A China prepara seu desacoplamento
A partir de 1949, país
adotou três estratégias no cenário internacional. Relações Sul-Sul, centrais
após a revolução, foram eclipsadas por quatro décadas pela integração com os
EUA. O que uma nova reviravolta significa para África e América Latina.
OutrasPalavras por Cheng
Yawen* na revista Wenhua Zongheng. Publicado
18/05/2023. https://outraspalavras.net/descolonizacoes/a-china-prepara-seu-desacoplamento/
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Revista Outras
Palavras
Quando se veem diante da ideia segundo a qual a
China pode ser uma parceira decisiva para os países do Sul, certos pensadores à
esquerda reagem negativamente. Apoiam-se em fatos reais. Lembram que o perfil
do comércio chinês com o Brasil, por exemplo, é muito semelhante ao dos países
centrais. Exportamos minérios e commodities agrícolas; importamos
produtos industrializados e tecnologia. O mesmo se dá, acrescentam, com a
maioria dos países da África e América Latina.
Embora verdadeiro, o argumento apoia-se numa visão estática sobre as políticas
chinesas — como se elas não tivessem variado ao longo do tempo e não pudessem
ser influenciadas por seus parceiros. É o que sugere o ensaio de Chen Yawen, pesquisador da
geopolítica e do desenvolvimento na Universidade de Estudos Internacionais de
Xangai. Outras Palavras tem a satisfação de oferecê-lo a seus leitores, em mais uma edição da coluna Diagonais Chinesas, que busca apresentar o pensamento de
pensadores contemporâneos daquele país sobre grandes temas internacionais.
Yawen descreve, no artigo, as transformações na estratégia exterior chinesa.
Ele a vê marcada por duas balizas. A concepção de que o “Império do Meio” só
poderia encontrar seu espaço em aliança com os países do Sul teria se mantido,
nos quase 75 anos após a chegada do Partido Comunista Chinês ao poder. Mas a
aplicação prática desta ideia sofreu alterações relevantes, porque foi
influenciada pelas políticas adotadas pela China para alcançar seu próprio
desenvolvimento.
Nos primeiros anos pós-1949, predominaram os Cinco Princípios para a
Coexistência Pacífica. Em 1974, eles foram aprofundados na singular Teoria dos
Três Mundos, construída por Mao Tsetung e na qual a China via-se profundamente
ligada ao países “em desenvolvimento”. Mas no final dos anos 1970, reconhece
Yawen, ocorreu uma mudança sensível. Ela coincidiu com a percepção, pela China,
de que não poderia bastar-se economicamente a si mesma, e precisava abrir-se
temporariamente às potências ocidentais, para industrializar-se e se
desenvolver tecnologicamente. Nesse período de abertura, Pequim priorizou o
aspecto comercial de suas relações com o Sul. Necessitando de combustíveis e
alimentos, foi buscá-los onde estavam disponíveis.
As políticas chinesas estão mudando de novo, explica Yawen. O giro começa com o
fortalecimento econômico progressivo do país; amplia-se com uma diplomacia
muito mais ativa no cenário internacional, já no mandato de Xi Jinping. Tende a
tornar-se muito mais nítida depois da guerra na Ucrânia, pois Pequim deu-se
conta de que pode sofrer, por parte de Washington, as mesmas sanções impostas a
Moscou.
Desacoplamento, sustenta Yawen, é o conceito que define a nova postura da China diante
dos EUA e do Ocidente. As consequências geopolíticas são vastas e profundas,
agora que o país é a maior economia do planeta, sob o critério de produção real
de bens e serviços. Surge, aos poucos, uma “Teoria dos Três Anéis”, clara
referência aos “Três Mundos”. A China está empenhada, em primeiro lugar, em aproximar-se
dos países que compõem seu espaço próximo: Ásia do Leste e Central e Oriente
Médio. Quer também ampliar a cooperação e a parceria com América Latina e
África, o “segundo anel”. Embora não rejeite relações com os países ricos,
enxerga-os apenas num “terceiro anel”.
A nova atitude terá múltiplos desdobramentos, sugere o texto. A Nova Rota da
Seda, com centenas de bilhões de dólares em investimentos em projetos de infraestrutura, nos países que a
integram. Os preparativos para ações mais incisivas do Banco dos Brics e do
Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (BAAI). Em especial, a luta
para criar uma nova ordem monetária e financeira internacional. Em torno destas
disputas, conclui Yawen, pode surgir uma nova polarização global. A China estará,
segundo ele, aberta a relações muito mais estratégicas – e mutuamente benéficas
– que as simples trocas comerciais. Mas as novas parcerias precisam ser
construídas, o que exige esforço. É muito fácil vender soja ou carne aos
chineses. Bem mais trabalhoso é criar, por exemplo, as bases de uma colaboração
entre órgãos públicos, bancos estatais e empresas privadas, visando a
desenvolver, no Brasil, o Complexo Econômico e Industria da Saúde.
