quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A Industria do Cancer X Medicina Alternativa


A “INDUSTRIA DO CANCER" (Medicina Ortodoxa) X CURA DO CANCER (Medicina Alterntiva) 

As Grandes Corporações tem riqueza e poder. Elas usam seu poder econômico para dominar a política e a sociedade em prol de seus interesses e de seu mercado. Noam Chomsky já dizia: A quem essas empresas devem lealdade? Bem, esse é um conceito bastante ingênuo, pois as corporações só querem crescer e serem lucrativas “…. O documentário “A Terapia Gerson” de Stephen Kroschel (2004) biografa o médico alemão Max Gerson, que desenvolveu uma terapia alternativa para a cura do câncer descritos em seu livro 50 casos de sucesso de seu método. Outros cientistas também descobriram terapias alternativas para a cura do câncer, doenças cardiovasculares e outras degenerativas. Dr. Matthias Rath, junto com Linus Pauling (Prêmio Nobel de Medicina), criador da Medicina Celular, uma outra visão alternativa que foi boicotada pelo establishment médico convencional. Este método teve apoio de vários pesquisadores. Em 1937 três médicos ganharam Prêmio Nobel pesquisando as funções de vitaminas e minerais – foram desconhecidos pelo establishment desde então – e só depois de meio século é que começou a se dar importância à esta área. O Dr. Simoncini também descobriu uma terapia alternativa, com o uso do bicarbonato de sódio, que merecia mais pesquisas. Um excitante trabalho de pesquisa realizado na Creighton University School of Medicine, em Nebrasca, revelou que os suplementos de vitamina D e cálcio podem reduzir o risco de câncer. Outro cientista, Evangelos Michelakis, um pesquisador de câncer na Universidade de Alberta, descobriu há três anos que uma substância química comum e não-tóxica conhecida como DCA, abreviação de ácido dicloroacetato, inibe o crescimento de tumores cancerígenos em ratos. Todos estes métodos demonstraram eficácia na cura do câncer, no entanto foram ignorados pela Medicina Ortodoxa que controla e trata a maioria dos casos de câncer nos países ocidentais e possuem estreitas relações com a indústria farmacêutica e as grandes instituições médicas e de saúde destas sociedades. 

A questão é que estas terapias mereciam no mínimo serem desenvolvidas mais a fundo com apoio dos governos e/ou sociedade. Mas aí é que está o problema: elas não são consideradas, porque são muito baratas, utilizam elementos naturais que não podem ser patenteados. Segundo Michelakis “investir no DCA simplesmente não é um bom negócio; as empresas farmacêuticas são como outras empresas que fabricam produtos que devem ser vendidas com lucro, a fim de sobreviver e crescer”.........“Os grandes laboratórios farmacêuticos não tem qualquer interesse em investir [no DCA] porque não haverá lucro”. ......“Sem a promessa de um lucro razoável, há muito pouco incentivo para qualquer empresa desenvolver novos medicamentos.” ….São necessárias futuras investigações sobre a eficácia do medicamento , e sem a ajuda dos grandes laboratórios farmacêuticos, isto terá que acontecer de uma forma não usual. E aí chegamos num ponto em que existe um conflito imenso, grave e prejudicial à maioria da população. O conflito entre os interesses particulares da indústria farmacêutica e os interesses sociais da população. Entre os interesses capitalistas dominantes no setor saúde e a população. O Prêmio Nobel de Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, “porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade. A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas. Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles” (2011: reproduzido em Outra Política).

Enfim, há mais de 300 tratamentos alternativos de câncer que usam substâncias naturais, que não matam células saudáveis. Cada um deles é, de longe, mais eficaz do que a quimioterapia e/ou a radioterapia. Todos são ignorados e muitos deles têm sofrido perseguição e foram boicotados pelo establishment.…."2 a 4% dos cânceres respondem à quimioterapia...”, segundo Ralph Moss, Ph.D. 1995 Autor de: Questionando a Quimioterapia. …..”não há evidência científica de que, em 97% dos casos, os tratamentos ortodoxos prolonguem a “vida total” dos pacientes em um minuto sequer. De fato, na maioria dos casos, a Medicina Ortodoxa encurta a vida dos pacientes!” …..”Em outras palavras, sempre que você vir uma taxa de cura geral para a Medicina Ortodoxa mais alta do que 3%, é um número gerado inteiramente por truques estatísticos enganosos!!” segundo Webster Kehr. Por outro lado muitos tratamentos alternativos de câncer atingiram uma taxa verdadeira de cura consistente de 50% em pacientes que haviam desistido da Medicina Ortodoxa e que haviam sido encaminhados para casa, para morrer! Tais resultados são possíveis porque esses tratamentos-chave alternativos de câncer não somente atingem exclusivamente as células de câncer, eles podem ser aplicados numa forma bastante condensada e potente, eles não necessitam de um catalisador, e eles podem ser aplicados seguramente em doses muito mais altas do que as de quimioterapia; segundo autores destas terapias. Se a Medicina Alternativa é capaz de ter uma taxa de cura consistente de 90% ou mais, em pacientes recém diagnosticados, então fica claro que a Medicina Ortodoxa também é capaz de ter uma taxa de cura de 90% em pacientes recém diagnosticados se for permitido aos médicos usar substâncias naturais no tratamento da doença. E é exatamente por isso que não se permite que eles usem Medicina Alternativa para tratar a doença. Os 3% de taxa de cura dos tratamentos são tão mais lucrativos do que os tratamentos com taxa de cura de 90% que os “líderes” da Medicina Ortodoxa escolheram intencionalmente suprimir os muito superiores tratamentos alternativos de câncer. Mas um médico corre o risco de perder sua licença médica, e possivelmente o risco de ir para a prisão, usando os tratamentos de câncer mais eficazes, nos EUA. Por outro lado, os tratamentos alternativos não irão curar todos os pacientes com câncer, porque segundo Webster Kehr poucos dos 300 ou mais tratamentos alternativos de câncer são condensados e potentes o suficiente para curar 50% daqueles que vieram da Medicina Ortodoxa ou 90% dos pacientes com tratamentos diretos sem terem passado pelo tratamento ortodoxo.

