sábado, 29 de março de 2014

VERDADES SOBRE O CASO PASADENA QUE A MÍDIA ESCONDE

REFINARIA DE PASADENA

Se a mídia é contra  eu  sou a favor















ARGUMENTOS PARA RELACIONAMENTO NAS REDES E DEBATES PÚBLICOS

10 VERDADES QUE NINGUÉM DIZ…

1 – A Petrobras pagou pela refinaria de Pasadena um preço bem menor se comparado com outros negócios fechados também em 2006;

2 – A refinaria custou, ao todo, US$ 486 milhões e não US$ 1,18 bilhão como afirmam. O preço final equivale a US$ 4.860 por capacidade de barril processado por dia. A média do preço de compra e venda de refinaria naquele ano nos EUA foi de US$ 9.734 por barril. Pasadena custou, portanto, menos da metade do valor pago por outras refinarias.

3 – A decisão de comprar a refinaria atendia ao planejamento estratégico da companhia, definido ainda no governo Fernando Henrique, que previa investir em refino no exterior para lucrar com a venda de derivados de petróleo sobretudo no mercado americano.

4 – A proposta foi aprovada pelo Conselho de Administração porque era vantajosa para a companhia e atendia ao planejamento estratégico. Uma instituição financeira contratada apenas para avaliar o negócio recomendou a compra. Empresários que participavam do Conselho e não pertenciam ao governo foram favoráveis à compra porque entenderam que o negócio era bom e o preço, justo;

5 – A cláusula de ‘put option’ não é motivo para polêmica alguma. A opção de a Astra Oil vender sua parte à Petrobras só existiu porque a estatal brasileira tinha direito à palavra final sobre os rumos e os investimentos futuros na refinaria. Se a Astra não estivesse de acordo, teria a opção de vender e a Petrobras, que como já se viu tinha o interesse em ficar à frente do negócio, teria a opção de comprar.

6 – O mesmo vale para a cláusula Marlim: a Petrobras levaria a Pasadena 70 mil barris/dia produzidos no campo de Marlim, porém só tinha comprado 50% da refinaria, ou seja, uma cota de refino de 50 mil barris/dia. Para processar os 20 mil barris/dia excedentes, a Petrobras pagaria 6,9% de rentabilidade para “alugar” parte da capacidade que pertencia aos belgas.

7 – A refinaria está operando e dando lucro para a Petrobras;

8 – Somente depois de 2006, quando se descobriu o Pré-Sal e a demanda no mercado brasileiro aumentou, o Conselho de Administração da Petrobras mudou o planejamento estratégico. O foco passou a ser a exploração do Pré-Sal e a construção de refinarias no Brasil.

9 – A crise financeira mundial, a partir de 2008, esfriou o mercado de derivados de petróleo nos Estados Unidos e, por tabela, o preço das refinarias instaladas naquele país.

10 – A decisão de vender a refinaria de Pasadena faz parte do plano de desinvestimento, anunciado pela companhia em 2011, para concentrar investimentos na exploração do pré-sal e nas novas refinarias no Brasil. Mas a empresa não pretende vender no período de baixa. No último ano, no entanto, o mercado norte-americano já dá sinais de novo aquecimento por refinaria com o perfil de Pasadena.



1) POR QUE COMPRAR UMA REFINARIA NOS EUA EM 2006?

A decisão de investir em refino fora do Brasil estava alinhada ao planejamento estratégico da companhia, definido ainda no governo Fernando Henrique, e é anterior a dois fatores que mudaram o cenário após 2006: a descoberta do Pré-Sal e a crise financeira mundial de 2008.

Desde 1998, o planejamento estratégico da Petrobras já previa expandir sua capacidade de refino adquirindo refinaria no exterior. Na época, o consumo de derivados no Brasil estava estagnado e a companhia decidiu investir em refino fora do país, facilitando a exportação para mercados mais aquecidos.


Conselho dá aval para busca por refinaria

Em 2004, o Conselho de Administração aprovou a identificação de oportunidades de processamento no exterior. O cenário era de margens de refino positivas, demanda crescente e excedente de petróleo pesado. Era o boom da ‘Época de Ouro’ do refino de derivados nos Estados Unidos.

Como estava ‘sobrando’ (excesso de oferta) óleo pesado no mundo – como o brasileiro, o venezuelano e o mexicano – e seguia crescente a demanda por derivados leves, sobretudo nos Estados Unidos, a Petrobras seguiu a mesma estratégia de outros grandes produtores globais de óleo pesado à época: pagar mais barato por uma refinaria de óleo leve nos Estados Unidos e adaptá-la para processar óleo pesado.


2) POR QUE PASADENA ERA UM BOM NEGÓCIO?

Naquele cenário pré-2006, a refinaria de Pasadena era uma oportunidade para bom investimento por duas razões:

1) o preço, que estava abaixo da média para refinarias do mesmo padrão;

2) a localização, em Houston, no Texas, era estratégica: além de facilitar a exportação dos derivados para o mercado norte-americano, é próxima ao Golfo do México, região que passou a ser foco da Petrobras para exploração e produção.


Compra é aprovada pelo Conselho em 2006

A compra foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras porque atendia ao planejamento da companhia e a proposta era vantajosa, segundo estudo contratado para avaliar a viabilidade do negócio.

Eis o que membros do Conselho à época afirmam sobre a operação:

Cláudio Haddad, presidente do Insper e acionista da Ambev, afirma: “Havia a opinião do Citibank dizendo que o preço era condizente e a operação se justificava estrategicamente”.

Fábio Barbosa, presidente da Abril e ex-presidente da Febraban, diz: “A proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, da qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim.  A operação foi aprovada naquela reunião nos termos do relatório executivo apresentado.”

Jorge Gerdau, presidente do Grupo Gerdau, diz: o negócio foi decidido com base em “avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio.”



3) O PREÇO DE PASADENA ERA CARO OU BARATO?

O crescimento da demanda de derivados nos EUA (especialmente de 2004 a 2007) levaram a um aumento médio e progressivo no preço das refinarias. Mesmo assim, o preço pago por Pasadena foi bem inferior à média das transações em 2006.

A referência para saber se o preço de uma refinaria é “barato ou caro” é o custo em dólar por barril processado por dia. Exemplo: uma refinaria que processa 100 mil barris por dia e custa US$ 500 milhões de dólares tem um índice de US$/bbl 5.000,00. É assim que se valora e se compara aquisições de refinarias que têm características similares de produção.

