segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Governo de Minas tem culpa pelas mortes nas enchentes

Nos estados com mais recursos como SP, RJ e MG, a culpa pelas mortes dos desastres naturais são dos Estados e municípios; enquanto que em regiões mais pobres a União teria que ajudar estes dois entes da federação - ao contrário do que apregoa o PIG que coloca toda a culpa pelos desastres no governo federal.
Mas o que os Estados estão fazendo ? Nada, porque como não são culpados (segundo a mídia) então não são cobrados.


Projeto anticatástrofe mofa na Assembleia Legislativa

Um dos textos estabelece um conjunto de ações para prevenir riscos de desastres naturais

Ana Flávia Gussen - Do Hoje em Dia - 14/01/2012 - 11:41

FLAVIO TAVARES-JORNAL HOJE EM DIA
jfioes
Carlos Arantes acredita que projetos evitariam mortes em Minas Gerais
Está parado na Assembleia Legislativa um projeto de lei que propõe a criação de um  sistema estadual para prevenção e alerta de catástrofes e desastres naturais. A matéria  foi esquecida pelos parlamentares no esforço concentrado, realizado no fim do ano  passado, para a aprovação dos projetos considerados importantes por eles.


O PL número 732 de 2011 estabelece um conjunto de ações para prevenir e identificar  iminentes riscos de desastres naturais, além de deixar a cargo do governo de Minas a  criação do Fundo Estadual Anticatástrofes.
 


O fundo seria composto com recursos oriundos do Programa de Saneamento Ambiental das Bacias do Ribeirão do Onça e Arrudas (Prosan), que entraria com 10%, da União, das concessionárias de energia elétrica, com 30%, além do fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas de Minas, com mais 10%.“Todo início de ano, temos assistido a cenas trágicas de catástrofes e desastres naturais. Por isso, apresentamos esse projeto que dota o Estado de mecanismos para a  prevenção e o alerta, agindo na fase anterior às catástrofes”, declarou em sua justificativa o autor do projeto, deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSC).


Ele destaca, ainda, que fica a cargo do Estado a aquisição de equipamentos modernos, que possibilitam a identificação de áreas de risco e de terrenos condenados. “Com a implantação de todo o sistema, podemos erradicar, em cinco anos, as mortes consequentes de deslizamento de terra. Mais de 80% das mortes registradas em janeiro de 2011 poderiam ter sido evitadas com ações preventivas da administração pública”, garantiu o parlamentar.


O projeto de lei, apresentado em março de 2011, está emperrado na comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), aguardando apreciação em primeiro turno. Procurados, o presidente, deputado Zé Maia (PSDB), e o vice-presidente da comissão, deputado Doutor Viana (DEM), não foram encontrados pelo Hoje em Dia. Seus celulares encontraram-se desligados durante toda a tarde da última sexta-feira.
Desde outubro do ano passado, quando começaram a ser registrados óbitos por
deslizamentos e enchentes, já foram registradas 15 mortes em Minas Gerais, segundo
boletim divulgado na última sexta-feira pela coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Também subiu para 116 o número de cidades em estado de emergência, em decorrência das consequências das fortes chuvas que assolam Minas.
 
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domingo, 8 de janeiro de 2012

DE QUEM COBRAR AS ENCHENTES?

PROBLEMA COM ENCHENTES? ESTUDE OSPB E DESCUBRA DE QUEM COBRAR

Por Eduardo Guimarães

Quando cursei o antigo “ginásio” (hoje Ensino Fundamental II), lá pelo início dos anos 1970, o currículo escolar tinha uma disciplina chamada OSPB (Organização Social e Política Brasileira), que se tornou obrigatória a partir de 1969 através do Decreto-lei 869/68.

OSPB foi abolida do currículo escolar após a redemocratização do país devido a ter passado a ser considerada, pelos “Parâmetros Curriculares Nacionais” estabelecidos pela “Lei de Diretrizes e Bases da Educação” de 1996, como sendo “doutrinadora da ideologia da ditadura militar”.

Apesar de ser verdadeira a afirmação de que a disciplina em questão servia aos propósitos de doutrinação ideológica do regime, há momentos em que fico imaginando se não seria o caso de reinseri-la no currículo escolar, mas sem qualquer viés político-ideológico.

