quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Antes e depois das privatizações do setor siderúrgico

Privatizações no setor siderúrgico – antes e depois

Daniel Miranda Soares (*)

Diário do Aço - 
31/10/2012 .  Artigo original publicado no Diário do Aço, mas aqui revisto e ampliado.
 


 
 

No Brasil, a indústria siderúrgica se desenvolve a partir da Revolução de 1930, dentro de um novo marco político mais progressista na história do Brasil, em que se rompe com as oligarquias rurais e se estabelece um novo modelo de desenvolvimento econômico, voltado para industrialização e desenvolvimento do mercado interno; protegendo a indústria brasileira da concorrência internacional (via política cambial e tarifária). Se todos os países fizeram isso, durante o desenvolvimento inicial de suas indústrias porque o Brasil não poderia fazê-lo ? Depois que esses países se industrializaram começaram a pregar o liberalismo (vem a nós tudo, vosso reino nada) porque aí poderiam colocar produtos mais baratos no mercado internacional. Desta forma também destruíram todas as indústrias dos concorrentes. Só muito mais tarde, no século XX, que governos nacionalistas do Terceiro Mundo perceberam que era importante proteger suas indústrias ou nunca conseguiriam se industrializar.

Para estabelecer este marco, Getúlio Vargas reforça o papel do Estado brasileiro, tornando-o indutor do desenvolvimento, que passa a tomar iniciativas próprias, diante de uma burguesia industrial ainda muito fraca. Como a iniciativa privada não possuía as mínimas condições para estabelecer uma nova era industrial, o Estado passa a criar as condições para tanto. Getúlio cria a CLT (preparando a regulação da mão de obra), cursos profissionalizantes, recursos financeiros através do BNDE (hoje BNDES), mineradoras (CVRD), energia (Petrobrás), a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional nos anos 40) e outras infraestruturas.

O governo JK, continuando a obra de Getúlio, cria a Cosipa e a Usiminas. Estas três siderúrgicas respondiam por 80% da produção de aço nacional, produto intermediário necessário para alavancar outras indústrias, tais como: bens duráveis de consumo (automóveis, eletrodomésticos, etc.), bens para indústria da construção civil e a indústria de bens de capital (máquinas e equipamentos).
Portanto, as siderúrgicas tiveram um papel importante enquanto empresas estatais. Muito mais estatais foram criadas pelos militares nos anos 60 e 70. Se Getúlio e JK criaram algumas poucas dezenas, os militares criaram cerca de 300. No final dos anos 70, se completa o ciclo das estatais, havia muito mais que o necessário, embora continuassem com um papel importante e estratégico ao desenvolvimento industrial brasileiro. Não havia dúvida, já nos anos 90, que poderiam ser privatizadas uma boa parte delas, mas desde que ficassem nas mãos de brasileiros e pudessem contribuir para a continuidade do desenvolvimento brasileiro. Algumas delas são estratégicas e necessárias, como as de energia e petróleo e portanto não havia necessidade de privatizá-las.

As siderúrgicas foram privatizadas nos anos 1991-1993, antes do governo FHC, e foram vendidas às empresas brasileiras. Posteriormente FHC libera a venda de estatais para empresas estrangeiras, a preço de banana, com uso de moedas podres e propinas, usando recursos do BNDES para financiar a compra (ou seja usando nosso dinheiro para comprar nosso patrimônio).

O processo de privatização permitiu o fortalecimento da siderurgia nacional com importantes benefícios para as empresas, as quais se libertaram de interferências políticas e restrições comerciais, administrativas e financeiras.
O faturamento do setor siderúrgico nacional aumentou em 114,3% no período 1990-2005. Por outro lado (o lado negativo) o número de trabalhadores efetivos sofreu uma redução substancial de 48% em média, passando de 116.880 para 60.819 trabalhadores efetivos. Em consequência, a folha de salários sofreu uma redução substancial: em 1999, representava 22,2% do faturamento e, em 2005, passa a representar apenas 6.5% deste faturamento. (Fonte: Dieese)

Estes dados mostram que houve um ganho substancial de produtividade relativo aos custos dos salários (ou seja o ganho de produtividade foi realizado quase todo em cima de demissões); em consequência queda nos custos e aumento do faturamento e do lucro. A eliminação de postos de trabalho se deu mais nas funções administrativas (redução de 71,29%), entre 1989 e 1998; do que nas funções operacionais da área de produção (redução de 56,65%). (Fonte: Dieese).

