terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Revolução à vista na siderurgia brasileira

Revolução à vista na siderurgia brasileira

..."É uma tecnologia de corte, que provavelmente levará ainda dez anos para conquistar um setor tradicionalmente avesso a mudanças."

 
Coluna Econômica
A reestruturação competitiva da siderurgia brasileira depende de energia mais barata, de integração mineradora-siderúrgica mas, acima de tudo, de uma mudança de padrão tecnológico, para a auto-redução do minério de ferro, que substituirá a tecnologia dos altos-fornos.
E essa tecnologia já está disponível.
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Faz-se o aço misturando o minério de ferro com o carbono. O processo é oneroso.
Utiliza-se carvão mineral ou vegetal como combustível, para a fusão do minério de ferro, e também como redutor, ajudando na remoção do oxigênio do ferro, para poder se ligar ao carbono.
É um processo lento, esse do gás entrando no minério, que leva em média 8 horas para se completar. Por ser lento, há a necessidade de altos fornos de 20 a 30 metros de altura; e carvão aquecendo o forno.
Ao longo da história, à medida que escasseou o minério de ferro mais puro, os altos fornos tiveram que receber upgrades tecnológicos cada vez mais onerosos. Agora, há uma corrida para substituir essa tecnologia secular por outra, baseada na auto-redução do minério.
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No caso brasileiro, essa tecnologia foi batizada de tecnored, e está sendo desenvolvida por uma associação entre Vale, BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e um grupo de ex-professores da PUC-Rio, comandados pelo engenheiro Marcos Contrucci.
Entrega-se à siderúrgica ou minério granulado (em lugar de pelotizado) ou minério líquido, mas com o carbono previamente misturado ao ferro. Em vez de 8 horas, o tempo de aquecimento cai para 15 minutos; em vez de altos-fornos de 20 a 30 metros de altura, fornos convencionais.
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Economiza-se na produção e no transporte.
Um navio com capacidade para transportar 250 mil toneladas de minério de ferro, leva 20 mil toneladas de água, 80 mil toneladas de oxigênio, mais 20 mil toneladas de escória. Com o novo método, só se transportará o essencial, resultando em economia de 45% na logística.
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Esse projeto começou a ser desenvolvido na PUC-Rio no final dos anos 50, a partir de trabalhos do IPT, do professor Carlos Dias Brosch (falecido em 2004).  Dos anos 70 para cá houve plantas piloto com a Fundição Tupi, em Joinville, e com a Vibase, do grupo Villares, ambas interrompidas por crises nas empresas e na economia.
Depois, uma experiência nos Estados Unidos, com o braço siderúrgico da Cargill, que não deu certo depois que a política monetária de Alan Greesnpan destruiu completamente a competitividade da siderurgia norte-americana.
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Agora, a planta piloto com Vale e BNDES no capital está passando pelos ajustes finais.  Completado esse piloto, haverá condições de expandir e fincar a reestruturação produtiva da siderurgia brasileira na nova tecnologia
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Não existem muitas dúvidas sobre sua viabilidade tecnológica e financeira. O desafio é mudar a cabeça dos engenheiros siderúrgicos e definir novos modelos de negócio.
No novo modelo, haverá a necessidade de uma parceria da cadeia produtiva. Provavelmente a mineradora irá oferecer novas plantas às siderúrgicas, em troca de contratos de fornecimento de longo prazo.
É uma tecnologia de corte, que provavelmente levará ainda dez anos para conquistar um setor tradicionalmente avesso a mudanças.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O mensalão tucano revelado pela Isto.E em 2009

A ISTOÉ E O MENSALÃO MINEIRO (PARA QUE J.BARBOSA NÃO ESQUEÇA)

Da IstoÉ, edição nº 2087, de 18.Nov.2009


"A HORA DE AZEREDO PAGAR A CONTA

Ministro do STF confirma a existência do Mensalão "Mineiro" [nome de fantasia criado pela mídia e oposição para esconder que o mensalão é tucano e nacional], revelado por 'IstoÉ', e quer transformar senador tucano em réu por peculato e lavagem de dinheiro

Por Alan Rodrigues e Hugo Marques, na “IstoÉ”

“Em setembro de 2007, ISTOÉ revelou a existência do ‘Mensalão Mineiro’ e publicou as provas do funcionamento desse esquema de ‘caixa 2’ montado em benefício de 159 políticos, principalmente o então candidato derrotado ao governo de Minas Gerais em 1998, Eduardo Azeredo, hoje senador pelo PSDB.