Penso nisso ao ver o noticiário sobre as enchentes que o período de chuvas de verão já está criando, como acontece todo ano. Esse é um período em que interessa à imprensa politicamente partidarizada expor alguns casos e esconder outros.

Vemos, neste instante, o noticiário sobre deslizamentos e alagamentos com profundas críticas ao governo federal. Até criticar o governo do país, sem problemas. O problema está em poupar governos estaduais e municipais que, em certos casos, são muito mais responsáveis.

Não se pode comparar enchentes nas regiões pouco ou nada desenvolvidas com as que acontecem em Estados ricos como São Paulo, onde a imprensa ou põe a culpa no governo federal ou em São Pedro, mas nunca no governo do Estado ou na prefeitura da capital.

Essa crítica enviesada, exacerbada ou omitida às responsabilidades de cada nível da administração pública de acordo com as injunções políticas conhecidas da grande imprensa só é possível porque o brasileiro não sabe direito que nível cuida do quê.

O brasileiro médio tampouco sabe dizer exatamente para que servem senadores, deputados e vereadores, além de não saber direito o que é de maior responsabilidade do prefeito, do governador ou do presidente.

Se ocorre uma inundação em uma localidade erma e empobrecida do Norte ou do Nordeste, seguramente o governo federal tem que responder. Mas quando uma megalópole como São Paulo inunda, prefeito e governador é que são os maiores responsáveis.

A escola aborda aspectos laterais dos níveis de responsabilidade de cada um dos Poderes e de cada um dos cargos do Executivo e do Legislativo, e superficialmente. E a Constituição Federal, então, quase não é estudada no ensino fundamental ou no médio.

Eis, aí, a razão de ser simples para a imprensa partidarizada confundir [dolosamente] o cidadão cobrando somente do governo federal o que deveria ser cobrado dos governos estaduais e municipais, como em São Paulo. Ou até cobrando São Pedro, mas nunca o responsável pelo problema.

Se os cidadãos soubessem direito a quem cobrar por cada problema que os aflige, seria mais simples. Enquanto a imprensa partidarizada instiga o paulistano, por exemplo, a cobrar do governo federal o que prefeitura e governo do Estado têm que resolver, o problema persistirá.

Que ao menos a geração que estuda aprenda a “Organização Social e Política do Brasil”. Só assim para livrar lugares como São Paulo de problemas para os quais os governos locais não dão bola porque sabem que não serão cobrados. A geração adulta já não tem mais jeito.”

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog “Cidadania.com”  (http://www.blogcidadania.com.br/2012/01/problema-com-enchentes-estude-ospb-e-descubra-de-quem-cobrar/). [Título e entre colchetes adicionados por este 'democracia&política'].
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domingo, 15 de janeiro de 2012

Reitor sem noção (do ridículo) é homenageado por Veja

Reitor sem noção (do ridículo) é homenageado por Veja

por Antônio David  em  www.viomundo.com.br
Quem acessa o site da USP desde o dia 3 de janeiro dá de cara com esta manchete.

Em nada surpreende a homenagem, dada a notória afinidade entre o reitor e a dita revista, tão notória que não me darei ao trabalho de falar sobre.
Ocorre que dessa vez Veja inovou. Além das mentiras de sempre, a matéria estampa no título uma caracterização no mínimo inusitada do reitor, que não podemos deixar passar em branco: “João Grandino Rodas, o xerifão da USP”.
Xerifão?!
Por mais fortes que sejam os laços de camaradagem entre o reitor e a revista Veja, dessa vez a famiglia Civita exagerou. Afinal, trata-se do reitor da USP. Diz o protocolo que o tratamento a sua magnificência exige compostura.
Um reitor da USP, presume-se, deveria ser reconhecido publicamente como “acadêmico”, “cientista”, “intelectual”, “mestre”… no minimo como “administrador” ou “dirigente” e pronto, mas nunca com o rótulo de “xerifão”.
É o suprassumo do ridículo, de fazer Armando Salles de Oliveira revirar-se no túmulo. E, reparem: nem pra ser só “xerife”. Veja quis vulgarizar mesmo: é “xerifão”, no aumentativo!