O texto de Yaven intitula-se, originalmente, “Construindo os novos ‘Três
Anéis’: a reconfiguração das relações exteriores da China diante do
desacoplamento”. Foi publicado pela primeira vez na revista chinesa Wenhua Dongheng, referência em teoria política em seu país. Uma edição trimestral da
revista, construída a partir de curadoria, edição e tradução do Coletivo DongSheng e do Instituto Tricontinental, circula também em
português. Somos gratos a estes parceiros, por ampliarem nossas chances de
diálogo com o pensamento chinês. (Antonio Martins)
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A “operação militar especial” da Rússia contra a
Ucrânia e o impasse instalado entre o Ocidente e a Rússia são acontecimentos
históricos que indicam o fim iminente da onda de globalização iniciada nos anos
1980. Os absurdos esforços dos Estados Unidos para intimidar seus aliados a
impor sanções assassinas contra a Rússia e para constranger outros países a
tomar partido neste conflito conduziram o mundo a uma situação que lembra as
lutas globais mortíferas do século XX. Tais acontecimentos colocam um grande
desafio para a China. O fim dessa onda de globalização significa que o país já
não terá o mesmo ambiente externo para o desenvolvimento, usufruído nos últimos
quarenta anos, e que os Estados Unidos devem intensificar a ofensiva para
restabelecer seu domínio sobre o sistema internacional e se desacoplar da China
e da Rússia. O mundo passou por uma mudança de paradigma1.
Diante de uma possível desintegração forçada e completa dos Estados Unidos e
dos países ocidentais, a China deve ter a iniciativa de ajustar sua orientação
estratégica de relações exteriores, e priorizar as alianças com países com os
quais possa desenvolver uma nova ordem internacional que a proteja contra as
repercussões desse desacoplamento.
A regra tácita da ordem internacional: a estrutura de poder
centro-periferia
Durante três décadas desde
o colapso da União Soviética, as relações entre a Rússia e o Ocidente foram
hesitantes. Inicialmente, a Rússia buscou construir laços amistosos com os
Estados Unidos e os países ocidentais, depois se afastou gradualmente destes e,
agora, entrou em uma confrontação feroz. A evolução dessa relação reflete os
limites políticos da globalização. Diferente das noções românticas sobre a
globalização que cresceram na sequência do fim da Guerra Fria, na realidade
esse período testemunhou o estabelecimento da hegemonia estadunidense e o
desmembramento da União Soviética e do campo socialista. Esse processo de
globalização e a busca dos Estados Unidos por supremacia global são dois lados
da mesma moeda, são condições um do outro, e se promovem mutuamente. Esse
sistema não pode perdurar indefinidamente, devido a sua incapacidade de
promover a igualdade internacional, com países desenvolvidos e em
desenvolvimento presos em uma relação de dominantes e dominados. Por um lado, a
globalização é abandonada, revertida e reformatada quando se volta contra seus
promotores, ameaçando sua superioridade. Por outro, os países vão continuar
resistindo à busca implacável dos Estados poderosos por dominação2. A operação militar especial da Rússia contra
a Ucrânia é resultado da natureza de dominação dessa fase de globalização, e
levou o sistema dominado pelos Estados Unidos a um impasse.
A expansão da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para o Leste, que já dura décadas, foi a
principal razão do ataque preventivo da Rússia. Essa expansão militar não foi
apenas uma questão de segurança, mas também econômica, parte dos esforços dos
Estados Unidos para marginalizar a Rússia. Os esforços russos para aproveitar a
globalização, avançar em seu desenvolvimento nacional e se tornar um país
central na ordem mundial contrariam a lógica da globalização liderada pelos
EUA. O capital internacional, particularmente o capital financeiro, se
concentrou predominantemente em energia, grãos e minerais russos, setores que
pode explorar para obter lucros extravagantes. No entanto, durante o mandato de
Vladimir Putin como presidente da Rússia, o Estado fortaleceu seu peso em
setores estratégicos para a segurança nacional e as condições de vida da
população, e buscou construir uma união econômica eurasiana para criar espaço
para seu próprio crescimento econômico. Isso irritou o capital estrangeiro. A
expansão da OTAN ao leste expressa o controle do capital sobre a política com o
objetivo de expandir seus mercados. Se a Rússia não puder responder
efetivamente aos esforços que visam restringir seu espaço de desenvolvimento e
ao aumento de sua marginalização, ela será ainda mais profundamente obrigada a
ser mera produtora de bens primários e perderá o acesso à política das grandes
potências. Isso aumentaria as probabilidades de crises políticas internas, que
as elites russas pretendem evitar.
A estrutura de poder da
ordem mundial contemporânea foi revelada pela expansão da OTAN ao leste e pelo
regime de sanções abrangentes impostas pelos países ocidentais à Rússia. Após a
Segunda Guerra Mundial, o sistema colonial europeu começou a desvanecer e,
durante a segunda metade do século XX, a ordem mundial passou a estar centrada
nas Nações Unidas e no direito internacional, notadamente no princípio de
igualdade soberana dos Estados. Entretanto, a ordem hierárquica
centro-periferia do sistema colonial europeu não desapareceu de fato. Ao
contrário, continua a existir de forma implícita e dissimulada. As hierarquias
de poder absoluto impostas pelos regimes coloniais foram substituídas por uma ordem
internacional baseada em “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, na
qual os Estados são soberanos e iguais em aparência, mas desiguais no exercício
efetivo de poder3. Embora os Estados Unidos e seus aliados se
refiram a esse sistema internacional como uma ordem “baseada em regras”, na
qual cada nação deveria cumprir as mesmas regras, trata-se, com efeito, de uma
ordem que gira em torno do Ocidente, e não da ONU e do direito internacional.