Os trabalhadores do setor siderúrgico brasileiro tiveram uma redução de cerca de 10,4 salários mínimos em 1994 para cerca de 10,0 salários mínimos em 1997, em média, mas com achatamento de salário na base da pirâmide, acarretando queda da qualidade de vida dos funcionários do setor.

Verifica-se que o custo total de mão de obra na siderurgia brasileira é de apenas US$ 10,40 por hora, superior apenas ao México, no ranking dos principais países produtores em todo o mundo, até início do século XXI.  Estima-se que, hoje, no entanto, ninguém ganha da China, tanto em custo unitário quanto preço do aço. Não é à toa que a produção brasileira de aço não evoluiu muito nos últimos 20 anos. Passou de 32 milhões de toneladas de aço, em 1991, para 40 milhões em 2012. A China, no mesmo período, saltou de 21 milhões ton. (1991) para 675 milhões de toneladas em 2012. Privatizamos para exportar minério e importar aço da China, com mercado aberto sem proteção do Estado. Agora estes setores pedem proteção do Estado, porque dizem que a concorrência chinesa é desleal, indo contra os seus próprios princípios neoliberais. Como eu já disse antes, em países do Terceiro Mundo (agora com exceção dos asiáticos) sem proteção do Estado não há industrialização - num mercado totalmente livre seremos praticamente exportadores de commodities e matéria prima e importadores de produtos industrializados (agora da China). 

Parece que no Brasil há duas posições políticas radicais a respeito deste tema: 1) os neoliberais liderados por partidos de direita, como o PSDB, DEM e PPS e um apoio mais forte ainda da mídia monopolista (TV Globo, O Globo, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, revista Veja, etc.) Esta turma prega total privatização, não só de estatais mas até de empresas brasileiras para o capital estrangeiro. Portanto, em último caso, este grupo é o porta voz dos interesses das empresas multinacionais.
2) os intervencionistas keynesianos capitaneados por partidos de esquerda que não tem apoio da mídia monoṕolista. Embora sejam a favor de maior intervenção do Estado na economia, até como meio de distribuir a renda e caminhar para um quadro social mais justo, em favor dos pobres; eles ainda não assumem uma postura nacionalista, como assumiu Getúlio Vargas e Jango. Não reverteram as privatizações embora tenham paralisado o processo, mas aceitam privatizar algumas áreas via concessões do setor público e trabalham com parcerias público-privadas.


*Daniel Miranda Soares, economista, mestre pela UFV e UFMG, ex-técnico da FJP.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Globo é acusada de crime eleitoral

ONG representará contra Jornal Nacional na PGE e no Minicom

Posted by on 24/10/12




Até a insuspeita Folha de São Paulo notou a cobertura desproporcional, ilegal e até criminosa que o Jornal Nacional fez da sessão de terça-feira (23.10) do julgamento do mensalão. Segundo a matéria em tela, o telejornal gastou 18 dos 32 minutos de sua edição de ontem com esse assunto. Abaixo, o texto da Folha.
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FOLHA DE SÃO PAULO
24 de outubro de 2012
‘JN’ dedica quase 20 minutos a balanço do julgamento
DE SÃO PAULO
O “Jornal Nacional” da TV Globo, programa jornalístico mais assistido da televisão brasileira, dedicou ontem 18 dos 32 minutos de sua edição a um balanço do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.
O telejornal exibiu oito reportagens sobre o tema, contemplando desde o que chamou de “frases memoráveis” proferidas no plenário do STF às rusgas entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandovsky, respectivamente relator e revisor do processo na corte.
O segmento mais “quente” do telejornal, dedicado às notícias do dia (debate do tamanho das penas e a decisão de absolver réus de acusações em que houve empate no colegiado) consumiu 3min12s.
O restante foi ocupado pelo resumo das 40 sessões de julgamento.
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Há, ainda, um agravante. O assunto foi ao ar no JN imediatamente após o fim do horário eleitoral, que, em São Paulo, foi encerrado com o programa de Fernando Haddad. E tem sido assim desde que começou o segundo turno – o noticiário do mensalão é apresentado pelo telejornal sempre “colado” ao fim do horário eleitoral.