Era de se esperar, portanto, que Rodas solicitasse da revista Veja no mínimo um pedido de desculpas. Mas Rodas não o fez. Não só não o fez, como determinou que a matéria publicada na Veja fosse para o site institucional da USP!
Ora, não posso tirar daí outra conclusão senão que o reitor gostou da patente de “xerifão”. Aliás, não surpreenderia se, tendo sido consultado previamente, ele próprio tenha sugerido o triste apelido.
Rodas perdeu de vez a noção do ridículo.

Mas, pensando bem… “acadêmico” e “intelectual” que nada. Afinal, acaso Rodas foi nomeado reitor por algum mérito acadêmico ou intelectual? Em verdade, Serra o nomeou reitor justamente porque, para o PSDB, a USP precisava de um “xerifão”.
Rodas foi nomeado reitor para ser o “xerifão” da USP. E, examinando de perto suas atitudes e métodos como reitor, é exatamente isso o que ele está sendo. Não há nada em sua gestão que o habilite a ser reconhecido como “acadêmico”, “intelectual” etc.
Muitíssimo adequada a homenagem!

Antônio David – mestrando em filosofia na FFLCH


Comentários de Internautas 

Jose Antonio Batata 
A decadência da VEJA não tem limite. O PSDB transformou o estado de São Paulo num reinado Policialesco e caminha rapidamente área transforma-se num estado FASCISTA. Preto, pobre e Nordestinos são o alvo dos TUCANOS Paulistas. O PSDB está caminhando para a extrema-Direita em São Paulo. A Democracia corre perigo em São Paulo. 
 
Suspensório 
Silêncio! Aí vem o XERIFÃO. O cara é grosso e bate que é uma beleza.

KKKKKKKKKKKKKKKK!
 

Gilda 
Os iguais se reverenciam 
 
Yacov
THat's only business, man... ROdas, ÇerRA, PSDB, PM, SP, VEJA. Um "serviço" prestado pela compra sem licitação de milhares de assinaturas de revistões e jornalões, seus diários oficiais. Repugnante...

"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo - O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS" 
 
João-PR ·
A "flor do fascio" revela, mais uma vez, seu caráter antidemocrático.
A revista "óia", aquela que tem um grupo sul-africano que era pró-apartheid como sócio, não tem mais nem a preocupação de esconder seus instintos mais autoritários.
Afina, diria Goebbels, uma mentira dita cem vezes vira verdade. Depois de 17 anos de "governos de mentiras" do PSDB parece que a "Óia" acredita que o povo paulista/paulistano perdeu a noção do que seja senso crítico.
Espero, sinceramente, que isso não tenha acontecido.
Espero, sinceramente, que a mudança comece com a eleição para Prefeito de São Paulo. Quem sabe aquele 30 coronéis que ocupam as sub-prefeitura paulistas não voltam para o quartel, ou para o pijama?
 
 
Tarso Freire 
O Reitor Grandino acredita tanto na instituição da qual ele é xefife que ele defendeu uma tese de doutorado em Direito na USP em 1973 (conforme o curriculum Lattes do próprio professor) e depois foi fazer um mestrado (curso inferior ao doutorado) em Harvard em 1978. Talvez por isso ele não tenha ganho a eleição na comunidade uspiana e tenha sido escolhido pelo governador. 
 
Luci 
Esta capa desmoraliza A USP, o reitor ser chamado de xerife! Os bons professores daquela instituição de ensino devem estar constrangidos, como estamos nós que temos conhecimento de uma demonstração de vulgaridade e atraso.
Dá um bom samba enredo para desfile no carnaval "Olha o xerifão da USP ai gente".
Entrar para a história da USP e da cidade como xerife, quanto retrocesso e futilidade! Este título é símbolo da violência e da exclusão lá implantada, é o enterro do mérito.
 
marreta 
Frase de para-choque de caminhão: tem coisas que só acontecem em São Paulo. 
 
Pancho Villa 
O negócio é que a Veja ainda vive os agouros do regime militar, época em que reitor acumulava institucionalmente a função dupla de "xerifão".
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que move o partido-imprensa

O que move o partido-imprensa

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro.

A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.

Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso "modernizante" pretendia - e ainda pretende - substituir o "arcaísmo" do fazer político pela "eficiência" do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?

O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.

O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.
O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em "ganhos de eficiência", com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.

Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.

Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

domingo, 8 de janeiro de 2012

NY Times: O Brasil atrai trabalhadores estrangeiros

NOTÍCIAS  QUE  VOCÊ  NÃO VÊ POR AQUI.

NY Times: O Brasil se torna ímã para trabalhadores estrangeiros

Haitians Take Arduous Path to Brazil, and Jobs
By SIMON ROMERO, no New York Times
Published: January 6, 2012

BRASILÉIA, Brazil — Sobre a odisseia que o levou a esta cidade na Amazônia brasileira, Wesley Saint-Fleur só demonstrou um olhar de exaustão e atordoamento.
Meses atrás, ele embarcou em um ônibus no Haiti, antes de pegar um avião na República Dominicana, que pousou primeiro no Panamá e depois no Equador. Lá sua mulher deu à luz ao filho, Isaac, ele contou, balançando o bebê de quatro meses no joelho e mostrando o documento de identificação equatoriano do menino.
Então eles continuaram de ônibus  novamente, através do Equador e do Peru. Em seguida, foram a pé até a Bolívia, onde ele e a mulher tiveram as roupas e as economias furtadas pela polícia: 320 dólares em dinheiro.
“Então nós finalmente chegamos ao Brasil, que me dizem está construindo de tudo, estádios, barragens, estradas”, disse o sr. Saint-Fleur, 27, um operário da construção, um de centenas de haitianos que se juntam todos os dias em torno da praza cheia de palmeiras de Brasiléia. “Tudo o que eu quero é trabalhar e o Brasil, graças a Deus, tem empregos para nós”.

Apostando tudo, milhares de haitianos fizeram este caminho através das Américas para atingir pequenas cidades da Amazônia brasileira no ano passado, numa busca desesperada por trabalho. Houve a chegada de centenas em dias recentes, em meio a temores de que o governo brasileiro terá de reduzir o fluxo antes que as autoridades locais não dêem mais conta de recebê-los.
Suas jornadas improváveis — dos destroços de suas casas na ilha a esses lugares remotos da Amazônia — dizem muito sobre as difíceis condições econômicas que persistem no Haiti dois anos depois do terremoto, mas também sobre o crescente poderio econômico do Brasil, que está se tornando rapidamente um ímã para trabalhadores estrangeiros pobres, mas também para um número crescente de profissionais educados da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

Ao chegar neste e em outros pontos da fronteira, os haitianos recebem vacinas, água limpa e duas refeições por dia das autoridades. Alguns ficam por semanas em Brasiléia e outras cidades antes de receberem vistos humanitários que permitem a eles trabalhar no Brasil.
Mas com o grande número de novos imigrantes, outros não tem tido a mesma sorte. Depois de viajar milhares de quilômetros e superar muitos obstáculos, alguns se juntam em oito pessoas num pequeno quarto de hotel ou acabam dormindo nas ruas, quase revivendo a miséria que esperavam ter deixado para trás.
“Não posso permitir que a tristeza chegue, já que oportunidades virão depois desta fase”, diz Simonvil Cenel, 33, um alfaiate que está esperando o visto e que lidera animados cultos evangélicos para os que ficam no limbo depois de terem enfrentado de tudo para chegar aqui.
Cerca de 4 mil haitianos foram para o Brasil desde o terremoto de 2010, em geral passando primeiro pelo Equador, um país mais pobre e com políticas relaxadas de imigração. O Brasil fez uma exceção para os haitianos, em contraste com os que buscam emprego vindos do Paquistão, da Índia e de Bangladesh, que usam as mesmas rotas amazônicas mas são normalmente expulsos.

“O Haiti está se recuperando de um período de crise extrema, e o Brasil está em condições de ajudar essas pessoas”, disse Valdecir Nicácio, uma autoridade de Direitos Humanos do estado do Acre, onde fica Brasiléia. “Antes de chegar aqui, eles ficam à mercê dos traficantes de humanos”, ele disse. “O Brasil é suficientemente grande para absorver os haitianos que querem empregos”.
Com o número de haitianos crescendo fortemente em dias recentes, as autoridades em Brasiléia e Tabatinga, uma cidade fronteiriça do estado do Amazonas, alertam sobre dificuldades para alimentar e hospedar os haitianos enquanto os pedidos de visto são avaliados. Autoridades federais responderam mandando toneladas de comida para os haitianos, que hoje são mais de mil em cada uma das cidades.
Lidar com uma crise imigratória em suas fronteiras é um novo dilema para o Brasil, que até recentemente estava mais preocupado com a saída de seus próprios cidadãos que buscavam oportunidades nos países ricos do que com a chegada de milhares de estrangeiros empobrecidos.