Na quinta-feira 5, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu com atenção a conclusão do extenso voto do ministro Joaquim Barbosa, que confirmou todas as denúncias feitas em uma série de reportagens que, na ocasião, já haviam provocado a queda do então ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. Em dois dias de leitura, Barbosa relacionou todos os documentos apresentados por ISTOÉ e reconheceu a autenticidade de cada um deles, a despeito de os acusados, durante dois anos, tentarem desqualificá-los. A poucos metros dali, no Senado, Azeredo acompanhou, pela televisão, seu enquadramento nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Os dois crimes somam pena de 22 anos de cadeia. Ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal, Barbosa concluiu que Azeredo se beneficiou do esquema ilegal orquestrado pelo empresário mineiro Marcos Valério em 1998, quando recursos de empresas estatais mineiras foram desviados para abastecer ilegalmente as campanhas tucanas.

Com base nos recibos, depósitos e relatório devastador da Polícia Federal, cujos fac-símiles foram publicados por ISTOÉ, Barbosa se convenceu de que uma "organização criminosa" comandada por Valério para beneficiar a malsucedida campanha tucana de 1998, conhecida como "tucanoduto", abastecia o caixa 2 do PSDB de Minas com empréstimos fictícios e dinheiro público - nos mesmos moldes mais tarde adotados pelo PT. Barbosa quer juntar os julgamentos dos mensalões do PSDB e do PT. "Esse processo tem enorme similaridade com o outro. Os dois tratam de corrupção política da mais alta gravidade", disse o ministro.

"Devem ser conduzidos com [idênticos?] rigor e celeridade e devem ser julgados na mesma data, para que não haja tratamento desigual." [Joaquim Barbosa] [Na prática, com medo da mídia direitista tucana, a teoria e o comportamento dos ministros do STF vieram a ser outros...]

Apesar de todas as evidências, Azeredo ainda ganhou um tempo antes de sentar no banco dos réus porque o ministro José Antonio Dias Toffoli decidiu pedir vista do processo alegando dúvidas sobre o documento mais grave entre todas as provas: o recibo de R$ 4,5 milhões assinado por Azeredo quando as empresas de Valério, SMP&B e DNA, teriam lhe repassado esse montante para saldar dívidas de campanha. "Esse documento me chama a atenção porque é o único que leva a uma vinculação material do acusado Eduardo Azeredo", justificou Toffoli. "O recibo é falso. Nunca foi assinado por mim", defendeu-se Azeredo. No entanto, Barbosa acredita na autenticidade do documento. "o teor do recibo desmonta, ao menos nessa análise preliminar, a alegação do acusado de que não se envolvia com questões financeiras durante sua campanha", disse o relator, que ficou contrariado com o adiamento da decisão final. "Se for só para esclarecer esse documento, não tem importância; o que está em jogo são os recursos transferidos das estatais", insistiu.

“OPERADOR” o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia foi o comandante do “caixa 2” e o primeiro a sair do cargo depois que o “Mensalão Mineiro” foi descoberto

Pelos sinais emitidos por alguns ministros, a situação política de Azeredo pode se complicar em 2010, quando ele tentará renovar seu mandato de senador. O próprio Dias Toffoli, apesar do pedido de vistas, elogiou abertamente o voto de Barbosa. "O senhor fez um excelente trabalho", disse ao colega. O ministro Carlos Ayres Britto, praticamente, antecipou seu voto ao corroborar com a ilação entre os dois mensalões. "Esse filme já é conhecido, parece o mesmo script", disse Britto. [Depois, sob o fogo das câmeras de televisão, todos esses ministros amansaram. Com temos assistido nos últimos meses, permaneceram duros justiceiros e super-herois da mídia apenas contra o "mensalão do PT". Esqueceram do mensalão do PSDB ("mineiro")...]

Se a maioria dos ministros votar pela aceitação da denúncia, Azeredo se tornará réu. A preocupação de Barbosa é com o tempo. "Esse inquérito envolve fatos que ocorreram há 11 anos. A possibilidade de prescrição é real", advertiu o relator. [Depois, viemos a constatar que essas palavras de Joaquim Barbosa desapareceram com o vento da mídia]

Para os tucanos, o julgamento no STF mereceu uma estratégia para preservar a imagem de Azeredo. Numa entrevista coletiva para a qual pediu a presença do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), Azeredo tentou desqualificar a acusação, comparando sua situação à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Mensalão do PT. Pela lógica do senador mineiro, os beneficiários do esquema não devem ser punidos. [Assim como FHC na compra de votos para a sua reeleição e manutenção dos demotucanos no poder,] "o presidente Lula também concorreu em situações semelhantes e ele não recebeu nenhum inquérito a respeito", afirmou.