Do ponto de vista da ciência, se o tratamento certo é escolhido, para uma dada situação, e o paciente evita a Medicina Ortodoxa (exceto em raras situações) devido à sua corrupção, os tratamentos de câncer alternativos são, em muito, superiores. Mas o lado que ganha a maioria dos pacientes com câncer é o lado que possui mais dinheiro. Em outras palavras, a Big Pharma e a Big Medicine possuem mais dinheiro e mais influência sobre a mídia (que é essencialmente possuída e controlada pelas mesmas pessoas que possuem e controlam a indústria farmacêutica), e assim quase todos os pacientes com câncer recém diagnosticados escolhem a pior opção possível porque a mídia possui o pensamento único sobre o assunto, ignorando a verdade sobre os tratamentos alternativos, conduzindo os pacientes a pensar que a Medicina Ortodoxa atual é maravilhosa e eficiente. Câncer é uma doença nutricional ou metabólica. A causa individual dominante do câncer pode ser a maneira que o solo é destruído pelo cultivo intenso e uso de fertilizantes químicos, pesticidas, herbicidas,etc. (drogas cancerígenas que contaminam os alimentos) juntamente com o processamento de alimentos e a dieta “ocidental” dos norte-americanos centrada na carne, lácteos e no açúcar. Se o solo está nutricionalmente “doente” (por exemplo, praticamente sem traços de elementos), as plantas que cresceram naquele solo estarão nutricionalmente “doentes” e as pessoas que comem aquelas plantas estarão nutricionalmente doentes. O Dr. Max Gerson estava advertindo as pessoas sobre o solo há mais de 50 anos! O tratamento alternativo do Dr. Gerson é centrado basicamente numa dieta saudável e concentrada de produtos orgânicos (sem agrotóxicos e usando nutrientes naturais e ecológicos) e sobretudo vegetariana (com suplementos vitamínicos etc.). Mas você não ouve a Big Pharma ou a AMA fazendo campanha para conseguir melhorar o solo ou corrigir as falhas da dieta norte-americana.

A Big Pharma e a AMA aprenderam, há muito tempo, que o caminho para lucros maciços é tratar sintomas. Tratando sintomas você não “curou” o paciente, você simplesmente perpetuou a doença do modo mais lucrativo. Em muitos casos, as drogas que tratam os sintomas interferem com os mecanismos de cura do próprio corpo e assim aumentam a quantidade de tempo que o corpo precisa para curar a doença. Isso aumenta o tempo de medicação em que o paciente permanece! Isso é verdade, por exemplo, com Prozac e muitas outras drogas que alteram a mente. Muitas drogas também viciam. Então não deve ser surpresa que o mesmo governo e corrupção médica que acontece com câncer também aconteça com doenças do coração, artrite, asma, problemas psicológicos, doença de Alzheimer e muitas outras doenças.

Doenças como malária, tuberculose, dengue e Chagas (doenças negligenciadas) estão entre as principais causas de mortalidade no mundo, mas não atraem o interesse da indústria farmacêutica. Dos 850 novos remédios e vacinas aprovados entre 2000 e 2011, apenas 4% destinavam-se às chamadas doenças negligenciadas, que afetam moradores de países mais pobres. A maioria dos produtos são versões de fármacos já existentes. Dos 336 remédios desenvolvidos a partir de novas fórmulas, apenas 4% destinavam-se às doenças negligenciadas. Esses dados fazem parte de estudo O panorama de medicamentos e vacinas para doenças negligencias (2000-11): uma avaliação sistêmica, publicado na revista científica The Lancet , recentemente. O trabalho foi realizado pela iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês), com outros pesquisadores de três universidades da França e Inglaterra, Médicos sem Fronteiras e Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse é o segundo estudo do gênero feito para avaliar a crise em pesquisa para doenças negligenciadas. Há 10 anos, Médicos Sem Fronteiras apresentaram levantamento dos medicamentos aprovados entre 1975 e 1999 - apenas 1,1% destinavam-se às doenças negligenciadas.

Os críticos afirmam que as pesquisas da indústria farmacêutica são orientadas basicamente pelo lucro, o que dá lugar à existência das chamadas doenças negligenciadas. Essas doenças afetam principalmente a população mais pobre dos países em desenvolvimento, que não pode pagar altos preços pelos remédios de que necessita. Assim, a indústria privilegia os investimentos na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças que afetam a população mais rica - mais concentrada nos países desenvolvidos -, pode pagar e garantir o retorno dos investimentos em P&D. Segundo Louis Currat, secretário-geral do Fórum Global de Pesquisas em Saúde, ligado à Organização Mundial de Saúde, "menos de 10% das verbas para pesquisa são destinados a 90% dos problemas de saúde do mundo".

Sob o ponto de vista empresarial, uma indústria farmacêutica tornou-se um negócio potencialmente muito lucrativo e, ao mesmo tempo, extremamente arriscado. Estima-se que o lançamento de um novo remédio exija, em média, 15 anos de pesquisa e consuma algo em torno de US$ 1,7 bilhão (incluídas nessa cifra as despesas com marketing); além disso, mais de 70% dos medicamentos que chegam ao mercado não têm retorno financeiro suficiente sequer para recuperar os seus próprios custos com pesquisa e desenvolvimento (segundo os próprios laboratórios). Como conseqüência, o retorno do investimento das indústrias depende exclusivamente do sucesso de um número muito limitado de medicamentos. Daí os preços abusivos de monopólio de alguns produtos, com altas taxas de lucro para compensar o conjunto da produção. Por isso mesmo, os grandes laboratórios escolheram para si o caminho das fusões e incorporações: a partir da década de 1980, logo no início do primeiro governo de Ronald Reagan, essas companhias foram estimuladas a formar grandes conglomerados industriais com vistas à redução de seus custos e à elevação de seu poder de investimento em pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos. Segundo dados coletados pelo International Medical Statistics – IMS, em 2002 havia no mundo aproximadamente 10.000 empresas fabricantes de produtos farmacêuticos, sendo que apenas 100 delas respondiam por 90% dos produtos destinados ao consumo humano e os 5 maiores laboratórios controlavam quase 30% das vendas mundiais do setor. Ainda usando aqueles dados de 2002, pode-se notar que os 10 medicamentos mais vendidos em todo o mundo, na ocasião, totalizavam vendas de US$ 44,9 bilhões (equivalentes a 11% do faturamento mundial de todas as companhias farmacêuticas juntas). Segundo um relatório setorial produzido em 2007 pela empresa de consultoria Pricewaterhouse Coopers, estima-se que em 2020 o faturamento mundial desse grupo de empresas será o dobro do volume financeiro atual, ultrapassando a impressionante cifra de US$ 1 trilhão. Nas últimas décadas, as grandes empresas farmacêuticas (conhecidas como Big Pharma ), frequentemente têm sua imagem afetada negativamente, dada a relação entre saúde e mercado, o que, em última instância, significa a transformação da saúde em mercadoria.