Embora o crescimento econômico tenha se reduzido recentemente no Brasil, o desemprego permanece em um nível historicamente baixo de 5,2% e muitas companhias encontram dificuldades para encontrar trabalhadores e preencher vagas. Os salários também subiram para os que ocupam os níveis mais baixos do mercado de trabalho, com a renda dos brasileiros pobres subindo sete vezes mais que a renda dos brasileiros ricos entre 2003 e 2009.

“Estamos experimentando um declínio em nossa força de trabalho porque muitos brasileiros vão trabalhar em dois projetos hidrelétricos”, disse Ana Terezinha Carvalho, a analista de pessoal da Marquise, uma companhia de Porto Velho. A cidade fica no alto da bacia amazônica, onde o Brasil emprega milhares para construir duas grandes represas, chamadas Jirau e Santo Antônio.
A sra. Carvalho disse que a companhia dela rapidamente contratou 37 haitianos que chegaram no ano passado, para coletar lixo em Porto Velho e levar até o aterro sanitário.  Alguns ganham mais de 800 dólares por mês, num trabalho que inclui seguro de saúde, hora extra e feriados pagos. “Não havia brasileiros, ficamos felizes ao contratar haitianos”, ela disse.

As autoridades estimam que cerca de 500 haitianos vivem em Porto Velho e cerca de 700 em Manaus, a maior cidade brasileira na Amazônia. Centenas de outros chegaram a São Paulo, a capital econômica do Brasil. Companhias como a Fibratec, um fabricante de piscinas do estado de Santa Catarina, enviaram gerentes até aqui para contratar dezenas de haitianos.
Além de atender a demanda por trabalho barato , o empenho em permitir que haitianos trabalhem no Brasil demonstra a ambição do país em ter maior influência regional, ao tentar aliviar os problemas da nação mais pobre do hemisfério.

Desde 2004, o Brasil manda tropas para liderar a missão de paz das Nações Unidas no Haiti. Mas agora há mais haitianos no Brasil do que soldados brasileiros no Haiti. Em setembro, o Brasil anunciou que começaria a reduzir o número de seus soldados — 2 mil — na nação caribenha.
A maioria dos haitianos espera passar algumas semanas no limbo da imigração em Brasiléia, antes de seguir viagem. Alguns, como Francisco Joseph, de 25 anos, aproveitam seu tempo aqui. Ele compra cartões de celular pré-pago atravessando a ponte até Cobija, na Bolívia, e os vende aos haitianos que ficam na praça de Brasiléia com 30 centavos de dólar de lucro por cartão. Ele ganha até 10 dólares por dia.
“Esse pouquinho de dinheiro me dá um pouquinho de dignidade”, ele diz.
Outros, como Jacksin Etienne, 31, tem sonhos maiores. Um poliglota que passa facilmente do inglês para o espanhol, deste para o francês e em seguida para o creole, o sr. Etienne diz que espera trabalhar como tradutor em um hotel.
“Quero ir direto para São Paulo, a Nova York da América do Sul”, ele diz. “O Brasil está em ascensão e precisa de gente como eu”.

Lis Horta Moriconi and Erika O’Conor contributed reporting from Rio de Janeiro.

PS do Viomundo: Eu não sei se o dado é real, mas fico imaginando o cara lá de Wisconsin lendo na primeira página do New York Times que a renda dos mais pobres subiu sete vezes mais que a dos mais ricos no Brasil…

sábado, 7 de janeiro de 2012

A 6ª Economia do Mundo e não se defende da Globo ?

6ª Economia do Mundo. E não se defende da Globo

A pseudo-crise da distribuição das verbas do Ministerio da Integração foi obra exclusiva da Globo.

Não houve “desvio”, foi tudo autorizado pela Presidenta e não faltou verba para Estado nenhum.

Verba que tivesse projeto aprovado pelos técnicos.

São Paulo não recebeu o que deveria receber, porque não teve competência – a do Eduardo Campos – para realizar os projetos necessários.