Em 2006, a Petrobras pagou por 50% da refinaria de Pasadena US$ 3.800 por barril de capacidade de processamento/dia.

O valor médio das aquisições em 2006 foi de US$ 9.734 por barril.



4) QUANTO CUSTOU, DE FATO, A REFINARIA DE PASADENA?

Foi noticiado que a refinaria de Pasadena teria custado US$ 1,18 bilhão de dólares para a Petrobras. Na verdade, a refinaria custou cerca de 40% desse valor. Vejamos:

US$ 190 milhões, em 2006, para a compra de 50% da refinaria, que tem capacidade para refinar 100 mil barris de petróleo por dia. Portanto, a Petrobras adquiriu a capacidade de refinar 50 mil barris/dia.

US$ 296 milhões, em 2009, para a compra dos 50% restantes que pertencia à Astra, da Bélgica, valor estipulado pela arbitragem internacional.

Portanto, a Petrobras pagou US$ 486 milhões à Astra para comprar 100% da refinaria. Nada mais. Este é o preço real do negócio. Um índice de 4.860 dólares por barril de capacidadede processamento/dia.

Ao fechar o negócio, em 2006, a Petrobras também comprou por US$ 170 milhões metade do estoque de petróleo que a refinaria possuía. O óleo, no entanto, é matéria-prima, foi processado e vendido como derivado, gerando receita e lucro para a companhia.

Ao comprar os 50% restantes da refinaria, a Petrobras também adquiriu novo estoque de petróleo, que pertencia à Astra, também no valor de US$ 170 milhões. Novamente, o óleo foi processado e vendido.

Portanto, são US$ 340 milhões que foram gastos para comprar matéria-prima. Não tem relação com o investimento em si na refinaria.

A Petrobras pagou também US$ 156 milhões em garantias bancárias ao BNP. É importante que fique claro que tais garantias não se referem à compra da refinaria, mas sim um recurso necessário para sua atividade operacional regular. Arcar com garantias bancárias faz parte da operação de qualquer refinaria. Não é custo para compra nem investimento. Não faz parte do preço.

A Petrobras só pagou todo o valor das garantias bancárias de uma só vez, em 2012, porque os contratos estavam em nome da Astra e, durante a fase de litígio, a estatal não poderia pagar diretamente ao BNP. Concluído o acordo, acertou o pagamento devido.

As despesas geradas pelo litígio com a Astra somaram US$ 5 milhões em honorários de advogados e US$ 150 milhões em juros. A disputa judicial, no entanto, como afirmamos, foi uma decisão para garantir que a Petrobras pudesse investir na ampliação da capacidade de refino e ser a única dona da refinaria, pagando o preço que julgava o correto e não o valor pedido pela Astra.

Por último, foram gastos cerca de US$ 44 milhões nos ajustes finais para o rompimento da sociedade.



5) O QUE PREVIA O CONTRATO? POR QUE A SOCIEDADE NÃO DEU CERTO?

O contrato assinado com a Astra, ao adquirir os 50% de Pasadena por US$ 190 milhões, em 2006, previa a necessidade de investimento para capacitar a refinaria a processar óleo pesado.

O contrato também previa a criação do Comitê de Proprietários, formado um representante de cada sócio, que seria responsável pelas decisões estratégicas para operação e investimentos na refinaria. Esta é uma solução comum quando se trata de empresas com vários sócios e ainda mais comum quando as participações são iguais (caso de Pasadena).

A cláusula de ‘put option’

Caberia ao Comitê de Proprietários a palavra final nas decisões, desde que os dois sócios estivessem de acordo. Em caso de impasse, a Petrobras poderia decidir sozinha.

O acordo, portanto, previa à Petrobras à prerrogativa e decidir as estratégias e os rumos da companhia. Em contrapartida, o contrato previu a cláusula do ‘put option’, que dava o direito à Astra de exigir que a estatal brasileira comprasse sua participação caso não estivesse de acordo com as decisões tomadas pela sócia. Este tipo de cláusula de opção de venda é comum em sociedade entre empresas.

A cláusula Marlim

Pelo acordo assinado em 2006, 70% do óleo processado na refinaria seria brasileiro, procedente do campo Marlim. Ou seja, a Petrobras estava comprando 50% da refinaria, portanto uma capacidade de refinar 50 mil barris/dia, porém o óleo de Marlim demandaria uma capacidade de refino de 70 mil barris/dia.

Na prática, a Petrobras excederia sua cota em 20 mil barris/dia e teria de usar parte da cota da Astra. Seria preciso pagar uma espécie de “aluguel” à empresa belga. Para isso, o contrato previu a chamada cláusula Marlim: a garantia de remuneração de 6,9% à Astra pelos 20 mil barris/dia que excediam à capacidade comprada pela Petrobras inicialmente.

Cláusula sem efeito

Mas essa garantia só teria valor e o pagamento seria feito se o investimento na reforma da refinaria para processamento de petróleo pesado fosse realizado em conjunto pelos sócios. Como isso não aconteceu, a cláusula não teve qualquer validade, como ratificou a Justiça americana ao final do processo litigioso.

Início do litígio –  Astra se recusa a ampliar a capacidade de refinaria

Estudos de viabilidade econômica mostraram, no entanto, que a refinaria seria mais rentável no longo prazo se sua capacidade de refino fosse expandida para 200 mil barris/dia.

A Petrobras defendeu o duplo investimento: adaptação ao óleo pesado e o aumento da capacidade de processamento. A Astra se negou a investir e abandonou a empresa. Começa aí o litígio.

Recursos à arbitragem, que estabelece valor pelos 50% da Astra

A Petrobras recorreu primeiramente à Câmara de Arbitragem, em junho de 2008, e posteriormente à Justiça dos Estados Unidos porque a Astra se negou a fazer o investimento inicialmente previsto em contrato, isto é, a adaptação para processamento de óleo pesado e também de ampliar a capacidade de refino.

A Astra, por sua vez, como não concordou com a decisão da Petrobras de ampliar os investimentos, recorreu diretamente à Justiça para fazer valer a cláusula de ‘opção de venda’.

O trâmite foi longo, mas ao fim do processo judicial chegou-se ao montante de US$ 296 milhões pelos 50% restantes da refinaria. A Petrobras também comprou da Astra, por US$ 170 milhões sua parte nos estoques de petróleo.


6 – A CARTA DE INTENÇÕES PARA ENCERRAR A DISPUTA

Antes da decisão final da Justiça, no entanto, a Diretoria Internacional da Petrobras preparou uma ‘carta de intenções’, elaborada por Nestor Cerveró, para tentar antecipar um acordo amigável.