Ele, porém, esquece da contundência das provas [Quanto a isso, Joaquim Barbosa e o STF vieram a criar na Ação Penal 470 nova jurisprudência. Provas concretas não mais são importantes. O que vale mais para respaldar duras condenações são presunções, ilações, probabilidades, expressadas com adjetivos superlativos pomposos e midiáticos]. Uma peça importante, também mostrada pela primeira vez por ISTOÉ há dois anos, é a "Lista do Mourão". O principal coordenador financeiro da campanha, Cláudio Mourão, preparou uma relação com todos os beneficiários, que teriam recebido mais de R$ 100 milhões [não corrigidos] do esquema de punção do dinheiro público. Desse valor, cerca de R$ 90 milhões não foram declarados à Justiça Eleitoral. Oficialmente, o senador declarou apenas R$ 8,5 milhões em doações. Pelo menos, R$ 53 milhões utilizados fraudulentamente na campanha foram movimentados pelas empresas de Marcos Valério. Para Barbosa, o papel de Mourão é semelhante ao de Delúbio Soares no caso do PT. O ministro Barbosa questiona, principalmente, os R$ 3,5 milhões que o governo Azeredo retirou da Companhia de Saneamento de Minas (COPASA), da Companhia Mineradora de Minas (COMIG) e do Banco do Estado de Minas Gerais (BEMGE) para injetar nas empresas de Valério, que reaplicava o dinheiro nas campanhas do PSDB.

Os laudos do “Instituto nacional de Criminalística” da PF mostram que o “Mensalão Mineiro” tinha um esquema de lavagem de dinheiro sofisticado. O “caixa 2” ocultava as doações, e Valério era remunerado por intermédio de contratos superfaturados com as estatais, por serviços parcialmente executados, como foi o caso do patrocínio do “Enduro da Independência”, em 1998. As estatais eram contra o patrocínio imposto pelo governo de Azeredo. Em anos anteriores, o “Enduro” recebia entre R$ 50 mil e R$ 250 mil, mas, naquele ano de eleições, foram alocados para o evento R$ 3,5 milhões. O dinheiro era sacado em espécie nos bancos ou era transferido diretamente para as contas dos colaboradores de Azeredo. Valério fez empréstimos fictícios de R$ 28 milhões no Banco Rural, para tentar encobrir o esquema de lavagem de dinheiro. O ministro Barbosa observou que os repasses das estatais para a SMP&B e a DNA coincidiram com os empréstimos fictícios de Valério para lavar o dinheiro da campanha.

Quando o esquema de Azeredo e Valério começou a desabar, pois Mourão cobrava sua parcela de dinheiro no negócio, entrou como salvador da pátria o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O ministro deixou o cargo assim que ISTOÉ publicou uma série de reportagens mostrando seu envolvimento no esquema fraudulento de campanha de Azeredo. Em 2002, Walfrido tentou montar o que Barbosa chamou de "Operação Abafa", uma triangulação criminosa pela qual Valério repassou R$ 700 mil a Mourão. A empresa “Samos Participações”, de Walfrido, ressarciu Valério em R$ 507 mil. O dinheiro da “Samos” saiu de empréstimo no Banco Rural, no qual o próprio Azeredo é avalista. Mourão, em seu depoimento, revelou que recebeu ligação de Walfrido, perguntando se ele aceitava intermediação para resolver as pendências financeiras de Azeredo.

O senador tucano também tem contra si dezenas de depoimentos de coordenadores municipais, cabos eleitorais e políticos que o ajudaram em 1998. Todos esses ex-colaboradores receberam gordas doações de Valério para atuar na campanha. A SMP&B não tinha nenhum vínculo formal ou jurídico com o comitê eleitoral de Azeredo. Com tantas acusações, dificilmente Azeredo escapará da abertura de processo no STF [Na realidade, como vemos hoje, três anos depois dessa reportagem da IstoÉ, parece que os tucanos estão conseguindo escapar com a ajuda do STF]. Sendo assim, já terá um bom discurso para a campanha de reeleição do ano que vem: explicar ao eleitor por que é réu.”

