entre o processo de acumulação e a perpetuação das desigualdades raciais. Em certa medida, antirracistas devem ser também anticapitalistas se quiserem ir à verdadeira raíz de muitos problemas.



Ativismo, trabalho acadêmico e por que conhecer Marx fora da academia ? A maioria das pessoas que eu conheço que estão envolvidas em ativismos encontra-se tão consumidas pelos detalhes do que estão fazendo que às vezes se esquecem de ter uma perspectiva global – seja das lutas na cidade, sem falar das do mundo. Às vezes você percebe que as pessoas precisam de ajuda de fora. Você começa a construir alianças. E quanto mais alianças são feitas, mais poderoso torna-se o movimento.

Eu tento não dizer para as pessoas o que elas deveriam pensar, mas tento criar uma estrutura de pensamento que permita às pessoas perceberem seu lugar na totalidade complexa de relações que fazem a sociedade contemporânea. Então as pessoas podem formar alianças em torno das questões com as quais se preocupam, e, ao mesmo tempo, mobilizar suas próprias forças para ajudar outras pessoas em suas alianças.

Eu estou empenhado em construir alianças. Para isso, é preciso ter uma concepção sobre a totalidade da sociedade capitalista. Na medida em que você puder fazer isso estudando Marx, eu penso que isso é útil.



FONTE: https://jacobin.com.br/2019/10/por-que-o-capital-continua-relevante/?fbclid=IwAR1wjTBKZn-c5kCCXmOWbPCctr1OzEbeXcIWcvxisNQy5DZUB5P38zjrnBY



quarta-feira, 20 de julho de 2022

ESTADOS UNIDOS : UMA FÔRÇA ASSASSINA, SENHORES DA BARBÁRIE

 

Estados Unidos: uma força assassina, senhores da barbárie

Estados Unidos: uma força assassina, senhores da barbárie, por Elias Jabbour

Todos os golpes de Estado que resultaram em governos militares fascistas na América Latina nas décadas de 1960 e 1970 tiveram a participação direta dos EUA

Elias Jabbour jornalggn@gmail.com

Publicado em 20 de julho de 2022.

Artigo produzido em colaboração com a Rádio Internacional da China.

 




Na medida em que o mundo se transforma, novos polos de poder mundial surgem e, em grande medida, o nível de consciência dos povos se eleva, vai ficando cada vez mais difícil para os Estados Unidos manterem sua fleuma de defensores da “democracia” e dos “direitos humanos”. Muito ainda há de ser revelado. Por exemplo, é preciso que o mundo saiba que o nazismo alemão teve grande inspiração na política de segregação racial norte-americana. O país mais racista e mais violento do mundo parece ser herdeiro legítimo da cultura nazista acerca de uma “raça superior” dotada de um “destino manifesto”. Quando transformada em política externa, torna-se uma grande força assassina, elemento de instabilidade, guerras e pilhagens.

Os exemplos são muitos. Todos os golpes de Estado que resultaram em governos militares fascistas na América Latina nas décadas de 1960 e 1970 tiveram a participação direta dos Estados Unidos. A ditadura militar argentina assassinou 20 mil pessoas, enquanto a do Chile vitimou outras 30 mil. São armas, proteção e orientação do imperialismo norte-americano que encobre um verdadeiro massacre que ocorre no Iêmen onde a Arábia Saudita assassinou 400 mil pessoas nos últimos anos, sendo 100 mil crianças. Documentos disponibilizados ao público também atestam a ampla participação dos Estados Unidos em um dos maiores massacres do século XX ocorrido no ano de 1965, no qual quase um milhão de pessoas foram assassinadas pela ditadura de Suharto, na Indonésia, apoiada por Estados Unidos. Segundo Bill Clinton, Suharto é o “tipo de amigo que gostamos”.

O imperialismo assassino norte-americano não se contentou em apoiar massacres mundo afora. Suas mãos banhadas de sangue podem ser observadas no Laos, país onde os Estados Unidos despejaram mais bombas do que em toda a 2ª Guerra Mundial. A Guerra da Coreia (1950-1953) foi um grande campo de testes de armas de todos os tipos, principalmente as chamadas armas químicas e bacteriológicas. A capital da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Pyongyang, foi destruída até a última edificação. Aliás, o único país do mundo a se utilizar de artefatos nucleares contra outro país é justamente os Estados Unidos. De imediato foram mortas 140 mil pessoas somente em Nagazaki, mas as consequências deste ato brutal podem ser sentidas até os dias de hoje.