Há quem afirme, entretanto, que sendo imprescindível a realização de pesados investimentos para a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos eficazes contra certas doenças, os recursos necessários deveriam vir de financiamento público, ou que os preços dos medicamentos fossem subsidiadas pelos governos de países mais atingidos pelas doenças, de modo a reduzir os preços aos consumidores, preservando-se os interesses da indústria, com relação a patentes e royalties. Mas ocorre que, no caso das doenças negligenciadas, os países mais afetados são também os mais pobres. Na articulação da dinâmica de inovação com a sociedade, pode-se afirmar que o círculo virtuoso entre gasto em P&D e marketing, inovação, lucratividade e crescimento possui uma dimensão perversa em que a lógica de mercado se descola das necessidades de saúde, principalmente daqueles países e populações com menor poder de compra e que possuem alta incidência de doenças negligenciadas. As empresas farmacêuticas de fato investem em P&D, assim como outras empresas de outros ramos de atividade. Porém o investimento da indústria farmacêutica é pouco significativo, quando comparado aos seus imensos lucros de monopólio- entre 2½ e 37 vezes superiores aos lucros médios da indústria não-farmacêutica.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que o número de casos de câncer passará de 12,7 milhões em 2008 para 22,2 milhões em 2030, dos quais cerca de quatro quintos ocorrerão em países em desenvolvimento. O número de mortes pela doença deverá passar de 7.6 milhões em 2008 para 13,1 milhões, de acordo com estimativas para 2030.....O jornal USA Today, de 22 de fevereiro de 2006, mencionou que lá pelo ano 2015, os gastos com saúde poderiam representar 20% do PNB. Ou seja, os casos de câncer estão aumentando. A "Industria do Câncer" movimenta cerca de 200 bilhões de dólares por ano (dados de 2004), só nos EUA. As dezenas de curas alternativas para doenças crônicas e degenerativas são infelizmente "censuradas" por pressão dos "lobbies" dos cartéis da indústria farmacêutica, que também controlam entidades médicas (American Cancer Society – ACS, entre outras), mídia e órgãos do governo como o FDA, o órgão regulador dos medicamentos e alimentos, famoso por ter entre seus membros representantes das grandes corporações. E o Brasil apenas reflete esta estrutura capitalista, da mesma forma que ela acontece no centro do sistema.

Daniel Miranda Soares é economista e administrador público aposentado, mestre pela UFV.





sábado, 19 de outubro de 2013

"LIBRA" NÃO É SÓ PETRÓLEO


"LIBRA" NÃO É SÓ PETRÓLEO

 Por Saul Leblon

Em todo o mundo o discurso conservador subsiste em estado comatoso desde o colapso da ordem neoliberal, em 2008. O empenho é para injetar sobrevida ao defunto, resistir e desgastar o anseio de mudança. Até que se generalize o descrédito nos partidos, na luta pelo desenvolvimento e no aprofundamento da democracia política e econômica, como instrumento de emancipação histórica e social.


A ascensão da Frente Nacional Fascista na França é um sintoma (leia a reportagem de Eduardo Febbro; nesta pág). Outro, o poder de uma falange, como o Tea Party, de empurrar até perto do abismo fiscal a nação mais poderosa da terra. São manifestações mórbidas recorrentes. Que afrontam  o anseio da mudança instalado no coração da sociedade pela maior crise capitalista desde 1929.

Quando o extraordinário acontece, as lentes da rotina já não conseguem  explicar  a vida.  A ‘redescoberta’ de Marx, analisada por Emir Sader nesta pág  (leia o blog do Emir), é um sintoma do anseio por um novo foco. É  mais que uma redescoberta intelectual. Essa é a hora em que o preconceito histórico  inoculado  contra o socialismo perde força. Até nos EUA.

Uma pesquisa feita pela Pew Research, no final de 2011, tentou medir esse ponto de mutação. Os resultados foram significativos:

a) na faixa etária entre 19 e 28 anos a menção ao ‘socialismo’  encontra receptividade favorável entre 49% dos jovens norte-americanos (entre 43% ela é negativa).

b) entre a população negra – açoitada pela crise - os dados são ainda mais expressivos: respectivamente 55% de aprovação ; 36%, rejeição.

c) a mesma medição, agora para  ‘capitalismo’, obteve os seguintes percentuais  nos grupos mencionados: 46% e 47%, entre os jovens; e 41% favorável e  51%  negativo, entre os negros.

A informação consta de um artigo de Michelle Goldberg, cuja íntegra será publicada  nesta página. A liquefação da agenda neoliberal e do preconceito anti-socialista não amenizam  a responsabilidade  de se erguer linhas de passagem críveis ao passo seguinte da história. No caso brasileiro, a operação envolve agravantes  de singularidade e circunstância.

Em primeiro lugar, a responsabilidade de  ser governo. Portanto, mais que nunca,  de erguer pontes que partam da correlação de força existente para superá-las, sem risco de regressão.