A hegemonia dos Estados
Unidos no pós-guerra é a encarnação moderna da ordem global centro-periferia. O
Grupo dos Sete (G7), estabelecido nos anos 1970, realiza reuniões anuais nas
quais Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e os Estados Unidos
discutem não apenas questões relativas a estes sete países, mas também questões
globais sobre as quais negociam e determinam regras internacionais. A chamada
ordem baseada em regras é, com efeito, uma ordem baseada nas regras
estabelecidas pelos países ocidentais e seus aliados. O importante, aqui, é
quem faz as regras. Nesse sistema internacional, a divisão do trabalho, a
oferta monetária, a produção industrial e o estabelecimento de regras são
atribuições exclusivas de um pequeno e seleto grupo de países. A posição
vantajosa desses países seria rompida se outros países tentassem entrar nesse
clube, perturbando a autoridade normativa, o domínio monetário e a
superioridade tecnológica mantida pelo regime de propriedade intelectual. O
surpreendente crescimento econômico da China nas últimas décadas rompeu
precisamente essa ordem mundial centro-periferia do pós-guerra, ameaçando os
privilégios estruturais dos países ocidentais, que jamais imaginariam que a
China pudesse chegar ao centro do cenário global (mesmo que a China apenas
esteja se aproximando dessa posição e ainda não tenha chegado a ela). Como
resultado, nos últimos anos os Estados Unidos definiram a China como seu
“concorrente estratégico” e demonstraram sua disposição de usar todos os meios
para impedir seu desenvolvimento.
A expansão da OTAN para o
Leste e a tentativa de Washington de contenção da China são indicações de que
os Estados Unidos e os países ocidentais pretendem manter e reforçar suas
posições de poder na ordem mundial. O conflito Rússia-Ucrânia e as abrangentes
sanções ocidentais contra a Rússia evidenciaram, ainda mais, a verdade sobre o
sistema global: a maioria do mundo se encontra no “campo” da periferia global,
enquanto apenas poucos e seletos países estão nas “cidades” do centro global,
cujo núcleo é ocupado pelos Estados Unidos. Esses países não pretendem ver o
“campo” se transformar em “cidade”, como o são. China e Rússia atrapalham o
“centro urbano” em dois aspectos fundamentais. Por um lado, devido a sua forte
capacidade de controle de capital, os dois países são os maiores territórios do
mundo que ainda não foram submetidos a dominação arbitŕaria da globalização
capitalista. Por outro lado, sua força nacional é muito maior do que a de
muitos países e bloqueia esforços do “centro urbano” de ampliar seu controle
sobre o “campo” da periferia global. Durante essa onda de globalização, a China
foi do “campo” para a “cidade” com seu crescimento econômico robusto e a
ampliação de sua força nacional. Os países do centro, apesar de sua prévia
apologia entusiasmada à globalização, agora protagonizam esforços de
“desglobalização”, expondo os limites da universalidade da ordem mundial do
pós-guerra. A integração da China e de outras nações do “campo” às “cidades” é
simplesmente intolerável para os países centrais.
A base de apoio para o multilateralismo está no Sul Global
Desde a década de 1980, a
China adotou a política de reforma e abertura e promoveu a cooperação
internacional, incluindo, na última década, a apresentação da proposta de
construir uma “comunidade de futuro compartilhado para a humanidade” (人类命运共同体, rénlèi mìngyùn gòngtóngtǐ). Esses
esforços remontam à antiga noção chinesa de “grande unidade sob o céu” (天下大同, tiānxià dàtóng). No entanto, essa
“grande unidade” não pode ser atingida apenas pela vontade da China. No atual
contexto de hostilidade aberta do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos,
contra Rússia e China, o mundo não pode mais ser visto de forma mecânica, nem é
possível presumir simplesmente que todos estejam unidos em torno da paz e do
desenvolvimento. Ao contrário, é preciso considerar seriamente as ameaças de
competição, conflito e guerra. Ainda que se exclua a guerra dos resultados
prováveis, é evidente que não é mais possível que a China continue buscando seu
caminho de desenvolvimento no sistema de globalização dominado pelo Ocidente.
Assim, a China deve reavaliar sua resposta à questão básica nas relações
exteriores: quais países são parceiros potenciais da China, hoje e no futuro, e
com quais países a China terá dificuldade de estabelecer e manter parcerias?
Como diz um conhecido
ditado chinês, as coisas semelhantes se juntam e as pessoas semelhantes se dão
bem (ou, pássaros da mesma plumagem voam juntos). O mesmo se aplica às nações.
Aquelas nações que compartilham experiências, contextos e desafios semelhantes
tendem a formar relações de cooperação mais sólidas. Desde o século XIX, o
mundo passou por uma transformação global conduzida por três componentes
principais: industrialização, construção racional de Estados-nação, e
ideologias de progresso, passando de um mundo policêntrico, sem centro
dominante, para uma ordem centro-periferia altamente interligada e hierárquica
na qual o centro gravitacional está no Ocidente4.