A Globo criou a crise para derrubar um Ministro – para governar a Dilma, como diz o Oráculo.

O Governo administrou mal a crise.

Apanhado no contra-pé das férias, o Governo Federal custou a dizer que o Ministro não desviou nada – tudo feito pela mão da Presidenta e do Governador, porque Pernambuco – eficiente – tratou de se defender de uma circunstância trágica: três enchentes em dez meses.

O Governo deixou “molhar” para o PiG (*) a sensação de que levava as acusações a sério.

E passou mel na Globo.

A Globo quer que o Brasil se afunde (num Governo trabalhista).

O mais grave, porém, é que a Sexta Economia do Mundo não tem como se defender de uma rede de televisão.

A rede de televisão dissemina o pânico e a insegurança, no meio da temporada de chuva.

Milhões de brasileiros atemorizados, a olhar para céu, com medo da tempestade.

Ligam na Globo em busca de informação, serviço público de urgência e têm a sensação de que o Governo é inepto, mantém um ministro pernambucano que toma a grana de Minas, do Rio e do resto do país, para aplicar em seu reduto eleitoral.

E não se vê informação sobre serviço público, assistência de emergência – nada disso.
O Governo não tem veículo, instrumento para informar, para prestar serviço.

O Governo trabalhista do Brasil (exceção a Brizola) é refém da Globo.

O que está em jogo é a Segurança Nacional.

O funcionamento das Instituições.

A eficiência do aparelho do Estado.

Nenhuma televisão do mundo Civilizado se invocaria o poder de interromper as férias do Presidente da República para enfrentar uma crise que ela, a televisão, engendrou e ampliou.

E no dia em que houver uma crise internacional ?

Vamos supor que Quinta Frota do Tio Sam vá para as milhas 201, ponha o canudinho lá embaixo e comece a  chupar o pré sal da Petrobrás para dar à Chevron do Cerra.

O que fará a Globo ?

Vai dar apoio à Quinta Frota, como o Roberto Marinho deu em 1964.

(E o historialismo oficial diz que o Golpe militar foi para evitar o Golpe do Jango que, gostava mesmo era de coristas…)

A TV Globo vai empunhar a bandeira americana e fazer com a Petrobrás tudo o que o colonista (**) Adriano Pires e o Davizinho pregam no PiG (*).

(E o Cerra prometeu à Chevron.)

O que vai fazer o Estado brasileiro ?

Ficará imobilizado, inerte, ligado na Globo.

Não vai fazer nada porque não tem como fazer.

Não sabe.

E se soubesse não teria como se defender da Globo.

É melhor a crítica desonesta, aética, ininterrupta – do Bom ? Dia Brasil ao jornal da Globo – do que o silêncio das armas.

Tudo bem.

E a Segurança do Estado ?

E a defesa dos cidadãos ?

Como cuidar disso ?

Acorda, Bernardo !

O Brasil é maior do que a Globo.

Não parece.

Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*)  que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

A chuva e a primeira polêmica de 2012

Águas da chuva trazem primeira (falsa?) polêmica política em 2012

Um ministro bairrista no repasse de verbas contra enchente. Dilma disposta a enquadrá-lo com uma interventora. PT endossando denúncia de ONG de oposição e condenando um histórico aliado. Nas cordas, um PSB presidido por político com ambições em 2014 e à frente do estado beneficiado pelo bairrismo. Pronto, eis a polêmica. Mas os fatos parecem não sustentá-la.

BRASÍLIA – Mais um ano começa com tragédias provocadas pelas chuvas que marcam esta época. O principal palco dos estragos até agora é Minas Gerais, onde pessoas morreram e uma centena de municípios já decretou situação de emergência. Os governos federal e estadual correm para socorrer vítimas, acolher desabrigados, liberar dinheiro, planejar a recuperação do destruído.

Ao mesmo tempo em que causa problemas concretos no mundo real, as chuvas também produziram consequências não muito longe de Minas, mas num mundo mais virtual, a política. Nascido na capital brasileira, o “aguaceiro” espraiou-se pelo país por meio de TVs, rádios, jornais, blogs da internet na forma de uma polêmica que talvez não mereça a definição.