O objetivo de interferir no pleito do próximo domingo em prejuízo do Partido dos Trabalhadores e dos outros partidos aliados que figuram na Ação Penal 470, vem sendo escancarado. Ontem, porém, essa prática ilegal chegou ao ápice.
A ilegalidade é absolutamente clara. Para comprovar, basta a simples leitura da Lei 9.504/97, a chamada Lei Geral das Eleições, que, em seu artigo 45, caput, reza que:
Caput – A partir de 1o de julho, ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, conforme incisos:
III – Veicular propaganda política, ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus orgãos ou representantes; 
IV – Dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação;
V – É vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente (…)

Apesar de a Globo poder alegar que estava apenas reproduzindo um fato do Poder Judiciário, a intenção de usar as reiteradas menções dos ministros do Supremo Tribunal Federal ao Partido dos Trabalhadores é escancarada ao ponto de ter virado notícia de um jornal absolutamente insuspeito de ser partidário desse partido.
Conforme reza a lei, é vedada prática da qual o JN abusou, ou seja, fazer “Alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente”. Ora, de dissimulado não houve nada. O PT foi citado reiteradamente pela edição do JN de forma insistente e por espaço de tempo jamais visto em uma só reportagem.
A Lei Eleitoral recebe interpretação pela Justiça Eleitoral, ou seja, ela julga exatamente as nuances das propagandas, dos programas em veículos eletrônicos e até mesmo na imprensa escrita e na internet.
O uso de uma concessão pública de televisão com fins político-eleitorais também viola a Lei das Concessões, cujo guardião é o Ministério das Comunicações.
Diante desses fatos, comunico que a ONG Movimento dos Sem Mídia, da qual este blogueiro é presidente, apresentará, nos próximos dias, representações à Procuradoria Geral Eleitoral e ao Ministério das Comunicações contra a TV Globo por violação da Lei Eleitoral, com tentativa de influir em eleições de todo país.
Detalhe: será pedido ao Minicom a cassação da concessão da Rede Globo por cometer crime eleitoral
Por certo não haverá tempo suficiente de fazer a representação ser apreciada por essas instâncias antes do pleito, mas isso não elidirá a denunciação desse claro abuso de poder econômico com vistas influir no processo eleitoral. Peço, portanto, o apoio de tantos quantos entenderem que tal crime não pode ficar impune.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A QUEM INTERESSA CRIMINALIZAR A POLÍTICA


A QUEM INTERESSA CRIMINALIZAR A pOLÍTICA

A elite vai fazer política na Globo e na Justiça. Até achar outra barriga de aluguel…
O número de votos brancos, nulos e de abstenções foi anormal no primeiro turno.

Em São Paulo, se aproximou de 30%.

A experiência dos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório e a abstenção em eleições presidenciais chega a 50%, mostra que quem menos vota é quem mais precisa da rede de proteção do Estado.

É quem desiste, quem não sabe como usar o Estado para se proteger.

E, a esses, a elite – lá e aqui – oferece o menosprezo e a insensibildade.

Virem-se !

A criminalização da Política, a  desmoralização do jogo político – no Supremo e na Globo – e a satanização dos políticos não beneficiam quem precisa da rede de proteção do Estado.