Em segundo lugar, os sinais de desgaste na confortável pista incremental,  pela qual o país  tem transitado  para responder  a  desafios seculares  com  avanços específicos .

Um terceiro agravante: o  crepúsculo  de um ciclo internacional de alta da liquidez e dos  preços das commodities. A inflexão externa  adiciona percalços à renovação do motor do desenvolvimento brasileiro.

Quarto,  os capitais e os grandes oligopólios não estão parados. O colapso financeiro acelerou a descentralização produtiva que define a nova morfologia  da industrialização no mundo. Travada pelo câmbio desfavorável,  a manufatura brasileira ficou de fora do novo arranjo global das cadeias  de tecnologia e  suprimento.

O país não  resgatará sua competitividade  sem recuperar o terreno perdido nessa área. A flacidez industrial  rebaixa  a produtividade sistêmica da sua economia. Com efeitos regressivos na geração dos excedentes indispensáveis à convergência da riqueza . É nesse horizonte de mutações e desafios que deve ser analisado um  acontecimentos que divide o campo progressista brasileiro. O  leilão de Libra.

A mega-reserva do pré-sal, capaz de conter acumulações equivalentes a até 13 bilhões de barris de  petróleo e gás, deve ser leiloada na próxima 2ª feira (21). Democratas e nacionalistas sinceros divergem. Petroleiros vão à greve.

Defende-se que a Petrobrás assuma sozinha a tarefa de extrair uma riqueza guardada no fundo do oceano que pode conter até 100 bilhões de barris.

A Petrobras tem o domínio da tecnologia para fazê-lo. É quem foi mais longe nessa expertise em todo o mundo.

Mas não dispõe dos recursos financeiros para  acionar esse trunfo na escala e no tempo imperativo. Paradoxalmente, em boa parte, porque cumpriu seu papel de estatal na luta pelo desenvolvimento. Os preços dos combustíveis no Brasil foram congelados pelo governo como instrumento  de controle da inflação. Durante anos. Sob protesto da república dos acionistas ,  cuja pátria é o dividendo. E nada mais.

Secundariamente, o leilão será feito porque o governo necessita também de recursos para mitigar a conta fiscal de 2013. Ademais do peso dos juros  no orçamento federal – exaustivamente criticado por Carta Maior - o Estado, de fato, realizou pesados dispêndios este ano e nos anteriores.

Em ações contracíclicas para impedir a internalização da crise mundial no Brasil. O conservadorismo reprova acidamente essas escolhas. Solertes entreguistas, súbito, pintam-se de verde-amarelo  em defesa da estatal criada por Vargas. A emissão conservadora alveja  o que chama de ‘ uso político da Petrobras  e da receita pública’ para financiar  ‘ações populistas’ , que não corrigem as questões estruturais  do país. A alternativa martelada  é  a ‘purga’ saneadora.

Contra a inflação, choque de juros (muito superior ao que se assiste). Contra o desequilíbrio fiscal, cortes impiedosos na ‘gastança’. Qual?  Qualquer gasto público destinado a fomentar o desenvolvimento, financiar a demanda,  reduzir a pobreza e combater a desigualdade. O ponto é: sem agir  a contrapelo dos interditos conservadores, desde 2008, o Brasil teria  hoje um governo progressista?
 Subsistiria  ao cerco de 2010 contra Lula e Dilma? Ou  da terra  ‘semeada’ pela recessão e o desemprego  emergiria a colheita devastadora? José Serra, que, ato contínuo, reverteria a regulação soberana do pré-sal, como, aliás,  prometera à Chevron. O governo fez a escolha oposta.  O resto é a história dos dias que correm.

Ao decidir pelo leilão de Libra está dobrando a aposta. Qual seja:  mais importante que adiar  Libra  para um futuro de hipotética autossuficiência exploratória,  é  aceitar a participação de terceiros, mas preservar e colher, antes, o essencial. O essencial são os  impulsos industrializantes  embutidos na regulação soberana  das maiores reservas  descobertas neste século em todo o planeta.

Um exemplo resume todos os demais. O Brasil  hospeda  a maior  concentração de plataformas submarinas do mundo. Uma em cada cinco unidades existentes está a serviço da Petrobrás.  Em dez anos, essa proporção vai dobrar.  Assim como dobra a produção prevista de petróleo em sete anos: dos atuais  2 milhões de barris/dia para 4,5 milhões b/d.

Entre uma ponta e outra repousa a chance de a industrialização brasileira engatar  um salto tecnológico e de escala, ancorado nas encomendas  e encadeamentos  do pré-sal. Emprego, produtividade, salários e direitos sociais estão em jogo nesse salto.  A convergência sonhada entre a democracia política, a democracia social e a democracia econômica depende, em parte, do êxito desse aggiornamento industrializante da economia brasileira.

O leilão do dia 21 é um pedaço dessa aposta. Que tem a torcida adversa daqueles que não enxergam nenhuma outra urgência no horizonte do desenvolvimento brasileiro, em plena agonia da ordem neoliberal. Exceto recitar  mantras do  defunto. Na esperança de ganhar tempo para que o desalento faça o serviço sujo: desmoralizar  a política e interceptar o salto histórico do discernimento social brasileiro.

Uma  retração econômica redentora cuidaria do resto, injetando disciplina  nas contas fiscais e ordem no xadrez  político. Para, enfim, providenciar aquilo que as urnas sonegam:  devolver  a hegemonia do país a quem sabe dar ao ‘progresso’  o sentido excludente e genuflexo que ele sempre teve por aqui.

FONTE: escrito por Saul Leblon em editorial do site "Carta Maior"  (http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Libra-nao-e-so-petroleo/29234).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como transformar Excelentes notícias em Péssimas notícias

FOLHA DESTACA APENAS DADOS NEGATIVOS DA PNAD

Em sua coluna deste domingo, a ombudsman da Folha abordou a Pnad. Relata como a mídia transformou uma notícia excelente em um amontoado de péssimas notícias.