Entre a segunda metade do
século XIX e o início do século XX, imperialismo e globalização foram os dois
lados da mesma moeda: o imperialismo impulsionou a globalização, enquanto a
globalização reforçou o imperialismo. Juntos, esses processos articulados
confinaram as nações periféricas do mundo à prisão do subdesenvolvimento, da
qual é extremamente difícil se libertar. O Ocidente, como antigo centro do
sistema internacional e berço do imperialismo, produziu tanto a ordem colonial
moderna como o sistema de hegemonia dos Estados Unidos, que dominam o mundo
desde a segunda metade do século XX. Contudo, muitos movimentos
revolucionários, notadamente as lutas anticoloniais do século passado, lutaram
para superar a desigualdade e injustiça dessa estrutura global de poder
centro-periferia.
Nessa ordem mundial
desigual, os países centrais não acolhem de forma justa os países periféricos
no centro e se opõem a revoluções na periferia. Assim, para se libertar da
subordinação e exploração, os países periféricos precisam trabalhar
conjuntamente e, ocasionalmente, explorar as fissuras entre os Estados do
centro, cooperando taticamente com Estados centrais quando isso puder
contribuir para o avanço da luta. Ao longo do século passado, durante a
Revolução Chinesa e a consolidação do poder estatal, as principais forças
externas nas quais a China se apoiou eram do Sul Global. Na primeira metade do
século XX, o Partido Comunista da China (PCCh) integrou a Internacional
Comunista, uma aliança de atores estatais e não estatais entre os povos
colonizados e oprimidos do mundo. Durante a Guerra de Resistência contra a
Agressão Japonesa (1931-1945), a China se somou à Guerra Mundial Anti-Fascista,
levantou a bandeira anti-imperialista e fomentou a luta para desmantelar as
estruturas globais de desigualdade criadas pelos Estados imperialistas. Depois
que a República Popular da China foi fundada em 1949, a China deu muita ênfase
à cooperação com os países do Terceiro Mundo, apoiou os movimentos
anti-coloniais e o desenvolvimento pós-independência na Ásia, África e América
Latina. Foi de particular importância a participação ativa da China na
Conferência de Bandung em 1955 – um passo importante na criação do Movimento
dos Países Não-Alinhados em 1961 – onde sua proposta de Cinco Princípios de Coexistência
Pacífica (和平共处五项原则, hépíng gòngchǔ
wǔ xiàng yuánzé) foi bem recebida. A conferência se tornou um marco das relações
da China com o Sul Global, na qual cooperação e solidariedade tiveram um
impulso positivo5. Foi com o apoio dos países periféricos que a
República Popular da China retomou o assento que lhe é de direito nas Nações
Unidas, e se tornou membro permanente do Conselho de Segurança.
A solidariedade e apoio
mútuo entre a China e os países da Ásia, África e América Latina continuam
sendo componentes importantes da abordagem chinesa às relações internacionais,
com ênfase na cooperação multilateral com países em desenvolvimento do Sul
Global para defender a soberania nacional e o desenvolvimento, em uma luta
conjunta contra a ordem mundial desigual e injusta estruturada pelos países
centrais. Apesar de focar em relações com os países periféricos, com o
paradigma da “diplomacia omnidirecional” (全方位外交, quán fāngwèi wàijiāo), a China permanece
aberta a estabelecer e desenvolver uma cooperação amistosa com os países
ocidentais desenvolvidos e outras grandes potências. Entretanto, há que se
atentar para o fato de que, no passado, a interação e cooperação entre China e
os países centrais sempre tiveram duas pré-condições. Por um lado, a
insistência da China em desenvolver relações exteriores tendo a independência,
igualdade e benefício mútuos como premissas, e se opondo as hierarquias de
poder existentes nas relações internacionais. Por outro lado, os países
centrais colocaram um teto em sua colaboração com a China, a saber, a
impossibilidade de alteração na posição dos países ocidentais no centro da
estrutura global de poder. Sempre que uma dessas duas pré-condições não estava
dada, a China – como parte do mundo em desenvolvimento – enfrentou sérios
desafios para aprofundar sua cooperação com os países ocidentais, especialmente
em matérias políticas.
Ajustando as prioridades geográficas das relações exteriores da China
Nos últimos quarenta anos,
deixando de lado diferenças ideológicas e disparidades institucionais entre os
países, a China buscou atuar junto com outras nações. Gradualmente, as relações
internacionais da China passaram a ser guiadas pela seguinte lógica: as
potências são o principal, as áreas do entorno são a primeira prioridade, os
países em desenvolvimento são as fundações, e os fóruns multilaterais são os
cenários importantes. No entanto, na medida em que a era da globalização chega
ao fim, essa abordagem tem encontrado cada vez mais obstáculos. É improvável
que o processo de desacoplamento da China em termos econômicos, tecnológicos,
de conhecimento e intercâmbio entre as pessoas – iniciado pelos Estados Unidos,
ao qual Washington coagiu outros países ocidentais a se somarem –, seja
revertido. Pelo contrário, devido à guerra Rússia-Ucrânia, esse processo pode
ser ainda mais intensificado.