[P.S deste ‘democracia&política’: Essa reportagem da IstoÉ acima é de 2009. Conforme já tentamos expressar nos trechos entre colchetes que adicionamos, na verdade, em resumo, o STF veio a ficar mansinho, delicado e “esquecidão” quanto ao mensalão do PSDB. Orquestrado pela mídia direitista, “fatiou-o para outras instâncias”, esvaziou-o e postergou seu julgamento ainda mais, não se sabe até quando e se ocorrerá. Por outro lado, antecipou, incompreensivelmente, o julgamento do bem mais recente “mensalão do PT", fazendo este, muito estranhamente, coincidir, com impressionante precisão, com o processo eleitoral de 2012. Nesse julgamento contra o PT, os ministros do STF assumiram o papel de ferozes e até emocionais herois justiceiros, com pesadíssimas condenações sem provas e sob intensos aplausos e afagos no ego por parte da “grande” imprensa e da autoproclamada "elite brasileira". Que misteriosas forças ocultas poderosíssimas conseguiram tudo isso?].

FONTE: reportagem de Alan Rodrigues e Hugo Marques, na “IstoÉ” de 18.Nov.2009. Transcrita no portal de Luis Nassif  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-istoe-e-o-mensalao-mineiro-para-que-jbarbosa-nao-esqueca) [Trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma agressão contra o PT, a esquerda e a Constituição

BRENO ALTMAN 13 de Novembro de 2012

O ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, praticamente concluiu sua tarefa como relator, às vésperas de assumir a presidência do STF, com um burlesco golpe de mão. Aparentemente para permitir que Ayres Britto pudesse votar na dosimetria dos dirigentes petistas, subverteu a ordem do dia e antecipou decisão sobre José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Apenas a voz de Ricardo Lewandovski se fez ouvir, em protesto à enésima manobra de um julgamento marcado por arbitrariedades e atropelos.
Talvez em nenhum outro momento de nossa história, ao menos em períodos democráticos, o país se viu enredado em tamanha fraude jurídica. Do começo ao fim do processo, o que se viu foi uma sucessão de atos que violaram direitos constitucionais e a própria jurisprudência do tribunal. A maioria dos ministros, por opção ideológica ou mera covardia, rendeu-se à sentença prescrita pelo baronato midiático desde que veio à tona o chamado “mensalão”.
Os arroubos de Roberto Jefferson, logo abraçados pela imprensa tradicional e parte do sistema judiciário, serviram de pretexto para ofensiva contra o governo Lula, o Partido dos Trabalhadores e a esquerda. José Dirceu e seus companheiros não foram julgados por seus eventuais malfeitos, mas porque representam a geração histórica da resistência à ditadura, da ascensão política dos pobres e da conquista do governo pelo campo progressista.
Derrotadas nas urnas, mas ainda mantendo sob seu controle os poderes fáticos da república, as elites transitaram da disputa político-eleitoral para a criminalização do projeto liderado pelos petistas. Com a mesma desfaçatez de quando procuravam os quartéis, dessa vez recorreram às cortes. Agora, como antes, articuladas por um enorme aparato de comunicação cujo monopólio é exercido por umas poucas famílias.
O STF, nessas circunstâncias, resolveu trilhar o caminho de suas piores tradições. Seus integrantes, majoritariamente, alinharam-se aos exemplos fornecidos pela extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista, pela cassação do registro comunista em 1945 e pelo reconhecimento do golpe militar de 1964. Como nesses outros casos, rasgaram a Constituição para servir ao ódio de classe contra forças que, mesmo timidamente, ameaçam o jugo secular das oligarquias pátrias.
Garantias internacionais, como a possibilidade do duplo grau de jurisdição, foram desconsideradas desde o primeiro instante. Provas e testemunhos a favor dos réus terminaram desprezados em abundância e sem pudor, enquanto simples indícios ou ilações eram tratados como inapeláveis elementos comprobatórios. Uma teoria presidiu o julgamento, a do domínio funcional dos fatos, aplicada ao gosto do objetivo inquisitorial. Através dessa doutrina, réus poderiam ser condenados pelo papel que exerciam, sem que estivesse cabalmente demonstrados ação ou mando.
O que interessava, afinal, era forjar a narrativa de que o PT e o governo construíram maioria parlamentar através da compra de votos e do desvio de dinheiro público, sob a responsabilidade direta de seus mais graduados líderes. As contra-provas que rechaçam supostos fatos criminosos e sua autoria, fartamente apresentadas pela defesa, simplesmente foram ignoradas em um julgamento por encomenda.
Enganam-se aqueles que apostam em qualificar este processo como um problema de militantes petistas, quem sabe, injustamente condenados. José Dirceu e seus pares não foram sentenciados como indivíduos, mas porque expressavam a fórmula para colocar o PT e o presidente Lula no banco dos réus. Os discursos dos ministros Marco Aurélio de Mello, Ayres Britto e Celso de Melo não deixam dúvida disso. Não hesitaram em pisar na própria Constituição para cumprir seu objetivo.
Mesmo que eleitoralmente o procedimento venha se revelando relativamente frágil frente ao apoio popular às mudanças iniciadas em 2003, não podem ser subestimados seus efeitos. As forças conservadoras fizeram, dessa ação penal, plataforma estratégica para desgastar a autoridade do PT, fortalecer o poder judiciário perante as instituições conformadas pela soberania popular e relegitimar a função da velha mídia como procuradora moral da nação.
O silêncio diante desta agressão facilitaria as intenções de seus operadores, que se movimentam para manter sob sua hegemonia casamatas fundamentais do Estado e da sociedade. Reagir à decisão da corte suprema, porém, não é apenas ou principalmente questão de solidariedade a réus apenados de maneira injusta. A capacidade e a disposição de enfrentar essa pantomima jurídica poderão ser essenciais para o PT e a esquerda avançarem em seu projeto histórico.