O documento também previa que qualquer proposta só teria valor na mesa de negociação mediante aprovação da Diretoria Executiva e do Conselho de Administração da Petrobras. Só depois deste aval é que poderia ser entendida como uma proposta oficial da Petrobras. A carta não foi analisada pelo Conselho e, portanto, nunca teve valor de contrato – como a própria Justiça americana ratificou ao final do processo.


7 – A NOMEAÇÃO DO ‘PRIMO’ DE GABRIELLI PARA A PETROBRAS AMÉRICA

José Orlando é engenheiro, sempre trabalhou na área de exploração e produção e está na Petrobras há quase 40 anos. Ele não teve qualquer envolvimento na compra da refinaria de Pasadena. Passou a comandar a Petrobras América (PAI) em outubro de 2008, portanto mais de dois anos após a Petrobras assumir a operação de Pasadena e já na fase de litígio com a Astra. A gestão de Pasadena sempre esteve aos cuidados das diretorias Internacional e de Abastecimento, ambas sediadas no Rio de Janeiro.

Importante ressaltar também que o foco da Petrobras América, dirigida por ele, é a atuação em E&P no Golfo do México.


8 – CENÁRIO MUDA COM PRÉ-SAL E CRISE FINANCEIRA MUNDIAL

O cenário para investimento em Pasadena é anterior à descoberta do Pré-Sal pela Petrobras. Outro dado que muda a partir de 2006 é o crescimento do consumo de derivados no Brasil.

Diante desses dois cenários, a Petrobras decide em reunião do Conselho de Administração concentrar seus investimentos pós-2006 na exploração e produção do Pré-Sal e na ampliação do parque de refino no Brasil.

Investimento em refino sobe 12 vezes a partir de 2006

Entre 1998 e 2005, a Petrobras investia internamente US$ 200 milhões por ano em refino.  De 2006 a 2011, a empresa passou a investir US$ 200 milhões por mês – US$ 2,4 bilhões por ano -, 12 vezes mais que o período anterior.

Crise de 2008 provoca queda brutal das margens do refino nos EUA

Enquanto a demanda crescia internamente, o cenário externo mudou radicalmente após a crise financeira de 2008. O consumo de derivados de petróleo nos Estados Unidos foi fortemente afetado pela crise, encerrando-se o ciclo da ‘Época de Ouro’ do refino no país.

As margens para venda de derivados de petróleo caíram sensivelmente, afetando o preço  das refinarias instaladas no país.


9 – O PLANO DE DESINVESTIMENTO E A OFERTA DA VALERO

Em 2011, com a mudança de cenário do mercado externo após a crise financeira de 2008, e diante da necessidade de investir em pesquisa e tecnologia para manter o cronograma de exploração e produção do Pré-Sal, a Petrobras decidiu vender ativos no exterior para fazer US$ 14,5 bilhões em caixa.

É importante prestar atenção em um ponto: por ser uma decisão estratégica e planejada, foram mapeados os ativos fora do Brasil que poderiam ser negociados, porém sem pressa e procurando encontrar o melhor preço possível na venda.

A refinaria de Pasadena é um dos ativos mapeados no exterior, porém não pode ter pressa para fazer qualquer negociação. As condições do mercado em 2012 não favoreceriam um bom preço, uma vez que as margens de rentabilidade do refino nos Estados Unidos caíram sensivelmente após a crise de 2008.

Podemos dizer que em 2012, quando a Valero fez a oferta de US$ 180 milhões, vivíamos um momento de baixa, portanto não atraente para o negócio.

Entretanto, o mercado de derivados de petróleo nos Estados Unidos começou a se aquecer agora em 2013, o que, com certeza, elevará o valor de revenda da refinaria.


REPRODUZIDO DO SITE DE  PAULO HENRIQUE  AMORIM
www.conversaafiada.com.br/economia/2014/03/28/argumentos-para-defender-a-petrobras/

terça-feira, 4 de março de 2014

“A Copa do Medo”, e a história da falsificação da reportagem da revista France Press pelos brucutus atucanados

“A Copa do Medo”, o falsificador e o terrorismo dos brucutus atucanados

3 de março de 2014 | 12:10 Autor: Fernando Brito 
picareta






Alertado pelo Diário do Centro do Mundo, fui ler no UOL a história da falsificação da reportagem da France Football sobre  ”a Copa do Medo” no Brasil.

“O jornalista francês Éric Frosio, de 36 anos, se surpreendeu ao saber que uma reportagem que havia escrito sobre a Copa do Mundo no Brasil para a publicação francesa France Football estava sendo compartilhada por centenas de milhares de brasileiros na internet. Não demorou muito, porém, para Frosio se decepcionar ao notar que o texto que estava sendo compartilhado não tinha nada a ver com aquele que ele tinha produzido.
Uma falsa versão do texto, que cita frases atribuídas de forma errada à revista francesa e que, supostamente, mostram problemas do Brasil, teve mais de 200 mil compartilhamentos no Facebook. “Fiquei surpreso e chateado. Usaram a credibilidade da revista para passar ideias erradas, coisas que não escrevemos”, disse Frosio ao UOL Esporte. “Acredito que tenham feito isso com o objetivo de atacar as políticas da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.”

E foi mesmo, Éric.

O autor da falsificação foi um cidadão chamado Luiz Surianni, que se identifica como jornalista formado em Harvard e presidente de várias entidades, entre elas uma Federação de Centros Espíritas e de Candomblé.
Surianni, um coxinha tardio, é só um exemplo da picaretagem que está tomando conta da rede – patrocinada por uma direita sem perspectiva eleitoral – e, pior, da vida brasileira.
Não passa de um imbecil fanático, espumando ódio e fazendo das suas na periferia das rodas tucanas, que adoram um brucutu sem ética como ele. Uma rápida pesquisa mostra que o cidadão diz dirigir uma “fundação” que leva seu nome para captar dinheiro “para crianças com câncer, uma empresa de lobby, uma “Imprensa Press Brasil” e outras instituições imaginárias.

O melhor da história toda é  que o francês Éric faz uma observação muito interessante, que merece nossa reflexão.
“Com relação à percepção que os estrangeiros têm do Brasil, o jornalista acredita que a violência seja o assunto mais lembrado. “Nas outras Copas que cobri, na Alemanha, na França, a gente fica com a ideia de que é só diversão, futebol e alegria. Aqui também vai ter isso, mas a violência estará presente”, afirma o repórter. “Essa é a primeira pergunta que me fazem sobre o Brasil: ‘É violento? É perigoso?’ Achava que isso estava mudando. Mas esse ano, principalmente no Rio, parece ter voltado.”