A criminalização da Política enfraquece o Estado – porque enfraquece o governante.

Desarma o governante.

E quem substitui o governante e ocupa o Estado ?

Os “intelectuais organicos” da classe dominante -  diria um político encarcerado na Italia do século passado.

Quem são eles ?

Os “especialistas” da Globo.

Os economistas dos bancos.

O membros do Judiciário.


Clique aqui para ler “por que os juízes que o Lula e a Dilma nomearam votam contra o Lula e a Dilma e os que o FHC nomeou votam contra a Dilma e o Lula ?”

A criminalização sistemática da Política – antes, durante e depois do julgamento do mensalão (o do PT), no e fora do  Supremo – só interessa à elite.

Quanto menos o poder for exercido por quem tem voto, melhor.

Voto é arma do fraco.

O forte prefere os especialistas da Globo, os economistas dos bancos e o Judiciário: quanto mais ” nas instâncias superiores”, melhor.

Por isso, a defesa do voto facultativo.

Por isso, o combate ao horário eleitoral na TV.

Por isso, a defesa do parlamentarismo, a única convicção que o Cerra jamais abandonou.

Por isso, o Moralismo udenista.

Porque tenta desmoralizar o Governo e a Política – com uma cajadada só.

Embora, como demonstrou o Maurício Dias, seja baixo “o teto da Ética tucana”.

Por isso, última ratio, a defesa do Golpe.

Ou seja, a supressão da vontade popular.


É o “mal necessário” da espantosa declaração do MInistro (Collor de ) Mello.

Como, segundo o PiG(*), só o PT cresce, a elite tentará desmoralizar a política, cada vez mais.

E fazer política na Globo e na Justiça.


Até que alugue uma outra barriga, tal a inutilidade do PSDB.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sábado, 13 de outubro de 2012

PT bate recorde de votos válidos em 2012


O balanço do PT no primeiro turno

Por Roberto São Paulo-SP 2012
Eleições 2012: PT divulga balanço atualizado do primeiro turno

Do site Partido dos Trabalhadores

Confira o documento apresentado pela Secretaria Nacional de Organização aos membros do Diretório Nacional nesta quarta-feira (10)
Clique aqui para acessar o documento em pdf
Resumo da Situação do PT dia após o primeiro turno da eleição.

Elegemos 596 vices-prefeitos. Em 105 municípios o PT venceu a eleição com chapa pura e em outros 491 municípios um vice do PT governará junto com um prefeito de outro partido.Os 626 prefeitos e prefeitas do PT possuem 521 vices de outros partidos.


PT recebe 17.198.959 votos para prefeito. A melhor votação de um partido nas eleições de 2012.

Com 626 prefeituras eleitas em 2012, o PT mantém seu crescimento constante. Em relação a 2008, aumentamos em 12% o número de prefeituras. Há ainda, outros 22 candidatos que irão disputar o segundo turno.

Dobramos o número de prefeituras no Ceará.
Minas Gerais continua como o estado com o maior número de prefeituras.

Entre os grandes partidos apenas o PT e o PSB conseguem melhorar o desempenho de 2008. O PSD já aparece como o quarto partido em número de prefeituras.

Em relação a 2008, o DEM perdeu 219 prefeituras e o PMDB 184 prefeituras. O PT e PSB elegeram, respectivamente, 68 e 124 prefeitos a mais que em 2012.
Entre os grandes partidos, PSD, PSB e PT são os partidos com a melhor evolução no número de prefeituras

No universo que compreende as cidades com mais de 150 mil eleitores, vencemos a eleição em 13 cidades e temos outros 22 candidatos disputando o segundo turno.

Entre os 13 prefeitos já eleitos pelo PT, 5 estão em municípios com menos de 200 mil eleitores e outros 8 prefeitos foram eleitos sem a necessidade de realização de um segundo turno da eleição.