Pois bem, a última PNAD revelou um dado surpreendente. Tão surpreendente que surpreendeu até a Néri, um dos principais coordenadores da pesquisa: no ano passado, apesar do “pibinho” de 0,9%, o brasileiro ficou muito mais rico – a renda média cresceu 8,9%.

Pelos cálculos de Marcelo Neri, 50, presidente do Ipea, 3,5 milhões de brasileiros saltaram a linha de pobreza em 2012. "No conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos", diz Neri.
  

Mas não para a nossa grande imprensa conservadora e golpista, que transformou uma excelente notícia em péssima notícia. Veja abaixo o artigo de Suzana Singer, ombudsman da Folha. 

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FOLHA DE SÃO PAULO
6 de outubro de 2013

OMBUDSMAN
SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman facebook.com/folha.ombudsman

Arauto das más notícias
Folha destaca apenas dados negativos da Pnad, apesar de a pesquisa ter apontado aumento de renda em 2012.

A edição que a Folha fez da pesquisa Pnad, que traça anualmente um quadro social do país, é um prato cheio para quem acha que o jornal só publica más notícias. Todos os destaques pinçados no levantamento eram negativos.

O título na capa informava que “Analfabetismo e desigualdade ficam estagnados no país” (28/9). Em “Cotidiano”, havia o aumento da diferença de renda entre homem e mulher, os salários inchados pela falta de mão de obra especializada e o celular como o único tipo de telefone em mais da metade dos lares. A análise dizia que o resultado da pesquisa pode significar “o fim da década inclusiva”.

Outros jornais optaram por manchetes do tipo uma no cravo outra na ferradura: “Renda média sobe, mas desigualdade para de cair” (“O Globo”), “Analfabetismo para de cair no país; emprego e renda sobem” (“Estado”), “Em todas as regiões houve aumento de renda, mas a desigualdade ficou estagnada” (Jornal Nacional).

Com seu característico catastrofismo, a Folha fez uma leitura míope da pesquisa, que é muito importante pela sua abrangência -são 363 mil entrevistados respondendo sobre escolaridade, trabalho, moradia e acesso a bens de consumo.
O dado mais surpreendente era que a renda do brasileiro cresceu em 2012, ano em que o PIB subiu apenas 0,9%. Na Folha, esse fenômeno só foi citado no meio de uma reportagem sobre a desigualdade.
Coube ao colunista Vinicius Torres Freire, no dia seguinte, chamar a atenção para o fato de que o Brasil estava mais rico “e não sabíamos”. “É possível dizer que a taxa de pobreza deve ter caído bem no ano passado”, escreveu Freire.

Pelos cálculos de Marcelo Neri, 50, presidente do Ipea, 3,5 milhões de brasileiros saltaram a linha de pobreza em 2012. “No conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos”, diz Neri.

A desigualdade parou mesmo de cair, mas foi porque os muito ricos (1% da população) ficaram ainda mais ricos (a renda subiu 10,8%), num ritmo mais rápido do que os muitos pobres (10% na base da pirâmide) ficaram menos pobres (ganho de renda de 6,4%). É claro que não se deve desprezar o abismo social, mas não dá para ignorar que houve uma melhora geral no ano passado, o que é um mistério a ser explicado pelos economistas.

Se o jornal subestimou o dado da renda, deu espaço demais para o fato de o analfabetismo ter parado de cair. Teve nesse ponto a companhia dos outros jornais e da TV.

Depois de 15 anos de queda contínua, a taxa de analfabetismo variou de 8,6% para 8,7%. A diferença, irrisória, pode ser apenas uma flutuação estatística. Nem o fato de a taxa ter parado de cair é importante, segundo os especialistas.
Os analfabetos brasileiros concentram-se, principalmente, na faixa etária mais alta (60 anos ou mais). Os mais velhos, que não tiveram acesso à escola na infância, são mais difíceis de serem alfabetizados. “Entre os jovens, a proporção de analfabetos continua caindo. A conclusão é que, embora nossa educação tenha muitos problemas, este não é um deles”, explica Simon Schwartzman, 74, presidente do Iets.

O destaque dado à diferença entre a remuneração de homens e mulheres também foi descabido. Em 2011, a brasileira recebia 73,7% do salário de um homem. No ano passado, era 72,9%.
Além de não ser uma variação muito significativa, pode ser um problema amostral. “As mulheres não estão necessariamente ganhando menos do que os homens. Se elas já têm uma renda média menor, basta crescer a participação feminina no mercado de trabalho para aumentar a diferença entre os sexos”, afirma Marcio Salvato, 44, professor de economia do Ibmec.

Entre os bens de consumo, o jornal destacou o celular e as motos. Wasmália Bivar, 53, presidente do IBGE, ressalta a máquina de lavar roupa, presente em 55% das casas. “Para a vida das famílias mais pobres, é um bem de grande significado, porque dá mais tempo livre para as mulheres.”

Não é fácil escolher o que há de mais relevante em uma pesquisa extensa como a Pnad, mas não dá para adotar o critério dos piores números. O jornalismo deve ter como primeira preocupação o que vai mal, apontar os problemas, só que o necessário viés crítico não pode impedir que se destaque o que é de fato o mais importante.

sábado, 5 de outubro de 2013

Qual é o partido de Marina?

Qual é o partido de Marina?

4 de outubro de 2013
Cite, o arguto leitor e a arguta leitora, quais eram as ideias do ex-futuro partido de Marina Silva, assim, de cabeça.
Tempo! Ficou difìcil, caríssimos?
Pois é, por isso é uma farsa.
Marina não é uma afirmação, não é um projeto político.
Nem mesmo um projeto político montado em torno de uma pessoa, como se poderia, até incorretamente, dizer que foi o PT em torno de Lula ou o PDT com Brizola.
Marina é uma negação: a negação da política, dos partidos, um messianismo sui generis, destes em que o papel do Messias é ser um nada, um ausente, um personagem cuja finalidade é tentar ser presidente para que outros não sejam.
Apenas isso.