Sim, Éric, está voltando e a origem, se você pensar um pouco, é o “pacto entre anormais” firmado pela mídia, coxinhas, extrema direita e oposição.

Eles precisam do medo a que se refere a revista, porque não tem outra forma de voltar ao poder, senão assustando de todas as formas e sem nenhuma ética,  como você mesmo viu com a falsificação de sua matéria, o povo brasileiro.
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A “Fabricação do Consenso” segundo Noam Chomsky

A “Fabricação do Consenso”  segundo Noam Chomsky

O documentário “Chomsky & Cia” é de 2008 e explica como a mídia manipula a opinião pública via fabricação do consenso. Chomsky, considerado o intelectual mais popular e citado do mundo, também é um ativista. Para mostrar como funciona a fabricação de opinião, Chomsky dá exemplo de dois padres dissidentes da década de 80. O 1º, polonês, se tornou o símbolo mundial do terror soviético e o 2º, de El Salvador não teve tanta importância. Em 24 de março de 1980 em El Salvador, Oscar Romero foi assassinado enquanto rezava missa. Ele lutava contra a ditadura apoiada, armada e imposta ao seu país pelos EUA. Seu assassinato causou muito menos comoção que o de seu colega, o padre Popieluszko em 14 de outubro de 1984, na Polônia. O padre dissidente foi assassinado pela polícia do poder comunista. A emoção foi muito grande, a mídia se indignou, o assassinato chegou às manchetes 10 vezes na capa do The New York Times. Noam Chomky e  Edward Herman escreveram um livro em que estudam detalhadamente os dois assassinatos. Resultado: o padre dissidente do regime comunista da União Soviética recebe 100 vezes mais importância que o padre de El Salvador, vítima da ditadura apoiada pelos EUA.

Mas como essa manipulação se dá? Através de complô, serviço secreto? Não. Para Chomsky os EUA não são uma ditadura, a mídia é livre. Mas livre ? Os jornalistas como na França acham que são totalmente livres. Segundo Chomsky se você não satisfizer determinadas condições e requisitos você não será um jornalista de destaque. Isso ilustra a diferença entre estados totalitários e sociedades democráticas. No estado totalitário, o Estado produz e declara a política do partido, você tem que aderir. No estado democrático, a política do partido não é articulada, é pressuposta. Nesse pressuposto ela promove um debate ardente, mas dentro da estrutura do pressuposto. Ninguém questiona, é como o ar que respiramos. Ele penetra na política do partido dando a impressão que há um debate.  O termo “fabricação do consenso” aparece nos anos 1920 criado pelo jornalista Walter Lippman (1889-1974) : significa ganhar adesão e apoio da opinião pública criando “ilusões necessárias”. As ilusões podem ser de criação de necessidades artificiais ou ao contrário a criação do medo, insegurança ou até o terror ou seja a ilusão que cria a desilusão. Walter Lippman vê o povo como um rebanho que se perde facilmente por emoções, medo, incapaz de cuidar de suas coisas, e que deve ser enquadrado, controlado e guiado por uma elite de tomadores de decisões esclarecidos. As pessoas devem ser desviadas para ficarem inofensivas, é preciso submergí-las e atordoá-las com informações, para que não tenham tempo de refletir. Para Chomsky o triunfo da lavagem cerebral sobre os libertados da democracia liberal, é obter, sem violência, sem tortura, o que os totalitaristas conseguem com o uso das armas.
Perguntam ao Chomsky: como o governo influencia a mídia? Ele responde: o governo não influencia a mídia. É como perguntar: como o governo pode convencer a General Motors a aumentar os lucros ? Não faz sentido, a mídia é feita de grandes corporações que tem o mesmo interesse das empresas que dominam o governo.

Existe uma diferença entre a opinião pública e a opinião culta (das elites). A mídia é mais influente nos setores mais cultos e intelectuais, mas muito menos influente na opinião pública. P.ex. durante a campanha de adesão da França à União Européia, as elites e a mídia trabalharam pelo “sim”, enquanto que no referendo popular o povo foi contra. A opinião culta corresponde às políticas públicas.

Mas como mudar a opinião pública? Para Chomsky é muito fácil, é só provocar um incidente. Para provocar a guerra do Vietnã, o presidente Lyndon Johnson só declarou guerra, depois de dizer que o navio americano Maddox tinha sido atacado pelos comunistas em 1964. Um relatório oficial comprovou mais tarde que o navio não havia sido atacado. Outro exemplo: a guerra do Iraque. Aproveitou-se do 11 de setembro para atacar o Iraque, dizendo que eles possuiam armas de destruição em massa. Fizeram a guerra (a indústria bélica prosperou), logo depois descobriu-se que não havia aquelas armas. Nos dois casos, é bom que se diga, que o governo conseguiu o consenso (político) para iniciar as guerras, mas mais tarde houve protestos populares (1968 - Vietnã)) contra as duas guerras. No caso do Iraque, os americanos conseguiram a adesão de alguns países europeus, mas houve grandes protestos populares nestes países.

Em sociedades democráticas a mídia tem um papel: fazer com que a população absorva os valores, as formas de pensar e a visão do mundo que estão de acordo com os interesses das elites. O caso dos transgênicos. No final dos anos 90 os transgênicos eram mal vistos pela população. Agências foram contratadas para passar mensagens positivas e foi feito todo um trabalho sobre linguagem, escolhendo as palavras, como “natureza” e “natural”  e omitindo palavras proibidas de serem usadas. Assim a Monsanto foi aconselhada a usar uma linguagem positiva a favor dos transgênicos. Mas o caso foi abafado também em outras frentes: as empresas financiaram todo um complexo de ações para “liberar” os transgênicos, tais como: influenciar relatórios científicos (até adulterar alguns), participar de comissões de fiscalização dos governos, comprar políticos e a batalha judicial. Nesta última eles perderam em alguns campos em países da Europa, onde são proibidos. Podemos acrescentar que este caso também serve para diversos outros: o caso do “aspartame” (que chegou a ser proibido e depois liberado pela FDA, órgão que passou a ser controlado pela indústria farmacêutica) e no Brasil, o caso dos “agrotóxicos” (hoje vários movimentos sociais estão lutando pela proibição deles - pelo menos dos mais perigosos que já provocaram várias mortes, câncer e envenenamento).