O motivo foi a suposta preferência explícita do ministro responsável pelo gasto de recursos federais destinados a prevenir enchentes por aplicá-los em seu estado de origem. Por trás da predileção de Fernando Bezerra por Pernambuco, estaria um interesse político de quem estaria de olho em uma candidatura a prefeito de Recife em outubro.

A tese de gestão eleitoreira de Bezerra foi sustentada com base na seguinte informação: de R$ 29 milhões em dinheiro liberado pelo ministério da Integração Nacional para obras contra enchentes em 2011, R$ 25 milhões foram para Pernambuco.

A informação foi levantada primeiramente por uma ONG chamada Contas Abertas, especializada na vigilância do gasto público. A entidade é de um deputado federal, Augusto Carvalho (DF), que pertence a um partido adversário do governo Dilma Rousseff, o PPS. A informação foi repassada pela ONG para um grande jornal, que a publicou na última terça-feira (3).

No mesmo dia, uma das ministras mais próximas da presidenta, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, abreviou as férias e voltou ao batente, por ordem da chefa, que só retomaria o trabalho nesta sexta (6). A entrada de Gleisi em cena foi vista pelo mundo político como uma intervenção presidencial na pasta do “politiqueiro” ministro Fernando Bezerra, que seria “enquadrado” a partir dali.

No dia seguinte, o secretário de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PR), daria uma declaração a um jornal do estado dele, chamando de “equívoco” o “privilégio” dado por Bezerra, que é do PSB, ao próprio estado na liberação de recursos. E garantindo que “a presidente Dilma não concorda com esse tipo de gestão.”

Um ministro sem atitude republicana, como se viu em números. Uma presidenta irritada e disposta a enquadrar o auxiliar, por meio de uma interventora. O partido dela fazendo coro à denúncia de uma ONG de oposição e condenando em público um aliado histórico do PT, o PSB. Aliado que é presidido por um político em ascensão, Eduardo Campos, que vê as eleições presidenciais de 2014 com certas ambições e que é, justamente, governador de Pernbambuco. Pronto, estava criada a polêmica.

Mas, será que haveria mesmo motivo para uma? Na última quarta-feira (4), o ministro acusado de bairrismo convocou a imprensa para dar explicações. E, pelos dados que apresentou na entrevista, talvez mereça crítica mais por dificuldade de gastar todo o dinheiro que tinha à disposição, do que por privilegiar o próprio estado.

Em 2011, a Integração tinha R$ 366 milhões para investir em prevenção de enchentes. Empenhou, primeiro ato de um gasto público, 70% - mais de R$ 100 milhões não foram usados. E pagou de fato só R$ 29 milhões.

Destes pagamentos realizados, 90% foram mesmo para Pernambuco. Mas, disse o ministro, porque o estado tinha sido quem mais pedira verba federal depois que, em 2010, passou por uma das maiores tragédias causadas por chuvas na história brasileira, com mais de 18 mil famílias atingidas.

Aquela tragédia levara o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a fazer um acordo com Dilma Rousseff para construir diversas barragens no estado, ao custo de R$ 600 milhões, de forma rateada com o governo federal. Era um dos estados com projetos em estágio mais avançado de elaboração e em mais condições de efetivamente receber dinheiro federal.

Segundo Fernando Bezerra, o que também mostra que não houve bairrismo no ministério, é a análise do resto do orçamento. No ano passado, as ações posteriores a enchentes - socorro a pessoas com alimentos e remédios ou reconstrução de estradas, por exemplo - tiveram empenho de R$ 910 milhões por parte do ministério. Só a metade foi paga.

Do total empenhado, quem mais recebeu recursos foi o estado do Rio de Janeiro, grande vítima de enchentes em sua região serrana no início de 2011, com cerca de 20%. Depois, Santa Catarina, que passou por um grande estrago em 2008. Pernambuco, que sofreu em 2010, foi o terceiro. "Não existe aqui política partidária, miúda, pequena", disse Bezerra.

Mas não bastava ao ministro explicar que não havia "bairrismo". O mundo político em Brasília ainda exigira que algumas arestas fossem aparadas em meio à "polêmica".