Desde sua fundação em 1949,
a República Popular da China passou por mudanças significativas na direção de
sua política externa, todas tendo acontecido em resposta a situações históricas
específicas: da proposta de Cinco Princípios de Coexistência Pacífica nos
primeiros anos da RPC, à Teoria dos Três Mundos proposta no contexto da
normalização das relações China-Estados Unidos nos anos 1970, e à ênfase ao
desenvolvimento de parcerias com os países ocidentais como parte da transição à
reforma e abertura após 1978. A situação contemporânea é definida pelo que o
presidente da China Xi Jinping chamou de “grandes mudanças inéditas em um
século” (百年未有之大变局, bǎinián wèi yǒu zhī dà biànjú) e
pela tendência crescente dos Estados ocidentais de suprimirem os
questionamentos à sua autoridade. Especialmente desde a eclosão da guerra entre
Rússia e Ucrânia, os Estados ocidentais explicitaram sua disposição de se unir
na pressão e contenção aos países em desenvolvimento, característica da atual
ordem dominada pelo Ocidente que irá debilitar as relações internacionais por
algum tempo. Não há como a China não ficar altamente alarmada pelas medidas
punitivas que o Ocidente impôs à Rússia, já que estas podem ser impostas à
China de forma similar no futuro. Por isso, é urgente e necessário que a China
reavalie sua tradição de multilateralismo e reoriente a configuração geográfica
de suas relações exteriores, fortalecendo suas parcerias com os países em
desenvolvimento do Sul Global para fomentar um novo ambiente internacional que
favoreçam a segurança nacional e o desenvolvimento de longo prazo da China.
Em 1974, Mao Zedong
estabeleceu sua Teoria dos Três Mundos, categorizando os países em três grupos
principais, cada um demandando da China uma relação distinta. O terceiro grupo,
dos países em desenvolvimento do Terceiro Mundo, era o principal foco da China.
O povo e o governo chinês apoiaram com firmeza as lutas justas de todos os
povos e nações oprimidas. Tomando como base as práticas e experiências
anteriores da China em suas relações exteriores, a teoria delineou prioridades
geográficas para os laços da China com outros países, e forneceu um importante
guia ideológico para a abordagem do país com relação à cooperação Sul-Sul. Essa
teoria permanece de grande relevância e deveria orientar a reconfiguração atual
das prioridades geográficas das relações exteriores da China. Ao contrário da
ênfase dedicada ao trabalho com países ocidentais desde o início da reforma e
abertura há quatro décadas, a China agora precisa trazer o avanço do projeto
Sul-Sul para o primeiro plano.
Seja em relação a assuntos
diplomáticos, desenvolvimento de longo prazo ou rejuvenescimento da nação, os
arranjos exteriores da China terão que priorizar o engajamento com países do
Sul Global por um período de tempo considerável. A China deveria configurar
suas relações exteriores e promover a construção de uma nova ordem mundial a
partir do paradigma dos “três anéis” (三环, sān huán). O primeiro anel se refere às regiões vizinhas da China, ou
seja, o Leste Asiático, a Ásia Central e o Oriente Médio, que apresentam
elementos importantes em termos de recursos, energia e segurança. O segundo
anel engloba os países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina, com
os quais a China tem relações de comércio e investimento e projetos de
infraestrutura, e aos quais a China direciona a maioria de sua ajuda externa. O
terceiro anel engloba os Estados Unidos, os países europeus e outros países
industrializados com os quais a China intercambia produtos industriais,
tecnológicos e conhecimento.
No paradigma dos “três
anéis”, a primeira e mais importante prioridade para ajudar a construir um novo
sistema internacional deveria ser o primeiro anel, ou seja, o Leste Asiático, a
Ásia Central e o Oriente Médio. Para promover ainda mais a integração econômica
do leste asiático e suas ligações com a Ásia Central e o Oriente Médio, é
preciso fortalecer o engajamento e a cooperação entre os países asiáticos. Nos
últimos anos, ao promover a diplomacia econômica, a China fez progressos
consideráveis em ampliar a integração econômica do leste asiático e a
cooperação econômica com diversos outros países desta região. O último grande
marco da integração econômica do Leste Asiático foi lançado no dia 1º
de janeiro de 2022, quando a Parceria Regional Econômica Abrangente (RCEP pela
sigla em inglês) finalmente entrou em vigor, após dez anos de negociação. No
entanto, o intercâmbio econômico entre os países do Leste Asiático tem sido
crescentemente afetado por forças extra-regionais e questões de segurança nos
últimos anos, com disputas sobre direitos marítimos no Mar do Sul da China e a
estratégia “Indo-Pacífico” de Washington que fomentam incertezas na região.
Como forma de prevenir a exploração de problemas internos da Ásia por forças
externas, a China deveria se afastar da “supremacia do PIB”, ou do foco estreito
em assuntos econômicos que priorizou anteriormente em suas relações exteriores,
e dedicar mais atenção às agendas políticas e de segurança na região,
promovendo mais cooperação em matéria de segurança entre os países asiáticos.