O mesmo pode ser observado no Vietnã onde a intervenção norte-americana causou a morte de dois milhões de vietnamitas e onde o terror das armas químicas, bacteriológicas e milhões de litros de “napalm” se fizeram sentir sobre toda a Península da Indochina. O imperialismo norte-americano é o maior poder corruptor e assassino da história da humanidade!

É uma história de horror sem fim. São variadas as formas de estrangular, assassinar e subjugar povos inteiros. As sanções econômicas têm demonstrado grande eficiência em destruir países e povos antes do “estupro” final. O caso do Iraque é sugestivo, no qual sanções foram aplicadas ao país entre 1991 e 2003. O aumento da mortalidade infantil, pobreza e sofrimento do povo iraquiano neste período levou dois altos representantes da ONU no Iraque a renunciar em protesto. As estimativas de mortes de civis durante as sanções estiveram na faixa de 100 mil a mais de 1,5 milhão, a maioria delas crianças. Após as sanções veio a guerra de rapina e ocupação de 2003 até recentemente. Em nome dos “direitos humanos” e da “democracia” foram assassinados cerca de 400 mil civis. No Afeganistão, outros 200 mil mortos. A chamada “guerra ao terror” já matou em torno de um milhão de inocentes mundo afora.

A lista dos crimes cometidos pelo imperialismo norte-americano pode incluir o irrestrito apoio político ao Apartheid sul-africano, o assassinato de milhares de pessoas simpáticas aos movimentos de libertação popular na África, incluindo o líder congolês Patrice Lumumba e outros mártires revolucionários na América Latina, África e Ásia. Dentro deste quadro não podemos nos surpreender com o apoio material, político e moral do imperialismo norte-americano a países governados por coalizões políticas com forte apelo nazista. O caso da Ucrânia é exemplar, onde um governo que se utiliza de nazistas para massacrar as minorias étnicas russas conta com o apoio e a solidariedade do chamado “Ocidente”.

Correto estava Georgi Dmitrov, o líder búlgaro da Internacional Comunista. Acusado de ter sido um dos responsáveis pelo incêndio do Reichstag em 1933, ao ser perguntado pelo juiz o que ele achava do nazismo, respondeu que se tratava de um fenômeno típico do capitalismo e que não deveríamos nos surpreender com o surgimento de uma nova vaga fascista do outro lado do Atlântico.


Elias Jabbour, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ).

FONTE:….. https://jornalggn.com.br/eua-canada/estados-unidos-uma-forca-assassina-senhores-da-barbarie-por-elias-jabbour/?fbclid=IwAR14EMTwvi13agnjvTqzNXvsS_zJMFiJk97gFEtTuTo_4IusTUgWxftJAag



domingo, 17 de julho de 2022

ASCENSÃO E QUEDA DE UM IMPÉRIO INDUSTRIAL

 

"O sistema de produção estadunidense": ascensão e 

fragmentação de um Império industrial

 Yan Peng

Yan Peng é professor associado do Instituto de História Moderna da China, Universidade Normal Huazhong, e diretor adjunto do Centro de Pesquisa da Cultura Industrial Chinesa. Ele publicou vários artigos sobre a relação entre o processo histórico de industrialização e o socialismo na China. Ele também publicou um livro intitulado Guerra e Industrialização: A mudança no setor chinês de fabricação de equipamentos durante a Guerra Anti-Japonesa.

RESUMO DO ARTIGO COMPLETO DO PROF. YAN PENG publicado em Vozes Chinesas No.52 | 17.07.2022

Contexto:

As tensões comerciais no mundo se concentram em torno do setor manufatureiro. Durante os últimos cinco anos, a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos se intensificou e continuará a aumentar ainda mais. Yan Peng oferece um ponto de vista baseado em uma análise histórica dos acontecimentos: a base da hegemonia política dos Estados Unidos era um forte setor manufatureiro. Nas últimas décadas, a manufatura dos Estados Unidos tem mostrado um declínio irreversível, apesar dos esforços do governo para reativá-la. Esse declínio se tornou uma das fontes importantes para as tensões políticas e econômicas globais de hoje.