Marina representa apenas a parcela da população que crê que o Estado é um mal e que uma nação é apenas um amontoado de interesses paroquiais.
Montam-se partidos com facilidade, e por isso há 32 deles no Brasil.
Montam-se, inclusive, muito mais por interesses e negócios que por ideologia, viu-se com o “Solidariedade” de Paulinho e outros que tais.
Ou por arranjos locais, como o PROS dos Gomes cearenses e do Garotinho fluminense.

Por que, então Marina não conseguiu montar o dela? Ou será que o “dote” de 19,3% dos votos nas eleições de 2010 não tornava “embarcar” no marinismo atraente eleitoralmente?
Por uma razão: Marina não disputa o poder, mas a notoriedade.

Não disputa o poder pelas razões que ao início se apontou: o de não ter um projeto de país, nem mesmo um projeto para o país.
Isso quer dizer que ela não tem representação social ou que não possa ou não deva concorrer a Presidência?
Não, absolutamente.

Marina representa uma parcela da elite brasileira que não consegue pensar além de seu próprio umbigo, que se sabe uma minoria e gosta disso.
Uma versão cult da “gente diferenciada”, que tem um “projeto social” tão vago e tolo quanto aquelas moças que diziam sonhar em ser “modelo-manequim”. E que tem vergonha de ser tucana, para não parecer o que é: direita.
Não tenha dúvida, caro amigo e cara amiga. Em colégios eleitorais como aqueles da foto das bruxas de Blair, dava Marina fácil.
Ela era, ali, uma espécie de bibelô bem arranjado, uma “bonne sauvage” educada, com seus lenços “style” à guisa de penachos. Um exotismo divertido.
Voto popular, mesmo, só entre os evangélicos.

Mas Marina era – e ainda pode ser – útil como candidata.
Desvia parcela da classe média que, com nariz torcido e resmungos, acabaria ficando com o povão e a política real e, com isso,  facilita a única coisa que a direita pode, neste momento, almejar: ir para o segundo turno.
Essa é a encruzilhada onde ela está.
Se for candidata por outro partido, depois de negar a todos, terá de despir os véus do “diferente”, se entregando a um arranjo eleitoral que, quando no Partido Verde, não era tão perceptível, embora fosse real e sua saída do PV, passadas as eleições, só o confirmou.
Se não for candidata, numa eleição já desde o início plebiscitária, teria de ser força de apoio – o que dificilmente sua vaidade permitiria – ou ausência.
A conversinha de discriminação à Rede não colou, porque Marina enredou-se na própria arrogância e incompetência de não conseguir, objetiva e tempestivamente um apoiamento que, convenhamos, seria irrisório para quem dizia ter a preferência de um quarto do eleitorado brasileiro.

Hoje, mais tarde, saberemos para onde vai Marina.
Ou, afinal, já sabemos: para lugar nenhum além de seu próprio egocentrismo.


Por: Fernando Brito
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

A crise do capitalismo no Centro e na Periferia


A crise do capitalismo no Centro e na Periferia

Artigo ampliado. Original publicado no Diário do Aço em 30/09/2013
      A atual crise do capitalismo deflagrada pela crise dos subprime imobiliário nos EUA a partir de 2008, na verdade começou muito antes disso e se espalhou pelo mundo todo devido ao processo de globalização iniciado anteriormente. Mas desta vez a crise capitalista teve impactos diferenciados no sistema como um todo, basicamente atacou mais profundamente o centro do sistema – o mundo desenvolvido; mas também provocou estragos no resto do mundo – a periferia do sistema. Para o economista Amir Khair, mestre pela FGV, “o socorro do Estado ao sistema financeiro para evitar o colapso por ele engendrado ampliou déficits fiscais e endividamentos públicos sem precedentes” nos países centrais. Para ele, os países desenvolvidos cresciam antes da crise (período 2004/2008) a 2,3% aa, passando para depois da crise (período 2009/2012) a crescer apenas 0,5% aa.; uma queda de 77%. Nos EUA e Alemanha a queda foi de 53%, na área do euro foi de 147%, e no mundo a queda foi de 37%. 

       Por outro lado, a crise atingiu todos os países emergentes, desacelerando o crescimento econômico que vinham ostentando. Antes da crise, no período 2004/2008 a média anual de crescimento desses países foi de 7,5% e caiu para 5,4% no período 2009/2012, com perda de 2,1 pontos ou 29%. Uma queda bem menor do que os países centrais e menor do que a média mundial. O Brasil sentiu o golpe e o impacto da crise. Nos mesmos períodos o crescimento passou de 4,8% para 2,7%, com perda de 2,1 pontos ou 44%, portanto acima dos países emergentes, mas abaixo dos países centrais. 

      O geógrafo britânico David Harvey é um dos pensadores mais influentes e mais lidos da atualidade. Une geografia urbana, marxismo e filosofia social na compreensão das contradições do mundo contemporâneo. Professor na John Hopkins e Oxford, seu livro Condição pós-moderna (Loyola, 1992) foi apontado pelo Independent como um dos 50 trabalhos mais importantes no pós-guerra. Seu desenho no YouTube é bastante didático e analisa a crise atual do capitalismo, tendo mais de 2,3 milhões de visualizações. Segundo ele a crise atual teve como base a crise dos anos 70 e é resultado do excessivo poder dos trabalhadores e sindicatos do período pós-guerra (1945-1975), período considerado keynesiano, de grande intervenção do Estado na economia, mas em que houve melhoria das condições sociais dos trabalhadores : maiores salários, benefícios sociais, participação nos lucros, etc. Portanto maior carga tributária; enfim mais Estado e mais bem estar social. Contudo os capitalistas não gostavam porque perdiam poder e tinham menos lucro.
       A crise dos anos 70 põe a nu o período keynesiano e suas contradições capital/trabalho. E a tese é que em muitos aspectos a forma da crise atual é ditada muito pela forma como saímos da última. O problema na década de 1970 foi poder excessivo dos trabalhadores em relação ao capital. Assim a saída desta crise foi disciplinar os trabalhadores. E nós sabemos como isso foi conseguido. Foi feito através de off-shores foi adotado por Thatcher e Reagan e foi feito pela doutrina neo-liberal. E de todas as maneiras e feitios. Mas em 1985 ou 86 a questão do trabalho estava essencialmente resolvida para o capital. Tinha acesso a todas as fontes de trabalho do mundo. Ninguém hoje, citou sindicatos gananciosos como a raiz da crise. Ninguém hoje está dizendo “tem algo a ver com o poder excessivo do trabalho”. Se há algo, é o poder excessivo do capital. E em particular do excessivo poder do capital financeiro, que é a raiz do problema. E então, como é que isto aconteceu? Bem, desde 1970 temos estado numa fase que chamamos de “repressão salarial” em que os salários permaneceram estagnados, a participação dos salários na receita nacional vem paulatinamente diminuindo em todos os países da OCDE. Assim, a partir de Margaret Thatcher e Ronald Reagan se inicia um novo ciclo nas economias ocidentais onde se implanta o modelo neoliberal, desmontando o Estado keynesiano. Menos Estado e mais mercado. Os governos neoliberais tentam destruir todos os ganhos trabalhistas conquistados no período anterior por meio da desregulamentação do mercado de trabalho e do capital, p.ex. abrindo os mercados americano e europeu aos imigrantes para aumentar a oferta de trabalho no intuito de diminuir os salários, etc. Não deu muito certo, então partiram para o deslocamento geográfico da globalização. As multinacionais se deslocam para a China, onde a mão de obra é mais barata. A produção diminui no centro e aumenta na periferia, onde o custo de mão de obra é bem menor.