Mudanças Climáticas. Matéria catastrófica foi publicada sobre o acidente da Exxon no mar, provocando mortes e poluição. A Exxon Mobil prometeu US$10 mil a cientistas que escrevessem artigos que diminuíssem a importância das mudanças climáticas. Patrick Michaels, prof. Phd começa a discordar dos cientistas que pregam o aquecimento global. Aparece em todos os jornais e manchetes. Ele diz que há um esfriamento e a mídia divulga que ele diz a verdade. Aquecimento global vira resfriamento global. Mas Patrick tem uma pequena ligação com a Exxon. A Exxon financiou 40 grupos de lobistas para pressionarem o domínio político, mídia e científico. E isso pode explicar porque Chomsky afirma que não há compatibilidade entre capitalismo e democracia. As corporações são tirânicas, anti-democráticas: são as instituições que mais se aproximam do estado totalitário, que não se sentem em obrigações com o povo. E são predadoras. Elas dominam a mídia e o Estado. Para o povo se defender destes predadores, o único instrumento que eles tem é o próprio Estado. Não é uma arma muito poderosa, porque o Estado é aliado destes predadores.

Chomsky prega a democracia industrial. Democracia industrial significa que os trabalhadores vão controlar as instituições, as fábricas, o comércio a distribuição e as comunidades. Associações voluntárias vão substituir o Estado no futuro. São os sovietes ? (pergunta do repórter): Eram os sovietes, mas temos de lembrar que a primeira coisa que Lenin e Trotsky fizeram foi destruir os sovietes e os conselhos dos trabalhadores. E todas as instituições democráticas onde estavam as pessoas.
Para Jean Bricmont, professor da Universidade de Louvain, é difícil classificar Chomsky, ele é muito original, não se classifica nas correntes tradicionais (marxista, leninista, trotskista, esquerdista, socialista, não é liberal, nem Nietszche, nem Heidegger) suas raízes se encontram no Iluminismo, no positivismo lógico do sec. 20, na obra de Russell, no trabalho dos anarquistas pouco conhecidos (Roquere, Abad, Santillán), nos marxistas antileninistas dos conselhos, mas como grande pensador seu pensamento é original. Não podemos reduzi-lo a uma corrente apenas. Ele se diz “anarcossocialista”.

Daniel Miranda Soares é economista e administrador público aposentado, ex-professor universitário.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

IBGE explica por que a elite odeia tanto o Lula

IBGE explica por que a elite odeia Lula

Posted by  on 04/05/11
Foi uma luta para encontrar dados que mostrassem a evolução do índice de Gini do Brasil entre 1995 e 2010. A mídia esconde esses dados porque mostram um fato que destrói a versão que vem sendo alardeada após a divulgação da maior queda de concentração de renda no Brasil durante os últimos 50 anos, de que ocorreu nos governos FHC e Lula.
Em primeiro lugar, o noticiário deixa claro um fato sobre o qual pouco se fala: a ditadura militar (1964-1985) foi implantada para concentrar renda, ou seja, para tornar os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres. Em 1960, antes da ditadura, o índice de Gini era de 0,537 e, em 1995, estava em 0,600. A concentração de renda foi brutal, no período.
Mas o fato mais contemporâneo também é surpreendente e pode ser bem constatado no gráfico acima: durante o primeiro mandato de FHC, a desigualdade permaneceu praticamente intocada e só caiu um pouco a partir do segundo mandato. Já no governo Lula, a queda foi impressionante, fazendo o índice de Gini cair a 0,530 – quanto mais próxima de zero, menor é a concentração de renda.
O IBGE também explica por que os estratos superiores da pirâmide social odeiam tanto Lula. Entre os 20% mais ricos, que se concentram no Sul e no Sudeste, a escolaridade aumentou 8,1% e a renda cresceu 8,9%. No recorte dos 20% mais pobres, que ficam no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, a escolaridade aumentou 55,6%, e foi acompanhada de um aumento de renda de 49,5%.
Por etnia, os negros também experimentaram aumento de renda muito maior do que os brancos, vale dizer. Sobretudo porque negros e descendentes de negros são muito mais numerosos no Norte e no Nordeste.
O governo FHC é tão defendido pelos ricos, que também são donos da mídia, porque foi o que puderam conseguir em termos de, se não aumentar a concentração de renda, ao menos retardar a sua queda. Lula virou as costas para a elite e promoveu a maior distribuição de renda da história deste país. Por isso a elite branca do Sul e do Sudeste o odeia com tanto fervor.
COMENTÁRIO   DE   INTERNAUTA
Fernando
04/05/2011
Análise PERFEITA.
Não é só o fato de ser operário, nordestino ou analfabeto que a elite odeia o Lula , é o caminho que ele optou por trilhar, é pelo fato de dar esperança, trabalho , dignidade e cidadania a uma massa monumental de brasileiros que sempre ficaram a margem dos benefícios dos eventuais crescimento da nação nos diversos momentos históricos em que esse fato ocorreu.
Fazem de tudo para esconder tal feito, mas a internet esta aí para divulgar e nos manter informados, sem dúvida o melhor retrato do que foi o governo Lula , um resumo do que de melhor esse governo deixou de legado para esse país, que a Dilma continue trilhando esse caminho para erradicarmos os 16 milhões de miseráveis restantes no país.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Direita faz festas com quatro factóides da semana

DIREITA FAZ FESTAS COM QUATRO  FACTOIDES

1)Deserção da médica cubana, 2) prisão de Pizzolato na Itália; 3) Apagão energético; e 4) Queda das ações da Petrobrás. 

OS QUATRO SÃO FACTÓIDES, pseudo-escândalos, porque não representam repercussões negativas para o governo e não prejudicam a população. Mas representam para a oposição direitista e a mídia conservadora a possibilidade de desgastar a imagem do governo, tendo em vista que este ano é ano eleitoral.

1)A médica cubana, deserdora, só queria ir para Miami encontrar o namorado e deu corda pra direita aprontar um escândalo.  Dos 5.500 médicos cubanos do programa Mais Médicos,apenas 17 voltaram para casa,o índice de deserção de médicos cubanos é de apenas 0,1% do total. Logo que um desiste ele pode ser substituito imediatamente. Portanto não representa danos à população. Mas a direita faz festa e o Jornal Nacional coloca 10 minutos no ar só sobre o caso, dando voz ao deputado do DEM, Ronaldo Caiado para falar mal do Programa.