Breno Altman é diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel.

A criminalização do PT


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre
José Dirceu recebeu a pena de 10 anos e 10 meses. José Genoíno foi condenado a 6 anos e 11 meses. Delúbio Soares foi castigado com 8 anos e 11 meses de prisão. Eles foram julgados por um tribunal surpreso ao tempo que inconformado com as frágeis provas ou, melhor a me expressar, “tênues”, como afirmou quase a se lamentar o procurador geral da República, Roberto Gurgel, quando leu sua peça de acusação contra o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Os juízes, principalmente os que transitam pelo espectro conservador, perceberam que seria muito difícil condenar o chamado núcleo político envolvido com a Ação Penal 470, chamada pelo deputado cassado e réu confesso, Roberto Jefferson, de “mensalão” e repercutido pela mídia direitista de negócios privados de forma sistemática, à exaustão, no decorrer de sete anos.
O “mensalão”, que juridicamente ainda está por se provar, serviu como trunfo, como uma espécie de salvação daqueles que militam no campo conservador e sabem que derrotar, no momento, e, quiçá, no futuro, candidatos e governantes trabalhistas é quase impossível, por causa da satisfação do povo brasileiro quanto aos números e índices econômicos, bem como principalmente pelo desenvolvimento social experimentado por milhões de cidadãos excluídos do direito à cidadania e que foram incluídos, por intermédio das políticas socioeconômicas implementadas nos últimos dez anos por Lula e agora por Dilma.
Estão aí para quem quiser ver as vitórias do PT nas últimas eleições, que comprovam o que eu afirmo. O Partido dos Trabalhadores, o único orgânico, pois inserido e contextualizado em todos segmentos da sociedade brasileira, saiu das urnas vitorioso e por isso vai administrar o maior orçamento, bem como governar um número maior de pessoas.
Porém, é o PT a agremiação política demonizada, criminalizada e tratada por uma imprensa golpista e alienígena como se fosse um partido controlado por criminosos, e, portanto, seus políticos, filiados, militantes e eleitores são, conforme o pensamento e a repercussão da imprensa comercial e privada, pessoas de caráter duvidoso e com vocação para cometer malfeitos e assim viver à margem da lei.
É dessa forma que o PT, o partido mais importante e organizado do País, a agremiação trabalhista maior das Américas, é tratado desde que assumiu o governo central em janeiro de 2003. Após uma década, os porta-vozes de uma das elites mais conservadoras e cruéis do mundo, não aceitaram a derrota nas urnas e, por conseguinte, passaram a fazer política pelos órgãos midiáticos privados, que vivem da publicidade governamental, ou seja, são também sustentados pelo dinheiro público.
Com tais valores, pagam seus empregados, inclusive aqueles escribas mal intencionados, que deturpam os fatos e distorcem as realidades, que se apresentam. Mais do que isto: usam da mentira, se for necessário, sempre com o intuito de boicotar os governos dos trabalhistas que conquistaram o poder por meio das urnas e que sempre respeitaram o jogo democrático e fortaleceram, de forma republicana, o estado democrático de direito.
Lula é republicano; realizou um governo republicano. A história não vai deixar dúvidas a esse respeito. Dilma trilha o mesmo caminho, e a população brasileira percebeu essa realidade e por isso reitera seu voto, de quatro em quatro anos, nos candidatos trabalhistas, como aconteceu nessas últimas eleições. Não há como os direitistas tergiversarem sobre a verdade. A cidadania requer compromisso. O compromisso da inclusão social, e, indelevelmente, é uma coisa que os tucanos não fizeram, não proporcionaram a milhões de brasileiros que viviam abaixo da linha de pobreza e que eram excluídos do consumo e do acesso a uma vida de melhor qualidade.
Eis que, de forma prejudicial aos réus, juízes do STF se alicerçam no “domínio do fato”, tese de 1963 do jurista alemão, Claus Roxin, que alertou aos maus navegantes que a pessoa que ocupa posição hierárquica alta ou tenha poder de mando ou de decisão não basta fazer supor que determinada autoridade tivesse que, obrigatoriamente, saber o que faziam seus subordinados. Segundo Roxin, “quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”. E concluiu: “O juiz não tem que ficar do lado da opinião pública”. Ponto.