A cooperação Sul-Sul é a base material dos novos “Três Anéis”
A base
material para o paradigma dos “três anéis” é a cooperação Sul-Sul, conceito que
emergiu no fim do século XX e se relaciona com os interesses, solidariedade e
apoio mútuos entre os países do Terceiro Mundo6. No século
XXI, um novo patamar da cooperação Sul-Sul tem sido estabelecido, tornando esse
conceito ainda mais alcançável na realidade. A principal razão para isso é que,
nas décadas recentes, diversos países em desenvolvimento na Ásia, África e
América Latina foram capazes de se industrializar ou quase se industrializar ao
“subir na escada emprestada”, aproveitando as oportunidades da onda de
globalização. Entre esses países, um novo sistema global de produção e
circulação material tomou forma, e está a caminho de eclipsar a “escada”
original da globalização construída pelos países ocidentais. Esse novo sistema
global tem se manifestado em dois aspectos importantes.
Em primeiro
lugar, a participação dos países em desenvolvimento na economia mundial mudou
significativamente. Em 1980, os países desenvolvidos correspondiam a 75,4% do
PIB mundial, enquanto os países em desenvolvimento representavam menos de 25%.
No entanto, em 2021, o percentual do primeiro grupo caiu para 57,8% do PIB
mundial, enquanto o segundo ampliou sua participação para 42,2%7. O PIB
combinado dos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul),
somados com Turquia, Coreia do Sul e Indonésia, em termos de paridade de poder
de compra (PPC), saltou de 21% da economia global em 1992 para 37,7% em 2021,
enquanto a participação combinada dos países do G7 declinou de 45,8% para 30,7%
no mesmo período8.
Em segundo
lugar, o comércio e investimento recíproco entre os países em desenvolvimento
também se tornaram cruciais. De 1997 a 2010, o comércio entre a China e os
países da África, assim como com os países da América Latina, aumentou cerca de
22 vezes. Entre 2010 e 2021, o comércio China-África e China-América Latina
cresceu novamente, 2 e 2,5 vezes, respectivamente9. De 2000 a
2018, o comércio entre China e países árabes saltou de 15,2 bilhões para 244,3
bilhões de dólares, um aumento de 16 vezes em menos de 20 anos10. Outras
economias emergentes, como Brasil e Índia, aumentaram acentuadamente seu comércio
com países em desenvolvimento. De 2003 a 2010, o comércio do Brasil com os
países árabes aumentou quatro vezes, enquanto seu comércio com os países
africanos quintuplicou, totalizando 26 bilhões de dólares, um valor superior ao
comércio do Brasil com parceiros tradicionais como Alemanha e Japão. E, de 2010
a 2019, o comércio do Brasil com países árabes e africanos aumentou 98% e 68%
respectivamente11. De maneira
semelhante, desde 2001, o comércio da Índia com os países africanos tem
crescido a uma taxa média anual de 17,2% e, de 2011 a 2021, aumentou 2,26 vezes12
O comércio
da Índia com os países da América Latina, assim como com a região do Norte da
África e Oriente Médio, experimentou crescimento similar. O volume de comércio
entre os países em desenvolvimento está crescendo a uma taxa mais rápida que a
média global, enquanto o comércio com os países desenvolvidos continua
diminuindo.
No mundo em
transformação, uma rede particularmente importante de desenvolvimento econômico
emergiu na Ásia, em torno da China. Isso
é demonstrado pelas quatro tendências a seguir:
- A Ásia
é novamente o centro de gravidade da economia mundial. Em 1980, os países
em desenvolvimento da Ásia correspondiam a 13,7% do PIB mundial. Contudo,
sua participação cresceu para 24,7% em 2010 e alcançou 35,8% em 202113 . No
caso dos países do leste asiático (incluindo China, Japão, Coréia do Sul e
dez países do sudeste asiático), em 1980 sua participação no PIB mundial
era em torno de apenas 16,2%, mas em 2020 esse percentual quase dobrou,
alcançando 30%14.
Enquanto isso, em 2020, a população total dos quinze países membros do
RCEP chegou a 2,27 bilhões, o PIB acumulado atingiu 26 trilhões de dólares
e o total de importações e exportações superou 10 trilhões de dólares,
correspondendo a 30% do total mundial15 .
Segundo o HSBC, a estimativa é que o tamanho acumulado das economias do
RCEP se expanda para 50% da economia mundial até 203016 .
- O
comércio e investimento mundiais também estão se direcionando para a Ásia.
O crescimento consistente da participação asiática no comércio mundial
passou de 15,7%, em 1980, para 22,2% em 1990, 27,3% em 1995, 26,7% em
2000, 25,6% em 2001, avançando para 36% em 2020. Atualmente, a Ásia é a
principal região comercial do mundo17.
- O nível
de comércio intra-regional é muito superior ao do comércio extra-regional
na Ásia. Entre 2001 e 2020, o comércio interno total da Ásia saltou de 3,2
trilhões para 12,7 trilhões de dólares, com taxa média de crescimento
anual nominal de 7,5%. Durante o mesmo período, a participação da Ásia no
comércio mundial cresceu de 25,6% para 36%18 . Em 2020, o
comércio intra-regional da Ásia correspondeu a cerca de 58,5% do total de
seu comércio exterior19 .
- O Leste
e o Oeste da Ásia estão se aproximando economicamente. Os principais
destinos da energia do Oriente Médio se deslocaram dos Estados Unidos e
Europa para o Leste e Sul da Ásia.