No mesmo dia da entrevista de Bezerra, Gleisi Hoffmann distribuiu nota à imprensa para desmentir a tese de que era "interventora". Disse a ministra: “Esclareço que não recebi por parte da presidenta da República nenhuma orientação ou determinação para intervir na execução orçamentária do Ministério da Integração Nacional. O ministro Fernando Bezerra é e continua sendo responsável pela execução dos programas e projetos daquela Pasta. Qualquer informação fora deste contexto tem por objetivo disseminar intriga”.

O PT também precisava fazer sua parte para, depois que um membro graúdo do partido, o secretário de Comunicação, tinha colocado lenha na fogueira em que Fernando Bezerra ardia e alimentado a “intriga” citada por Gleisi. Nesta sexta-feira (6), o presidente do partido, Rui Falcão, também soltou nota para acalmar o PSB. “Para o PT, o episódio está encerrado e não abala nem um pouco as relações políticas com o seu aliado, o PSB."

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A RODA BRASILEIRA DA PRODUÇÃO 

Por Michael Klein

Para atender à demanda de consumo em massa, nosso mercado interno cresce a cada ano e, assim, cria mais trabalho, renda e dignidade

O Brasil parece estar trilhando o caminho certo em direção a uma sociedade mais justa e afluente.
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Segundo estudo divulgado recentemente pela OCDE, a “Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico”, o “think tank” das nações mais industrializadas do mundo, o quadro da distribuição de renda no Brasil vem apresentando melhoras significativas, ano após ano. E uma tendência dessa envergadura social certamente não poderia estar acontecendo por acaso.

Vivemos hoje, sem dúvida alguma, em país mais justo, graças às políticas públicas dirigidas à baixa renda, como o “Bolsa Família”, mas também pela emergência de extraordinário mercado interno consumidor brasileiro. É ele o grande motor gerador de nossa riqueza. Já incorporou 32 milhões de consumidores das classes C, D e E nos últimos anos e continua agregando novos contingentes populacionais antes excluídos do mercado.

Apesar dos enormes desafios à nossa frente -não podemos fechar os olhos para as injustiças e para a violência que ainda ameaçam a paz das nossas famílias-, o certo é que vivemos momento único na história brasileira.

Finalmente, após décadas de maturação política e econômica, com marchas e contramarchas, golpes e contragolpes, desencadeamos o círculo virtuoso do desenvolvimento sustentável: em ação surge vibrante classe média, cada vez mais numerosa, girando a roda da produção e dos serviços.

Para atender a essa extraordinária nova demanda de consumo em massa, nosso mercado interno cresce a cada ano e, assim, cria mais trabalho, renda e dignidade para a população. De quebra, também acaba protegendo o país da grave crise que vem paralisando algumas das principais economias globais.

Assim como aconteceu na formação de grandes potências mundiais -e os Estados Unidos são sempre a melhor referência histórica de formidável democracia alicerçada sobre enorme classe média-, o palco socioeconômico brasileiro cresceu e amadureceu.

O que se vê hoje são os novos rostos brasileiros ocupando papéis de protagonistas na vida do país. São pessoas que passaram a deter capacidade financeira para comprar do carro zero ao computador, da casa nova ao pacote de viagens.

Ao mesmo tempo, a emergência dessas novas camadas sociais também passou a mostrar ao país uma necessidade urgente de atender às novas demandas por educação, moradia, saneamento básico, transporte público, cultura e acesso à cidadania plena.

De extrema importância na formação da nova classe média -hoje com o poder de definir do próximo presidente da República às metas futuras de investimentos públicos e privados-, cumpre também valorizar o papel desempenhado pelo varejo popular e a revolução do crédito ao consumidor no Brasil.

Sem precisar entrar na questão do que veio antes, "o ovo ou a galinha", não resta dúvida de que as linhas de crédito oferecidas pelas grandes redes varejistas possibilitaram à massa da população o acesso a bens de consumo antes restritos apenas às elites.

Ao impulsionar esse novo consumo, o comércio popular alavancou a produção industrial e desencadeou esse círculo virtuoso que está gerando sociedade mais dinâmica, consciente de seus direitos e deveres e, sobretudo, mais justa.”


FONTE: escrito por Michael Klein, presidente do conselho de administração da Globex, ‘holding’ que abriga as marcas ‘Casas Bahia’ e ‘Ponto Frio’. Artigo publicado na Folha de São Paulo  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/18011-a-roda-brasileira-da-producao.shtml). [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].