A verdade é que durante sete anos os acusados da Ação Penal 470 não foram pressionados pela opinião pública. Eles foram, evidentemente, acusados e linchados pelas opiniões transmitidas e publicadas  nas revistas, nos jornais, nas televisões, nas rádios e na internet. Os juízes do STF com poucas exceções, ressalto, dobraram-se aos interesses de seis famílias proprietárias de mídias cruzadas e da direita partidária que não aceita seguidas derrotas nas urnas e que está desesperada por não ter programa de governo, porque se recusa, terminantemente, pensar o Brasil, bem como sabe que vai ser muito difícil vencer as eleições de 2014, que o diga a vitória do petista Fernando Haddad em São Paulo.
Portanto, o que resta à direita fazer?  Criminalizar o maior partido trabalhista do ocidente, além de judicializar a política. Que o digam os senhores papagaios midiáticos Álvaro Dias, Agripino Maia, Roberto Freire, que toda vez que revistas como a Veja e aÉpoca ou jornais como O Globo, a Folha e o Estadão elaboram suas “espetaculares” matérias de caráter oposicionista, correm para os corredores do Senado e da Câmara para repercutirem as notícias divulgadas para que eles possam aparecer no Jornal Nacional e em outros jornais televisivos e radiofônicos.
Tudo orquestrado e combinado. Agem dessa maneira há dez anos e continuarão a agir assim o tempo que for necessário para tirarem os trabalhistas do poder, mesmo se for por meio de golpe de estado, aos moldes do Paraguai e Honduras. Só que tem um “pequeno” empecilho. O PT é partido orgânico, pois está inserido na sociedade e em suas instituições e entidades mais representativas.
Não vivemos em um Brasil anterior a 1964, bem como o País continental não é o Paraguai ou Honduras, razão pela qual a direita tem de pensar direitinho antes de se aventurar em ações que não respeitam a democracia, a Constituição, o estado democrático de direito, enfim, o contrato social assinado pelo todo da sociedade brasileira.
Agora, a pergunta que não quer calar: o domínio do fato vai chegar ao mensalão tucano — do PSDB? Porque o que se percebeu até agora é que o STF e a PGR, do senhor Roberto Gurgel, não estão muito interessados no domínio dos fatos para os tucanos desde 1998. São 79 nomes de tucanos e aliados denunciados em lista, que foi entregue à PGR. Isto é fato dominado. Saliento ainda que o mensalão tucano é anterior ao do PT, e a imprensa burguesa de caráter golpista não publica manchetes sobre esse escândalo. Por que será? Todos nós sabemos o porquê, não? Será que a PGR e o STF estão à espera de 2014, e, tal qual fizeram com o PT este ano, vão julgar o mensalão tucano às vésperas das eleições (presidenciais)? Será que é isto, caro leitor? Bem, vamos ver...
Os juízes do STF deram um show. Neste caso, é o show do domínio dos artistas de fato. Entretanto, o Ato de Ofício se ausentou do grande evento jurídico e midiático. Ele tinha mais o que fazer. A Presunção da Inocência também. Sentiu dor de dente. O Ônus da Prova é malcriado e se recusou a ir, bem como o Princípio do Contraditório sentiu dor de barriga e ficou em casa, a ver o julgamento pelas tevês Globo e Globo News. A Jurisprudência, que poderia beneficiar os réus quando não há provas concretas, pregou uma peça e preferiu dar de ombros ao que é do Direito, que ninguém é considerado culpado até que se prove o contrário. É isso aí.

PT reage e critica STF pela politização de julgamento

PT reage e critica STF pela politização de julgamento

Em nota aprovada em reunião da Executiva Nacional, nesta quarta (14), o PT teceu duras críticas ao STF pela condução do julgamento da ação penal 470, que “condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados”. Segundo documento, a corte não garantiu o direito dos réus à ampla defesa, deu valor de provas a indícios, fez uso indevido da teoria do domínio do fato, provocou insegurança jurídica e politizou o julgamento para prejudicar o partido. 

Confira a íntegra:

O PT E O JULGAMENTO DA AÇÃO PENAL 470

O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados.


1. O STF não garantiu o amplo direito de defesa

O STF negou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. Suprimiu-lhes, portanto, a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado.