Nos 22 municípios onde vamos disputar o segundo turno nosso principal adversário será o PSDB, que enfrentaremos em 6 municípios. Vamos
enfrentar o DEM em Salvador e o PPS em Ponta Grossa.
Considerando os partidos da base de apoio do Governo Federal, vamos enfrentar o PMDB em 6 cidades, o PSB em 3 e o PDT em 2.

PT também mantém o crescimento constante no número de vereadores eleitos. Aumentamos em 24% o número de vereadores e vereadoras petistas.
Número de Vereadores Eleitos pelo PT 1982 - 2012

Como observado na eleição majoritária, os maiores partidos não conseguem manter o desempenho de 2008. PT, PSB e PDT são os únicos, entre os grandes, que aumentam suas bancadas municipais.

Elegemos 596 vices-prefeitos. Em 105 municípios o PT venceu a eleição com chapa pura e em outros 491 municípios um vice do PT governará junto com um prefeito de outro partido.Os 626 prefeitos e prefeitas do PT possuem 521 vices de outros partidos.


Prefeituras eleitas pelo PT no Primeiro Turno....

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prefeita eleita quer a exoneração de Alexandre Silveira

Prefeita eleita quer a exoneração de Alexandre Silveira




A prefeita eleita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes, do Partido dos Trabalhadores, concedeu uma entrevista ao PLOX, no fim da manhã desta quinta-feira (11). Ela agradeceu o apoio dos partidos que compõem sua coligação. Agradeceu também ao prefeito da cidade, Chico Simões (PT), que, segundo ela, foi de “suma importância para a vitória”. Chico Simões foi o coordenador político da campanha. “Ele foi o grande responsável por essa vitória, tanto pelo seu excelente governo, como por sua atuação ao nosso lado no período eleitoral”, afirmou.

Exoneração de Alexandre Silveira
A prefeita eleita destacou a vitória do Partido dos Trabalhadores, que além de vencer em Fabriciano, venceu nas demais cidades que compõem a região Metropolitana do Vale do Aço - Ipatinga, Timóteo e Santana do Paraíso.

Segundo Rosângela, a vitória do PT nas urnas deixa claro que a população da região repudia “qualquer projeto que tenha a interferência do deputado federal licenciando, Alexandre Silveira”, que ocupa o cargo de secretário de Gestão Metropolitana do Estado. “O nosso governador, o professor Antonio Anastasia é um homem bom. Sabemos hoje que algumas atitudes dele foram tomadas por que ele não tinha conhecimento de algumas coisas que aconteciam aqui na nossa região”, disse.

Em seguida, a prefeita eleita disse que defende a saída de Silveira do cargo. Segundo ela, se as quatro cidades serão governadas por prefeitos do PT, então não será possível qualquer tipo de interlocução com o Estado por meio do atual secretário, o que, segundo ela, inviabilizará a implantação da Região Metropolitana do Vale do Aço. “Todos nós do PT repudiamos a forma como esse senhor destruiu o Vale do Aço, principalmente durante os últimos quatro anos. A saída dele é agora inevitável”, enunciou.

Fonte: plox.com.br/caderno/política-e-economia/prefeita-eleita-quer-a-exoneracao-alexandre-silveira

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A reação da direita ao crescimento da esquerda

PT e PSB sobem. PSDB desaba

O PT cresceu 14% em número de prefeituras; o PSDB, futuro DEMO, elegeu 13% menos prefeitos que em 2008.
Os partidos da base da Dilma e do Lula ganharam a eleição.
A oposição perdeu.
O PSDB ruma ao buraco do DEMO.
Senão, vejamos.

O PMDB ainda é o partido com o maior número de prefeitos, mas caiu 15% em relação a 2008.
O PT cresceu 14% em número de prefeituras.
E é o partido que recebeu mais votos em todo o país – um aumento de 4% em relação a 2008.
O PSB foi ainda melhor.
Cresceu 51% no total de votos e 41% no total de prefeituras.