2)Pizzolato não deve ser extraditado e poderá ter julgamento na Itália, quando terá chances de expor as fraudes de seu pseudo-julgamento aqui no Brasil, quando foi condenado sem provas pelo STF no famoso e midiático "mensalão", o maior julgamento do século. Pseudo maior julgamento do século, pois o valor envolvido o colocaria bem abaixo de outros mensalões que ainda não foram julgados, porque a justiça blinda o tucanato. 

3)O Apagão energético só durou 30 minutos e foi só uma interrupção em uma linha de transmissão - não representou nenhuma crise de energia nem racionamento, pois não há falta de energia, mesmo com falta de chuva, pois ainda temos as termoelétricas. O Brasil só usa 84 mil megawatt de seu potencial de 127 mil megawatts.

4) A queda das ações da Petrobrás é um caso interessante que engana parte da própria Mídia e outra parte só faz isso para queimar o governo. As análises são enviesadas de propósito.

Jornais derrubam Petrobras. E a turma da bufunfa lambe os beiços com o que vai ganhar. É ISSO O QUE ACONTECEU, JORNAIS ESPINAFRAM A PETROBRÁS começando com análises do Bank of América/Merryl Linch que em setembro do ano passado divulgava boatos sobre a Petrobrás. A Mídia brasileira, submissa e colonizada cai na jogada e repercute. LOGO, as ações caem,e continuam a cair. Em Janeiro deste ano atingem um ponto bem baixo, R$15,00. Entre 20 e 23 de janeiro o banco americano compra 16 milhões de ações da Petrobrás. Ora, mas a empresa não estava quebrando? Com isso, é lógico, o valor de mercado do patrimônio da empresa cai bastante e vira manchete na Globo. Mas como é jogo de mercado,logo, logo, a empresa recupera seu valor verdadeiro, depois que passar o boato, daqui a alguns meses.

DESENHANDO PRA ENTENDER MELHOR. O velho jogo do mercado financeiro, você espalha boatos, as ações caem de preço, aí você compra ações na BAIXA. E ESPERA. Quando elas valorizarem novamente você vende na ALTA. SIMPLES não?  E A GLOBO FAZ O JOGO DO MERCADO, MAS APROVEITA PRA DESGASTAR O GOVERNO.

As manchetes tentam faturar contra o governo. Vejam esta do 247, site do Daniel Dantas. Diz o blog : "Além da deserção da médica cubana Ramona Rodriguez e da prisão do petista de carteirinha Henrique Pizzolato, na Itália, queda de ações da Petrobras na Bolsa e repercussões do apagão energético em seis Estados esboçaram quadro de inferno astral para partido e o governo"  http://www.brasil247.com/pt/247/poder/129293/Direita-em-festa-com-apag%C3%A3o-cubana-e-Pizzolato.htm
Como diz o próprio jornal eletrônico :  "no ano eleitoral, más notícias para a esquerda fazem a festa da direita".  Resta saber se o povo vai acreditar nestes factóides da mídia e dos partidos de oposição. Sabe-se que o povo hoje acessa mais a internet do que a televisão e que cerca de 70% dos brasileiros não acreditam no que a mídia diz, principalmente a TV.

Daniel Miranda Soares é economista e administrador público aposentado, ex-professor de Economia.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pilhar e expatriar : Princípio e fim da elite brasileira

Princípio e fim da elite brasileira: pilhar e expatriar

LULA MIRANDA 10 de Janeiro de 2014

Quando conhecemos os princípios – ou a falta destes – das nossas elites e dos nossos governantes mais conservadores e reacionários, fica fácil entender porque existe a indigência, a pobreza, a violência

O princípio do poder imperial, na época do colonialismo, podia ser resumido a essas duas ações: saquear e expatriar. O "direito" ditado pelo chamado poder de guerra e seus consequentes "espólios" é bastante conhecido. Você deve saber que a maior parte das obras de arte expostas nos grandes museus da Europa é oriunda de pilhagens e "expropriações" nas guerras. Deve saber também que países desenvolvidos e "civilizados" da Europa, como Holanda, Inglaterra, Alemanha, Espanha e Portugal fizeram sua acumulação primitiva de capital escravizando povos, extraindo riqueza das "suas" colônias e remetendo para a metrópole. Isso a gente aprende nas aulas de história.
Sociólogos e antropólogos variados já escreveram diversos ensaios e tratados onde analisam e documentam que, depois que as antigas colônias conseguiram sua suposta e só aparente independência, as elites governantes, que ficam e assumem o manietado poder local, curiosamente, ainda mantinham entranhados em seus hábitos e costumes o princípio da subordinação, mas, principalmente, o da pilhagem e da expropriação aprendidos com os colonizadores europeus.
Esse, segundo os estudos e análises desses diversos intelectuais, seria, grosso modo, uma espécie de "determinismo econômico-cultural", de "fatalismo": a grande mazela ou cacoete atávico que acomete nossas elites.
Algo que também poderia ser denominada de "síndrome do Dilúvio" ou "síndrome da arca de Noé. Ou ainda, num linguajar mais popular de nossas áridas paragens, o velho determinismo do ditado "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Parece-me nítido que não havia, e, creio, ainda não há, da parte de porção significativa de nossas elites, uma preocupação em construir uma nação lastreada nos mais básicos princípios civilizatórios e comprometida com o bem-estar de seu povo.
Parecem, no fundo, por mais incrível que isso possa soar, movidos pelo mesmo impulso bestial que move populações mais pobres quando diante de uma carga tombada em um acidente na estrada, por exemplo: "quero é garantir o meu e dos meus. O resto não importa".

O "detalhe" é que, em verdade, o aludido "resto" é o que de fato importa.
Resolvi escrever esse artigo depois que li, em matéria publicada no blog Diário do Centro do Mundo, que a governadora Roseana Sarney teria depositado a soma de 150 milhões de dólares (cerca de R$360 milhões em valores de hoje) nas ilhas Cayman (ou Caimã), segundo informações vazadas pelo Wikileaks lá atrás, em 2009. Se verídica essa informação, o crime dessa governante se agiganta e se torna ainda mais grave do que já é em si. Pois, sabemos todos, o Maranhão é um dos estados brasileiros que vive afundado na mais aviltante pobreza.

Pilhagem e expatriação.
Um ministro do Supremo recentemente comprou um apartamento em Miami. É um direito dele, ninguém questiona isso. Mas a mimese aqui é semelhante a da síndrome dos crioulos colonizados, os brancos nascidos na América, mas descendentes de europeus. Veja bem: um cidadão negro, de origem humilde, sobe na vida por seus próprios esforços, méritos e talentos, mas "ao fim e ao cabo" assume a mesma postura da elite branca, brega e rastaquera: assegura a sua "arca de Noé" no "paraíso" de Miami. Afinal, amanhã ou depois poderá advir o grande Dilúvio e é preciso preservar a própria espécie. Não é mesmo?