A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente.


Foi por esta razão que o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, logo no início do julgamento, pediu o desmembramento do processo. O que foi negado pelo STF, muito embora tenha decidido em sentido contrário no caso do “mensalão do PSDB” de Minas Gerais.

Ou seja: dois pesos, duas medidas; situações idênticas tratadas desigualmente.

Vale lembrar, finalmente, que em quatro ocasiões recentes, o STF votou pelo desmembramento de processos, para que pessoas sem foro privilegiado fossem julgadas pela primeira instância – todas elas posteriores à decisão de julgar a Ação Penal 470 de uma só vez.
Por isso mesmo, o PT considera legítimo e coerente, do ponto de vista legal, que os réus agora condenados pelo STF recorram a todos os meios jurídicos para se defenderem.

2. O STF deu valor de prova a indícios

Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF). Houve flexibilização do uso de provas, transferência do ônus da prova aos réus, presunções, ilações, deduções, inferências e a transformação de indícios em provas.

À falta de elementos objetivos na denúncia, deducões, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias – fato grave sobretudo quando se trata de ação penal, que pode condenar pessoas à privação de liberdade. Como se sabe, indícios apontam simplesmente possibilidades, nunca certezas capazes de fundamentar o livre convencimento motivado do julgador. Indícios nada mais são que sugestões, nunca evidências ou provas cabais.


Cabe à acusação apresentar, para se desincumbir de seu ônus processual, provas do que alega e, assim, obter a condenação de quem quer que seja.

No caso em questão, imputou-se aos réus a obrigação de provar sua inocência ou comprovar álibis em sua defesa -- papel que competiria ao acusador. A Suprema Corte inverteu, portanto, o ônus da prova.

3. O domínio funcional do fato não dispensa provas


O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação.


Ao lançarem mão da teoria do domínio funcional do fato, os ministros inferiram que o ex-ministro José Dirceu, pela posição de influência que ocupava, poderia ser condenado, mesmo sem provarem que participou diretamente dos fatos apontados como crimes. Ou que, tendo conhecimento deles, não agiu (ou omitiu-se) para evitar que se consumassem. Expressão-síntese da doutrina foi verbalizada pelo presidente do STF, quando indagou não se o réu tinha conhecimento dos fatos, mas se o réu “tinha como não saber”...


Ao admitir o ato de ofício presumido e adotar a teoria do direito do fato como responsabilidade objetiva, o STF cria um precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito.

Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender a conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas.

4. O risco da insegurança jurídica

As decisões do STF, em muitos pontos, prenunciam o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência. E, ao inovar que a lavagem de dinheiro independe de crime antecedente, bem como ao concluir que houve compra de votos de parlamentares, o STF instaurou um clima de insegurança jurídica no País.

Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte.

Doravante, juízes inescrupulosos, ou vinculados a interesses de qualquer espécie nas comarcas em que atuam poderão valer-se de provas indiciárias ou da teoria do domínio do fato para condenar desafetos ou inimigos políticos de caciques partidários locais.

Quanto à suposta compra de votos, cuja mácula comprometeria até mesmo emendas constitucionais, como as das reformas tributária e previdenciária, já estão em andamento ações diretas de inconstitucionalidade, movidas por sindicatos e pessoas físicas, com o intuito de fulminar as ditas mudanças na Carta Magna.

Ao instaurar-se a insegurança jurídica, não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito.

5. O STF fez um julgamento político

Sob intensa pressão da mídia conservadora -- cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT - ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.

Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal - assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior - faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470.


Fez política ao definir o calendário convenientemente coincidente com as eleições. Fez política ao recusar o desmembramento da ação e ao escolher a teoria do domínio do fato para compensar a escassez de provas.

Contrariamente a sua natureza, de corte constitucional contra-majoritária, o STF, ao deixar-se contaminar pela pressão de certos meios de comunicação e sem distanciar-se do processo político eleitoral, não assegurou-se a necessária isenção que deveria pautar seus julgamentos.

No STF, venceram as posições políticas ideológicas, muito bem representadas pela mídia conservadora neste episódio: a maioria dos ministros transformou delitos eleitorais em delitos de Estado (desvio de dinheiro público e compra de votos).

Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT. Assim orientado, o julgamento convergiu para produzir dois resultados: condenar os réus, em vários casos sem que houvesse provas nos autos, mas, principalmente, condenar alguns pela “compra de votos” para, desta forma, tentar criminalizar o PT.