O PSDB, futuro DEMO, elegeu 13% menos prefeitos que em 2008.
Em todo o país, o número de eleitores do PSDB caiu 4%.
A soma de PMDB com PT e PSB demonstra que a Presidenta Dilma ganhou a eleição.
O Eduardo Campos, também.

O objetivo do PiG (**), agora, será fabricar a oposição entre Dilma e Campos, como tentou separar Lula de Dilma.
O Fernando Henrique foi quem tentou de forma mais ousada, e recebeu como prêmio uma nota devastadora da Dilma, de que não se recuperou até hoje.
Neste domingo, o Farol de Alexandria, que só aparece no PiG (**), mas o PSDB o esconde do palanque, diz que o PSDB deve tentar se aproximar do PSB:

Paulo Henrique Amorim

Primeiros números (quem ganhou a eleição?)

MARCOS COIMBRA 10 de Outubro de 2012
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Considerando os cinco partidos que mais venceram em 2008, o PT foi o único que aumentou o número de prefeituras ganhas. PMDB, PSDB, PP e DEM encolheram - os tucanos em seus principais redutos, São Paulo, Minas Gerais e Ceará.
Em queda semelhante à que aconteceu em 2010 nas eleições para o Legislativo, as três principais legendas oposicionistas - PSDB, DEM e PPS - diminuíram em 25% o total de prefeituras conquistadas, indo de 1418 para 1077 (sem considerar as cidades onde haverá segundo turno).
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Por estranho que pareça a algumas pessoas, o partido que mais cresceu em número de prefeitos e vereadores, que melhor performance teve nas cidades médias, que está mais bem posicionado nas capitais, é o PT.
Pode-se gostar ou não disso. Mas é um fato.


O STF escreve página de vergonha e arbítrio

BRENO ALTMAN 10 de Outubro de 2012

 .........A maioria dos ministros da corte suprema, ao contrário do que se passou em outros momentos de nossa história, dessa vez embarcou na violação constitucional sem estar sob a mira das armas. Simplesmente dobrou-se à ditadura da mídia.Assistimos a um julgamento político e de exceção. Um aleijão que fere os princípios constitucionais e contamina as instituições democráticas.
................Essa coleção de barbaridades e ofensas à Constituição ontem levou à condenação, por corrupção ativa, de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Dos três, apenas o ex-tesoureiro petista esteva vinculado a situações materiais, mas sem que houvesse qualquer elemento comprobatório de ação corruptora..............Há sete anos as forças conservadoras e seu partido midiático fizeram do chamado “mensalão” o centro da estratégia para enfrentar a liderança crescente do PT e do presidente Lula, de vitalidade reconfirmada em seguidas eleições, incluindo a do último domingo. Condenar os dois dirigentes era marco imprescindível dessa escalada.
O STF, acossado pela midia corporativa, além de aviltado pelo reacionarismo e a covardia, prestou-se a um triste papel, escrevendo página de vergonha e arbítrio em sua história. De instituição responsável pela salvaguarda constitucional, abriu-se para ser o teatro onde se encena a reinvenção da direita. Quem viver, verá.
Breno Altman é diretor editorial do sítio Opera Mundi e da revista Samuel.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A condenação de José Dirceu

A condenação de José Dirceu

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

As eleições deste ano foram marcadas por um crescimento espetacular dos partidos de esquerda, em especial PT, PSB e PCdoB. Até o PSOL fez boa figura, elegendo um prefeito numa cidade pequena do Rio e perigando ganhar, no segundo turno, uma capital brasileira.

Declínio dos partidos da direita:




Ascensão dos partidos de esquerda




É nesse contexto que devemos entender a condenação, sem provas, de José Dirceu. O conservadorismo brasileiro o responsabiliza pela crise que vive. O partido da mídia se vê cada vez mais encurralado por um novo país, mais esperançoso, mais democrático, mais socialista. Não lhe resta outra coisa senão ranger os dentes, rancorosamente, e apelar para o judiciário. É bem mais fácil influenciar 11 juízes, a maioria formada na ideologia dominante – mesmo que tenham vindo de estratos humildes, como é o caso de Joaquim Barbosa -, e sem conhecimento suficiente de política, do que manipular a opinião de 140 milhões de eleitores.