Nota do editor: embora o autor tenha apontado como a fraqueza competitiva contribuiu para o declínio da produção norte-americana, uma análise mais profunda das regras que regem a produção na era do imperialismo é necessária. Desde meados dos anos 90, com o domínio do capital financeiro para maximizar os lucros, o imperialismo americano acelerou a mudança de sua base industrial para o exterior, especialmente para o Sul Global e para a China em particular. Paralelamente, havia outros fatores em jogo: os ganhos de produtividade eliminaram muitos empregos nos Estados Unidos e a falta de investimento em manufatura resultou de investimentos de capital financeiro onde os lucros foram maiores.



Pontos-chave:

  • Como resultado de sua incapacidade de fabricar bens de primeira necessidade durante a Guerra da Independência da Grã-Bretanha, os líderes militares e políticos americanos aprenderam rapidamente a importância vital de ter um setor manufatureiro forte, que pudesse fornecer materiais estratégicos e bens manufaturados. Assim, nasceu o "sistema de produção estadunidense", primeiro desenvolvido pelos militares, e depois introduzido no setor industrial dos EUA, onde continuou a se desenvolver.

  • O "sistema estadunidense" tem duas conotações: a primeira se refere às idéias e práticas protecionistas econômicas dos Estados Unidos do século XIX contra o livre comércio britânico, conhecido como o "sistema institucional estadunidense"; a segunda se refere à ascensão do sistema de produção em massa dos Estados Unidos do século XIX.

  • A mecanização da produção em massa - um sistema de produção padronizado baseado em peças e módulos intercambiáveis - é uma das principais características na evolução da fabricação dos Estados Unidos.

  • A hegemonia militar e política alcançada pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial tornou-se, com o passar do tempo, um paradoxo para a manufatura estadunidense. Para manter sua hegemonia política, os Estados Unidos foram obrigados a fazer concessões econômicas a seus aliados, abrindo seu mercado interno aos bens manufaturados dos aliados. Como resultado, os concorrentes estrangeiros ganharam maior participação no mercado e isso contribuiu para o declínio de indústrias como a automobilística, a siderúrgica e a de máquinas-ferramentas.

  • Os Estados Unidos, entretanto, mantiveram sua liderança inovadora e de longo prazo nas indústrias militar, aeroespacial e de informação eletrônica, o que gerou altas margens de lucro ao alavancar a grande quantidade de capital de conhecimento acumulado.

  • Para o governo dos Estados Unidos, os problemas de desemprego, a perda de trabalhadores qualificados, a falta de auto-suficiência em bens estratégicos de defesa, e a deterioração das economias regionais provocada pelo declínio da manufatura doméstica são graves. Desde os anos 80, os Estados Unidos vêm travando guerras comerciais, primeiro contra seus aliados e depois contra potências emergentes em desenvolvimento.

  • As contradições econômicas dentro dos Estados Unidos representam uma importante razão pela qual a ordem política e econômica mundial entrou numa era de conflito e turbulência, que o poder hegemônico dos Estados Unidos não consegue resolver.



O ARTIGO COMPLETO DO PROF YAN PENG ENCONTRAM-SE NAS SEGUINTES FONTES:


FONTE: VOZES CHINESAS N° 52 DE 17/07/2022. https://mcusercontent.com/3804e8517f18cc127a31574ee/files/82763fcc-c4ac-0390-780a-c4574b0a4a4d/Vozes_Chinesas_No.52_17.07.2022.pdf


TAMBÉM NA READ CHINA…….https://readchina.info/en-US/articles/601098507905925121


E O ORIGINAL NA REVISTA “ASPECTO CULTURAL” DE 01-03-2022 .. https://mp.weixin.qq.com/s/jWNz0k-pqzOkVKZdq1ZRbQ

文化纵横(Beijing Cultural Review



TODOS ELES COM A SEGUINTE RESSALVA NO FINAL DO ARTIGO COMPLETO:…..

Este artigo apareceu originalmente nas páginas 120-130 em Culture, 2022, nº 1, sob o título "The American System: The Rise and Divisions of a Manufacturing Empire". Os indivíduos são bem-vindos a partilhar, e as reimpressões dos meios de comunicação social devem contactar este sítio público na Internet.