Essas notícias não trazem em si nenhuma novidade. Paulo Maluf foi acusado de possuir centenas de milhões de dólares em contas em outro paraíso fiscal – o que ele nega peremptoriamente. Inúmeros outros governantes já foram acusados de possuir semelhante "poupança" – já que o velho, bom e honesto "porquinho" tornou-se brincadeira de criança.
Recentemente, foram descobertas somas milionárias escondidas na Suíça. Depósitos que teriam sido feitos a título de propina em nome de operadores ligados a políticos do PSDB e do PPS. Certamente há, nos chamados "paraísos fiscais", também depósitos feitos por operadores do PT, do PMDB, do PSB, do PTB etc. Mas, como se sabe, é tudo "mentira": "intrigas da oposição"; tudo parte integrante do nosso "folclore político".

Quando conhecemos os princípios – ou a falta destes – das nossas elites e dos nossos governantes mais conservadores e reacionários, fica fácil entender porque existe a indigência, a pobreza, a violência, os latifúndios improdutivos ou o flagelo causado pela seca. Podemos aprender alguns "fins" ou os "porquês".
1º: pelo qual motivo os presidiários são tantos e amontoados como se fossem dejetos humanos em diminutos e superlotados catres.
2º: por que surgiram os comandos e o crime organizado que hoje dominam os presídios e favelas, oprimem o cidadão de bem e submetem o próprio Estado.
3º: por que os pobres não recebem um atendimento minimamente digno nos hospitais e postos de saúde.
4º: por que a educação pública é tão ruim.
5º: por que os ônibus e metrôs são tão poucos e superlotados.
6º: por que o déficit habitacional é tão grande (faltam cerca de 7 a 8 milhões de moradias para abrigar a população mais carente); por que os aluguéis são tão caros.
7º: por que os melhores empregos são para os filhos dos brancos.

Todo esse elenco de iniquidades é fruto de séculos de dominação por uma elite inescrupulosa e egoísta. É fruto da pilhagem, expropriação e expatriação das riquezas da nação. Mas esse sua natureza, inescrupulosa e egoísta, carrega em si o germe da sua própria destruição. Ou seja, os seus princípios espúrios determinarão a sua própria ruína, o seu próprio fim.
O único caminho possível, para muito além do velho proselitismo político e das mentiras e hipocrisia seculares, é procurarmos trilhar uma política cada vez mais progressista e humanista, unindo os melhores talentos da sociedade com esse fim: o da construção de uma sociedade mais justa, e por isso menos desigual.
Assim deve prosseguir caminhando firmemente o Brasil.
Assim caminham os principais países da América Latina – e até mesmo os EUA.
Assim deve caminhar a Humanidade.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PERSPECTIVAS PARA 2014


PERSPECTIVAS PARA 2014 - “o Brasil é um BMW”
Num editorial histórico, publicado nos jornais brasileiros, que hoje praticam um pessimismo militante, a montadora alemã BMW dá uma lição aos fracassomaníacos : “Ultimamente, parece que está na moda questionar a capacidade do Brasil. A capacidade do País de realizar, de crescer, de ser grande, de ser o país que todo mundo espera e precisa. Permitam-nos discordar inteiramente dessa percepção. Para nós, o Brasil é um BMW....”, diz o texto. “Se alguns duvidam do Brasil, nós investimos 200 milhões de euros”... "Estamos orgulhosos de nos tornarmos um pouco mais brasileiros"....“Se ficam com o pé atrás, nós pisamos no acelerador” : afirmou o diretor da empresa para as Américas, Ludwig Willisch. Ao que tudo indica, os alemães não se informam pela imprensa brasileira, eles tomam suas decisões levando em conta suas próprias análises sobre a economia brasileira.

O ano de 2013 ficará marcado pelo alto investimento de montadoras no mercado brasileiro, que soma R$ 5,2 bilhões. Em outubro, a Daimler anunciou que vai construir uma fábrica de automóveis Mercedes-Benz no país, .....Duas semanas antes, a Audi, unidade da Volkswagen, afirmou que vai investir cerca de 150 milhões de euros para produzir o Q3 e o sedã A3 em São José dos Pinhais (PR) a partir de 2015....A britânica Jaguar Land Rover vai construir sua primeira fábrica de veículos em Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro, em investimento de cerca de 1 bilhão de reais....

O governo federal acaba de divulgar um número que derruba o último pilar do terrorismo econômico, focado no chamado descontrole dos gastos públicos; superávit primário (que mede receitas menos despesas, antes dos gastos com juros) registrado em novembro ficou em R$ 28,8 bilhões; número é recorde e eleva o saldo acumulado do ano a R$ 62,4 bilhões; “É o melhor resultado da série e mostra o que vínhamos falando antes: que iríamos cumprir a meta de R$ 73 bilhões. Estávamos corretos", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin; vitória também do ministro Guido Mantega, que vinha sendo atacado pela suposta "contabilidade criativa".

Fazendo uma RETROSPECTIVA DE 2013, vamos ver que não aconteceu o desastre e o caos econômico previsto pela Mídia Oposicionista :

1) O apagão que não houve. O ano de 2013 começou com garantias expressas de figurões da mídia, como a colunista Eliane Cantanhêde, do jornal Folha de S. Paulo, de que o Brasil viveria um apagão de energia. Rebatia-se, com a arrogância típica da antiga grande imprensa, que as autoridades estavam simplesmente mentindo para o público.....O que se viu, no entanto, foi uma grande ‘barriga’ – nome dado a erros crassos de jornalistas – dos articulistas. O apagão não veio.

2. A inflação que não disparou
À medida em que o fantasma do apagão de energia nem saiu do armário, os proclamados especialistas procuraram outra assombração. Nada melhor, àquela altura, para amedrontar o público, do que o dragão da inflação – simbolizado, em capas ridículas de Veja e Época, nas altas sazonais do tomate....notáveis como a colunista Miram Leitão, de O Globo, baixaram suas cartas na certeza de que a meta de 6,5% do Banco Central seria estourada logo depois da metade do ano....o economista-chefe e sócio do banco Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, pediu que as autoridades provocassem o “esfriamento” da economia, e deixou claro que, para ele, somente o desemprego poderia frear a demanda e, assim, normalizar os preços dos mais diferentes produtos....O que se tem agora, quando 2013 chega ao fim, é um recorde histórico na geração de empregos, que foi a maior do País desde 2002. E, ainda, o que há é uma taxa de inflação projetada que não chegará aos 6%, permanecendo abaixo da meta de até 6,5% estabelecida pelo Banco Central.