       No centro os salários caem a partir dos anos 80, 90. Então se diminui os salários, cria-se o problema de onde é que a procura vai surgir. A a resposta foi : “Bem, vem daí os cartões de crédito. Vamos dar cartões de crédito a toda a gente. Então ultrapassamos se preferir, o problema da procura efetiva, ao encher a economia de crédito. Pra não diminuir o consumo o sistema financeiro desenvolve novos produtos para endividar os trabalhadores – o crédito aumenta, a dívida dos trabalhadores triplica nestes 20,30 anos. Assim toda a história do capitalismo tem sido a história da engenharia financeira ou da inovação financeira. E a inovação financeira tem também o efeito de dar poder aos agentes financeiros .A engenharia financeira fica mais sofisticada – os financistas ganham mais poder – a renda se concentra nas mãos dos banqueiros, diminui o consumo, diminui a produção, fecham-se fábricas. E se se observa os lucros financeiros dos EUA , eles dispararam a partir dos anos 1990. E os lucros na produção estavam descendo. Basicamente lixou-se para a indústria para manter os financiadores felizes.

       Como diz Harvey no documentário do Youtube : “O ganho dos ricos se acelerou neste país. Somente no ano passado, o que aconteceu é que os principais proprietários de fundos de cobertura obtiveram remunerações de 3 bilhões cada, num só ano. E eu que pensava ter sido obsceno e insano há alguns anos atrás quando recebiam 250 milhões cada.” … Como boa parte do consumo dos americanos são de imóveis (68% dos americanos tem casa própria) a crise estoura no crédito imobiliário. Lá na ponta alguém tem que pagar. Os trabalhadores perdem suas casas, os bancos cobram e deixam de receber, começam a quebrar.  Nos últimos 30 anos o capitalismo deslocou seu centro de atividades de investimentos do setor produtivo para o setor financeiro especulativo (ativos e valorização de ativos) aluguel de terras, preços de imóveis e até mesmo o mercado de arte.... O setor financeiro inventou várias inovações que permitem que se ganhe dinheiro jogando com o dinheiro. Ou seja vivemos em um mundo muito propenso a crises e elas diziam quase sempre respeito a valores fictícios....dívidas...muitas das crises foram crises urbanas, pois grande parte dos investimentos urbanos é especulativo. Desta vez foi a crise das hipotecas da habitação. Aí entra o governo pra ajudar os bancos. Os governos se endividam, ampliam seus déficits fiscais para salvar o sistema financeiro. Ou seja dinheiro público vindo dos contribuintes vai parar nas mãos do setor privado para evitar a quebradeira das instituições financeiras. A crise está formada e se propaga dos EUA à Europa. 
 
       Depois atinge o resto do mundo pela queda na demanda geral efetiva. Nos países emergentes o ritmo de crescimento diminui, mas continua positivo, porque são atingidos apenas pela demanda externa de seus produtos. Na América Latina, ao contrário dos países centrais, o Estado não diminui e nem se endivida, permitindo uma recuperação dos salários e aumento do mercado interno, com distribuição de renda. Isto acontece porque os governos progressistas da América do Sul não adotam medidas neoliberais. Assim, a crise global os atinge com um impacto bem menor do que nos países centrais. A crise capitalista surge nos países desenvolvidos pela ganância do setor financeiro engedrado intrinsecamente pelas contradições internas do processo de acumulação de riquezas – uma crise típica do sistema capitalista. Esta crise no centro do sistema resultou numa concentração de renda e queda do poder aquisitivo dos trabalhadores e portanto da demanda efetiva. O efeito desta crise se espalha pelo resto do mundo exatamente por este resultado, queda da demanda efetiva. Os países periféricos diminuem seu comércio exterior com os países centrais, sendo atingidos desta forma pela crise capitalista.

Daniel Miranda Soares é economista e administrador público aposentado, com mestrado pela UFV.

domingo, 22 de setembro de 2013

Veja derrotada: não tem preço

bruxas

Veja derrotada: não tem preço

21 de setembro de 2013 | 16:25
A revista Veja também assinou recibo de sua derrota. A decisão do decano do STF, Celso de Mello, de manter uma secular garantia individual devida a todo e qualquer brasileiro, petista ou não petista, entristeceu a revista que simboliza o lado mais podre do reacionarismo tupinambá. Ponto para a democracia!
Abaixo, texto de Maurício Dias, colunista da Carta Capital, sobre a derrota da mídia.