Atualmente,
os países em desenvolvimento conformam a estrutura preliminar para um novo
sistema econômico global, mas uma sinergia ainda maior entre eles é necessária
para alcançar um patamar mais elevado de conectividade econômica, assim como
maior influência política na arena internacional para se libertarem do controle
e coerção ocidental. Nesta última década, a China se tornou a maior economia
real do mundo (considerando a produção e comercialização de bens e serviços) e
a segunda maior economia em geral, assim como o maior parceiro comercial da
maioria dos países no mundo. Em 2021, a participação mundial do setor
manufatureiro da China era de quase 30%. Sendo o país que produz a maioria dos
bens materiais no mundo, a China está em posição similar a dos Estados Unidos
após a Segunda Guerra Mundial (no auge, em 1953, os Estados Unidos
representavam aproximadamente 28% da produção industrial global). O que a China
pode e deve fazer é tomar a iniciativa de conduzir uma estratégia global que
melhore o sistema mundial de intercâmbio material entre os países em
desenvolvimento, ou seja, concretizar verdadeiramente a cooperação Sul-Sul.
No entanto,
as deficiências persistem. O comércio e investimento entre os países em
desenvolvimento ainda dependem fortemente dos sistemas financeiro e monetário
dirigido pelo Ocidente. Para que os países em desenvolvimento possam elevar
ainda mais sua autonomia política e econômica, e para que as economias
emergentes atinjam níveis de influência política no sistema mundial
correspondentes a suas escalas econômicas, devem superar sua dependência monetária
e financeira do Ocidente. Assim, para construir um novo sistema internacional
de “três anéis”, os países em desenvolvimento devem considerar não só os
fatores geopolíticos tradicionais, mas também os sistemas mundiais de
informação e finanças. Nos últimos anos, a China começou a fazer isso ao
desenvolver swap cambial com diversas economias de mercado emergentes.
Mecanismos mais abrangentes e de alto nível para a cooperação monetária e
financeira devem ser criados entre os países em desenvolvimento. Para isso, é
importante aproveitar os mecanismos e plataformas existentes que podem
fortalecer a cooperação Sul-Sul, incluindo: a atualização e transformação do
Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) e o Novo Banco de
Desenvolvimento (NBD) criado pelo BRICS para impulsionar um sistema autônomo de
pagamentos internacionais; fortalecer a cooperação financeira e em matéria de
segurança no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai (OCX),
particularmente a cooperação entre China, Rússia, Índia e Irã (ressalte-se que
a Rússia também é um país em desenvolvimento e que as economias chinesa e russa
são altamente complementares); promover ainda mais a integração econômica do
leste asiático no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota (ICR), com esforços
especiais para consolidar as realizações do RCEP; a construção de um mercado
comum de energia na Ásia, para que os compradores no leste e sul da Ásia e os
vendedores do Oriente Médio, Ásia Central e Rússia possam compartilhar o mesmo
sistema de comércio e pagamento de energia; fazer uso adequado do mecanismo da
Cúpula do BRICS para aprofundar, assim, a cooperação Sul-Sul; e promover a
diversificação do sistema monetário internacional e a internacionalização do
RMB no contexto da cooperação Sul-Sul, assim como apoiar o status
internacional do euro enquanto se protege da hegemonia do dólar estadunidense.
Há cem anos,
a direção do Partido Comunista da China propôs a estratégia revolucionária do
“cerco das cidades pelo campo” (农村包围城市, nóngcūn bāoweí chéngshì). Na atual
era de “grandes mudanças inéditas em um século”, a China e os países em
desenvolvimento precisam desmantelar a ordem mundial centro-periferia, superar
a hostilidade dos países ocidentais e aprofundar a solidariedade e cooperação
entre o “campo” global. O aprofundamento da cooperação Sul-Sul irá criar as
condições favoráveis e mobilizar recursos para a construção de um novo sistema
mundial de “três anéis”, que pode aliviar as tensões internacionais e permitir
que os países em desenvolvimento, incluindo a China, ocupem o lugar que lhes
corresponde no centro da ordem política e econômica mundial. Depois de mais de
quarenta anos de reforma e abertura, a China deve ajustar sua compreensão de
“abertura” e transformar seu pensamento sobre as relações exteriores.
Evidentemente, a China ainda deve tentar manter sua cooperação com o Ocidente
enquanto for possível, e desde que o Ocidente não tome a decisão de se opor
completamente à China.
(Esse artigo foi
editado por Guo Jinze)
Notas
* Cheng Yawen(程亚文) é diretor do departamento de Ciência Política
da Escola de Relaçães Internacionais e Administração Pública, da Universidade
de Estudos Internacionais de Xangai. Anteriormente lecionou no departamento de
Teoria da Guerra e Pesquisa Estratégica, da Academia de Ciências Militares do
Exército de Libertação Popular. Suas áreas de pesquisas incluem política
comparada e estratégias de desenvolvimento nacional. Tem interesse de longa
data em temas como os impactos da globalização nos países subdesenvolvidos, as
estratégias de desenvolvimento dos países em desenvolvimento no contexto da
globalização, e as relações entre a China e os países subdesenvolvidos.