3. Os empresários que continuam otimistas
Nos últimos três meses, a moda nas páginas econômicas dos chamados jornalões foi abrir espaço para quem dizia que a paciência dos empresários com o governo federal estava por um triz. Neste final de ano, porém, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou otimismo para 2014.

4. Concessões foram um sucesso
A partir da batida do martelo do campo de Libra, do pré-sal, em outubro, que resultou em bônus de R$ 15 bilhões para o caixa do governo, a administração federal leiloou aeroportos e estradas com forte rebaixamento de pedágios e altos pagamentos pela exploração dos equipamentos. Caiu por terra todo o mau agouro dos que apostavam no fracasso. Como disse o Wall Street Journal, em razão do bem sucedido programa de concessões, a presidente Dilma fecha 2013 “em alta”.

Por último, segundo Luís Nassif, como a mídia transformou crescimento das vendas de fim de ano em surpreendente “fracasso”. Manchete da Folha: “Comércio tem o pior resultado no Natal em 11 anos”.Manchete do Estadão: “Com crédito contido e juros altos, vendas de Natal decepcionam”. Ambos os jornais trabalham em cima de dados da Serasa Experian e da Alshop, a associação dos lojistas de shoppings. A Serasa trabalha especificamente com pedidos de informação para crédito. Houve retração no crédito, mas a maior ferramenta de vendas têm sido o parcelamento (em até dez vezes) em cartões de crédito e de loja. Os jornalões trataram os dados da Serasa como se representassem o universo total de vendas. As vendas em shoppings deixam de lado o comércio para classes C e D – justamente as que mais vêm crescendo. Mesmo assim, os jornalões trataram os dados como se representassem o todo. Os jornalões deixaram de lado o comércio eletrônico – que tem sido o principal competidor das lojas de shopping. Em 2013 os shoppings centers venderam R$138 bilhões, 8% a mais do que em 2012. O comércio eletrônico vendeu R$23 bilhões, ou 45% a mais do que em 2012. Somando a venda dos dois segmentos, saltou de R$151 bilhões em 2012 para R$161 bilhões em 2013, aumento de expressivos 12%. Nos últimos 11 anos, as vendas de Natal sempre cresceram em relação ao ano anterior, o que transforma este no melhor Natal da série.


Pode-se fazer uma caricatura da imprensa brasileira, bem próxima da realidade, citando o post reproduzido milhões de vezes no Facebook chamado “Super Retrospectiva Míriam Leitão”, em que a jornalista da Globo repete o mesmo quadrinho, de 2003 a 2013, com estes mesmos dizeres: “tá tudo errado, inflação vai subir, PIB vai despencar, juros vão disparar, Petrobrás vai falir, Brasil vai quebrar.”. Retrata assim uma imprensa pessimista, fracassomaníaca, combatendo a política econômica do governo e fazendo sua opção neoliberal. A mídia oposicionista na verdade prega alta dos juros pra beneficiar os banqueiros e a privatização da Petrobrás e outras estatais no modelo neoliberal dos anos 1990. Todo mundo sabe que a crise atual no sistema capitalista é consequência do fracasso desse modelo. Exatamente a falta de regulamentação do Estado sobre o mercado financeiro é que está na raiz da crise atual que se iniciou nos EUA e depois se espalhou pelo mundo. Porque ainda insistem neste modelo só pode ser explicado pelo poder que eles ainda exercem na política.

América do Sul é uma exceção no mundo ocidental, porque já tinha sentido na pele o fracasso desse modelo nos anos 1990, bem antes da crise de 2008. O sucesso das economias sul-americanas nos 2000 se deve às intervenções do Estado na economia (modelo keynesiano) estimulando o crescimento econômico e a ampliação do mercado interno via distribuição de renda e geração de emprego. No Brasil a economia continua crescendo com índices pequenos mas positivos (no modelo liberal esse crescimento seria negativo), com recorde de empregos acumulados, menor taxa de desemprego da história, inflação na meta, renda em alta, dívidas em baixa e distribuição de renda. O modelo liberal provocaria a recessão com juros altíssimos, queda na produção e aumento do desemprego. O governo Lula (ainda sem a crise mundial) cresceu em média quase 5% ao ano, enquanto que no governo Dilma esse ritmo cai pela metade, influenciado pelos efeitos da crise mundial, que atinge o mundo inteiro inclusive os Brics.

O desempenho da economia brasileira de janeiro a setembro deste ano, mostra recuperação em relação ao ano passado, com expansão puxada pelos investimentos que cresceram 6,5% neste período. O número é mais do que o dobro do crescimento do PIB de 2,4% neste mesmo período, segundo o IPEA. Fernando Brito, coordenador de Estudos de Conjuntura do IPEA, disse à Agência Brasil que o crescimento dos investimentos tem ajudado a compensar a desaceleração do consumo das famílias. Isso significa que o aumento do nível de investimentos mantém a economia crescendo. Novas concessões na área de logística (rodovias, aeroportos,etc.) podem gerar investimentos gradativos a partir de 2014. Quando entrar em operação no início de 2014, a P-62 vai produzir 180 mil barris de petróleo (só ela, 9% da produção atual) e 6 milhões de m³ de gás (a plataforma é a nona da Petrobras entregue este ano: juntas, elas tem uma capacidade de produção de 1,5 milhão de barris por dia). A refinaria Abreu e Lima (Suape, Pernambuco), quando estiver em funcionamento (2014), terá capacidade de processar 230 mil bpd de petróleo pesado (22% em relação à produção atual), significando menos importação e mais alívio nas contas externas. A Petrobrás vai saltar do patamar atual de 2 milhões de barris/dia para 4,2 milhões de barris/dia, em 2020 (com mais 30 novas plataformas): além de atender a demanda interna vai poder exportar. Portanto, ao contrário do que a mídia sugere, a situação é de otimismo para 2014.

A situação internacional está melhorando. Na semana passada, o FMI anunciou o início da recuperação sustentada da economia dos Estados Unidos. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU prevê estimativas mais elevadas para 2014, com o fim da "prolongada recessão" na zona do euro, assim como a capacidade de Índia e China de "conter" a desaceleração dos últimos dois anos.

Daniel Miranda Soares é economista e administrador público aposentado, ex-técnico da FJP.