Dezenas de testemunhas juramentadas acabaram simplesmente desprezadas. Inúmeras contraprovas não foram sequer objeto de análise. E inúmeras jurisprudências terminaram alteradas para servir aos objetivos da condenação.

Alguns ministros procuraram adequar a realidade à denúncia do Procurador Geral, supostamente por ouvir o chamado clamor da opinião pública, muito embora ele só se fizesse presente na mídia de direita, menos preocupada com a moralidade pública do que em tentar manchar a imagem histórica do governo Lula, como se quisesse matá-lo politicamente. O procurador não escondeu seu viés de parcialidade ao afirmar que seria positivo se o julgamento interferisse no resultado das eleições.

A luta pela Justiça continua

O PT envidará todos os esforços para que a partidarização do Judiciário, evidente no julgamento da Ação Penal 470, seja contida. Erros e ilegalidades que tenham sido cometidos por filiados do partido no âmbito de um sistema eleitoral inconsistente - que o PT luta para transformar através do projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional - não justificam que o poder político da toga suplante a força da lei e dos poderes que emanam do povo.

Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres.

A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente.

Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6ª economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém.

Tanto quanto fizemos antes do início do julgamento, o PT reafirma sua convicção de que não houve compra de votos no Congresso Nacional, nem tampouco o pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve, da parte de petistas denunciados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal.

Ao mesmo tempo, reiteramos as resoluções de nosso Congresso Nacional, acerca de erros políticos cometidos coletiva ou individualmente.

É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio.

Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político - o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais - e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas.

Conclamamos nossa militância a mobilizar-se em defesa do PT e de nossas bandeiras; a tornar o partido cada vez mais democrático e vinculado às lutas sociais. Um partido cada vez mais comprometido com as transformações em favor da igualdade e da liberdade.

São Paulo, 14 de novembro de 2012.
Comissão Executiva Nacional do PT

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nióbio de Araxá: concessão é do governo de Minas

“Jogo Final” fundamentou investigações sobre o nióbio de Araxá  
Documentário mostrou as irregularidades na exploração e exportação de nióbio em Araxá Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM).

A CBMM, que integra o Grupo Moreira Salles, com subsidiárias na Europa (CBMM Europe BV-Amsterdam), Ásia (CBMM Asia Pte - Cingapura) e na América do Norte (Reference Metals Company Inc.-Pittsburgh), tem controle absoluto da comercialização do minério mais raro do planeta, cuja a jazida encontra-se em Minas Gerais na cidade de Araxá.
O documentário comprova que o nióbio vendido para o exterior tem sua tonelada subfaturada. Depois que o nióbio deixa o Brasil, as subsidiárias nos três continentes revendem o mineral para o resto do mundo com valor maior do que o estipulado no Brasil, lesando o cofre do governo de Minas, que tem participação nos lucros da mineradora.
Há duas semanas, o Hoje em Dia publicou que promotores de Justiça preparam um arsenal de documentos para abrir a caixa-preta da exploração de nióbio em Araxá. O mineral é explorado com exclusividade pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), de propriedade da família Moreira Salles, que fundou o Unibanco.
O Ministério Público de Minas pretende usar esses documentos para entender como a CBMM tem o privilégio de extrair o mineral, considerado um dos mais estratégicos do mundo, sem licitação, há mais de 40 anos. O governo de Minas Gerais detém a concessão federal para explorar a jazida, mas arrendou à CBMM sem nenhum critério.
Em 1972, o Estado constituiu a Companhia Mineradora de Piroclaro de Araxá (Comipa) para gerir e explorar o nióbio em Araxá. Como não tinha know-how, à época, definiu que arrendaria 49% da produção do nióbio para a CBMM, sem licitação.
De posse da documentação, após a investigação e análises da papelada, o Ministério Público pretende obrigar o governo de Minas a abrir licitação para a exploração deste que é o maior complexo mínero-industrial de nióbio do mundo.

Com informações  de Amaury Ribeiro Jr. e Rodrigo Lopes - Do Hoje em Dia

Obs:  existem muitas informações falsas sobre o nióbio de Araxá correndo pela internet e a maioria culpa o governo Lula (aliás tudo que é notícia ruim é culpa do Lula)  pela péssima gestão da exploração do minério realizada politicamente com o consentimento dos barões mundiais que aproveitam deste minério (EUA, Reino Unido, etc.).  Agora vemos que é tudo falso. Na verdade o responsável pela exploração do minério é do governo de Minas Gerais que detém a concessão federal para explorar a jazida.

A nota de José Dirceu


A nota de José Dirceu



INJUSTA SENTENÇA
Dediquei minha vida ao Brasil, a luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputado e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.
A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.
Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.
Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

José Dirceu