1 Cheng Yawen, “Compreendendo a mudança de
paradigma nas características dos tempos” [理解时代特征的范式性变革], Fronteiras Acadêmicas [学术前沿], n. 15, p. 42-53, 2022.
2 Cheng Yawen, “Limites políticos da
globalização” [全球化的政治限度],
Dushu [读书], n. 11,
2020.
3 Cheng Yawen, “Compreendendo a mudança de
paradigma nas características dos tempos”.
4 Barry Buzan e George Lawson, The Global
Transformation: History, Modernity, and the Making of International Relations
[全球转型:历史、现代性与国际关系的形成], traduzido do original em inglês
(2015) ao chinês por Sui Shunji e publicado na China pela Editora popular de
Xangai em 2020.
5
Hong Liu, “China Engages the Global South: From Bandung to the Belt and Road
Initiative”, Global Policy 13, n. S1, p. 11-22, 2022.
6 Para a edição internacional deste artigo, as
estatísticas foram atualizadas para refletir os dados mais recentes.
7 Valores calculados a partir da base de dados World
Economic Outlook, do FMI. Consultado em outubro de 2022, disponível em: https://www.imf.org/external/datamapper/NGDPD@WEO/OEMDC/ADVEC/WEOWORLD.
8 Valores calculados a partir da base de dados World
Economic Outlook, do FMI. Consultado em outubro de 2022, disponível em: https://www.imf.org/external/datamapper/PPPSH@WEO/OEMDC/ADVEC/WEOWORLD/BRA/RUS/IND/CHN/ZAF/TUR/IDN/KOR/MAE.
9 Em 1997, o valor do comércio entre China e
África totalizou 5,673 bilhões de dólares, e entre China e América Latina 8,376
bilhões, de acordo com o China Statistical Yearbook 1999. Em 2010, o
valor do comércio entre China e África foi de 127 bilhões de dólares, e entre
China e América Latina 183,6 bilhões, segundo o China Statistical Yearbook
2021. Finalmente, em 2021, o valor do comércio entre China e África foi
254,3 bilhões de dólares, e entre China e América Latina totalizou 451,591
bilhões, de acordo com a Administração Geral Aduaneira da China.
10 Jing Kai, “Um novo capítulo se abre para a
cooperação econômica e comercial sino-árabe” [中阿经贸合作奏响新乐章], Diário de Guangming [光明日报], 5 de setembro de 2019.
11 Cálculos realizados a partir dos dados
disponíveis no World Integrated Trade Solution (WITS), software desenvolvido
pelo Banco Mundial em colaboração com a Conferência das Nações Unidas sobre
Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que provê acesso a informações
estatísticas tarifárias e não tarifárias sobre comércio internacional. “Brasil
joga um papel global ambicioso” [巴西要在全球扮演雄心勃勃角色], Reference News [参考消息], 2 de setembro de 2010.
12 Sun Xiaohan, “Análise da atual situação e
prospecção do investimento e comércio entre Índia e África” [印度对非投资贸易现状分析与前景展望], Investimento chinês [中国投资], Setembro 2021.
13 Valores calculados a partir da base de dados World
Economic Outlook, do FMI. Consultado em outubro de 2022, disponível em: https://www.imf.org/external/datamapper/NGDPD@WEO/WEOWORLD/APQ/CAQ/MEQ/JPN/AZQ. Aqui, países em desenvolvimento da
Ásia englobam as regiões designadas pelo FMI como Ásia-Pacífico, Ásia Central e
Cáucaso, e o Oriente Médio, com exceção do Japão, Austrália e Nova Zelândia.
14 Valores calculados a partir da base de dados World
Economic Outlook, do FMI. Consultado em outubro de 2022, disponível em: https://www.imf.org/external/datamapper/NGDPD@WEO/OEMDC/ADVEC/WEOWORLD/EAQ/SEQ. Aqui, o leste asiático corresponde
às regiões designadas pelo FMI como Leste da Ásia e Sudeste da Ásia.
15 Zhu Xiaoxiong e Li Pan, “Como a eficácia do
RCEP irá beneficiar a economia mundial” [RCEP生效,世界经济受益几何], Diário de Guangming [光明日报], 4 de janeiro de 2022.
16 Li Ning, “RCEP se torna oficial! A maior área
de livre comércio do mundo tem início” [RCEP正式生效!世界最大自贸区启航], Diário de Negócios
Internacionais [国际商报], 3 de janeiro de 2022.
17
Wing Chu e Yuki Qian, Tapping the RCEP Opportunities: Hong Kong to Maximise
GBA’s Unique Edge as a Business Platform, Hong Kong Trade Development
Council (HKTDC) e ACCA, 18 de novembro de 2021, https://portal.hktdc.com/resources/RMIP/20211112/67htt6r-QUNDQSZIS1REQyBSZXBvcnRfR0JBX1JDRVBfRU4=.pdf.
18
Chu e Qian, Tapping the RCEP Opportunities.
19
Boao Forum for Asia, Annual Report 2022: Asian Economic Outlook and
Integration Process, abril de 2022.
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Report 2022: Asian Economic Outlook and Integration Process, abril de
2022.
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FONTE: https://outraspalavras.net/descolonizacoes/a-china-prepara-seu-desacoplamento/