Já aconteceu antes no Brasil e tem acontecido, com frequência alarmante, na América Latina. Em Honduras, a corte suprema derrubou o presidente; no Paraguai, chancelou um golpe parlamentar. A condenação sem provas de Dirceu é o que conseguiram fazer por aqui.

Existe toda uma literatura sobre a publicidade opressiva dos meios de comunicação, mas, no caso do mensalão, testemunhamos uma das mais sofisticadas, construída com afinco, dedicação e profissionalismo, por longos sete anos. O poderio da mídia tem declinado junto ao eleitorado, de forma geral, mas cresceu junto às elites. O seu poder de vida ou morte sobre a reputação de empresários, juízes ou políticos continua intacto. Raríssimos conseguem fugir a seus tentáculos. Lula é um caso à parte, e não é a tôa que a mídia tenta destruí-lo diuturnamente, desde 2005.

O espírito machartista, que vigorou de maneira terrível em 2005 e 2006, gerando demissão de centenas de jornalistas, e provocando um endurecimento estarrecedor na mídia, voltou a mostrar as garras no julgamento do mensalão. Juízes que não comungam das opiniões impostas pelos jornalões são espezinhados, humilhados, em notinhas, charges, editoriais. O nível de baixaria não tem limites.

No sábado, eu quase perdi o apetite ao me deparar, perplexo, com essa charge do Chico Caruso, na primeira página do Globo, mostrando Ricardo Lewandowski lendo seu voto num rolo de papel higiênico:




O propalado discurso sobre “respeito às instituições” vai por água abaixo quando se trata de impor o pensamento único da mídia. Ministros do STF que discordam de nossas teses? Pau neles! Sem tergiversação, sem classe, sem hesitar! A notinha asquerosa de Noblat segue na mesma linha:

Não há limites. Inventa-se. Calunia-se. Eu até catei da estante o livro Vigiar e Punir, de Michel Foucault, onde a humilhação pública aparece com muita frequência na ideologia punitiva. Procura-se punir não apenas o réu, mas assustar toda a comunidade com a qual ele se identifica. Por isso a mídia armou um circo tão poderoso: condenando Dirceu, ela se vingou do Partido dos Trabalhadores, de Lula, e de todas as derrotas que a esquerda tem lhe inflingindo, e que continua a lhe inflingir. Derrotas essas que assustam a mídia corporativa, porque ela precisa manter sua ascendência política para sobreviver financeiramente. Publicidade institucional, uma legislação favorável, além dos contratos de compra de assinaturas, são elementos vitais para os barões da comunicação de massa no país, a quem não interessa nenhum debate em torno do papel político da mídia em nossa democracia.

Numa América Latina onde senhores feudais da mídia exercem uma influência poderosíssima sobre as cortes supremas, o risco à democracia ressurge na forma de golpes judiciários, os quais podem se dar de várias maneiras: cassando-se candidaturas, derrubando-se presidentes, chancelando golpes parlamentares, sempre com base, não em autos, não em provas, mas em ilações que nascem na mídia e se retroalimentam: há uma ilação de que houve compra de votos, então com base nisso se induz que o governo corrompeu o Congresso. Agora vemos que, não fosse uma forte mobilização social, a direita, de fato, teria derrubado o presidente Lula, e todos os avanços sociais que vimos nos últimos anos, não teriam acontecido.
....
Para finalizar, um pensamento de Nietzsche que talvez nos ajude a entender os preconceitos que afloram nos altos estratos da sociedade brasileira, que ainda não engoliram as mudanças paradigmáticas e simbólicas trazidas pelas ondas progressistas que tem açoitado a nossa costa:

“O orgulhoso sente despeito mesmo contra aqueles que o fazem avançar: olha maldosamente para os cavalos de sua carruagem”.