A pressão perdeu
O resultado da votação dos embargos infringentes, com resultado apertado, expressa a derrota da imprensa que sempre tentou pautar o julgamento.
Valendo-se de espaço farto na mídia, os arautos do apocalipse do Supremo Tribunal Federal, o fim da credibilidade da Corte, quebraram a cara. Anunciaram que, vitoriosa a aceitação dos embargos divergentes benéfica a 12 réus da Ação Penal 470, a Justiça estaria desmoralizada perante a opinião pública.
A decisão sobre a inclusão dos embargos chegou a uma dramática situação de empate: cinco juízes contra e cinco a favor dos embargos. O ministro Celso de Mello estava com o voto de desempate. Indicado no governo Sarney, ele é o mais antigo ministro da Corte.
Sem nenhum constrangimento, o ministro Marco Aurélio Mello, que votou contra o uso desse recurso, botou a faca no pescoço do decano e alertou publicamente: “As pessoas podem ficar decepcionadas, e isso pode levar a atos”.
E, de fato, levou. No dia da decisão, um braço do que os jornais consideram opinião pública chegou às portas do STF. Houve tentativas de bombardear o prédio com fatias de pizza, gritando palavras de ordem contra a possível aceitação do embargo.

Visto pela tevê, fica a desconfiança de que havia mais pizza do que manifestantes. A imprensa não deu destaque. Os manifestantes não saíram na foto. Não era aquela multidão esperada e cultivada no imaginário de alguns.
A mídia, como nunca antes em qualquer país do mundo, tentou pautar o julgamento na Justiça. Nos Estados Unidos, há pelo menos um caso que, por essa razão, levou o juiz a anular o julgamento.

Mas é possível tirar daí uma lição. Pressionar o Supremo Tribunal Federal, como fez a mídia, pode ser o começo de um processo capaz de criar instabilidade jurídica. Nesse episódio a pressão perdeu. Uma derrota com placar apertado. 

Com decisões desmedidas, estimuladas pela atenção espetaculosa da imprensa, o julgamento do chamado “mensalão” sempre esteve um tom acima do objetivo natural de fazer justiça, de punir os envolvidos nos delitos cometidos.
Há 25 réus condenados com penas que variam de 2 a 40 anos. Por que tanta resistência com os embargos infringentes que poderão somente alterar, para menos, algumas penas? Não se pode dizer que a Justiça não deixou de cumprir seu papel em razão da cor do colarinho dos réus. Não só cumpriu, como exagerou.

É nesse ponto que se vê o outro lado da Ação Penal 470: a face política que, a partir de certo ponto, transformou o “mensalão” em julgamento de exceção. Construíram, sem constrangimentos, pontes e escadas, e abriram trilhas imaginárias, fosse o que fosse, para punir aqueles réus com “notória exacerbação”, como anotou o ministro Teori Zavascki.

O “mensalão” foi uma rara oportunidade de se tentar provar que, no Brasil, os privilegiados também são punidos quando erram. Quem quiser que se embale nessa fantasia. Ela insinua que, a partir de agora, as celas das cadeias vão ser divididas por pobres e ricos, pretos e brancos.
Por: Miguel do Rosário

Privacidade e internet estão cada vez mais em risco

Privacidade e internet estão cada vez mais em risco

Julian Assange participou através de videoconferência de um debate no Brasil. Para ele, com a internet derrubando as fronteiras entre os países, uma série de questões, em especial de natureza legal, surge. E por isso mesmo, Assange afirma que, hoje, o Brasil está submetido a leis estadunidenses. Por Rodrigo Mendes, de São Paulo

Rodrigo Mendes
São Paulo – Aconteceu nesta quarta-feira (18), no Centro Cultural São Paulo, o ciclo de debates “Liberdade, privacidade e o futuro da internet”, que culminou com a participação do fundador do Wikileaks, Julian Assange. Mesmo que a participação de Assange estivesse agendada para acontecer, via internet, apenas às 19h30 da noite, a partir das 14h o auditório já estava lotado, sinal de que o tema é alvo de muita curiosidade e preocupação.

E já de cara, durante a primeira mesa, que tinha como tema “Arquitetura e Governança na Internet”, a preocupação ficou ainda maior. Os debatedores, Tereza Cristina Carvalho, professora da Escola Politécnica da USP, e Sérgio Amadeu, professor da UFABC e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Tereza Cristina foi taxativa ao afirmar que “nossa privacidade já se foi faz tempo” e que “precisamos governar nossa própria rede, nossa própria vida”. Sérgio Amadeu tocou em pontos sensíveis, como a proposta de Marco Civil da internet que tramita atualmente no Congresso e que, segundo ele, foi construída pela sociedade. Ambas as falas trouxeram diversos elementos de alerta, de que a internet, hoje um espaço ainda livre, corre sérios riscos de se tornar cada vez mais ditatorial.

Julian Assange falou diretamente da embaixada do Equador em Londres, de onde está impedido de sair desde junho de 2012. Com a internet derrubando as fronteiras entre os países, uma série de questões, em especial de natureza legal, surge. E por isso mesmo, Assange afirma que, hoje, o Brasil está submetido a leis estadunidenses. Para ele, os EUA fazem valer a lei deles no território brasileiro.
Esse foi outro ponto que perpassou todos os debates, o fato de os EUA usarem a “desculpa” do combate ao terrorismo, em especial o seu Patriot Act, promulgado depois do 11 de setembro de 2001, para espionar todo tipo de gente, no mundo todo. O problema é que isso se transformou em espionagem industrial, e como disseram vários dos participantes, os EUA usam as informações coletadas para dar vantagens econômicas às suas empresas no mercado mundial.
Para Assange, estamos vivendo um colapso do estado democrático de direito e dos direitos humanos. Além da vigilância massiva, há inúmeros casos de violações de tratados internacionais, crimes contra a humanidade, todos cometidos pelos EUA e aliados, em nome do combate ao terror.

Demonstrando conhecimento sobre o Brasil e a América Latina, Assange explicou que quase toda a comunicação eletrônica daqui passa pelos EUA. Por outro lado, ele exaltou a comunicação eletrônica, dizendo que é graças a ela que ele estava participando daquele debate.